E-book a caminho
Bom dia, pessoal!
Ontem saiu o número de ISBN do meu e-book! Levou mais tempo que o esperado, mas está quase pronto!
“Desvendando o Amor- A Revolução dos Relacionamentos” é um livro feito de Ensaios publicados sobre o tema, organizados e revisados. Tem, ainda, um Ensaio final, inédito, reunindo os ensinamentos de todos os textos e chegando às conclusões obtidas ao longo do tempo.
A proposta deste trabalho é permir que que façamos melhores escolhas em nossos relacionamentos afetivos, sejam os que já vivemmos, sejam, principalmente, aqueles que ainda não iniciamos.
Aqui segue a possível capa do livro. Espero que apreciem! Em breve virei com o livro no formato eletrônico, disponível para venda!
Abraços,
Camila
O que EU vi da vida
Foram poucas as vezes que eu liguei a TV em um domingo à noite e vi o quadro “O que vi da vida”, perdida que estava em meu próprio mundo. O último, o corajoso depoimento de Xuxa a respeito do abuso sexual infantil que viveu, foi um dos que acompanhei.
Quando eu assisti a esta entrevista, fiquei tocada. Quando sofremos um dano em nossa alma, reagimos de duas formas: reagindo à ação sofrida na mesma moeda. Seja repetindo o ato danoso a outrem, seja prendendo-nos no ato nefasto sofrido, destruindo-nos, traumatizando-nos. Ou agindo. Transformando o mal em bem, usando como exemplo a dor gerada em nós e usando-a como motivação para que outros não sofram o mesmo que nós. Entendi a necessidade de Maria da Graça ao ver-se cercada das crianças, levando mensagens positivas a elas… ou à criança que não recebeu esta visão de vida. Reconstrução! Admirei-a ainda mais, e senti vontade de dizer-lhe o quanto é bela. Por fora, tanto faz, e isso passa. Mas pelo que ela conseguiu fazer, dentro.
O segundo aspecto que me tocou o coração foi o fato em si de ter trazido esta realidade à tona. Mais um exemplo do que Jung diz a respeito de nos conscientizarmos a respeito da sombra, que todos trazemos, para podermos, então, iluminá-la e dela ficarmos livres. A realidade sempre é o melhor caminho! Só viveremos uma melhor se partirmos do ponto da qual já nos encontramos!
Por motivos diferentes, lembrei-me do filme “polêmico” que fiz (“Escritora tira a roupa para falar de AMOR”), mostrando que sou mulher e não apenas sou, mas como uma bem completa – consigo ter orgasmos múltiplos. Tenho sexualidade ativa! Ter este traço como o “carro chefe” de minha personalidade, isso já é outra história. Mas não posso ser vista como menina e ser desconsiderada neste aspecto só porque não uso decote ou seja “espalhafatosamente” sexy! Sou sim, mas quando e com quem eu quero!
Numa reunião de aniversário, este depoimento do Fantástico veio à tona e a coragem foi elogiada, mas quando citaram outro trecho da entrevista, no qual os hormônios presentes em Xuxa foram por ela evidenciados, constrangimento à mesa. “Não era necessário ela ter dito isso”. Um lado meu ainda concordou… Meu posicionamento sobre o sexo é o seguinte: trata-se de um assunto inerente à vida íntima do ser, portanto, não há necessidade de ser exacerbado publicamente, apenas com pessoas íntimas – amigos confidentes ou o próprio parceiro sexual. De fato, não é um assunto pertinente ao almoço de domingo! É possível ser sensual sem precisar agir assim o tempo todo. É de mau tom falar de particularidades – posições, lugares, sensações e etc. – numa mesa, principalmente se houverem pessoas do outro gênero e sem ligação próxima – inconveniente devido à atração dos sexos e à falta de intimidade entre pessoas. Claro, sempre utilizando bom senso.
Entretanto, um lado novo não gostou desta censura. Falar do sexo em geral, presente na vida de todos, não deveria ser tabu. O lado que me fez fazer o vídeo, que percebeu um extremismo das pessoas : ou são “assexuadas” que fingem que este assunto (o sexo em geral, não as particularidades do indivíduo) não faz parte do cotidiano humano e, ainda pior, taxam como impuro este tema belo e natural; ou fogem desta castração e dirigem-se ao extremo oposto, estimulando a exposição sexual e até mesmo a libertinagem. Seja por fuga, seja por fingir algo impossível no outro grupo – negar uma realidade – e exteriorizá-la de forma desequilibrada. Nossa sociedade, como um todo, saiu da castração, mas ainda está na fase da libertinagem… Não encontrou o uso saudável desta poderosa energia!
Lembrei-me do meu filme porque eu também falei em público algo real e, ao fazer isso, há uma libertação interna de quem faz, e menos margem para ilusões ou extremismos de quem assiste. Um iludido a menos a somar nas fantasias coletivas.
Hoje eu acordei triste, em dor, devido a uma grave desilusão amorosa que veio acompanhada de imensa crise existencial.
Passava no mercado para comprar um capuccino, que adoro e cai bem neste friozinho, e lembrei-me de um evento ocorrido quase três anos atrás com o ser amado, que, hoje doeu muito perceber, eu não mais posso ter a chance de ver neste recinto: certa época, ele estava me tratando com distância, o que estranhei. Senti vontade de não deixar-me abalar com isso, “dar um tempo a ele”. Passei o dia seguinte angustiada, sem ter angústia eu mesma. Como se fosse uma angústia dele… Nesta noite, sonhei que sorríamos, conversávamos, andávamos de mãos dadas e aquela energia boa entre nós havia retornado. No terceiro dia, após o sonho, eu o encontrei na porta deste mercado, sorrindo e com os olhos brilhantes, olhando-me com alegria. Com a mesma energia boa de antes…
Hoje, chorei até o caminho de casa. Ainda durante o dia, cheguei a escrever no meu caderno de bolsa a respeito dos extremismos da minha visão de vida. Já falo sobre eles. No mercado, lembrei-me de outro dia (o que desencadeou um oceano de lembranças análogas), quando ele estava no setor de frios e eu na fila, e fingia não vê-lo. Exatamente porque queria tanto… mas não podia e, por respeito ao casamento dele, me anulava. A distância com a qual eu o tratava era proporcional à minha vontade de saber a respeito dele, de ter por perto… Ou seja: ninguém percebia o que eu sentia!
Será que este “não olhar” era só respeito ao relacionamento de terceiros, ou eu não usava este argumento nobre como desculpa para esconder o meu defeito? Será que parte desta rejeição a respeito dele era porque ele era casado, ou porque eu é que não me sentia boa o bastante, mesmo que lá no fundo, e me acomodava na situação impossível para não precisar mexer neste lado meu? Porque ainda havia resquícios forte da baixa autoestima de outrora e, no fundo, eu ainda não me sentia totalmente merecedora desta realidade que eu já visualizava – e ainda visualizo? Porque eu, no meu extremismo, não visse a vida como se fosse um formulário extremo de quadros “sim” ou “não”, sem meio-termo, e fosse sempre muito “definitiva”: se ele já era casado, era só com a esposa que poderia ter contato mais próximo e pronto, não havia necessidade dele interagir com outras mulheres pois esta área da vida já estava resolvida e era nela que ele buscaria isso. Porque eu restrinjo este tipo de dedicação ao eleito do meu coração, e não me permito conversar despreocupadamente com outros homens, porque já levo tudo para o lado do interesse. Porque confundo isso com “dar colher de chá para o azar”, “paquerar” ou trair. Porque realmente há quem interprete errado e poderia dar algum trabalho, confundir nossas intenções (como já aconteceu comigo!) principalmente se já somos compromissados, e eu seja do tipo fiel e sem necessidade de adulação no ego com paqueras frívolas. Todavia, exagere nisso e não interaja de forma saudável com o sexo oposto… Mas aí entra o meu “definitivo” outra vez: prever o certo e o errado antes, desprezar a necessidade de experimentar, de ver no que vai dar e querer já ter tudo bem planejado e organizado (se é ele, mergulho de cabeça; se não é, não dou nem bola), de lidar com o fato SE acontecer, e não evitar situações normais com medo de que a anormal ocorra (deixar de dar atenção aos homens-amigos bacanas, que veriam tudo com naturalidade, para evitar os “viajantes na maionese”). Ele portanto, como casado, já estaria em seu relacionamento “máximo” na vida e não teria porquê interagir com outras mulheres, pois isso poderia dar brechas a traições. Projetei, portanto, meu comportamento nele, que seria típico de quem é inseguro e precisa de uma certa margem de segurança para agir… Como se estar casado signifique aprisionar o outro ser para somente assim ter garantia de fidelidade, e não cuidar de si e do “nós” e dar motivos para que a pessoa volte, mesmo com todas as variadas opções que, fatalmente, encontrará ao longo do dia: no trabalho, no caixa do supermercado, no trânsito e, ironias à parte, ao simples ato de comer uma pizza.
Eu poderia ter interagido com ele respeitosamente, no âmbito amizade distante e cordial, sem medo, pois se o casamento dele fosse sólido, resistiria e ter uma amizade inocente, mínima, não muda nada. Mas se não fosse sólido e houvesse algo entre nós, seria fato. Nem eu poderia negar! E isso é totalmente diferente de eu dar em cima! Mas isso, não compreendi. Eu sabia que eu queria, então, me travei desproporcionalmente. Fiquei presa em meus rígidos padrões de conduta e conceitos. Na mente e no coração, libertei-me deles, devido à força e à beleza do que sinto. Mas na prática, pelo meu modo errado de ver as coisas, eu me travei. Eu não me permitia conversar com ele. E, quando estava perto, agia como se ele fosse o único que eu não quisesse. Quando meus melhores amigo souberam que era dele que eu gostava, ficaram perplexos. Nunca imaginariam! E, depois, quando eu precisei perguntar se ele correspondia e entender o que eu sentia (intuição ou carência psicológica, pois eu tinha certeza da reciprocidade), achei que era suficiente que ele “soubesse” o que eu sentia, mesmo que eu agisse de forma oposta. Existe uma linguagem oculta nas atitudes… Eu rejeitei quem eu mais queria ao meu lado, e agora sofro por não ter tido a chance de agir diferente. A revolta que senti não ocorreu por eu ser tão orgulhosa que não aceito rejeição (reconheço ser, mas meu orgulho não manifestou-se aqui, foi outra área de mim que doeu! Quem ama liberta? Sim! Mas quem ama, cuida! Eu liberto um filho, por exemplo, ao criá-lo para o mundo e mesmo sentindo a alma rasgar, pago casa e estudo na cidade a horas longe de mim, porque eu sei que ele investe em seu futuro, que viverá experiências próprias da juventude e que isso contribuirá para sua felicidade. Mas se ele estiver envolvendo-se com drogas, ou vagabundagem e eu deixá-lo à mercê da sorte, indo ao precipício, isso não é amor libertador, mas sim, ausência de amor, porque eu estaria sendo negligente diante da sua infelicidade! Posso estar enganada? Claro, sou humana! Mas aprendi a confiar em mim, portanto, foi por isso que lutei: dada à certeza que trago comigo, para impedir a nossa infelicidade! E, de quebra, a de uma terceira pessoa! Pelo amor de Deus entendam: minha reação não tem nada a ver com possessividade!!!!!), mas por não ter tido nem a chance de sair do meu patamar de planejamento, de verdade absoluta, ter arriscado e visto que ele não correspondia. Não falo nem do sim absoluto, mas reclamo até do não concreto que eu não tive como confirmar, seja por uma definição dele, seja por ter a chance de tentar, uma vez que tenha ficado livre, e não dar certo! Não tive oportunidade nem de experimentar, que já seria “ousado” demais para meus antigos padrões, muito menos de concretizar a verdade que eu afirmo. E isso dói! Não tiro a minha razão. Mas jogo cem por cento de culpa no casal porque eu não fiz o que queria na época…
Não que isso o isente de seus erros. Não que minha opinião a respeito do que seja este relacionamento tenha mudado. Não que eu não tenha mágoas reais, que esta conscientização minha “economize trabalho” e ele esteja automaticamente perdoado, como se eu não tivesse autoamor. Como se as coisas fossem como eu pensava: definitivas, só porque “são”, e não precisem passar pelo processo natural. Mas se hoje ele sofre com uma mulher que atrapalha uma história que ele quer viver, é porque um dia deu-lhe esperanças, não respondeu suas perguntas e deixou-a sonhar, foi negligente e arrogante, sim. Entretanto, perante Deus, se estou nesta situação, é porque vai ser útil ao meu crescimento. E, perante minha psique, se eu pude estar nesta situação, é porque um dia eu também me permiti querer e rejeitar, não terminar o ciclo, deixando-me no “stand-by”, permitindo que ele também me deixasse. Hoje uma voz dentro de mim, ao ver-me novamente em dor e, ainda que superficial, mas, outra vez, desespero, perguntou-me até quando eu iria fazer-me de vítima e, assim, me esconder atrás do sofrimento então justificado e impedir minha potencialidade já disponível dentro de mim de inverter a lógica da situação. Repetindo um erro pretérito e fugindo, desta forma, da atitude interna de assumir para mim mesma que é ele que eu quero e de fato, para hoje, não para “um dia”, vibrar isso e enfim libertar-me dos enganos que produziram esta situação irreal.
O que permite-me agora que eu pare de acusar a parcela de erros dele que atrapalharam a nossa história, e enxergue os meus. Afinal, são os únicos que posso realmente mudar. O outro muda o do outro, e apenas se quiser.
Lei do Universo: atraímos para nós o que somos. Eu fui a mulher que ama mas não soube concretizar isso (não refiro-me a ferir meus conceitos e desrespeitar a união matrimonial, mas a aparar as arestas do meu exagero e ter dado abertura para ser eu, e não esta outra pessoa “nada a ver”, quem estivesse com ele uma vez que seu casamento de fato acabasse). E hoje sinto-me com a vida roubada, porque não soube garanti-la.
Há meses, meses, eu tinha a vontade de desapegar-me um pouco da história e pensar em mim. Se fosse para ser “meu”, seria, eu podia desapegar. Entregar para Deus. Eu sabia da importância disso, eu sabia que sem isso, não poderíamos ficar juntos jamais (nem com ele, nem com ninguém). Mas eu não consegui me desprender. Hoje precisei do extremo de ser rejeitada para despertar minha autodefesa, que talvez antes, envolvida pelo amor, confundindo pensar em mim com deixar de ser romântica, eu não despertasse. Despertou em pequenas doses, mas quando eu estava iniciando a caminhada, usava os conceitos equivocados, interrompia o processo e voltava ao ponto de partida. Talvez eu precisasse desta ausência extrema dele em minha vida para ser obrigada a lidar com tudo o que restou: eu. Se eu tivesse me amado antes, pelo amor, não precisaria fazê-lo agora, pela dor.
A felicidade não vem de fora, vem de dentro. Por mais que doa, por mais que atormente, o que acontece no plano dos fatos é secundário. O que realmente importa é o que fazemos disso e em quem nos transformamos. Esta é a lógica da vida. A nossa, do apego ao meu carro, à minha casa, à minha família, aos meus amigos, ao meu trabalho, à minha rotina, à minha cidade, à minha cultura e etc., a tudo o que vivemos agora, ainda é a lógica comum, mas que vira e mexe entra em choque com a da vida. Nossa sociedade é capitalista. Mas poderíamos ter nascido numa comunista, ou em outros tempos, mercantilista, numa tribo indígena, e por aí, vai. Na nossa, anseia-se um emprego – de preferência, seguro – uma casa, um carro, viagens, roupas, passeios, compras, restaurantes, namorados, social, etc. São situações externas que geram sentimentos internos de realização, segurança, status, popularidade, etc. Sentimentos estes despertados em indivíduos de culturas diferentes por outros aspectos sociais , econômicos, profissionais.
Estas conquistas da nossa vida atual, sejam quais forem, são, sim, muito importantes e, principalmente se forem conseqüências, conquistas, devem ser valorizadas! Mas tudo muda. Um desmoronamento ou um ladrão podem destruir nossa casa; nosso carro pode sofrer perda total num acidente; nosso marido não ser mais o mesmo homem de outrora ou nós, a mesma mulher, não haver mais simultaneidade de linguagens e o relacionamento acabar (e é aqui que muita gente trava, apega-se ao fora – meu marido/minha mulher, nossa história, nossos filhos, nosso padrão de vida – apega-se ao que era e não se liberta nem liberta o outro, forçando uma situação que não existe mais!), abrindo espaço para novos amores; o padrão de vida que eu tinha devido a um emprego ou a um casamento pode ruir, o melhor amigo, mudar de cidade, o pai ou a mãe, mudarem de plano de existência (vulgo, morrer), ou o investimento que antes era excelente tornar-se obsoleto devido à mudança de conjuntura global e por aí, vai. Não que perder ou ter essas coisas importantes não seja relevante. É! E muito! É dessas “ida e vindas” que aprendemos e crescemos! Mas deixar de seguir, de viver, única e exclusivamente por isso não é a lógica da vida! É apego!
É necessário dosar o quanto de “fatos” precisamos para elaborar a alma, mas o quanto de realidade da alma precisamos para guiar o mundo dos fatos. Financeiramente, emprego A pode ser mais vantajoso. Mas, se levarmos em conta a vocação, talvez o emprego B seja melhor. Porém, se eu tenho uma doença ou um outro sonho que me exijam maior poder aquisitivo, talvez eu devesse reconsiderar o emprego A e transformar a vocação num hobby. Pretendente A é responsável, engraçado, me dá flores, já tem casa e me trata como uma rainha. Me faz bem! Terei carinho, afetividade, companheirismo, segurança e um bom padrão de vida. Mas o pretendente B é divorciado, tem uma ex-mulher ciumenta, ou uma falecida idealizada, sempre presente, ou um filho problema, ou está em uma transição de emprego, tem uma mania chata de rir alto, mas me faz sonhar, me faz ter vontade de estar ao lado dele incondicionalmente, seja no restaurante badalado ou tomando sorvete na pracinha. Seu olhar me leva ao céu. Citando Celine Dion, nosso mundo fica melhor por causa desta pessoa. A razão pede A. O coração pede B. Quando o chefe lhe pedir um relatório, use a cabeça. Pelo amor de Deus, na área dos relacionamentos afetivos, use o coração, pois é a lei do AMOR que rege esta categoria, não a dos neurônios ou qualquer outra necessidade do Ser. Isso evita uma cadeia enooooorme de problemas não apenas para a sua vida, mas para muitas “suas vidas” que geram um grupo harmônico, portanto, evita desequilíbrio para todo o mundo! Não seja egoísta!
O que eu vi da vida? Eu vi pessoas relacionando-se por motivos outros, menos amor. E separações com menos amor ainda. Orgulho impedindo um “me desculpe” e causando males que consomem uma vida. Mas sempre que vi um casal de mãos dadas ou se beijando, tive fé. Ou sempre que eu beijei ou segurei nas mãos de quem não me tocava a alma – ou tocava pelos motivos errados – sofri a dor do momento, mas nunca deixei de acreditar.
Perdi o medo de me destruir devido à extrema sensibilidade e consegui sair do meu mundo de idéias de como tudo deveria (e vai!) ser, para encarar o que ocorre ao meu redor hoje, sem medo de perder a fé ou de deixar de ser quem eu sou. Desliguei meu DVD que faz a alma lembrar de onde veio ou para onde vai, e coloquei no noticiário. Vi a seca, a corrupção, as manifestações populares que geram violência, o Corinthians na Libertadores, as novelas com temas bobos (com exceção para “Amor, Eterno Amor”. O que é aquela menina, Clara? Para mim, um alento!); andei a pé, fora da proteção metálica do meu carro ou da minha imagem de realização e, misturada a todos, correndo os mesmos riscos, vi a pobreza, o medo da violência, as músicas incômodas, as conversas fúteis e ainda sofro da dor de cabeça resultante do esforço. Ouço os irritantes fogos de artifício que me atrapalham a concentração. Vi pessoas tão diferentes habitando um endereço igual – um planeta chamado Terra.
Vi o quanto sou amada graças à preocupação daqueles que me acompanham e que se sensibilizaram com meu “surto” existencial. Que há coisas boas, sim, no meio das tempestades! E que muitas vezes são apenas elas que evidenciam estas bênçãos que nosso hábito ainda arcaico não sabe ver como importante para estimular a todo tempo…
Concluí, no banheiro do Café, hoje à tarde, que as coisas não precisam ser tão “definitivas”. Que para chegarmos às conclusões, precisamos, sim, passar pelas argumentações, pelas premissas. Mesmo a conclusão sendo óbvia. Porque é preciso também que seja firme. Que eu preciso aprender a respeitar este processo, esta necessidade. Barrar minha ansiedade ou o extremo de ver apenas a vida da alma como mais importante. Conhecer-me a ponto de não repetir experiências que já sei serem infrutíferas, mas não temer perder-me nas experimentações necessárias, pois sei que muitas vezes realmente nos desviarmos do objetivo final da causa dos fatos, por enaltecermos as sensações imediatas. Mas esta consciência deve me ajudar, não me atrapalhar.
Que, muitas vezes, iniciar um romance (livro), comprar um mero esmalte novo e fazer uma simples xícara de capuccino pode ser muito importante e eficaz para amenizar um rombo emocional e substituir toda uma ausência. Porque são pequenas coisas que me fazem despertar, por poucos instantes, a consciência de que sou alguém, que sou importante, bonita, que é gostoso viver e que a vida pode, sim, ser muito bela. E é! E, no conjunto de vários pequenos gestos assim, relacionados e mim, toda a minha alma renasce e, de outra forma, a ausência desaparece.
Eu vi e vejo nos outros o que também tenho em mim: as ilusões formadas pelos extremos ofuscarem a realidade, e trazerem sofrimento. Sejam religiões que levam sua parte da verdade ao pé da letra e, ao não conseguir interpretar a parte da verdade da outra, negam o que ambas pregam. Sejam religiões unidas para atacar a ciência, ou a ciência vasculhando a verdade para defender-se e acabar encontrando o que diz a religião, e ainda assim duelarem. Eu vi o orgulho e o egoísmo, que geram estes conceitos extremos, turvarem a visão de homens, produzindo reportagens e depoimentos próximos de dramas reais que ainda me incomodam a paz.
Eu vi estes mesmos orgulho, egoísmo e extremismo, guiarem almas afins para caminhos opostos. Materializarem uma mentira e, com isso, negarem a verdade. E quase enlouquecer e matar quem a defende, para tornar a encontrá-la. A encontra-se.
Mas eu também vi o renascimento da fé e da esperança nos dedinhos frágeis da pequena amiga que eu visitei semana passada. Eu vi a vida continuar, não importa quão difícil seja, ao reunir uma família alegre numa bela mesa de um aniversário, ou nas mensagens de otimismo da amiga que já compreendeu nas atitudes o que eu ainda sei apenas com a razão e a vontade de exercer: que a vida é o que ocorre dentro, que nós somos o que de mais importante há para nós mesmos. “Por que a gente judia tanto da gente?”.
Eu vi uma alma crescer, ao suportar a inefável dor do impedimento do amor etéreo por uma ilusão concreta - o que ainda fala mais alto neste mundo e fez com que parecesse “louca” e ouvir sermão no meio da maior dor já vivida - e ainda assim ter que respeitar o livre-arbítrio do homem amado e conseguir entender que o mesmo Deus que a guiou para a Verdade, permitiu a ilusão, e continuar a ser Deus. Eu vi uma alma crescer ao conseguir vibrar amor a este homem apesar disso, movimentando energias em si além do imaginável e, quando tudo parecia engano, quando os fatos assustavam demais e era o momento de recuar, afirmar num outdoor a certeza que ela trazia dentro de si. Eu vi uma alma crescer ao parar de acusar um mal sofrido e assumir a parcela de culpa que teve para a “desgraça” na qual se encontra, reconhecendo que somos o que pensamos e atraímos para nós tudo o que nos acontece. Cedo ou tarde, teremos que ceder a isso.
Eu vi, várias vezes, o amor e a verdade terem sempre a palavra final. Pois esta é a lei do “dono da festa”. Se por ventura, agora, ainda não é o que ocorre, é porque não terminou!
Camila Pigato
24/05/2012
Novidades e-book
Como prometido, venho atualizar informações a respeito do lançamento de meu e-book.
Duas semanas se passaram. O sedex que eu postara em 03/05 chegou apenas em 08/05. O escritório de ISBN analisou meus documentos em 14/05. E na última sexta-feira, 17/05, eu recebi a documentação de volta… na pressa, esqueci de assinar!
Enviei outro sedex ontem, acredito que até amanhã eles recebam e que seja mais rápido gerar o registro. Vamos aguardar! Assim que eu tiver o número, divulgo o título! Depois é só mais alguns dias para eu viabilizar o texto em forma de livro digital.
Até breve,
Camila
fonte da imagem: blog.meiapalavra.com.br
Outdoor – Poesia
(Interessados no Video publicado semana passada, favor ver o Post Anterior, é só um click ou rolar página! Dias agitados, cheios de novidades!
)
Olá, pessoal. Como prometido no Outdoor fixado na cidade de Taubaté - SP, segue aqui a poesia mencionada. Todavia, como ela já foi publicada no blog, apenas copiarei o link direto. http://camilapigato.wordpress.com/?s=resposta+%C3%A0+quest%C3%A3o.
Gostaria mesmo de publicar outra, até então, inédita, feita anteriormente, para que entendam mais profundamente o que sinto. Abaixo segue na versão original (apesar do tamanho, o espaço não foi suficiente! Precisei cortar texto! Rs… Fora as alterações necessárias à diagramação) o texto exposto no Outdoor, para aqueles que não podem vê-lo pessoalmente e, em seguida, a poesia “O Mensageiro”.
Como o objetivo da vida é fazer a alma evoluir, tudo o que acontece fora de nós é passageiro e necessário para criar um aprendizado, dentro. Mas ainda nos apegamos demasiadamente com o que acontece externamente e agora, esquecendo ou nem conhecendo este mecanismo da vida… Fatos e pessoas cruzam nossos caminhos para crescermos. Não só das alegrias, mas das tristezas. E as pessoas nos tocam de diversas formas. Foi assim que ele me tocou.
Ainda que tudo isso seja um erro, ao menos serviu para mostrar novamente um sentimento que supera tudo, até então, perdido dentro de mim - exatamente por eu ter me deixado espantar com o que ocorria fora. Deste modo, posso ser livre para seguir na próxima etapa de minha vida, seja ela qual for. Muitas vezes a viagem é tão ou mais importante que o destino final… Ainda que eu não possa viver esta história (por vontade Divina ou da outra pessoa envolvida, contrária à de Deus, não importa), o caminho que percorri graças ao que sinto fez-me crescer imensamente. E sou feliz por isso!!!
Muito amor, de qualquer fonte ou forma, em nossas vidas!
Abraço,
Camila
Texto Outdoor:
“CAMPANHA: O ORGULHO SUBMETE-SE AO AMOR
O., dê uma chance ao amor que, no fundo, você sabe que sente!!! O amor supera tudo, certo? Reconquiste meu respeito, carinho e admiração, perdoemo-nos ambos pela forma como agimos neste impasse e deixe-me fazê-lo feliz de verdade, como você talvez ainda não saiba, mas merece (!), como eu também mereço e, paciente e respeitosamente, esperei!
O maior inimigo do amor é o orgulho. O primeiro arrisca, o segundo amedronta; o orgulho prende, enquanto o amor liberta; aquele toca para acreditar, mas o amor acredita para, então, tocar. E é o orgulho que agora distorce a visão do homem que eu amo… O sentimento que hoje é dele, eu trago comigo desde sempre. Já conhecia meu amado antes de ver seu rosto. Quando o vi, de costas para mim, toda minha alma vibrou!!! Com o passar dos meses, este sentimento foi sendo “ligado” a esta pessoa e eu encontrei o amor no qual sempre acreditei, pelo qual sempre lutei! Incansavelmente, ao longo de toda minha existência! E que, inconscientemente, até busquei em outros, entretanto, neles, o sentimento nunca se manifestou. Graças a este amor, eu também venci o meu orgulho! Eu acreditei no melhor da Vida, no melhor em mim, minha autoestima aumentou e hoje, a despeito das aparências e das opiniões de amigos queridos (que mexem muito conosco!) ou até mesmo da minha própria razão, supero e confio em mim! Sou tão convicta da nobreza do que sinto que hoje estou aqui, abrindo meu coração a todos, sem medo do que irão pensar!
Taubateanos! Não tenham vergonha de dizer “Eu te amo”, ou “Te adoro”, para a pessoa por quem vocês nutram tal sentimento!!! O que ainda nos impede não é bom senso, é orgulho! É o medo do “não”, é a mania de ter sempre que ser superior – não igual! -, é primeiro receber, para depois doar, é o medo do que os outros vão pensar… Vocês deveriam, sim, ter medo de poder viver o amore não o fazer! Demonstrem! Amem!!! Ainda que o “não” venha, vencer seu próprio medo fará com que sintam uma realização indescritível! Mesmo que o outro não corresponda, ao menos autoamor vocês sentirão! Mas… e se for “SIM”? Vamos criar uma cidade amorosa, para contagiar o ambiente, trazer felicidade a vocês e também incentivar este novo morador a finalmente colocar para fora o que sente!!!
O.: no momento, eu posso até ser a “louca” e ela, a felicidade. Entretanto, nem sempre as coisas são o que parecem… O começo é sempre bom… Ela diz “Ele é meu”. Eu ofereço carinho, amizade, cumplicidade, risadas, responsabilidades compartilhadas, desejo, satisfação e afinidade sexual – acredite, nós temos!!! -, cuidado, abnegação, sintonia profunda, companheirismo incondicional, espiritualidade, compreensão, superação e crescimento mútuo com os erros de ambos… e, acima de tudo, AMOR.
Porém, também me amo. Seguirei acreditando e incentivando o este sublime sentimento, ainda que, para poder fazer isso e utilizar o que vivi como exemplo, eu precise usar ao contrário o modo como você se comportou perante mim no fim de tudo; e o que me mova seja não a realização, mas a profunda e inefável dor pelo impedimento, junto da vontade sincera de evitar que outros amores abençoados também se desviem diante das ilusões humanas. Como você sabe que ocorre… O que antes, com raiva, não aceitei, assim que este outdoor for substituído, aceitarei. Com pesar mas, novamente, com amor; mesmo que, contra minha vontade, rasgando, e não virando, uma página essencial de minha vida. A escolha é sua.
Acabou o espaço. Leiam, então, em meu blog (http://camilapigato.wordpress.com.), “Resposta à Questão”, a poesia que eu escrevi dias antes de saber, mas quando ele já estava com a outra. Certamente esta menina é uma boa alma e podem até ter uma boa relação. Porém, se comparado com a união realmente iluminada e amorosa que nós dois poderíamos ter, até o bom, se colocado em hora e local errado, vira ruim, pois impede algo maior de acontecer. Ela, além de nós, merece ser feliz de verdade e buscar este amor íntimo, pessoal e intransferível que eu já sinto, mas que só encontrará em outra pessoa, ainda mais compatível com ela.
Sabe, seus erros me machucaram, fundo. Todos à minha volta veem meu sofrimento, reduzem você apenas a isso e sugerem-me deixá-lo para trás. Pelo mínimo de autoestima que tenho, não mais o consideraria. Mas é o que sinto que, carinhosamente, me convida a superar meu Ego ferido e acreditar no seu Self (o nosso lado mais elevado, divino, como define Jung). E, ao fazer isso, milagrosamente, volto a encontrar o meu! Seus erros não me impressionam, pois eu sei do que você é capaz! Eu acredito em você! E graças a aonde cheguei devido a este verdadeiro céu interior, agora, acredito em todo mundo! O amor é como a fé: “um salto no escuro”. Na verdade, escuro pode parecer a nós apenas por ser desconhecido, porém, ao fazê-lo, o que encontramos é a Luz! Assim como com a fé, no amor, você primeiro doa, para depois receber. E recebe na proporção que arrisca. EU AMO VOCÊ!!!
Taubaté, muito amor em nossas vidas!!!!
Com carinho,
Camila Pigato”
(Poesia protegida por Lei individualmente, além de todo conteúdo do blog)
“O Mensageiro
Vejo anjos
Em torno de mim
Com os olhos
Apenas o abajur
Que irradia linda luz
E abana suas asas
Para nos lembrar
Do Bem que nos conduz
Mas os que realmente estão aqui
Vejo com o que sinto
Para o que me transformo
Quando penso em você
O que é a criação
Senão apenas um meio
Que Deus sabiamente Inventou
Para que a alma
Possa sentir fora e aprender como seu
Algo que já traz desde sempre,
Dentro de si?
Os mundos, as estrelas, o mar,
O céu, as árvores, a chuva,
O sol, as pedras, o ar
Todos seguem um caminho
E com eles, interagindo,
Sentimos a grandeza
E a simplicidade
Do existir
As plantas, os animais,
Desde o unicelular
Ao homem que pensa saber
Todos são seres amados
Cujas vidas devemos celebrar
Na forma do pai
A sabedoria, o carinho, a proteção;
A mãe ensina à alma
O conforto, a bondade, o amor incondicional;
Filhos ensinam a quem os têm
A doação, a resignação, a vida pela vida,
Amor sem igual;
Os amigos são tesouros
Irmãos que escolhemos
E que tanto nos amam
Que não precisam mais estar por perto
Para continuarem a ser
E mesmo longe pelo lugar ou pelo tempo
Basta um sorriso
Para a intimidade de outrora
Venha aparecer
A criança foi criada para que ainda se lembre
Da inocência, da bondade, da pureza;
A adolescência nos relembra,
Para que com a criança não se engane,
A inconstância que podemos ter;
O adulto demonstra a força que
Precisamos exercer
E o idoso novamente é um convite
À realidade de que a vida é um ciclo sem fim
E novamente nosso tamanho pequeno é apontado,
Não sem antes novamente despertar
a inocência do começo misturada
da sabedoria adquirida pelo tempo
Há também os relacionamentos conjugais
Que nos ligam profundamente
Sem do sangue ter-se laços de afinidade
Têm a pureza dos sentimentos mais fortes
Advindos normalmente da família
Junto do conforto de uma amizade.
A comunhão de idéias, a convivência fraterna
A doação, o carinho, o amor incondicional
Pelo menos, é assim um casamento de verdade
O momento que vivemos na atualidade
Ainda é de aprendizado
Portanto, nem todos os relacionamentos assim serão
Pois muitos deles ainda são também um meio,
E não a finalidade
Como muitos ainda pensam que são.
Seja como for, todo tipo do que hoje chamamos “amor”
São modos da Criação nos mostrar
O amor sublime que um dia iremos experimentar
Cada ser, em seu caminho, tem muito a aprender,
Mas também algo a ensinar.
Entre tantas outras coisas,
O medo de tudo o que sinto estar errado,
E com isso o modo como vejo Deus,
Tudo o que aprendi,
A paz que senti,
Fez com que, exatamente por temer perder,
Eu me afastasse de minhas crenças,
De mim mesma, minha essência,
E até mesmo de você eu me perdi.
Suas palavras de bondade
Têm um efeito em mim
Mais poderoso que as mesmas ou ainda melhores
Que qualquer outro ser no mundo pudesse dizer
Mesmo sem resultado imediato,
Você não deve nem saber,
Mas o simples fato de sorrir
E ter vontade de ajudar
Resgatou-me de mais um tormento
Onde eu estava escondida,
presa dentro de mim
Como sou ainda muito pequena
Falar com os anjos não me é permitido
E talvez por ter o coração endurecido
Para entender a pura caridade
O modo mais rápido de encontrar minha alma
E fazer com que entenda os recados que a Vida
Quer que eu aprenda
Seja colocá-los nas mãos de alguém
que me fez encontrar a mais sublime felicidade
Você talvez não fale a língua dos anjos
E sei também não ser perfeito
Mas é exatamente daí que vem toda beleza
Porque o que sentimos, pensamos,
Do que gostamos podem ter muito em comum
E cada defeito seu talvez seja
O que minhas qualidades conseguem compreender
Seus olhos humanos, como um outro qualquer;
Seu modo de viver, tentando ser melhor,
Mas fazendo o mesmo que vejo um grupo fazer
Podem ser simplesmente apenas “mais um”
Mas para mim são o intermédio
Entre este mundo e aquele que de muito perto
ainda não nos é dado conhecer
Você não é melhor do que ninguém
É mais um homem doce, generoso, gentil
Sábio, vivido, inteligente,
Verdadeiramente bom
Sei não ser maioria,
E isso talvez o destacasse.
Destaca, sim.
Mas ainda que houvesse um outro homem assim
Que cruzasse meu caminho neste momento
Não diria em forma de sentimento
Tudo o que sua existência toca em mim
E isso faz com que,
Exatamente por ser humano,
Seja perfeito:
Bom, generoso, gentil,
Mas como só você poderia ser
Por ter encontrado este tipo de sentimento
Ter um relacionamento só por ter
Passa a ser banalidade
Ter alguém ao lado
para não sentir solidão
é muito pequeno, inútil,
vira tormento.
Eu mal comecei a aproveitar este amor,
Impossível seria esquecer
Você me mostra uma outra realidade
Sinto-me completa, feliz, sempre bem-acompanhada,
Pois o tenho no lugar que mais interessa:
O coração.
Belo e pequeno ser humano
Ser por Deus tão Amado
Pois para Ele,
Pouco Importa sermos almas crianças,
Que ainda erram,
Ou aqueles que do Mais Alto cantam
Somos nós que temos sentimentos condicionados
Ele Vê apenas um que já terminou uma etapa
E o outro que pelo próprio ato de errar
Fatalmente irá ao mesmo destino chegar
Para Ele somos todos iguais,
A diferença é que nossa bondade ainda se expressa
Na forma de erraticidade
A deles já está iluminada
E na harmonia consegue se mostrar
Tudo isso para dizer
Que por ainda termos tanto o quê aprender
Esta querida humanidade, onde sou iniciada
Não detém palavras nobres o bastante
Para explicar este sentimento
E que por falta de expressividade
Chamamos “amor”
Então, é assim que denomino
Tudo que sinto por você
Você também veio para crescer
Mas isso é tudo o que imagina ser
Não sabe que sem nada precisar fazer
Me leva direto ao céu,
Sem daqui poder ainda partir.
Faz com que eu me lembre que há amor,
Resignação, esperança, fé
Não apenas por suas palavras,
Mas pelo simples fato de existir.
Você é o maior Presente
E o maior contato com o Criador
Que eu poderia conhecer
Graças ao que sinto
Sou melhor comigo mesma,
Com todos os que me cercam
Com aqueles que talvez eu quisesse manter longe
E agora preciso também viver o amor
Nesses momentos de elevação
Casar parece pouco
Pois o que sinto vem antes e vai muito além desta morada
Consigo apenas elevar o pensamento
E agradecer pela grandeza de Deus
Ao colocá-lo em minha caminhada
Sinto seu abraço
Num olhar
Seu beijo
Num sorriso
E isso é tudo que preciso por enquanto sentir
Talvez se você chegasse mais perto
Eu poderia não suportar
Pois o que sinto é tão intenso
E ao mesmo tempo tão radiante
Que parece desperdício limitar
A um corpo, ainda que abençoado
A um local, em todo firmamento,
A um instante, em toda linha do tempo
O amor que sinto é tão grande…
É difícil de explicar!
Independe de você,
De nossas experiências,
Que são a forma que nossas almas
Encontram de melhorar
E que podem exatamente por isso
Ainda nos afastar
Para que quando não haja mais nada a aprender
E possamos ser livres de outros relacionamentos
Exercer livremente
e nossa união enaltecer
Não sei se você já me encontrou
Mas eu encontrei você
Agora, meu amor,
Ser amado,
Abençoado,
Iluminado…
Graças a você
Deus e eu podemos dialogar”
Video – “Escritora tira roupa para falar de AMOR”
Olá! Agitadíssima esta semana, estou atuando em vários projetos ao mesmo tempo! Avisos:
1 – Livro “A Menina que Encontrou o Amor” está em fase de revisão final e será lançado em breve (dependo da editora para estipular um prazo);
2 – Dei entrada esta semana no registro de um e-book sobre minhas impressões a respeito dos relacionamentos afetivos conjugais. Assim que o registro sair, divulgo o título. São Ensaios publicados sobre o assunto neste e no antigo blog (link à direita), organizados e revisados, além de um novo Ensaio conclusivo no final. Reunindo tudo o que aprendi ao longo dos anos, é possível chegar a inportantes conclusões a respeito do modo como agimos nesta área de nossas vidas. A proposta é interessante!
Produzir um e-book é novidade para mim. Entretanto, acredito que em duas semanas ele estará disponível! Darei notícias!
3 – Vejam este video que produzi semana passada e editei nesta. Na Literatura, há crítica para personagens “rasos”, maniqueístas, e reconhece-se um bom conteúdo quando os personagens são elaborados, profundos. Por que, então, na vida real, rotulamos as pessoas por apenas uma característica e, geralmente, uma atribuição extremista, como se fossem estes personagens rasos que muita gente critica? Precisamos nos compreender como seres complexos. Tão profundos que nem mesmo nós sabemos, muitas vezes, o que guardamos… Neste video eu mostro que sou uma pessoa comum e que se, dentre tudo o que sou e que sei da realidade “pé no chão” do ser humano, defendo estas ideias, é por de fato acreditar nelas. Não por viver num mundo de fantasias… Espero que aproveitem!
Muita paz a todos!
Abraço,
Camila
Observação em 08/05/2012: A data real de publicação deste video é sexta-feira, 04/05/2012. Na manhã de sábado, 05/05, eu excluí sem necessidade o Video, e rapidamente disponibilizei-o online novamente. O Youtube, então, criou um novo link e eliminou tudo referente a ele: comentários, visualizações, “gostei” e etc. Ele tinha 77 visualizações. Umas 3 eram minhas, para enviar os links…rs… O video é o mesmo,só o link no youtube mudou. Acima já está atualizado!
Orgulho e Amor II
Acabo de ver um filme sugerido por uma amiga. Nele o menino chinês “Tan Hong Ming” está apaixonado. Quando a repórter pergunta por que ele não quer que o mundo inteiro saiba, ele responde: “Porque iriam rir de mim”. “Por que vão rir de você?”, pergunta a entrevistadora, e ele responde: “Porque ela não gosta de mim”. O video estará no final.
Anteontem, conversando com um amigo a respeito da minha pancada amorosa sofrida semana passada, ouvi a célebre frase: “Quem ama, liberta”. Ok.
Penso que no texto anterior faltou eu descrever melhor como o orgulho age em nossas vidas amorosas, e o pequeno Tan foi um exemplo propício para o que já vagava em minha mente. Sugiro a leitura do texto anterior, pois aqui farei afirmativas que já foram explicadas. Ou tenham a mente aberta e simplesmente as aceitem!
Somos seres sociais, precisamos de interação. Portanto, a opinião do outro, a imagem que temos perante a sociedade é importante, faz bem à nossa autoestima. O problema é, como sempre, o excesso… Passamos a depender desta opinião e aceitação alheia para nos sentirmos bem conosco. Desta forma, fica cada vez mais difícil fazer algo que a contrarie, mesmo quando nossa individualidade, nossa personalidade, nossas subjetividade, assim o peça.
Isso para tudo. Agora, vamos falar especificamente do amor. Tão presos a este comportamento coletivo, agimos como o menino Tan: “Todos vão rir de mim”. A risada do outro é mais importante que o sentimento belo que nutrimos… A realidade que nos cerca (momentaneamente! Tudo passa!) passa a falar mais alto que o os valores que trazemos dentro de nós. A realidade da alma.
Assim, fica fácil alimentar o orgulho. O medo do que os outros irão pensar, para assumirmos publicamente um sentimento; e, diante do outro, do ser amado, um medo ainda mais íntimo – o de amar, o de se entregar – nos acomete. Faz com que fiquemos seguros em nossos relacionamentos que vivem aquela lógica invertida (ver texto 1), a de fora para dentro, que primeiro recebe para depois dar. O que o outro faz por e para mim e a sensação de realização que eu sinto agora, é mais importante – e mais fácil de se obter – do que eu já poderia estar vivendo. O medo do ridículo, a dificuldade em demonstrar emotividade, doçura – por confundir-se com fragilidade! – consideração pelo outro – por confundir-se com falta de autoamor, com ser submisso – e até mesmo a arrogância do outro perante nós, que nos obriga a nos armarmos e nos defendermos. A necessidade de ficar sempre por cima (para esconder nossa consciente ou não real fragilidade), de ser sempre o que tem a última palavra, a incapacidade de pedir perdão por um erro – ou de perdoar quando nos pedem! –, o menosprezo por algo novo ou belo, por medo do que irão falar. Tudo isso o orgulho faz. Preferimos nos proteger e não avançar, com medo da dor, que nos permitirmos arriscar, experimentar outros níveis conscienciais e sentimentais (mesmo com os tombos inerentes do começo e tendo que vencer o medo do desconhecido), a evoluirmos.
Já foi falado no outro texto que há vários tipos de relacionamentos, que cada ser está em um patamar evolutivo e só dá aquilo que tem. Portanto, ainda que um casal se una apenas por paixão, muito mais por atração física que por conteúdos, se internamente for isso mesmo que eles vibrem, e se ambos quiserem isso, não há problema. Isso não é ruim, é bom! Estão aprendendo e, com o tempo, por esta afinidade sexual, passam a apreciar um ao outro e vão desenvolvendo sentimentos melhores. Se isso é o máximo que os dois podem, ótimo! Estão evoluindo! Assim como com as uniões mais voltadas para a amizade, ou para a praticidade misturada com companheirismo, ou quando confundimos afeições e mesmo quando forçamos a barra para satisfazer o relógio biológico ou a pressão social, mas temos boa intenção com a pessoa “normal que poderia ser outra muito parecida” escolhida e assim, vai. Se ambos estão bem e estão crescendo, e se é o máximo que conseguem, é este mesmo o caminho! Mas a partir do momento que um quer ir além e o outro prefere ficar onde está, não há direito em prender ninguém (o que não tem nada a ver com desconsideração, com quebra de real compromisso ou abandono. E esta realidade não dá ao direito dos “fujões” a usarem-na como desculpa para elevar seus erros. Apenas servem como conscientização para os falsos abandonados – por mais que sua dor seja real e eles, dignos de carinho! - que, na verdade, estão é tendo uma chance da vida de rever valores e recomeçar. Cada caso é um caso. Como no mundo os efeitos são muito parecidos, só as pessoas diretamente envolvidas tem condições de conhecer as diversas e verdadeiras causas).
Claro, as uniões afetivas baseadas em puro interesse material, ou status, poder e mesmo estes da pressão do relógio biológico ou da sociedade, mas que apenas usam o outro para satisfazer seus caprichos (estes têm total consciência do fato e não se importam com o sentimento de terceiros) ou quando só almejam sexo e também vêem o outro como objeto e etc., também não devem entrar nesta regra, porque isso é desvirtuar a natureza de um relacionamento – embora também tragam seus aprendizados. Este tipo de união não podem mais passar pela mente de quem quer aprimorar sua afetividade! Refiro-me a relacionamentos baseados em sentimentos, que respeitam esta natureza, mas que são sentimentos ainda “incompletos”.
O problema está em o indivíduo já apresentar condições de viver uma situação mais “completa” e não o fazer. O objetivo da vida é elevar virtudes. Ao passo que o casal da atração sexual que só tem isso dentro de si está crescendo, o casal que possui mais e que tem até mesmo um relacionamento já mais afetuoso, porém, acomodado, “morno”, e não busca algo melhor, está estacionado. Já conquistou um patamar acima nos níveis de sentimento, se comparados com a ligação puramente sexual. De forma absoluta, parece que o segundo casal está numa situação melhor, por estar num patamar acima. Entretanto, o “casal sexual” está alavancando virtudes, está agindo. O que está num relacionamento morno, mas que já tem capacidade para viver algo mais profundo e não o faz por comodismo – juntos ou separadamente -, está parado. Relativamente, quem está numa situação melhor é o primeiro.
O amor é libertação. Neste aspecto, concordo com meu amigo que quem ama, liberta. Já falo sobre isso. Sair do grande grupo de relacionamentos efetivos “incompletos” e entrar neste outro, o amoroso, é um passo enorme, é controlar amplamente (de forma relativa, para nosso grau evolutivo, mas mesmo o melhor de nós ainda tem muito a crescer – ver texto 1) seu orgulho. Mesmo que, uma vez dentro desta “escola”, ainda se esteja no primeiro dia de aula de um novo berçário e muito se tenha a caminhar para chegar à faculdade. Mas já é uma escola diferenciada.
Amar é doar sem esperar nada em troca. É acreditar sem ver para crer. É querer a felicidade do outro, acima de tudo. Até mesmo de você, se for o caso – e isso nada tem a ver com anulação ou baixa autoestima, embora seja assim interpretado pelos orgulhosos, o que impede ainda mais esta prática. Quantas vezes pedi a Deus, do fundo do coração, para que a esposa dele o fizesse feliz? Quantos anos passei me contentando com um sorriso, com um pensamento em comum, que me dava um arrepio – na alma! O do corpo vinha depois! – e ficando dias e dias feliz só por olhar em seus olhos (que durava apenas um ou dois segundos e quando era estritamente necessário, quando seria até falta de educação não fazer) e o que visse ali, me iluminasse? Se ainda escrevo sobre isso, se cheguei até aqui, é porque acreditei em algo maior que as circunstâncias atuais da época – o impedimento de viver esta história na prática devido ao respeito por seu casamento, que certamente era permitido por Deus, havia alguma causa justa.
Mas eu também sou humana, eu também sou imperfeita e, não apenas de forma geral, como todos nós, por sermos almas crianças (ver texto 1), mas por ter esta qualidade de forma acentuada em mim - orgulho -, errei e me desarmonizei.
Nossas almas estão em constante aprendizado. Temos características passadas, positivas e negativas. No presente, ao passo que vamos tomando consciência do que é a alma, do que é a vida e nos esforçamos para caminhar em direção desta realidade, vamos domando nossas más tendências. Seja por intuição, seja por estarmos ligados a tal ou tal religião, não importa a forma. Mas buscamos algo divino, dentro de nós.
O exercício de elevar a alma é muito similar a nos livrarmos de um vício físico. O alcoolismo, por exemplo. Primeiro é necessário admitir-se “alcoólatra”. Feito isso, procura-se ajuda. Interna-se. Com o grupo de apoio e com a desintoxicação, dá-se um grande passo para se livrar do vício. É aqui o problema: entende-se esta ausência de contato material com o álcool, como a cura, e os organizadores destes programas precisam insistir: “ter recaída é normal. Não desanime, faz parte do processo!”. Porque o passo final é este: a prática, o “resistir a tentação”, saber ponderar, saber conviver com isso. Saber controlar a si mesmo.
Como somos racionais demais (ver texto 1), menosprezando nossa outra potência do ser – o emocional – preciso fazer uso de um exemplo ocorrido na área fisiológica, portanto, palpável, ponderável, para, por analogia, entendermos um pouco mais sobre o funcionamento de nossas emoções. Sendo assim, quando detectamos um defeito em nós, buscamos ajuda: seja por conversas com amigos, seja por leituras, seja por religiosidade. Afastamo-nos daquela sintonia negativa e sublimamos um pouco nossas idéias, descobrindo um mundo novo. Enxergamos um novo modo de viver. Como o alcoólatra ou o drogadito numa clínica. Mas isso não é suficiente: somente quando voltarmos para o “mundo real” e situações na vida estimularem o uso desses antigos defeitos, é que conseguiremos verdadeiramente a superação deles. Ficar longe deles não é a vitória. É uma louvável conquista! Mas ela consiste em conviver com nossas falhas e conseguir não mais ser dominado por elas. E errar, repetir o gesto anterior, faz parte. A diferença é que antes se era egoísta, rude, ciumento, autoritário, escandaloso ou o que quer que fosse, por ignorância, e nada se fazia para melhorar de atitude. Hoje, depois deste processo, quando acontece algo que nos tira do controle e repete-se o ato, o incômodo interno já é maior, reconhece-se mais facilmente a causa que o levou a tal atitude e fica mais fácil contorná-la na próxima situação. Por fora parece o mesmo gesto (e é por isso que muitos desistem, porque enxergam apenas o efeito, que é parecido, e não a causa, não o processo que ainda está em andamento), mas algo já se modificou dentro, permitindo que tenhamos atitudes diferentes e, paulatinamente, consolidemos aquilo de bom que aprendemos e que agora, conscientizados, almejamos.
Quando estamos em paz, conseguimos ir alimentando estas virtudes em processo de conquista. Entretanto, se perdermos o controle, se ficarmos pessimistas, mau-humorados, nervosos, o que estava sendo subjugado volta, pois faz também parte de nós. É, ainda, o nosso piloto automático. Precisamos evitar usá-lo, para transformar defeitos em virtudes – não lutar contra eles, mas modificá-los em algo bom! Por isso a importância deste processo, como no vício físico: é bem provável que cometeremos o mesmo ato de que estamos querendo nos livrar. O que não pode é desistirmos por nos assustarmos quando isso acontecer, esperando “cura milagrosa” e achando que ela não aconteceu, porque estamos repetindo o mesmo erro, e, então, desistimos; nem nos acomodarmos: “Ah, é normal mesmo, então, deixa vir…”, e não fazer mais nada para superar…
Descobri ser uma alma no meio do caminho para o amor. Não sou orgulhosa o suficiente para não aceitá-lo e buscá-lo – muito pelo contrário, há um lado muito sutil e amoroso em mim! – mas também não amorosa o suficiente para nunca dar ouvidos ao meu orgulho. Como alma, sou como o alcoólatra que já se desintoxicou e sabe como a vida pode ser melhor. Mas ao voltar para o mundo, ainda se descontrola e repete atos antigos: o orgulho e conseqüente falta de fé, falta da paciência, imediatismo, falta de tolerância com o outro e más tendências psicológicas que estavam sendo controladas, como insegurança, ciúmes, autoestima arranhada e etc. Daí toda a confusão em relação aos conceitos dos efeitos de minhas causas.
Porém, não é justo ser isso o que me define, ou que defina a qualquer um de nós diante de um processo! Por que olhar sempre o lado negativo e desmerecer o lado bom? E o esforço feito, e o princípio de virtude já adquirido? No meu caso, eu não sou mais apenas este orgulho! Apenas a insegurança, apenas o resquício de possessividade, de ciúme, com os quais eu não concordo, que só afloram quando tenho a tal recaída, que eu sinceramente não quero mais dentro de mim e que eu luto para transformar! E o amor que eu já consigo dar? Olhar sempre para a falta alheia não seria o estímulo do mal? Como iremos fazer diferente, se olhamos sempre para o mesmo lugar? Não me refiro a negar quem somos, mas a valorizar nossos méritos! Exatamente para errar menos! Será que aqui também não há uma lógica a ser convertida: diante do erro, por que enumerar os equívocos, contribuindo para uma autoimagem negativa de quem os pratica, gerando desequilíbrio e possibilitando ainda mais a repetição dos mesmos, em vez de dar um voto de confiança para a virtude, mesmo que ainda semente, estimular a autoestima, a realização, e dar mais um pequenino passo em direção ao bem?
Medo de quebrar a cara. Medo da pessoa nos decepcionar. De parecer “bobo”. Orgulho.
Enquanto eu estava em paz comigo, soube vencer este meu (nosso) maior inimigo e amar. Fazer tudo o que eu descrevi antes – doar, confiar, esperar, me contentar com o mínimo e ainda sim ser imensa e verdadeiramente feliz, como nada antes me fez (e como eu acho bem difícil algo um dia me fazer. É, “riam” o quanto quiserem, mas eu não me importo – gosto do Tan! Só eu sei o que vivi!).
Porém, por ser imperfeita, simplesmente humana, quando dei brechas para um estado de alma negativo (saí da clínica, caí no mundo mas não venci a tentação), passei a analisar a situação apenas pela prática, pela razão e meu orgulho falou mais alto. Comecei a duvidar e a achar difícil demais continuar, queria que Deus permitisse que acontecesse logo para eu ter certeza (ansiedade com falta de fé… receita explosiva!) e comecei a pedir contas a Ele: “eu dei isso, eu fiz aquilo… e aí, quando vou receber? Se não acontece, deve ser mentira, devo ser louca, isso é para bobos, vai ver tenho só baixa autoestima mesmo e estou inventando tudo porque sou uma boba sonhadora, quem deu em cima de qualquer um sem se preocupar com sentimento, ou só procurou pessoas de modo mais neutro, mas também sem se importar com sentimento, está aí, casado, procriando, e eu continuo sozinha! Devo ser uma idiota para acreditar nisso”, dentre tantas outras bobagens.
Como se já não bastasse todo o ceticismo do mundo para uma pessoa então insegura e com baixa autoestima vencer, houve (e ainda há, em menor escala!) também uma exaustiva luta interna… Acreditem ou não, meu sentimento é verdadeiro, portanto, ver a vida desta forma prática, palpável, impressionando-me apenas com os fatos e, por isso, concluir que foi tudo ilusão, em vez de me libertar e me fazer “crescer”, “acordar”, como muitos – quase todos! E mesmo os que acreditam, o fazem por momentos, mas logo titubeiam! Por mais que estes raros e admiráveis seres humanos, por amor, não me abandonem nunca e eu deva até minha vida a alguns deles, pela força dada, sinto-me, geralmente, sozinha diante de minha causa! – dizem e pensam, para mim gerou um conflito interno sem tamanho, uma crise existencial que me deprimiu. Porque esses fatos negativos apenas ESTÃO, mas o que sinto, É. E quando nego isso, sofro.
Sempre, sempre que eu buscava este amor, que, nestes estados de alma, estava perdido dentro de mim, eu voltava a ser pacífica, compreensiva, carinhosa, feliz e conseguia até alimentar algumas virtudes bem pequeninas dentro de mim, como a serenidade, a calma, a paciência… Como poderia ser ruim?
Eu não sofria porque o amor me fazia sofrer (e, portanto, não deveria ser amor), muito pelo contrário: por deixar de acreditar em algo que é verdadeiro e por me desconectar disso, de quem eu realmente sou, é que sofria, e sempre, sempre que consegui elevar meus sentimentos e encontrá-lo novamente dentro de mim, a dor sumia!!!! Foi este amor que sempre me aliviou, e a ausência dele que me atormentou! Eu concordo que o amor não machuca! Eu só me machuquei quando me afastei, quando duvidei dele! Quando, ainda influenciável pelo meu orgulho, lamentei por ter doado ser receber nada em troca, por ter acreditado, mesmo com tantos fatos negativos contra a história; mas, já conhecendo o que é o amor e sem conseguir me contentar com os relacionamentos somente do ego que o orgulho insistia em me oferecer – os quais eu neguei, mesmo com dor no coração em alguns casos! Pessoas maravilhosas, que eu cheguei até lamentar por não retribuir, mas que simplesmente não eram para mim -, não mais conseguia negar esta realidade de meu interior. Eu já havia caminhado, não era possível voltar atrás!
Para fazer como o Tan hoje, ao assumir seu sentimento, eu domei meu orgulho. E olha que não é pouco! Não só durante os anos que convivi de longe com ele (o ser amado), quando ele entrou na minha vida, mas durante TODA a minha existência eu vivi este sentimento, principalmente no término das histórias que, à época, eu julgava serem de amor. Eu sempre soube que havia algo a mais, eu sempre sintonizei com esta certeza que hoje eu defendo e, não importa o que aconteça, por mais machucado que meu coração fique, sempre defenderei (minha história particular pode até ter naufragado, mas ainda pode navegar para outros!).
Até que, vinte e tantos anos acreditando e esperando, eu o encontrei! Aos poucos, bem devagar e sem que eu mesma percebesse (ao contrário dos outros sentimentos de carência, paixão, que aconteciam ou eu criava do dia para a noite – porque tinham muito mais a ver com o que o outro satisfazia em mim, às minhas imediatas necessidades do ego, do que aquilo que a pessoa era ou que despertava em minha alma), fui reconhecendo nele este sentimento que eu já tinha, que nunca havia sido despertado por ninguém – por mais que eu quisesse. Devido à dificuldade da situação, venci meu orgulho, como já explicado, mesmo depois de tanto sofrer.
Quem ama liberta? Sim, quando a pessoa precisa ir atrás de um sonho; quando não pode concretizar um sentimento, devido a situações passadas, a compromissos; quando a pessoa sincera e humildemente, simplesmente não quer (e, de preferência, deixe isso bem claro, principalmente se a pessoa perguntar com todas as letras e numa boa, apenas querendo saber a verdade!). Isso é elevar virtudes: quem vai, cresce, busca a felicidade, e quem fica desapega, abre mão, esquece de si em nome da felicidade do outro. E isso é realmente lindo… Por mais que seja contra esta lógica invertida, ainda vigente do mundo – de fora para dentro, “do outro para mim”, e não “de mim para o outro”.
Mas quando há traços de orgulho no meio, quando o que provavelmente impossibilita a descoberta, ainda que seja de uma ínfima semente de sentimento, é o medo de amar, é a influência do comportamento coletivo, é o excesso de razão e praticidade, “pé no chão” demais, eu desconfio. Quem não deve, não teme… Se há arrogância na hora de interagir, como houve comigo, é bem possível que haja sentimento mal resolvido.
Texto um, vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas causas… Uma mulher não aceitar a escolha de um homem. Este é o efeito. Bem que poderia ser revolta quanto às resoluções da vida, bem que poderia não saber lidar com uma rejeição, bem que poderia julgar-se dona de alguém. Esta é a causa comum, e que muitas vezes é a realidade. É uma causa já pronta, pré-estabelecida, não dá trabalho. Portanto, é como todo mundo julga. Julga! Como se tivessem autoridade para isso… Mal sabemos de nós, como compreender realmente o que vemos superficial e externamente? Mas, infelizmente, é o que fazemos. Claro, precisamos formar opiniões em nossas vidas. O condenável é tomar conta da vida do outro.
Entretanto, devido ao autoconhecimento, cheguei a outras e distintas causas… Eu nunca me revoltei contra Deus quando um caso afetivo deu errado. E já fiquei bastante envolvida, não é nem querer dizer que não doeu. Será que só estaria revoltada com Deus agora? Ou, mesmo assumindo a arrogância por me achar no direito de me zangar quando desrespeitam algo que eu já respeito (as regras da vida, ver o final do texto 1), me desespero e não aceito quando o amor deixa de acontecer desnecessariamente, por motivos menores? Desvio!
Sabemos que podemos escolher relacionamentos por causas distintas; sabemos que atraímos aquilo que emanamos – e se estivermos em conflito, levaremos em conta nosso “piloto automático” ainda mais orgulhoso e imediato! -, sabemos que temos liberdade de escolhas em nossas vidas. Será que esta realmente é a vontade de Deus? Ou seria o mau uso da liberdade do Homem (de um homem, no caso)?
Será que negar uma pessoa com um sentimento bom é sempre incompatibilidade, pura falta de vontade (e o rejeitado é que precisa aprender a aceitar!), ou o “desejado” é que não sintoniza com sentimentos mais nobres, por isso não enxerga a pessoa? Ou até enxerga, mas não sabe identificar isso dentro de si e confunde os sentimentos? Ou até identifica, gosta, mas é orgulhoso demais para dar o braço a torcer, ou tem medo de se envolver? Isso, tudo, claro, me incomodando se a pessoa já pudesse fazer melhor, não por passar por cima do real estado atual e ser incompreensiva.
Meu orgulho ainda condiciona determinadas virtudes. Ele só permite libertar quem eu amo para situações boas. Escrevi isso também na poesia que eu publicara semanas antes, e que foi feita provavelmente quando meu amado encontrava aconchego (para ser bem otimista) nos braços de outra pessoa. Eu o libertaria numa boa, mesmo com tamanho orgulho – como já fiz! -, se fosse para elevar virtudes, se valesse a pena. Porém, se for para ele ser infeliz e eu também, não consigo ser tão sábia. Ainda me revolto. Não aceito. Não me conformo. E NUNCA irei me conformar!
Serei obrigada ou a viver sozinha, ou a ter relacionamentos que terão um limite de crescimento. Já comecei a buscá-los, inclusive. E se eu magoar alguém??? E, assim, violentarei minha alma (explico melhor este raciocínio no Ensaio “Quem Somos Nós”). Se você foi criado numa família honesta e vai trabalhar num lugar onde querem te colocar num esquema corrupto, você consegue fazer numa boa? Não é melhor procurar outro trabalho? Ou, se realmente precisar, aquilo não vai doer, não vai te matar por dentro, porque é contra sua natureza?
Não tem como eu “procurar outro trabalho”. O mundo é este, as regras já estão feitas. Sendo este tipo de amor um tipo específico, íntimo, subjetivo, não o encontrarei novamente em outra pessoa. Enquanto vivemos relacionamentos baseados em sentimentos menos nobres, mas igualmente bonitos (carinho, companheirismo, paixão, amizade, tudo misturado, mas nem tudo de um vez) acharemos várias almas com características necessárias ao nosso desenvolvimento que a vida nos colocará no caminho. São características mais genéricas, menos ligadas à essência da pessoa, embora possamos amar alguém pelo que a pessoa é, mas é um amor diferente deste específico. Falta algo… Daí, podemos dizer que iremos amar de novo, que encontraremos alguém que merece, e por aí, vai. Vai-se encontrar apenas outra pessoa bem parecida, mas um pouco melhor que aquela que partiu, que deixamos ou que nos machucou.
(Aqui é divagação espiritual…) Mas exatamente por sermos estas almas em princípio de caminhada evolutiva, com tanta coisa a lapidar – e com muito orgulho, se comparado ao que podemos nos tornar – quando chegamos a determinado grau de evolução no sentimento amoroso, quando os relacionamentos perdem o caráter de puro autoconhecimento, para também servirem de troca mútua – um outro tipo de aprendizado amoroso – desenvolvemos um laço afetivo específico com uma alma afim, para que, por ter maior segurança nesta ligação tão íntima, consigamos nos entregar e ir ainda mais fundo do que normalmente iríamos, exercitando ainda mais puramente o amor. E, para ter esta segurança, é preciso ter um referencial confiável. Se ficar mudando, com cada nova alma seria um recomeço, e, devido às nossas limitações evolutivas, voltaríamos um pouco atrás em nossa “entrega”. Para superarmos esta barreira tão inconsciente, é necessário haver um ser afim, uma história em comum, um sentimento específico, pessoal, que já esteja gravado dentro de nós e não apenas nos permita mergulhar, mas também, seja tão forte e bom que não nos deixe outra escolha.
Que fique claro uma coisa: o que rege as uniões afetivas é o sentimento. Dentro desta escala de sentimentos, o maior é o amor. É o destino final das almas. Portanto, é ingenuidade tentar impedir alguém que queira algo mais, que queira seguir. Isso gera infelicidade aos dois, que já não falam mais a mesma língua. Enganam-se, mas esta falta de materialização da realidade, seja por pena (meu Deus! Apesar da reconhecida preocupação e boa vontade, no fundo, é muito orgulho de quem tem dó ao magoar alguém e não falar a verdade. Ninguém merece pena de ninguém! Tenhamos coragem para, com doçura – com sentimento não se brinca! Pode não ser importante a nós, mas é para o outro! – entregar à outra pessoa a realidade, para que ela possa, de fato, buscar a felicidade que merece! A certeza negativa é infinitamente melhor que a eterna dúvida), seja por falta de coragem de dizer, ou medo de passar pela dor do rompimento etc., é sempre prejudicial, gera conflito. Quer-se evitar um mal, uma situação negativa de fato – mas, se é verdadeira, é necessária ao aprendizado dos envolvidos! – para camuflar a realidade. Todavia, é gerado, assim, um mal ainda maior, pois advém da mentira, do que não é, desequilibrando o Ser!
Funciona assim: se optarmos por comprar um produto ilegal, sonegar imposto, fazer um gato ou entrar de graça numa embarcação, estamos arriscando, certo? Podemos até por um momento rir de não ter pago a passagem, sentir-se esperto por não pagar por eletricidade, dar um troco no governo pelo excesso de taxas ou pagar mais barato por um eletrônico. Porém, se a Polícia Federal, o funcionário da concessionária de luz ou fiscal da empresa, baixarem, “a festa acabou”, certo? Com o amor, a mesma coisa: se um casal se une por um sentimento menor, seja de comum acordo, ou seja por puro desencontro, carinho no ego – quando um (ou os dois!) já tem a capacidade de viver além e faz uma escolha mais imediata – tudo bem. Que seja eterno enquanto dure. Ainda mais quando não se tinha consciência de nada disso. Mas o próprio código de leis brasileiras já adverte que ignorar uma lei não exime o infrator de sua pena. Que dirá as Leis da Vida! Se não for verdadeiro, simplesmente vai durar enquanto tiver que durar!
E se já se tem consciência, mas ainda é escolhido fingir para si mesmo (meus amores, não façam isso!), sinto muito, mas “trema na base”: se seu companheiro ou sua companheira – e mesmo você! – encontrar alguém que realmente ame, é fato: a lei maior será executada! Não é melhor pegar fila, pagar passagem, pagar pela luz ou o dobro do preço por um produto, mas ter a nota fiscal, poder reclamar em caso de defeito e no máximo ficar chateado pela perda de tempo no caso de blitz? Com o amor, a mesma coisa: não é melhor ficar um tempo sozinho, se autoanalisando, escolhendo melhor as pessoas, com critérios mais elevados – e ainda assim erraremos, mas erraremos por outros motivos de aprendizado e por caminhos que verdadeiramente nos levarão ao acerto! – e relacionar-se somente com quem valer a pena, mas colher os frutos de uniões mais sinceras, pacíficas, harmoniosas – e que, exatamente por isso, conseguem ser amplamente apaixonadas? Não quer colher a indescritível dor de uma separação no futuro? Plante agora! Namore, noive e case com quem realmente você tem afinidade! Ainda que isso te deixe um, dois ou dez anos para tia. Do contrário, apenas sofra – porque é normal – mas lembre-se de assumir as conseqüências quando o desencontro, outrora latente, aparecer! Já temos condições de racionalizar isso e elevar os níveis de nossos relacionamentos! Mesmo que ainda cometamos erros e também não dê certo como gostaríamos. Mas a probabilidade de sofrer por errar tentando acertar é menor que a absoluta certeza de sofrer por negligenciarmos, por fugirmos de uma realidade!
Quanto mais o tempo passa, mais eu penso em mais uma ligação “igual” no mundo, movida pelos mesmos valores mecânicos, diferente apenas pelo jeito do corpo, o tom de voz e alguns traços de personalidade. Mas igual. Penso no desvio do amor que está acontecendo, e mesmo que varrida para debaixo do tapete, mais raiva eu sinto. Se meu orgulho e meu amor dialogassem, o primeiro diria que valeu a tentativa, mas ele estava certo desde o começo. Que esta ousadia do segundo tinha chegado ao resultado final ao qual ele chegaria, desde sempre. Completamente desmoralizado o amor ficaria, e, cantando vitória, o orgulho reinaria totalmente. Temo, verdadeiramente me apavoro, ao indagar se, com o tempo, ele irá me dominar e eu, sem saída, passe a negar o que um dia tanto quis e pelo que lutei a vida inteira… Resume-se assim: o amor me mostrou o céu. Graças ao orgulho, conhecerei mais de perto e continuamente, o inferno.
Tolos seres humanos. É exatamente assim que matamos tudo de bom que há na vida, que há em nós. Não dá para fazer diferente?
Se eu digo que o orgulho não é bom, não é por eu ser exemplo perfeito e já dar lição de moral, mas por viver e ter consciência do mal que ele faz. Mas, sinceramente, desejar que os outros também não passem por isso. Eu transito nos dois extremos, sei bem diferenciar um do outro. Quero compartilhar o que aprendi: alertar a todos e, assim, quem sabe, um a um menos orgulhosos, admitindo sentimentos, servindo de exemplo para outros, sendo copiados e, ao longo do tempo, criando um ambiente favorável ao amor, possamos aceitar esta bênção de forma coletiva. Para que aqueles que ainda são totalmente submetidos ao meio também se libertem e nunca tenham vergonha do que sentem, e assim o amor submeta o orgulho. Que se perca o medo de sentir e de admitir aquilo que se traz dentro de si, para iluminar nossos lados sombrios e marchar para dias melhores.
Video: http://www.youtube.com/watch?v=P5DLAQ76HaY&feature=share
Fonte imagem: meninasegarotas.com.br
Orgulho e Amor
Penso que a razão da vida na Terra é fazer a alma crescer, evoluir. Para aqueles que ainda não vêem assim, vamos divagar… Aos outros, um ou dois parágrafos de paciência que já voltaremos a dialogar partindo do mesmo ponto.
Através de meios científicos e racionais, ao analisarmos a História da Humanidade, a Antropologia, a Psicologia e tantos outros conhecimentos que o Homem adquiriu, podemos concluir que nossas civilizações evoluem. Portanto, se o homem presente do passado mostrou-se superado no futuro, fatalmente nós também estaremos defasados perante os homens presentes do porvir. Além de aceitar a evolução, precisamos compreender, então, que nem tudo o que faz parte de nossa cultura e nossa verdade (coletiva ou individual) hoje é absoluto. Pode mudar, portanto, as mentes devem sempre estar abertas.
Sabendo disso e buscando conhecimentos filosóficos e espirituais já espalhados pelo globo, podemos, portanto, concluir que o destino do Ser é o equilíbrio, é a consciência de si. E isso acontece através da evolução – que, vejam, de forma racional, podemos observar, então, não é uma proposta tão absurda ou alienada assim!
Aceitando estas premissas, conseguimos acreditar no conceito daqueles que já avançaram em estudos da alma, como religiosos ou psicólogos. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já acrescentou à definição de estado saudável do Homem o bem-estar espiritual, além do físico, mental e social. Há, portanto, posturas benéficas para a emoção do Ser e posturas prejudiciais. Paz, equilíbrio, serenidade, paciência, humildade, fé, alegria etc. são sentimentos reconhecidos como saudáveis ao ser humano. Ódio, rancor, raiva, ciúme, egoísmo, ansiedade, prepotência, ceticismo, tristeza etc, são, portanto, negativos.
Ofereço um pouco do aprendizado em minha vida particular para tentar explicar o que acontece com dois representantes destes grupos distintos: orgulho e amor. Vale para todo tipo, embora meu aprendizado recente tenha sido na área afetiva (homem-mulher).
Lá estava eu, ontem, novamente dirigindo até a casa de minha mãe para o tradicional almoço de domingo. O caminho era diferente, mas a situação, aparentemente, muito parecida: cheguei à porta de sua casa. Tocava a mesma música que, exatos sete dias atrás, fez-me perder a calma e não suprimir meus impulsos.
Assim como naquele dia, a música começava, mas hoje não entrei na casa e dei uma volta no quarteirão, ouvindo a melodia até o final, por haver um carro obstruindo a porta e eu achar melhor sentir uma leve brisa ao dirigir, que encostar o carro e aguardar, parada, no calor – diferentemente do passado, quando ouvir a música me tocou tão fundo que eu não consegui chegar e precisei dar uma volta para espairecer.
Entretanto, quanta coisa mudou…
A amarga decepção em relação ao homem que eu amo devolveu-me o parâmetro do que é problema grave, digno de gerar desespero, e aqueles que podemos resolver – e que, se isso aconteceu, até mesmo este problema pode ser superado. Fez-me voltar a me colocar em primeiro lugar na minha vida, que é onde sempre devemos estar em relação a nós mesmos. Fez com que ele saísse do pedestal onde eu o havia colocado, assim como à importância da vida afetiva, em detrimento de todo o resto. Somos todo um universo de possibilidades, dignos de vida, de experiências saudáveis, de cuidados. Somos administradores de nós mesmos, nunca seres definidos por determinada situação que vivemos – embora, quando em dor, em dúvida e até mesmo euforia, sejamos consumidos por estas distrações e pareça impossível nos desligarmos delas.
Todavia, apesar dos fatos palpáveis, visíveis e, portanto, racionalizáveis, mostrarem que eu estive errada o tempo todo, que encontrar num homem já compromissado (portanto, para meus valores, impossível!) o companheiro de alma que eu sempre soube existir (e que eu já conhecia antes de o conhecer) e acreditar que esta certeza era mais forte que tudo, superar minhas próprias regras rígidas, até então, estáticas, e que isso foi, portanto, acreditar em mim e crescer, acho tão absurdo este desfecho – não apenas pelo fato em si, mas pelo sentimento que tenho a respeito – que sou obrigada a escrever sobre este tema, que também pairava minha mente antes de eu saber dos fatos.
Aprendi que vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas, muitas causas. Um emprego numa empresa renomada pode ser a chance da vida de um batalhador, como pode ser desvio de uma vocação para outro. Pode ser um modo da vida ensinar disciplina, humildade, esforço ou um oportunidade de mostrar a alguém que não acredita em si que tem capacidades, como pode ser apenas uma conseqüência natural de um esforço e de características já adquiridas pela pessoa que o obteve. Pode não apenas ser um fim, uma conseqüência, como neste segundo caso, mas também um meio, algo que nos ensine e nos leve para onde realmente devemos ir.
Isso para tudo… Um namoro, uma amizade, uma viagem e todos os tipos de experiências que temos. Quantos namorados já tivemos que não duraram, não ficaram, e hoje facilmente conseguimos enxergar que não era para ser, mas reconhecemos o que a experiência nos ensinou e que é fundamental, inclusive, para relacionamento sério que vivemos hoje? Se fosse para vivermos apenas o “destino final” das coisas, só teríamos um relacionamento afetivo, moraríamos em uma cidade, teríamos apenas um trabalho, um grupo de amigos e por aí, vai. Nada mudaria, nunca (claro, precisamos saber conservar conquistas e amores. Quem nunca pára em nada não é assim tão aberto, mas talvez não consiga se comprometer. Não me refiro a isso). Mas não é vivendo um pouco de cada que aprendemos onde realmente é o nosso lugar, quem nós somos de fato? Não é a experiência em si que vale mais (embora deva ser reconhecida e vivenciada!), mas a impressão, a energia que ela movimenta dentro de nós, fazendo-nos evoluir.
Portanto, situações rotuladas muitas vezes são os fins, o que aparentam: em tese, uma separação é ruim, conseguir um emprego é bom, uma doença atrapalha, um namoro ajuda, e por aí, vai. Mas, muitas vezes, se forem meio, os rótulos nem sempre se aplicam. Uma doença pode chocar uma alma preguiçosa e acordá-la para a realidade; um emprego que atrai uma alma orgulhosa por status pode fazê-lo embarcar num mundo de aparências, ou deixá-lo viciado em trabalho para manter estas aparências e o outro emprego com um menor, porém, bom, salário, que o deixaria mais livre para viver as outras áreas da vida, teria sido o caminho certo; uma separação entre duas pessoas incompatíveis pode ser uma libertação para que ambas vivam de acordo com suas verdadeiras essências; um namoro intenso em época de estudo pode desviar toda uma vida, ou mesmo um namoro baseado em valores menores (dinheiro, status, carência, atração física – apenas! Claro que ela é saudável e necessária quando faz parte do pacote! – etc.), em qualquer época, pode contribuir para o desequilíbrio do ser, dentre tantas outras situações.
Ou seja: o que parece bom pode ser ruim e vive-versa. Como uma pessoa que perde o avião pode, por exemplo, até mesmo ser prejudicado no trabalho, em algum compromisso sério, e isso originalmente ser ruim. Mas minutos depois, quando o avião cai, vê-se que aquela situação negativa foi, na verdade, uma bênção. Foi um meio da Vida salvar aquela pessoa.
Por tudo o que sofri durante tanto tempo, em determinado ponto da trajetória eu havia deixado de acreditar em tudo (em mim, na Vida, e confundi meu conceito de Deus, pois, tamanha crise existencial, não mais O reconhecia) que este sentimento parecia um mal. Mas eu sabia que era um meio da vida me ensinar tantas, mas tantas coisas a meu respeito. No fundo, nunca deixei de acreditar no sentimento e reconhecer a verdade do que vivia (era um estado de alma tão elevado sutil que ficava feliz apenas com um olhar, por tudo o que via ali, e ativava as forças mais lindas que tinha em meu ser, tornando-me amável e feliz), mas tive incontáveis momentos de dúvida, conflito e, assim, de sofrimento. Por isso, aparentemente, eu me maltratei. Mesmo que em silêncio, mesmo sem agir – mas não importa, eu investi energia nisso! – dediquei meu coração a alguém que não retribuiu. O efeito era eu sofrendo por alguém que não correspondia no campo dos fatos. Mas a causa era este sofrimento ser um meio de aprender e crescer, uma situação difícil fora para eu aprender a superar e acreditar, dentro.
Por ser meio, por ser a causa que não corresponde à regra do rótulo – que é aquela análise facilmente feita por todos – afirmo que este fato concreto de impossibilidade não é coerente. Posso estar enganada? Claro! E, neste caso, as conclusões podem até não se aplicarem para este caso, mas nem por isso deixam de ser válidas, por conhecimentos gerais sobre o mecanismo interno do Homem. Mas… e se eu estiver mesmo certa?
E aí eu me pergunto… No rótulo, a análise de uma rejeição é simples: se você rejeita alguém é porque não ama, não quer. Isto é o que de fato, geralmente, acontece. Esta é a interpretação mais lógica, a da maioria e aquela facilmente feita por todos, porque já está pronta, não dá trabalho. Mas só esta análise é possível? Não… Graças ao mecanismo evolutivo da humanidade e dos sentimentos, destacados no início do texto (embasei com mais detalhes este processo em meu Ensaio “Quem Somos Nós?”, publicado aqui), pode-se concluir, por tantos comportamentos desajustados – frutos daqueles sentimentos já reconhecidos como prejudiciais ao ser humano – ainda vistos no planeta, que conhecemos muito pouco nossas emoções.
Portanto, será que nos conhecemos o suficiente para sermos 100% do tempo coerentes: negar o que não queremos e atrair para nós o que queremos? E se estivermos em conflito e atrairmos algo que não é de acordo com os sentimentos equilibrados, saudáveis ao Ser, e rejeitarmos isso, por pura falta de sintonia?
Cada caso é um caso, e se quisermos chegar à conclusões satisfatórias, precisamos conhecer a “lista de rótulos”, para termos parâmetros, e, depois de conhecê-la bem, termos autoridade para interpretar suas exceções à regra ou terceiras regras formadas da combinação de duas já existentes, através do raciocínio e análise de sentimentos e percepções.
Sendo esta humanidade ainda não pacífica, belicosa – não sou eu quem estou dizendo, basta ligar o noticiário – e sabendo que há evolução e condições melhores – usando dos conhecimentos científicos já conquistados, como a História, a Psicologia etc., como já esclarecido – podemos afirmar que o Amor (o real, não as paixões, posses ou comodismos que também designamos assim)é realmente bom para o ser, e o orgulho, ruim, pertencente à classe de sentimentos que, usados em demasia, desequilibram o Homem. Sobre este conceito do que é amor e o que pensamos ser, sugiro novamente o Ensaio “Quem Somos Nós” e “Breve Ensaio sobre o Amor”.
Se formos usar o exemplo de alguns indivíduos que já conquistaram altíssimo grau de luminosidade interior, como Gandhi, Buda, Francisco de Assis (só para citar alguns), é possível comprovar racionalmente, através do exemplo factual que eles deixaram, onde o ser humano pode chegar. Sendo assim, poderemos concluir que somos uma humanidade ainda no começo de caminhada. Ao observarmos o comportamento da massa e compararmos com o deles, nota-se o fosso que existe entre estes extremos e podemos concluir, então, que estamos mais no começo da caminhada evolutiva, que no fim.
Então, a respeito de nossas emoções, muito pouco sabemos. Sabendo pouco, é fácil afirmar que, ao observamos nossa prática e compararmos com a destas pessoas iluminadas, vivemos uma lógica invertida, aceita pelos nossos hábitos primitivos, mas revogada pela Lei da Vida. Esperamos vir de fora para somente então movimentar dentro. A deles é contrária: doam sem receber, acreditam sem ter provas palpáveis, buscam o autoconhecimento e aproveitam o resultado do que as experiências vividas fora fazem dentro, não o oposto. Não se prendem a sensações, alimentam sentimentos.
Seremos assim, um dia.
O orgulho faz parte de nós e desta lógica invertida. Ele nos aprisiona a ela. Prende o ser ao que ele é na matéria, ao que ele aparenta ao mundo (como se também não existisse alma!), aos sentimentos baixos e tormentosos. Gera a acomodação, o medo, a insegurança. O amor liberta, faz o ser encontrar-se consigo, acreditar, arriscar, doar-se e buscar cada vez mais o que É, não o que ESTÁ. Acreditemos ou não, estamos mergulhados neste sentimento bom. Cada um sente isso de determinada forma, em diferentes graus em sua história de vida. Mas sente. Ou vai sentir. Mas vai, porque esta é a realidade da vida.
Sabendo que somos assim, ainda tão conflituosos perto daquilo que se pode ser (sem, nunca, deixar de carinhosamente reconhecer e apreciar o que já conquistamos, apenas estimular a crescer e buscar ainda mais!) será que sabemos apreciar quando algo verdadeiramente bom nos acomete? Mesmo quem já tem um mínimo grau de mansuetude, boa-vontade, gentileza, doçura, bom-humor, alegria, inclinação à bondade e etc., também traz ainda intrínseco em si alguns obstáculos do orgulho, escondidos no inconsciente e exteriorizados em conceitos ou práticas que nem sejam claramente percebidos – mais que ainda negam a essência do Ser.
É como na escola: o destino final do estudo é a faculdade. Um aluno que esteja no quinto ano ainda tem muito pela frente. Mas pode já ser o melhor da sua turma. Entretanto, deve sempre lembrar que, apesar de ser destacado naquele ambiente, ainda tem muito o quê percorrer. Não deve se deixar levar apenas pela sua realidade, que é relativa, mas sair do seu mundo, da sua circunstância (o quinto ano!) e lembrar-se da realidade total, absoluta, da qual faz parte.
Portanto, mesmo um ser humano de admirável destaque dentre nossa média, ainda tem em si muito a lapidar da alma. Não podemos nos esquecer disso. Não é porque já tenhamos lutado contra nosso orgulho, egoísmo, ciúme, raiva, vaidade etc. em algum momento da vida e que talvez até sejamos bem resolvidos em algumas destas áreas, se comparados a muitos outros – que pouco ou nada fazem para mudar isso em si -, que ainda não tenhamos estas mesmas qualidades em menor escala e mais escondidas dentro de nós. O aprendizado é contínuo!
Todo mundo me diz: “Mas você não o conhece”. Será? Só porque eu não interagi afetivamente com ele, será que não consigo ter uma percepção dele dentro de mim? Será que não pode existir uma ligação de afinidade, como reconhecemos facilmente com pessoas que despertam ligações profundas com poucas ciscunstãncias comuns para gerarem esta impressão, como desconhecidos ou amigos, que reconhecemos como familiares? Por que com o amor homem-mulher precisamos ser tão céticos? (Aqui sugiro “O Conto de Fadas é a realidade”, publicado no antigo blog, com link à direita, que desenvolve exatamente este conceito). Este conhecimento interno que eu poderia ter dele não é real porque pessoas como eu é que vivem de ilusões, ou o que a maioria chama de ilusão é a realidade que o orgulho ainda não nos permite ver com clareza, devido a necessidade de receber, de não poder existir sentimento incondicional ou de não poder enxergar quando não vem de fora? (Ao final deste texto adicionei um texto elucidativo de Max Geringuer, a respeito da opinião coletiva).
O romance (sem o exagero, mas aquela sensação universalmente boa que automaticamente contagia a muitos, seja por vivenciar, seja por ver acontecer ao redor e lembrar que isso também existe em si – outros ainda são realmente fechados e, por julgarem a sua verdade como a geral, não conseguem ainda reconhecer este sentimento bom e acham que ele não existe) é coisa de quem não tem o que fazer, de quem é sonhador, é iludido, não sabe o que é problema, ou é deixado em último plano em nossas vidas e na aceitação coletiva porque são as pessoas que prendem-se a uma realidade tão “primitiva” e apenas racional, como se fosse tudo, sintonizando apenas com situações mais práticas, duras e, em alguns casos, até mesmo insensíveis?
Chocados com a “dura realidade”, com as atrocidades de nosso cotidiano, impregnados com esta percepção de mundo, de vida, será que negamos algo sutil, calmamente prazeroso e pacífico (feliz!) porque seja impossível, ou nós é que somos orgulhosos demais para acreditar nisso, orgulhosos demais para perdemos o medo de nos entregar, orgulhosos demais para apreciar quando alguém sente isso e ativamos nosso ego (alimentado diretamente pelo orgulho) para julgar quem faz isso por nós – porque nós seríamos incapazes de fazer e, portanto, segundo nossa limitada visão, quem faz se humilha e passa, então, a ser por nós desprezado?
Cada crise ao longo deste caminho que tive, gerando uma grave crise existencial, foi fruto do meu orgulho, que eu precisei vencer pouco a pouco, para conseguir continuar a acreditar.
Talvez, exatamente por termos uma estima coletiva ainda baixa, se comparada com as individuais daqueles avatares de luz que vez ou outra exemplificam em nosso planeta – e onde, repito, cada um de nós pode chegar! -, a Vida tenha colocado como um dos mecanismos de crescimento a existência do tipo de relacionamento afetivo homem mulher como espelho direto do ser para ajudá-lo a reconhecer-se externamente. Assim, consegue atingir este estado de alma elevado dos apaixonados e isso o impulsiona. Já que, neste grau evolutivo, o nosso campo emocional ainda seja tão agitado e confuso que, se não existisse este tipo de amor onde pudéssemos nos ver fora, ficasse ainda mais difícil o autoconhecimento, devido tamanha confusão advinda de nossa infantilidade evolutiva, dentro.
Mas o que nós queremos desta espécie de relacionamento? Somos seres bem-resolvidos (mesmo relativamente, apenas para nosso patamar evolutivo, como se fôssemos o bom aluno do quinto ano que já consegue lidar com todas as disciplinas e “passa de ano”, mas ainda tem o que aprender posteriormente) que, em equilíbrio, atraímos para nós outro ser assim e, juntos, ajudando um ao outro, aprendendo, doando e exercitando o amor (o que, pela lei natural, nos permite receber, mas de uma forma saudável), caminhamos, e o que o outro é e desperta de bom em nós é mais importante do que as lacunas que ele supre? Ou somos seres carentes, ignorantes a respeito de nós mesmos, que, em desequilíbrio, vemos no outro um meio rápido e fácil de preencher nossos vazios existenciais, atraindo pessoas que sejam apenas bonitas ou sensuais; que façam com que nos sintamos importantes (contudo, sem eles, não conseguimos!); ou que simbolizem situações vantajosas, como dinheiro, poder, status, influências, ou que seja apenas alguém do gênero sexual que nos atraia para satisfazer necessidades do relógio biológico ou de cobranças da sociedade, e, então, apenas busquemos alguém “dos males, o menor” para encaixar neste requisito e vivamos nossas sensações momentâneas?
Claro, cada um entende o amor de uma forma e tem necessidade de tal ou tal experiência para poder crescer e, se é necessária, se é o máximo que temos capacidade de atingir, é benéfica. Quantos casais companheiros conhecemos, formados mais por circunstâncias favoráveis que por puro sentimento, que vivem bem, mesmo sem um lado romântico entre si? Se ambos estão felizes, provavelmente estão juntos pelo Bem, para aprender o companheirismo e depois ir ampliando o conceito de amor. Não me refiro a eles. (Também falo melhor das formas de amor no Ensaio “Quem Somos Nós”). Mas e quem já pode “passar de ano” e ainda não o faz, por interpretar erroneamente as coisas, por deixar o orgulho falar mais alto?
Será que é o amor algo tolo, ou é o orgulho que ainda cega a visão da coletividade? E vou além: ainda que já se aceitasse esta realidade, será que precisamos ser felizes, leves e confiantes apenas quando nos apaixonamos, ou podemos conquistar este estado de alma interior o tempo todo, para todas as áreas da vida, mesmo quando ainda não há ninguém? Como já foi dito acima, será que este tipo de sentimento não é um propulsor ativado pela presença de outro em nossa vida para, um dia, atingirmos este estado de alma sozinhos, depois de conseguir acreditar que isso seja possível, atrair para nós e viver estes relacionamentos saudáveis, amorosos, e aprendermos a lição, gerando autoamor e autorrealização que nos conectem a este estado interior permanentemente?
Mas nós, estes seres ainda “crianças”, facilmente equivocados e em começo de jornada evolutiva, devido à lógica invertida, à imaturidade emocional, somos, então, orgulhosos, talvez estejamos tão sedentos de recebermos, que não consigamos, portanto, amar – que é doação e libertação pura. Chamamos de amor estes relacionamentos carência ou interesse, ou mesmo engano, apesar de toda aparente afinidade e, por não estarmos verdadeiramente satisfeitos (porém, não enxergamos nossa visão turva que contribui para isso), atribuamos ao amor uma ilusão, de tão decepcionados. De tão “bom demais para ser verdade” que parece, quando usamos nosso atrasado ponto de vista para fazer nossa avaliação.
E se houver mais?
Lembrando do que vi em uma reportagem a respeito de sermos no trânsito o que somos na vida real – explosivos, impacientes, folgados, ou o contrário – percebi que apesar de toda esta aparência de amar sem ser correspondida na prática e isso ser, portanto, falta de amor próprio e que, se fiquei ressentida ao ser contrariada, é devido à posse em relação a ele; a ser revoltada e não aceitar a vontade de Deus e, portanto, que o que sinto não é amor – o que é a interpretação pronta facilmente feita pela massa para o efeito que exteriorizo -, reparei um defeito meu: sou extremamente – muitas vezes, extrema até demais! – seguidora das regras. Nunca me conformo quando vejo um carro na contramão, ou desrespeitando uma placa. O que não significa que eu seja uma motorista perfeita, que não cometa meus erros. Mas vejo regras básicas serem quebradas por pura falta de esforço e não aceito, em nome no mal feito à coletividade, do egoísmo de quem pratica. “É tão óbvio!”, eu penso. Vale a minha boa vontade pelo respeito às leis. Preciso, entretanto, aprender a tolerar o meu semelhante, que está em luta interna, assim como eu.
Sou assim também diante das leis de Deus… Tento seguir Seus princípios, mesmo sendo também imperfeita e, mesmo sem intenção (na maioria das vezes), desrespeitar, muitas e muitas vezes, essas regras. Mas ainda sou intolerante quando não cumprem o que eu já aprendi… Isso é orgulho! É sentir-me no direito de analisar os outros e ditar regras! Porém, ao menos, tenho um atenuante: é orgulho, mas é orgulho utilizado tentando defender o amor, não para alimentar o próprio orgulho… Como sei que ele pode cegar o Homem, que ainda é muito mais fácil fazermos menos esforço e seguirmos nossos instintos ou comodismos psicológicos do que invertemos aquela lógica e buscarmos uma realidade mais feliz, desespero-me quando o amor (este verdadeiro) não acontece, devido a distorções de regras ou sentimentos mais baixos. Por isso, minha revolta. O que também não deixa de ser falta de fé em Deus… Mas aprendi minhas lições.
Os fatos não mudaram. O estrago foi feito. Entretanto, eu cresci. Este choque fez com que eu voltasse a lembrar de mim. Fazendo isso, amei-me ainda mais e, assim, encontrei novamente a paz. Outra vez em paz, consegui acreditar novamente em mim. Uma vez assim, foi possível enxergar a verdade dentro de mim. Em vez de negar, automatica, pacífica e naturalmente voltei a aceitar tudo isso dentro de mim e, assim, voltei a confiar em quem sou (não mais, por insegurança, dar excessivo valor à opinião de outrem), na sabedoria Divina, mesmo sabendo a dúvida que muitos ainda sentem – e o quanto me acham louca por eu ainda acreditar em mim nestas ideologias diferenciadas. Terminei a volta no quarteirão não apenas ouvindo, mas cantando aquela música que semana passada foi a prova de meu fracasso, e sorri ao reconhecer com admiração e paz o céu azul e límpido, ainda mais azul e límpido que aquele que, enquanto manobrava o carro, eu via com os olhos, acima de mim…
“JESUS ERA PERIPATÉTICO
(Max Geringher)
Numa das empresas em que trabalhei, eu fazia parte de um grupo
de treinadores voluntários.
Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima,
e tínhamos até um lema:
“Para poder ensinar, antes é preciso aprender” (copiado, se bem
me recordo, de uma literatura do Senai). Um dia, nos reunimos para
discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200
funcionários. Estava claro que o método convencional: botar todo mundo numa sala, não iria funcionar, já que o professor insistia na
necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho.
Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do
objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um
trecho do Sermão da Montanha como tema do evento.
E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de
primeira. Aliás, pensou alto:
- Jesus era peripatético…
Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o
hiato pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a
afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer
que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor. E lá
se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar.
- Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau
gosto, disse a Laura.
- Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo,
emendou o Jorge, para acrescentar que estava chocado, no que foi
amparado por um silêncio geral.
- Talvez o professor não queira misturar religião com
treinamento, ponderou o Sales, que era o mais ponderado de todos.
- Mas eu até vejo uma razão para isso…
-Que é isso, Sales? Que razão?
-Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu.
-Não diga!
-Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a
religiosidade alheia…
Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e,
quando já estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas
nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando:
-Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas
e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador
teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas… Por que
vocês estão me olhando desse jeito?
-Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de
peripatético, veja bem…
-Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para
fazer pregações, como os filósofos gregos também faziam, ao orientar
seus discípulos.
Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres, portanto a sugestão de usar
o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral
e o deslocamento físico… Mas que cara é essa?
- Peripatético quer dizer “o que ensina caminhando”.
E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a
humildade de confessar que desconhecia a palavra que o resto
concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário.
Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender. Finalmente,
aprendemos.
Duas coisas.
A primeira é: o fato de todos estarem de acordo não transforma o
falso em verdadeiro.
E a segunda é: que a sabedoria tende a provocar discórdias.
Mas a ignorância é quase sempre unânime.”
Fonte: recebido por e-mail, mas você pode encontrar também em http://www.adonainews.com.br/2007/12/jesus-era-peripatetico-max-gehringer.html ou na revista “Você SA”.
Fonte imagem:srtaka.wordpress.com
Anexos: sobre definição de saúde pela OMS, ver:
- http://www.diariodepernambuco.com.br/ultimas/SEO/saude/nota.asp?materia=20110327182715
e
- http://www.febnet.org.br/site/noticias.php?CodNoticia=903)
Como esquecer alguém?
Lembrando-se de você.
Desde a semana passada eu tenho este título em mente, mas nunca imaginei que hoje estaria vivendo isso de forma tão intensa e definitiva.
Quando eu era menina, lá pelos meus três ou quatro anos, emprestei meu bambolê para uma amiguinha. Pedi-o de volta, ela não quis devolver e simplesmente me bateu com meu próprio brinquedo! Minha mãe, da janela do apartamento, sem poder fazer nada para evitar, viu a cena e disse para eu reagir. Com muita dificuldade, tentei pegar o brinquedo, mas apanhava. Minha mãe disse para eu bater, e assim eu fiz. Como ela era menor que eu, obviamente, apanhou e parou.
Sempre fui tão pacífica que, de tão pacífica, cheguei a ser também “mosca morta”. Tudo estava sempre bem, eu sempre compreendia tudo. Mas muitas vezes, não estava realmente compreendendo. Por dentro, eu estava em chamas! Portanto, não sou perfeita como já gostaria de ser e sou também um ser humano ativo, vivo, presente! Não posso negar o que sinto! Há, todavia, um limite para isso.
Devido à demonstrações da raiva e da indignação ao saber de algo “bombástico” em minha vida afetiva (enquanto eu, inspirada, produzia a poesia do post anterior, falando de sentir outra vez a felicidade sem tocar, ele provavelmente estava bem aninhadinho com uma mocinha), recebi uma ligação do “digníssimo”. Em dado momento, eu chorava. Já estava exausta da conversa completamente fora de hora – anos atrasada – e uma mulher com doces olhos azuis e semblante pacífico parou a bicicleta ao lado do meu carro, olhou para mim com amor, abriu os braços e disse, sorrindo: “Um abraço”.
Fiquei tocada com isso, mudei o tom e acabei dizendo a ele que precisava desligar e que “ficasse com Deus”, como eu sempre desejei sinceramente no passado. De repente, receber este abraço inesperado e bem-vindo ficou muito mais importante que falar com ele!
Dei o abraço, chorei, disse a ela que só havia amado e tentado fazer o melhor possível, e ela disse que eu ia amar de novo, que eu iria encontrar alguém que merecesse o meu amor e que o mais importante era eu. Aí, a frase chave para me inspirar agora a escrever isso tudo: “Deus ama você”. Eu a abracei outra vez, pedi novamente que Deus a abençoasse e disse-lhe que havia acabado de ter a prova disso.
Aí o celular tocou e, pela música que eu, tola, havia registrado na memória para tocar quando o número dele chamasse – e a mesma que ouvi ontem, me senti otária por ter sentido isso por ele e dei início à demonstração de raiva que resultou neste contato forçado – eu soube ser ele. Olhei para esta nova amiga e à outra moça que me olhava com simpatia. Sofrendo, mas já divertida, disse:
- Eu esperei anos por essa ligação. Agora, eu não quero!
Despedi-me delas e segui, deixando a música tocar, tocar, tocar, até cessar…
Há alguns minutos, tentando fazer uma meditação – sem êxito: ora só me concentrei, ora soquei o travesseiro (!!! – para mim, isso é novidade!), ora chorei sentidamente – eu lembrei que sempre em momentos de extrema dificuldade, aparece um abençoado desconhecido desses e me fala de Deus, de amor e de esperança. Senti-me extremamente amparada.
Então, o que eu tenho a dizer sobre esquecer alguém, é reforçar a primeira frase: precisamos conseguir nos enxergar fora da dor, lembrar que somos alguém também e retomar este hábito do qual, durante os acontecimentos, nos esquecemos de exercitar: a arte de ser alguém.
Como os acontecimentos afetivos são de ordem puramente emocional, quando algo ruim nesta área acontece, nossas fibras mais íntimas são remexidas. A emoção e a dor tomam conta de nós: paralisam atividades, afloram raivas, dominam pensamentos e até controlam atitudes.
Se formos usar a dor para justificativa, reagiremos de forma impulsiva (como eu fiz) e nos afundaremos ainda mais. Precisamos ativar urgentemente a razão.
Sei que cada um tem uma bagagem. Portanto, para alguns, deixar-se dominar pela emoção não acontece, porque o autoamor já é mais elevado. Todos sentem o baque, dói para todo mundo – seja uma separação, uma traição, morte ou uma desilusão, não importa – mas cada um reage de uma forma.
Para quem está no meio do caminho para um autoamor saudável, é preciso ter força para superar esses rompantes e voltar a exercitar o “ser eu”. Quando a mulher amorosa me abordou e eu vi como Deus é bom, pensei que sou feliz por ser quem sou (apesar, claro, de também ter defeitos, os quais eu luto para melhorar), que já gosto do que vejo, do que sou. Que vale a pena ser eu!
E como fazemos para valer a pena sermos nós? (E esta parte é, também, a recomendação direta para a “terceira classe” dos níveis de autoamor, aqueles que não têm nenhum). Cada civilização e cada tempo têm sua cultura. Dentro destas culturas, muitos hábitos são supérfluos, muitos são demonstrações do que o Ser precisa para ser feliz.
O homem criou algumas necessidades supérfluas para si. O famoso “ser e não ter”. Portanto, precisar postar algo no “face”, precisar ter a bolsa tal, morar no bairro “x” e tantas outras coisas, são desnecessários. Mas alimentar o Ser, isso é lei natural, é o que nos faz feliz.
Estudar, trabalhar, ter uma vida social saudável (escolher pessoas com afinidades e com valores que nos complementem para nosso convívio, o que preenche a alma; cultivar amizades, familiares), fazer exercício, ver uma paisagem, comer ou beber algo de que se goste muito (com moderação, degustar), ouvir uma música gostosa, dançar, cantar, executar algum hobby, refletir, fazer terapia etc. e, o que muitos nem contam por parecer contraditório demais (se estou carente, como vou doar?), mas ajudar alguém. O bem faz bem!
E, ao buscar estes artifícios que nos alimentam, conseguimos um estado de alma que nos permite ser mais brandos, mais amorosos, mais serenos, confiantes e pacientes. Aí, agimos melhor. Superamos obstáculos. Vivemos a autorrealização. A autoestima aumenta quando reconhecemos algo bom que fizemos e nos tornamos, então, melhores.
Portanto, quando sofremos uma desilusão amorosa, precisamos buscar este contato com o “eu”, lembrar que há alguém aqui, e que este alguém é muito especial. Fazer o que quer que nos ajude a desligar o pensamento da perda e alimentarmos novamente este ser, que já sofre tanto.
E, no futuro, que é inerente a cada um – quanto maior o tempo de esquecimento do si no passado, mais tempo vai levar para reconectar agora – aí, sim, abrir outra vez o coração para o amor, porque outra pessoa pode sim ser um mecanismo para terminar o processo. Não sou adepta de que para esquecer um deve-se procurar imediatamente outro. Nada contra paquerar, sentir-se desejado, atraente e, se acontecer, envolver-se, recomeçar. Mas este não deve ser o nosso foco. Exatamente porque podemos estar tão perdidos e fragilizados que atrairemos relacionamentos problemáticos para o futuro (salvas algumas exceções, quando, no meio do turbilhão emocional, pessoas realmente afins se encontram. Refiro-me aos relacionamentos superficiais a longo prazo, que a priori são muito parecidos com os bacanas).
Precisamos lembrar de nós, fazermos o balanço dos erros, exatamente para ter uma experiência em um patamar acima, no futuro. E, quando este momento chegar, este novo ser, este novo universo que fará parte de nossas vidas, vai, sim, terminar de apagar as marcas daquele que se foi. E se não acontecer, ao menos podemos contar com um abrandamento de nossa dor através deste novo e também bonito sentimento que pode nos acometer.
Lágrimas e raiva não irão sumir do dia para a noite. O processo é lento. Mas deve ser contínuo. Portanto, perseverança é fundamental. Parece impossível agora, mas este processo de se reerguer, quando realmente exercitado, dá prazer! Seremos incrivelmente mais fortes após tudo isso. Como vale a pena tentar! Só depende de nós. E aí, vamos começar?
Fonte imagem: yasminbraz.blogspot.com
Resposta à Questão
Com muito amor,
Resposta à Questão
Um segundo,
Seu olhar…
A brisa leve
Do tempo de outrora
Da alegria só de ver,
A felicidade sem tocar,
Roçou levemente o coração
Desta vez,
Sozinha retornei
De você,
Totalmente desliguei
Sem nunca,
Na verdade, desistir
Como é bom saber
Que tempo e fatos não existem
Sempre há aonde voltar
O cabelo grisalho
Que eu vi nascer
Ainda não sentiu
O carinho de minhas mãos
E, mesmo assim,
Faz parte de mim
Está na lágrima
Que vez por outra traz a solidão,
No sorriso que o amor faz feliz
Como o voo da ave
Que vislumbra mais além
E sente ainda a liberdade
Quando, já de volta, toca o chão
As mãos queridas
O olhar espelhado,
Cristal iluminado,
A altura que eu já trazia
Por toda vida,
Em sentimentos
Estão nas palavras doces
A professar
No sorriso sincero
Que irradio
Na compreensão do mundo
Enxergando a imensidão
Estão, enfim,
Em cada passo do meu caminhar
Debatendo-me no afogamento
Sem esmorecer,
Porém, desconhecendo o subir,
Este amor – a verdade –
Foi o rastro de luz
Que novamente explicou
Onde Terra, onde céu
E me fez elevar
Sobrevivi.
Não há mais o que temer
Sou eu,
Estou aqui
De volta, outra vez,
Amando no silêncio
Da expansão da alma
Calada pela forma dos acontecimentos
De longe,
Querendo seu bem
Visando amar,
E nada mais,
Enquanto Deus assim decidir
Quando Ele finalmente
Me perguntar
Se estou preparada
Eu falarei
Do seu olhar – o infinito –
Que, em realidade,
Já tenho tudo de que necessito.
Neste dia, Ele ainda assim perguntará
O que eu faria
Se fatos combinassem com o que sinto
Que é, sim,
Permitido sonhar
E que eu, por ter acreditado,
Poderia, por Seu amor, realizar
Profundo respeito
Silenciosa contemplação
Admiração sincera
Por tudo que é você.
Antes de mais nada e definitivamente,
Não mais desviaria o olhar
Meus olhos falariam
A linguagem angelical
Dos lábios meigas palavras
Inebriariam seu ser
Beijos enamorados, minhas mãos
Tocariam seu rosto com leveza
Procuraria, então, seus braços
E neles me entregaria
Fechando os olhos
E encontrando o caminho para seu coração
Nunca uma pergunta sem resposta
Um sorriso não correspondido
Um problema sem solução;
Um abraço sem vontade,
Um gesto sem carinho
Uma centelha de amor
Sem retribuição.
Seu passado eu desconheço
No futuro, entretanto,
Medo e angústia sumiriam,
Pois do que sinto
Seria o instrumento
Da lembrança constante
De que tudo passa
E amanhã é sempre outro dia
Amar sem sofrer
É sim possível
Talvez eu,
Em sua vida,
Representaria não o desvio,
Mas o recomeço
Além de tijolos e telhado
Responsabilidades combinadas
E contas divididas,
Flores cultivadas,
Músicas de alegria
Risadas gargalhadas
Atenção ao que sente
Desejos compreendidos
Pensamentos compartilhados
Um teto ao seu coração sofrido
Defeitos e qualidade combinados
No final das contas,
Apenas amor e vida divididos
Esta seria a resposta à Divina questão
Do que posso oferecer
Duvidei e por pouco não voltei
Para contar o que aprendi
A verdadeira vida real permite,
Quer o belo, o amor, a harmonia,
A saúde emocional
Não é sinônimo de sofrer à exaustão
“Quem ama liberta
Quer apenas ver o outro feliz”
Seja livre,
Faça o que precisa fazer,
Leve o tempo que levar
Eleja sua opção.
É justamente por um dia aceitar não ser assim,
Porém doer tanto e não encaixar,
Que afirmo agora:
Duvide, rejeite, vá embora
Seja apenas racional!
Assim também saberá
Que se o quero hoje
Não é desejo imediato
Tampouco paixão
Mas por amá-lo e ansiar sua felicidade
Entendi, por tanto negar,
Que, sim,
Ela pode estar ao seu lado,
Dentro de mim.
E você, é capaz de acreditar?
Fonte da imagem: efreedomsouls.blogspot.com
Por que vivemos um relacionamento?
Boa tarde a todos! Mais um Ensaio… de todos, achei este o mais ponderado.
Mas os anteriores trazem fundamentações que neste eu cito superficialmente, embora de forma suficiente para compreender a mensagem.
Sugiro “Quem somos nós?” para compreender melhor a respeito da evolução emocional, dentre outros, e “Breve Ensaio sobre o Amor” e “O Conto de Fadas é a Realidade” (no meu antigo blog, acesso ao lado) para aprofundar o modo equivocado como vemos o amor no mundo.
Boa leitura!
“Por que vivemos um relacionamento?
Vou iniciar com uma frase que concluí, baseada em ensinamentos espiritualistas diversos: vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas causas.
Na última quinta-feira, 08/03, eu estava no banho, momento propício para inspirações, e fiz uma analogia que aplicarei para este assunto específico. Estudos comprovam que ao dirigir um automóvel, até atingirmos a marca de 60km/h, temos total controle do veículo. De nossa parte, basta atenção e reflexo para evitarmos um acidente. Acima desta velocidade, há leis físicas “maiores” que nós, que interferem no contexto. Não importa o nosso desempenho exemplar, há outros fatores que influenciam em nosso controle sobre o veículo. Ficamos limitados e sujeitos a essas leis. Embora, claro, frear ou desviar de um obstáculo continue sendo essencial.
Não é qualquer um que está habilitado a dirigir um carro (ou qualquer outro veículo). Para isso, é preciso ter conhecimentos específicos e conseguir a permissão.
Neste vasto e desconhecido universo que é a emoção humana, fico me perguntando até que ponto sabemos diferenciar o que é ser egoísta e relapso, e o que é não saber reconhecer que a partir de determinado ponto não podemos mais seguir sem sofrer influências de leis maiores e esbarramos em nossas limitações de ação; até que ponto somos negligentes, como se tudo dependesse única e exclusivamente de nós, e onde está a tênue barreira desta negligência e de nossa impotência.
Hoje as luzes da Psicologia e da importância de um contato com o Espírito nos obrigam a olhar para dentro de nós e admitirmos que sofrimento não é apenas o que acontece fora, de forma puramente material: tsunamis, guerras, perda de dinheiro, doenças, ações violentas etc. Sem querer de forma alguma desmerecer essas dores, o intuito aqui não é eleger o melhor grupo, “vender meu peixe”, mas apenas ampliar a lista deste mesmo grupo. Equilibrar a balança, divagar a respeito de outros sofrimentos de igual quilate, mas ainda não tão reconhecidos pela massa: os emocionais.
Vale lembrar que sofrimento não é punição. É mecanismo de aprendizado da alma. Quanto antes mudarmos a visão, melhor. Mas isso leva tempo e, ainda que mudemos, não significa que, quando o sofrimento nos acometa, não doa. Não confundamos os conceitos.
Nesta nova fase da evolução da Humanidade, na qual o ser humano é levado em conta, na qual descobre-se a importância do autoamor para podermos ser equilibrados e amarmos o outro de fato, é notável a importância que há do relacionamento do Ser para consigo. Dizem que um homem iluminado ilumina o mundo.
Quem eu sou? Do que gosto? O que me realiza? O que gosto em mim? Qual meu talento? O que gosto de fazer para me sentir útil na sociedade? O que gosto de fazer para me divertir, para relaxar? A felicidade não está no que muda com o tempo ou com as culturas, embora muitas vezes, se usados na medida certa, sirva como apoio para permitir a materialização na Terra do que seja o Espírito. A felicidade está no que é natural a nós. Toda alma é feliz amando. Toda alma é feliz estudando. Trabalhando. Descobrindo (dentro, fora). Observando a natureza. Ou buscando a cultura nos centros urbanos. Buscando o bem-estar físico. Estando rodeada de pessoas afins, com quem possa experimentar a empatia. Há os que “dormem” e aparentam não gostar disso. Gostam, sim, apenas não sabem. São fúteis ou até mesmo cometem atrocidades porque lhes falta amor. Ponto. Daí, nascem todas as particularidades de um tempo, uma cultura: ter o mínimo de riquezas para poder nutrir-se, vestir-se, poder deslocar-se com o maior conforto possível para exercer suas atividades etc. A felicidade não está no dinheiro em si, nos hábitos coletivos vigentes, numa casa, num local. Nem nas pessoas. Porque tudo isso passa. Mas a total ausência desses meios para a alma experimentar e viver ainda causa transtornos. Devemos evitar os excessos, as escravizações de costumes, modismos, dinheiro, sexo, posses, entretenimento. Mas negá-los é negar a própria alma, que precisa do mínimo do mundo para viver, que precisa do meio material para sutilizar sentimentos, que precisa de lazer, que precisa de convívio social, que pode muito bem gostar de um item em voga e querer fazer parte deste contexto etc. O problema está nos excessos e em negar a si mesmo para acompanhar a massa, não em toda e qualquer coisa material ou em qualquer costume coletivo. Deve-se usar esta estrutura carnal para saber o que serve a cada um, e o que não serve. Nunca negar ou destruir. Apenas escolher, selecionar. À medida que cada um se conheça e se melhore, o costume coletivo também melhora. Foi assim desde o princípio dos tempos e continuará sendo.
Quer aceitemos ou não, o que vem da alma leva tempo para ser consolidado, construído. Mas fica. E o que não é natural, real, se desfaz. Quanto mais cedo acordarmos para esta realidade, melhor.
Saindo desta viagem sobre o “eu” e seguindo ainda este raciocínio da relação micro/macro (eu/mundo), se a família é a célula da sociedade, logo, o casal que forma esta família é o núcleo chave para o êxito da mesma. Os filhos são uma dádiva indescritível e realmente elevam ainda mais a vida do casal, mas não são o fator principal. São a conseqüência desta união. Nunca, jamais, a causa de ela existir. Salvos casos em que aconteceu um imprevisto e os envolvidos, de comum acordo, aceitam o desafio e aprofundam a união, ou quando, por exemplo, não se sabia desta realidade quando se contraiu o compromisso, os filhos já estão aqui e agora não é possível, por “n” fatores, desfazer o enlace – já chegaremos nesta parte. Embora haja os casos em que seja. Não há regras absolutas, apenas conhecimentos absolutos que, misturados, formam a regra relativa a cada caso. O que importa é a saúde emocional final dos envolvidos, o conteúdo, não as formas da situação. Adultos conflituosos, infelizes, que habitem um teto comum para “proteger” os filhos e sejam, aos nossos olhos, uma família, talvez gerem muito mais insegurança e desequilíbrio neles, do que se materializassem a verdade, soubessem viver bem nessa nova realidade, superassem a inevitável dor da mudança e passassem segurança e novas esperanças aos filhos, mesmo num formato não originalmente recomendado. Mas saber isso cabe somente a eles, de fora não é possível analisar.
Além disso – digressão feita e retornando ao raciocínio micro/macro – se ser um Ser integral, harmônico, é fundamental para o todo, ter um relacionamento tão íntimo e considerado espelho do Ser, dentre todos os outros tipos de relações que temos (pais e filhos, irmãos, amigos, vizinhos, chefes e subordinados etc.), como o conjugal, precisa ser melhor avaliado para evitar o colapso do indivíduo e da sociedade. É preciso sim conviver com a diversidade, e ela é comum em nosso planeta. Mas que ela seja relegada a relações involuntárias. Já é desafio suficiente. Amigos e cônjuges nós escolhemos. Suportemos o que não podemos mudar. Assim como antes o homem vivia em cavernas e hoje ele, pela evolução, pelo conhecimento, consegue construir arranha-céus e ter conforto, melhorando consideravelmente sua condição, se antes não se conhecia nada a respeito da alma, hoje este quadro está mudando e nós podemos – devemos! – fazer uso desses conhecimentos para melhorar nossa qualidade de vida, também na esfera sutil interior. Como fazer isso?
Antes da autoanálise, vale lembrar de um fator: assim como nem todos estão habilitados a conduzir um automóvel, nem todo ser humano está, neste exato momento, habilitado a ter um relacionamento. Há, ainda, muito embrutecidos no modo de tratar o outro ou nas emoções, além dos infiéis convictos. Eles precisam sofrer um pouco mais a solidão para conseguir dar valor a um outro ser humano. Entretanto, todos, absolutamente todos, tem esta capacidade para ser desenvolvida. Cada um tem seu tempo. O que é diferente daqueles que ainda têm hábitos nocivos à alma como os citados mas estavam intimamente prontos à mudança e ao terem contato com o amor em sua vida, conseguem modificar-se. Precisavam apenas de uma chance.
O problema é que, diferentemente da obtenção da permissão para dirigir, não há autoescola para ensinar como se relacionar ou delegados e provas para selecionar e avaliar quem pode ou não namorar. O juiz, neste caso, é nossa percepção prévia e/ou análise de experiências vividas para evitar contrair o mesmo tipo de compromisso danoso; é a própria consciência. Cabe a nós sabermos escolher ou entendermos que, por vezes, não será egoísmo sair de uma união, mas simples regulamentação de uma lei natural: a saúde emocional do indivíduo. Quem já sabe amar ou busca saber não pode ser “sugado” ou “estacionado” pelo atraso voluntário do outro; quem não sabe, sofre a perda e a solidão para aprender a valorizar e um dia também atingir o estado saudável. Mas cuidado para não usar o outro como desculpa, chamá-lo precipitadamente de “inapto”, para enaltecer o seu egoísmo. Entretanto, não deixe de se amar e tenha dó ou permita que o/a mantenham preso/a, fazendo chantagens emocionais, ou lhe maltratem por meio de violência – e eu não me refiro apenas a golpes físicos, mas, principalmente, por não ser ainda levada em conta como deveria, à violência emocional. Igualmente deformadora do ser.
Como construir uma família sem amor? Por relacionamentos que se iniciam por carências, falta de autoconhecimento, status, dinheiro, comodidade, possesividade e até mesmo algo bom, mas aplicado na hora errada, e assim, deturpado, como uma simples amizade, um carinho de irmão?
Claro, muitas vezes, o amor nasce no amigo, ou é um detalhe que nos chama atenção no ser amado, como um desempenho na aula da faculdade, um rosto bonito, um gesto sincero ou um cargo admirável. Mas, depois de passado este estágio inicial de aproximação, atração, há algo mais. Eu me refiro a quem se atrai apenas por valores superficiais, que está mais interessado no que a pessoa tem ou no que pode oferecer ao seu próprio ego, que no que ela é.
Será que buscamos ter um namorado/a ao lado por termos algo a oferecer de bom a alguém e, após termos encontrado uma pessoa que tenha despertado esta vontade em nós e a história tenha acontecido, de variadas formas possíveis, iniciamos um relacionamento? Ou porque falta algo em nós e vamos rápida e facilmente tentar encontrar no outro?
Se for para fazer parte de uma empresa tomamos o cuidado de avaliar, selecionar e não aceitar todo e qualquer candidato trazendo currículo, usando roupa social e sorriso no rosto, que se oferece para a vaga disponível, rejeitando, muitas vezes, não apenas incapazes, mas também excelentes profissionais, pelo simples fato de não se adequarem ao perfil da empresa. Por que aceitamos nos relacionar com qualquer um que nos ofereça intenções de relacionamento, ou, mesmo fazendo uma seleção, na ânsia de nos sentirmos amados e acompanhados, nos contentamos com qualquer pessoa boa, sem aprofundar a análise e ter a precaução de avaliar se ela é boa para nós?
Quem somos nós? Quem sou eu? Eu sou ou estou carente? Então, tenho que me precaver aos elogios que recebo, ou às demonstrações de carinho, pois posso muitas vezes criar um sentimento artificial por estar frágil e criar projeções. O que é diferente de estar carente e ter encontrado uma pessoa que realmente mexa comigo, apesar do estado fragilizado no qual me encontro hoje, e o que é diferente de eu estar bem e simplesmente gostar de receber elogios ou ser tratada de forma saudável por ter uma boa autoestima.
Quem eu sou? Eu sou possessivo/a? Eu já investi na relação por isso tenho direito sobre o outro e ele é meu? É por isso que não termino o relacionamento tóxico, regado a cobranças, desequilíbrio e ciúme, no qual me encontro agora? Mas, alto lá: um ciumento muitas vezes pode ter reais afinidades com o parceiro, estar apenas num estado de alma debilitado e conseguir, através desta união saudável, banhada em amor e paciência do cônjuge, ter a segurança necessária para melhorar seu estado íntimo! Cada caso é um caso!
Quem eu sou? Sou Apegado/a? Já formulei a referência de parceiro/a dentro de mim e não mudo, não adianta! Mesmo que eu não esteja mais feliz, mas, pelo menos, já sei quem é a pessoa e penso saber quem eu sou ao ter esta referência e estar sempre com ele/a. O que não tem nada a ver com eu estar lutando pela monogamia, pela fidelidade, resistindo à tentações, à relacionamentos efêmeros por escolher algo mais profundo e saudável.
Quem eu sou? Acomodado/a? Tenho medo do novo? Medo de arriscar? Estou com ele hoje porque já estava ontem. “Não está bom, mas poderia ser pior. Melhor deixar como está”. Mas…e se fosse melhor? O que não tem nada a ver com eu saber valorizar o que eu tenho e até encontrar alguém bem bacana, mas dar preferência ao relacionamento igualmente bacana que eu já vivo.
Quem eu sou? Maria chuteira, gasolina, namorada do profissional tal, José Peitão, Luiz Pandeiro, João Corpão, marido da poderosa workaholic ou qualquer outro motivo de troféu? E quando, sozinhos, não há quem veja a chatice dela ou a indiferença dele, como fica meu ego? Não nos relacionamos para os outros, mas para nós mesmos. O troféu pode ficar bem pesado de carregar e desbotar o dourado falso rapidinho… O que não tem nada a ver com eu sentir orgulho da pessoa que está ao meu lado. Isso é saudável!
Os opostos se atraem? Até onde eu sei, atraem-se para fóruns, hospitais, necrotérios e delegacias. Dentro de uma casa, quanto mais harmonia, melhor.
Eu preciso de alguém? Quero, como um desejo enlouquecedor, que precisa ser satisfeito agora? Excelente momento para ficar sozinho/a! Opção a – tratar gente como produto de mercado. Faz uma lista do que me atrai, ir à caça, dar “ok” nos itens encontrados e conseguir o que pretendo. Mas produtos têm prazo de validade, principalmente os perecíveis… Querer por já ter desenvolvido princípios de virtudes dentro de si, ter encontrado uma paz e uma calma tamanha que passa-se a precisar, não mais, porém, para puxar para si, mas por parecer egoísmo não compartilhar, e alguém gera esta vontade de doar? Opção b – tratar gente como ação e reação, sentimento, lei da Vida. Querer viver. Fazer o melhor que puder dentro de si e seguir em frente, até que naturalmente aconteça. Claro, para alcançar isso, é preciso observar, também experimentar e agir. Mas sem a obsessão da opção anterior.
Nada contra, por características gerais de personalidade de cada um, ser mais ansioso e acelerar o processo como um produto de mercado e encontrar alguém com uma afinidade sincera, ou ser mais pacato e esperar oportunidades e acabar se relacionando com quem não se quer realmente. Não há regras absolutas, estou falando de condutas voltadas à área afetiva, intenções equivocadas neste campo. Não me canso de dizer: cada caso é um caso.
Mudemos a sintonia, mudemos a energia pela qual atraímos as coisas em nossas vidas. Em vez de um relacionamento-recebimento, que fatalmente cansa, por que não agir diferente e experimentar um relacionamento-doação, que está de acordo com a lei da Vida e tem muito mais chance de dar certo?
Ops, já tenho alguém! E agora? Depende! Outra vez, autoconhecimento! Por que a relação começou? Pelos motivos errados? Calma, ainda não está perdido! Mesmo assim, pense: não há nenhuma chance de êxito, não foi descoberto ao longo do tempo que surpreendentemente havia algo a mais ali e é possível investir? Sim! Que ótimo! Não? “Não” por quê? Realmente não há oportunidade de fazer brotar um sentimento bom, ou porque é mais fácil pensar em “tudo novo de novo” e fazer menos esforço?
Construir um relacionamento sempre vai ser mais difícil que não construir nada e ficar apenas com a diversão e o efêmero. Reformar um relacionamento abalado, então, o dobro de dificuldade. Parece mais fácil começar outro – tem os atrativos do começo. Ainda que se descubra coisas novas sobre as causas reais de uma relação, decide-se encerrar o ciclo por pura conscientização, ou por preguiça?
Antes de prosseguir, vale ressaltar também que tudo evolui e precisa ser trabalhado e construído, inclusive o amor. Há vários relacionamentos “posse”, “troféu”, “acomodação” que funcionam. Seja porque os dois envolvidos ainda pensam e sentem assim, e é o máximo que podem dar a uma relação, mas vivem o lado bom de ter uma companhia e até crescem. Não se incomodam com formas mais “elaboradas” de amar. Não deixa de ser um amor em crescimento, pois há um elo sincero, só a forma que ainda é deficitária.
E há até mesmo os relacionamentos “amizade” que são muito bonitos, onde os dois pensam e sentem da mesma forma e também conseguem crescer juntos. Há, ainda, os casos em que as pessoas envolvidas, mesmo que pensem ou sintam de modo diferente dos parceiros, são almas que tem como prioridade na existência outros tipos de lutas, então, se forem bem sucedidos num relacionamento pai/mãe e filho, ou coletivo etc., ou na carreira, têm equilíbrio suficiente para viver um relacionamento ameno ou mesmo deficiente na área afetiva conjugal. Cada caso é um caso! Mas são situações diversas. O modelo psicológico geral e final é ser saudável também nesta área. Há, portanto, aqueles que já se incomodam, mas ficam presos nessas formas intermediárias de amar. Não houve insistência de uma das partes para forçar a união ou o iludir o outro, o que gera um compromisso emocional, fazendo com quem tenha tido a iniciativa contraia uma responsabilidade maior no relacionamento e precise desfazer o elo antes de querer desistir. Refiro-me a quando o relacionamento foi iniciado de comum acordo, duas pessoas experimentando, mas não deu certo; o enlace naturalmente acabou, porém, um dos dois ou ambos não enxergam isso. A eles há a esperança para afirmar que existe algo além desta penosa realidade, e o chamativo para que, se sofrem, cabe a eles mudarem seu estado atual.
Portanto, se nos encontramos neste último caso e foi feito todo o esforço possível para salvar a relação, mas a conclusão ainda é o fim, vamos nos livrar da culpa.
Indivíduos em momentos de crise e que, unilateralmente ou num mesmo tempo, conturbem um relacionamento, não podem ser termômetros do que realmente é um casal. Desta forma, muito mais fácil é considerar um terceiro Ser mais equilibrado, divertido ou interessante, ou um relacionamento de outros casais mais saudável. Mas quando os dois indivíduos do casal estão em seu estado normal e ainda assim há desavenças, pensar em terminar não é egoísmo, não é fugir da luta: é incompatibilidade!!! E não há relacionamento real sem afinidade. Afinidade deve ser a causa de uma união. Quantos casais vemos juntos? Muitos! Aos nossos olhos, todos parecem iguais. O mesmo efeito. Porém, tantas, mas tantas causas… É essas causas equivocadas que devemos, ao longo do tempo de cada um (pois cada um tem o seu e está num momento evolutivo), extinguir.
E quando eu digo que “ainda assim há desavenças”, não afirmo que o casal afim não tenha desentendimentos, que viva como num romance e sejam sempre sorridentes, gentis e perfumados um com o outro. É exatamente aí o ponto: assim como o carro, há coisas que dependem de nós num relacionamento, mas passada determinada etapa, somos ainda condicionados a outras leis, maiores que nós, e que interferem em nosso desempenho. Somos limitados!
Ao ler uma coluna de relacionamentos, uma mulher que traiu deu o depoimento a respeito do noivo com quem já não tinha mais diálogo: “Eu não gostava mais dele e já não tinha mais nem paciência para as coisas que ele me dizia. Ao mesmo tempo, não conseguia terminar. Ainda gostava dele como pessoa e não queria ser aquela que o machucou e que o deixou triste.” (fonte: http://br.mulher.yahoo.com/mulheres-contam-tudo-sobre-suas-trai%C3%A7%C3%B5es.html).
Ela tem consciência de que não gostava mais dele. Ou seja: que a causa real para uma união não existe! Eu não deveria dizer mais nada, mas ainda assim farei as reflexões. A razão de um relacionamento afetivo já foi puramente sexual em tempos mais primitivos, já foi por interesses políticos ou financeiros e, nos últimos tempos, pelo menos para os ocidentais, há a liberdade e chega-se cada vez mais perto da causa natural, real, aquela que faz feliz a alma: o amor.
Mas ainda não sabemos direito como identificar o amor, na prática, ou não nos conhecemos direito e confundimos os valores dentro de nós. Por isso é importante o autoconhecimento para suprirmos nossas próprias lacunas e deixarmos para o relacionamento a dois a parte saudável, de afeto sincero, afinidade, e ter maiores chances de êxito num relacionamento. Alimentar nossa alma com escolhas felizes para sermos capazes de suportar o que ainda não conseguimos mudar… Se for postergar o término, mas não ter condições de suportar e trair, é bem mais honesto terminar…
Compadeço-me do “…não conseguia terminar. Ainda gostava dele como pessoa”. Eu também já me confundi com isso, e se hoje falo de forma incisiva não é pela crítica a terceiros, mas por querer compartilhar o que aprendi. Isso é um princípio de altruísmo, pensar no sofrimento do outro mesmo quando não se quer mais prosseguir. E não querer machucar o outro é também louvável, é sinal de alma mais sensível. Mas, ainda assim, é um erro. Ainda não temos capacidade de abrir mão de nós 100% para o outro sofrer 0%… O que também é uma ilusão, pois se não temos esta capacidade de amor incondicional absoluta, não haverá amor a ser dado, o outro vai esperar e não vai receber; o que ele ofertar não mais servirá e nenhum dos dois será feliz. Num relacionamento cuja natureza seja a doação mútua, e não pura, como na maternidade, na caridade, só ceder não é saudável. Talvez mais amoroso para ambos seja libertar o outro, para que ao menos haja chance de um recomeço, e mais honesto consigo mesmo, reflexo de autoamor, seja admitir que não se consegue ir além; evitar querer abraçar o mundo e terminar sufocado.
O último século é conhecido pelo avanço tecnológico. Somente agora o Homem tem um mergulho mais profundo em direção à sua razão, à sua intelectualidade. É um caminho sem volta. Mas o ser não é composto somente da razão. É, além disso, emoção. Já estamos iniciando também o avanço no sentido emocional. Entretanto, por sermos novatos nesta área, quantas e quantas coisas relacionadas a este aspecto de nós ainda desconhecemos?
Tentando acertar, tentando aprender com erros passados, seja de nossa própria existência, seja pelos exemplos daqueles que vieram antes de nós, aqueles que já se importam um pouco mais com a alma, que não vivem cem por cento em torno de valores puramente materiais, fazendo o melhor que pode para aplacar seu orgulho, seu egoísmo – ainda tão evidente em nossa sociedade e em cada um de nós – exageram a dose e acabam se reprimindo. Negando-se. Mesmo que de forma inconsciente, envergonhados da má conduta antiga, tentamos um caminho novo, mais altruísta, mais bondoso – mas que tem seu tempo natural a ser percorrido. Para fugir dessa realidade obscura, de erros, tentamos acelerar o processo e negamos para nós mesmos quem ainda somos, querendo sufocar nossos atrasos, tentando substituí-los à força pela (falsa, porque não foi construída) virtude análoga, em vez de dialogar com eles, aceitá-los e trabalhá-los.
Se eu digo que “ainda há desavenças” entre um casal é porque se comparados a seres perfeitos que podemos ser, que são apenas amor, bondade, justiça, mesmo entre os melhores seres humanos vivos, ainda há orgulho, egoísmo, vaidade, em infinitos graus. Mas há. Então, conviver, ceder, aceitar é difícil para todos, mesmo que quase nada para uns e até mesmo impossível para outros. Por isso, a dificuldade já está na estrutura do relacionamento em si. Se buscarmos voluntariamente este desafio em alguém que não é compatível conosco, estaremos nos martirizando.
Se já pudéssemos fazer isso, talvez dizer para não executar este sacrifício fosse estimular o egoísmo. Mas em nosso grau evolutivo, isso não é pensar no outro, é anular a si mesmo, usando como máscara uma virtude: o altruísmo puro, que nós ainda não temos, principalmente numa relação tão íntima como a conjugal. Ceder a vez no mercado vai custar vinte minutos a mais num sábado em que estamos de folga. Até mesmo na correria de um dia de semana, se quisermos nos esforçar ainda mais. Já podemos fazer. Engolir um sapo do cunhado num almoço de domingo é difícil, mas para autossuperação e por respeito aos outros familiares, buscando elevar o ambiente e evitar brigas, é possível fazer. Suportar a novela chata daquela mulher incrível que às vezes gosta de bobagem, mas com quem você conversa até no olhar, incomoda, mas é possível. Ter que largar o final do filme para buscar seu filho na festinha do amiguinho e ver que ele aprendeu um truque de mágica atrapalha, mas vale a pena. Cuidar da mãe com gripe em vez de matar a saudades do marido na esperada tarde de domingo gera dúvida, até, mas dá para conciliar.
Contudo, ceder deliberadamente a felicidade afetiva é, na maioria das vezes, violentar a alma. Não é normal! Existe algo além! Micro/macro outra vez: se é sabido que não damos aquilo que não temos e precisamos, portanto, aprender a amar a nós mesmos para podermos então, ofertar amor ao outro, como podemos pensar em amor a toda humanidade se não conseguirmos amar plenamente nem um único ser humano? Ah, amamos os filhos, pode-se dizer. Mas se precisamos exercitar todas as formas de amor para conhecermos o Amor puro, como queremos pular etapas, suprimir o conjugal e pensar apenas no fraterno, no paternal, no coletivo? Será um Amor Pleno incompleto! E isso não é amor pleno! Claro, tudo a seu tempo, nem todos os amores serão exercitados de uma vez.
Mas e se já chegar a hora e nós negarmos o amor por parecer bom demais para ser verdade? Será que um amor sincero é mesmo coisa de hollywood, ou, retirado seus simbolismos e exageros, não acontece porque não sintonizamos algo tão bom por esta baixa autoestima ainda inerente ao nosso grau evolutivo coletivo, se comparada com o que podemos ainda desenvolver e descobrir dentro de nós, e, mesmo que inconscientemente, ainda escolhamos relacionamentos ruins?
Claro que todas essas reflexões giram em tornos e dois adultos livres e desimpedidos, comprometidos apenas um com o outro. Quando há outros fatores, como filhos, dinheiro, doença, incapacidade interna/psicológica da pessoa e lidar com um rompimento; estado frágil no momento; o quanto quem quer romper forçou a relação ou iludiu o parceiro, tendo, portanto, responsabilidades e quer sair de repente, sem desfazer naturalmente o elo etc., ou outras variáveis, não é só o lado pessoal que deve ser levado em conta. Deve-se fazer todas essas reflexões e “reservar”, como fazemos em receitas culinárias. Depois faz-se a outra parte da receita, no caso, outras reflexões profundas a respeito de outros pormenores envolvidos na situação, pesa-se na balança e executa-se o lado que ganha.
É possível que o lado pessoal deva ser sacrificado por razões ainda mais nobres. E fazer isso pode parecer horrível, insuportável, mas é o correto. Vai valer a pena. Vai valer a paz na consciência. E não há liberdade ou novo relacionamento que se justifiquem sem paz. Sendo assim, que se tire o melhor proveito da situação. Que se busque outras fontes de realização. Que haja fé, resignação, pois tudo é passageiro e dias melhores virão.
Como sabemos que é muito mais fácil buscarmos o que dá menos trabalho, a orientação sempre deve ser em direção à elevação de virtudes do ser humano, em estimulá-lo ao esforço. Por isso, a tentativa de recomeço e reconstrução dentro do que já existe. Mas isso não pode mais ser sinônimo de crueldade e intolerância para com nosso estado evolutivo, visão pessimista da vida e de nós mesmos, anulação da felicidade e estímulo da castração. Exatamente por sermos esses seres ainda habituados ao menos trabalhoso, é preciso também tomar cuidado para não usar esta orientação válida de maneira geral para esconder uma necessidade de esforço para alguns casos específicos, e acabar escolhendo continuar onde se está pela repressão de sentimentos, negação da realidade e mesmo acomodação ou por não sentirmos o direito de ser felizes e ficarmos apenas com o dever. Muitas vezes, a lição é arriscar e recomeçar com uma possibilidade positiva do que aceitar uma certeza negativa.
Tendo real autoconhecimento, bom-senso e responsabilidade, a orientação sempre deve ser a busca da felicidade, que é o estado natural do Homem. Somos imaturos e precisamos domar más tendências? Sim! Mas também somos limitados e necessitados de várias condições para estimular as virtudes. Negar isso é enganar-se, ao achar que pelo simples fato de ter pisado no freio é possível evitar o acidente. Todavia, nosso veículo, na maioria dos casos em diferentes aspectos da vida, ainda está a 100km/h. Não temos total controle. Há limites para cedermos, há uma tênue barreira que separa a sublimação da autoanulação. Assim, se agimos já bem intencionados, mas interpretando erroneamente o velocímetro, como se estivéssemos a 50km/h, pelo visto, quando o carro bater, parece que o “choque” será duplo…”
Fonte da imagem: conversademenina.wordpress.com








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