Orgulho e Amor

Penso que a razão da vida na Terra é fazer a alma crescer, evoluir. Para aqueles que ainda não vêem assim, vamos divagar… Aos outros, um ou dois parágrafos de paciência que já voltaremos a dialogar partindo do mesmo ponto.

 Através de meios científicos e racionais, ao analisarmos a História da Humanidade, a Antropologia, a Psicologia e tantos outros conhecimentos que o Homem adquiriu, podemos concluir que nossas civilizações evoluem. Portanto, se o homem presente do passado mostrou-se superado no futuro, fatalmente nós também estaremos defasados perante os homens presentes do porvir. Além de aceitar a evolução, precisamos compreender, então, que nem tudo o que faz parte de nossa cultura e nossa verdade (coletiva ou individual) hoje é absoluto. Pode mudar, portanto, as mentes devem sempre estar abertas.

Sabendo disso e buscando conhecimentos filosóficos e espirituais já espalhados pelo globo, podemos, portanto, concluir que o destino do Ser é o equilíbrio, é a consciência de si. E isso acontece através da evolução – que, vejam, de forma racional, podemos observar, então, não é uma proposta tão absurda ou alienada assim!

Aceitando estas premissas, conseguimos acreditar no conceito daqueles que já avançaram em estudos da alma, como religiosos ou psicólogos. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já acrescentou à definição de estado saudável do Homem o bem-estar espiritual, além do físico, mental e social. Há, portanto, posturas benéficas para a emoção do Ser e posturas prejudiciais. Paz, equilíbrio, serenidade, paciência, humildade, fé, alegria etc. são sentimentos reconhecidos como saudáveis ao ser humano. Ódio, rancor, raiva, ciúme, egoísmo, ansiedade, prepotência, ceticismo, tristeza etc, são, portanto, negativos.

Ofereço um pouco do aprendizado em minha vida particular para tentar explicar o que acontece com dois representantes destes grupos distintos: orgulho e amor. Vale para todo tipo, embora meu aprendizado recente tenha sido na área afetiva (homem-mulher).

Lá estava eu, ontem, novamente dirigindo até a casa de minha mãe para o tradicional almoço de domingo. O caminho era diferente, mas a situação, aparentemente, muito parecida: cheguei à porta de sua casa. Tocava a mesma música que, exatos sete dias atrás, fez-me perder a calma e não suprimir meus impulsos.

Assim como naquele dia, a música começava, mas hoje não entrei na casa e dei uma volta no quarteirão, ouvindo a melodia até o final, por haver um carro obstruindo a porta e eu achar melhor sentir uma leve brisa ao dirigir, que encostar o carro e aguardar, parada, no calor – diferentemente do passado, quando ouvir a música me tocou tão fundo que eu não consegui chegar e precisei dar uma volta para espairecer.

Entretanto, quanta coisa mudou…

A amarga decepção em relação ao homem que eu amo devolveu-me o parâmetro do que é problema grave, digno de gerar desespero, e aqueles que podemos resolver – e que, se isso aconteceu, até mesmo este problema pode ser superado. Fez-me voltar a me colocar em primeiro lugar na minha vida, que é onde sempre devemos estar em relação a nós mesmos. Fez com que ele saísse do pedestal onde eu o havia colocado, assim como à importância da vida afetiva, em detrimento de todo o resto. Somos todo um universo de possibilidades, dignos de vida, de experiências saudáveis, de cuidados. Somos administradores de nós mesmos, nunca seres definidos por determinada situação que vivemos – embora, quando em dor, em dúvida e até mesmo euforia, sejamos consumidos por estas distrações e pareça impossível nos desligarmos delas.

Todavia, apesar dos fatos palpáveis, visíveis e, portanto, racionalizáveis, mostrarem que eu estive errada o tempo todo, que encontrar num homem já compromissado (portanto, para meus valores, impossível!) o companheiro de alma que eu sempre soube existir (e que eu já conhecia antes de o conhecer) e acreditar que esta certeza era mais forte que tudo, superar minhas próprias regras rígidas, até então, estáticas, e que isso foi, portanto, acreditar em mim e crescer, acho tão absurdo este desfecho – não apenas pelo fato em si, mas pelo sentimento que tenho a respeito – que sou obrigada a escrever sobre este tema, que também pairava minha mente antes de eu saber dos fatos.

Aprendi que vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas, muitas causas. Um emprego numa empresa renomada pode ser a chance da vida de um batalhador, como pode ser desvio de uma vocação para outro. Pode ser um modo da vida ensinar disciplina, humildade, esforço ou um oportunidade de mostrar a alguém que não acredita em si que tem capacidades, como pode ser apenas uma conseqüência natural de um esforço e de características já adquiridas pela pessoa que o obteve. Pode não apenas ser um fim, uma conseqüência, como neste segundo caso, mas também um meio, algo que nos ensine e nos leve para onde realmente devemos ir.

Isso para tudo… Um namoro, uma amizade, uma viagem e todos os tipos de experiências que temos. Quantos namorados já tivemos que não duraram, não ficaram, e hoje facilmente conseguimos enxergar que não era para ser, mas reconhecemos o que a experiência nos ensinou e que é fundamental, inclusive, para relacionamento sério que vivemos hoje? Se fosse para vivermos apenas o “destino final” das coisas, só teríamos um relacionamento afetivo, moraríamos em uma cidade, teríamos apenas um trabalho, um grupo de amigos e por aí, vai. Nada mudaria, nunca (claro, precisamos saber conservar conquistas e amores. Quem nunca pára em nada não é assim tão aberto, mas talvez não consiga se comprometer. Não me refiro a isso). Mas não é vivendo um pouco de cada que aprendemos onde realmente é o nosso lugar, quem nós somos de fato? Não é a experiência em si que vale mais (embora deva ser reconhecida e vivenciada!), mas a impressão, a energia que ela movimenta dentro de nós, fazendo-nos evoluir.

Portanto, situações rotuladas muitas vezes são os fins, o que aparentam: em tese, uma separação é ruim, conseguir um emprego é bom, uma doença atrapalha, um namoro ajuda, e por aí, vai. Mas, muitas vezes, se forem meio, os rótulos nem sempre se aplicam. Uma doença pode chocar uma alma preguiçosa e acordá-la para a realidade; um emprego que atrai uma alma orgulhosa por status pode fazê-lo embarcar num mundo de aparências, ou deixá-lo viciado em trabalho para manter estas aparências e o outro emprego com um menor, porém, bom, salário, que o deixaria mais livre para viver as outras áreas da vida, teria sido o caminho certo; uma separação entre duas pessoas incompatíveis pode ser uma libertação para que ambas vivam de acordo com suas verdadeiras essências; um namoro intenso em época de estudo pode desviar toda uma vida, ou mesmo um namoro baseado em valores menores (dinheiro, status, carência, atração física – apenas! Claro que ela é saudável e necessária quando faz parte do pacote! – etc.), em qualquer época, pode contribuir para o desequilíbrio do ser, dentre tantas outras situações.

Ou seja: o que parece bom pode ser ruim e vive-versa. Como uma pessoa que perde o avião pode, por exemplo, até mesmo ser prejudicado no trabalho, em algum compromisso sério, e isso originalmente ser ruim. Mas minutos depois, quando o avião cai, vê-se que aquela situação negativa foi, na verdade, uma bênção. Foi um meio da Vida salvar aquela pessoa.

Por tudo o que sofri durante tanto tempo, em determinado ponto da trajetória eu havia deixado de acreditar em tudo (em mim, na Vida, e confundi meu conceito de Deus, pois, tamanha crise existencial, não mais O reconhecia) que este sentimento parecia um mal. Mas eu sabia que era um meio da vida me ensinar tantas, mas tantas coisas a meu respeito. No fundo, nunca deixei de acreditar no sentimento e reconhecer a verdade do que vivia (era um estado de alma tão elevado sutil que ficava feliz apenas com um olhar, por tudo o que via ali, e ativava as forças mais lindas que tinha em meu ser, tornando-me amável e feliz), mas tive incontáveis momentos de dúvida, conflito e, assim, de sofrimento. Por isso, aparentemente, eu me maltratei. Mesmo que em silêncio, mesmo sem agir – mas não importa, eu investi energia nisso! – dediquei meu coração a alguém que não retribuiu. O efeito era eu sofrendo por alguém que não correspondia no campo dos fatos. Mas a causa era este sofrimento ser um meio de aprender e crescer, uma situação difícil fora para eu aprender a superar e acreditar, dentro.

Por ser meio, por ser a causa que não corresponde à regra do rótulo – que é aquela análise facilmente feita por todos – afirmo que este fato concreto de impossibilidade não é coerente. Posso estar enganada? Claro! E, neste caso, as conclusões podem até não se aplicarem para este caso, mas nem por isso deixam de ser válidas, por conhecimentos gerais sobre o mecanismo interno do Homem. Mas… e se eu estiver mesmo certa?

E aí eu me pergunto… No rótulo, a análise de uma rejeição é simples: se você rejeita alguém é porque não ama, não quer. Isto é o que de fato, geralmente, acontece. Esta é a interpretação mais lógica, a da maioria e aquela facilmente feita por todos, porque já está pronta, não dá trabalho. Mas só esta análise é possível? Não… Graças ao mecanismo evolutivo da humanidade e dos sentimentos, destacados no início do texto (embasei com mais detalhes este processo em meu Ensaio “Quem Somos Nós?”, publicado aqui), pode-se concluir, por tantos comportamentos desajustados – frutos daqueles sentimentos já reconhecidos como prejudiciais ao ser humano – ainda vistos no planeta, que conhecemos muito pouco nossas emoções.

Portanto, será que nos conhecemos o suficiente para sermos 100% do tempo coerentes: negar o que não queremos e atrair para nós o que queremos? E se estivermos em conflito e atrairmos algo que não é de acordo com os sentimentos equilibrados, saudáveis ao Ser, e rejeitarmos isso, por pura falta de sintonia?

Cada caso é um caso, e se quisermos chegar à conclusões satisfatórias, precisamos conhecer a “lista de rótulos”, para termos parâmetros, e, depois de conhecê-la bem, termos autoridade para interpretar suas exceções à regra ou terceiras regras formadas da combinação de duas já existentes, através do raciocínio e análise de sentimentos e percepções.

Sendo esta humanidade ainda não pacífica, belicosa – não sou eu quem estou dizendo, basta ligar o noticiário – e sabendo que há evolução e condições melhores – usando dos conhecimentos científicos já conquistados, como a História, a Psicologia etc., como já esclarecido – podemos afirmar que o Amor (o real, não as paixões, posses ou comodismos que também designamos assim)é realmente bom para o ser, e o orgulho, ruim, pertencente à classe de sentimentos que, usados em demasia, desequilibram o Homem. Sobre este conceito do que é amor e o que pensamos ser, sugiro novamente o Ensaio “Quem Somos Nós” e “Breve Ensaio sobre o Amor”.

Se formos usar o exemplo de alguns indivíduos que já conquistaram altíssimo grau de luminosidade interior, como Gandhi, Buda, Francisco de Assis (só para citar alguns), é possível comprovar racionalmente, através do exemplo factual que eles deixaram, onde o ser humano pode chegar. Sendo assim, poderemos concluir que somos uma humanidade ainda no começo de caminhada. Ao observarmos o comportamento da massa e compararmos com o deles, nota-se o fosso que existe entre estes extremos e podemos concluir, então, que estamos mais no começo da caminhada evolutiva, que no fim.

Então, a respeito de nossas emoções, muito pouco sabemos. Sabendo pouco, é fácil afirmar que, ao observamos nossa prática e compararmos com a destas pessoas iluminadas, vivemos uma lógica invertida, aceita pelos nossos hábitos primitivos, mas revogada pela Lei da Vida. Esperamos vir de fora para somente então movimentar dentro. A deles é contrária: doam sem receber, acreditam sem ter provas palpáveis, buscam o autoconhecimento e aproveitam o resultado do que as experiências vividas fora fazem dentro, não o oposto. Não se prendem a sensações, alimentam sentimentos.

Seremos assim, um dia.

O orgulho faz parte de nós e desta lógica invertida. Ele nos aprisiona a ela. Prende o ser ao que ele é na matéria, ao que ele aparenta ao mundo (como se também não existisse alma!), aos sentimentos baixos e tormentosos. Gera a acomodação, o medo, a insegurança. O amor liberta, faz o ser encontrar-se consigo, acreditar, arriscar, doar-se e buscar cada vez mais o que É, não o que ESTÁ. Acreditemos ou não, estamos mergulhados neste sentimento bom. Cada um sente isso de determinada forma, em diferentes graus em sua história de vida. Mas sente. Ou vai sentir. Mas vai, porque esta é a realidade da vida.

Sabendo que somos assim, ainda tão conflituosos perto daquilo que se pode ser (sem, nunca, deixar de carinhosamente reconhecer e apreciar o que já conquistamos, apenas estimular a crescer e buscar ainda mais!) será que sabemos apreciar quando algo verdadeiramente bom nos acomete? Mesmo quem já tem um mínimo grau de mansuetude, boa-vontade, gentileza, doçura, bom-humor, alegria, inclinação à bondade e etc., também traz ainda intrínseco em si alguns obstáculos do orgulho, escondidos no inconsciente e exteriorizados em conceitos ou práticas que nem sejam claramente percebidos – mais que ainda negam a essência do Ser.

É como na escola: o destino final do estudo é a faculdade. Um aluno que esteja no quinto ano ainda tem muito pela frente. Mas pode já ser o melhor da sua turma. Entretanto, deve sempre lembrar que, apesar de ser destacado naquele ambiente, ainda tem muito o quê percorrer. Não deve se deixar levar apenas pela sua realidade, que é relativa, mas sair do seu mundo, da sua circunstância (o quinto ano!) e lembrar-se da realidade total, absoluta, da qual faz parte.

Portanto, mesmo um ser humano de admirável destaque dentre nossa média, ainda tem em si muito a lapidar da alma. Não podemos nos esquecer disso.  Não é porque já tenhamos lutado contra nosso orgulho, egoísmo, ciúme, raiva, vaidade etc. em algum momento da vida e que talvez até sejamos bem resolvidos em algumas destas áreas, se comparados a muitos outros – que pouco ou nada fazem para mudar isso em si -, que ainda não tenhamos estas mesmas qualidades em menor escala e mais escondidas dentro de nós. O aprendizado é contínuo!

Todo mundo me diz: “Mas você não o conhece”. Será? Só porque eu não interagi afetivamente com ele, será que não consigo ter uma percepção dele dentro de mim? Será que não pode existir uma ligação de afinidade, como reconhecemos facilmente com pessoas que despertam ligações profundas com poucas ciscunstãncias comuns para gerarem esta impressão, como desconhecidos ou amigos, que reconhecemos como familiares? Por que com o amor homem-mulher precisamos ser tão céticos? (Aqui sugiro “O Conto de Fadas é a realidade”, publicado no antigo blog, com link à direita, que desenvolve exatamente este conceito). Este conhecimento interno que eu poderia ter dele não é real porque pessoas como eu é que vivem de ilusões, ou o que a maioria chama de ilusão é a realidade que o orgulho ainda não nos permite ver com clareza, devido a necessidade de receber, de não poder existir sentimento incondicional ou de não poder enxergar quando não vem de fora? (Ao final deste texto adicionei um texto elucidativo de Max Geringuer, a respeito da opinião coletiva).

O romance (sem o exagero, mas aquela sensação universalmente boa que automaticamente contagia a muitos, seja por vivenciar, seja por ver acontecer ao redor e lembrar que isso também existe em si  – outros ainda são realmente fechados e, por julgarem a sua verdade como a geral, não conseguem ainda reconhecer este sentimento bom e acham que ele não existe) é coisa de quem não tem o que fazer, de quem é sonhador, é iludido, não sabe o que é problema, ou é deixado em último plano em nossas vidas e na aceitação coletiva porque são as pessoas que prendem-se a uma realidade tão “primitiva” e apenas racional, como se fosse tudo, sintonizando apenas com situações mais práticas, duras e, em alguns casos, até mesmo insensíveis?

Chocados com a “dura realidade”, com as atrocidades de nosso cotidiano, impregnados com esta percepção de mundo, de vida, será que negamos algo sutil, calmamente prazeroso e pacífico (feliz!) porque seja impossível, ou nós é que somos orgulhosos demais para acreditar nisso, orgulhosos demais para perdemos o medo de nos entregar, orgulhosos demais para apreciar quando alguém sente isso e ativamos nosso ego (alimentado diretamente pelo orgulho) para julgar quem faz isso por nós – porque nós seríamos incapazes de fazer e, portanto, segundo nossa limitada visão, quem faz se humilha e passa, então, a ser por nós desprezado?

Cada crise ao longo deste caminho que tive, gerando uma grave crise existencial, foi fruto do meu orgulho, que eu precisei vencer pouco a pouco, para conseguir continuar a acreditar.

Talvez, exatamente por termos uma estima coletiva ainda baixa, se comparada com as individuais daqueles avatares de luz que vez ou outra exemplificam em nosso planeta – e onde, repito, cada um de nós pode chegar! -, a Vida tenha colocado como um dos mecanismos de crescimento a existência do tipo de relacionamento afetivo homem mulher como espelho direto do ser para ajudá-lo a reconhecer-se externamente. Assim, consegue atingir este estado de alma elevado dos apaixonados e isso o impulsiona. Já que, neste grau evolutivo, o nosso campo emocional ainda seja tão agitado e confuso que, se não existisse este tipo de amor onde pudéssemos nos ver fora, ficasse ainda mais difícil o autoconhecimento, devido tamanha confusão advinda de nossa infantilidade evolutiva, dentro.

Mas o que nós queremos desta espécie de relacionamento? Somos seres bem-resolvidos (mesmo relativamente, apenas para nosso patamar evolutivo, como se fôssemos o bom aluno do quinto ano que já consegue lidar com todas as disciplinas e “passa de ano”, mas ainda tem o que aprender posteriormente) que, em equilíbrio, atraímos para nós outro ser assim e, juntos, ajudando um ao outro, aprendendo, doando e exercitando o amor (o que, pela lei natural, nos permite receber, mas de uma forma saudável), caminhamos, e o que o outro é e desperta de bom em nós é mais importante do que as lacunas que ele supre? Ou somos seres carentes, ignorantes a respeito de nós mesmos, que, em desequilíbrio, vemos no outro um meio rápido e fácil de preencher nossos vazios existenciais, atraindo pessoas que sejam apenas bonitas ou sensuais; que façam com que nos sintamos importantes (contudo, sem eles, não conseguimos!); ou que simbolizem situações vantajosas, como dinheiro, poder, status, influências, ou que seja apenas alguém do gênero sexual que nos atraia para satisfazer necessidades do relógio biológico ou de cobranças da sociedade, e, então, apenas busquemos alguém “dos males, o menor” para encaixar neste requisito e vivamos nossas sensações momentâneas?

Claro, cada um entende o amor de uma forma e tem necessidade de tal ou tal experiência para poder crescer e, se é necessária, se é o máximo que temos capacidade de atingir, é benéfica. Quantos casais companheiros conhecemos, formados mais por circunstâncias favoráveis que por puro sentimento, que vivem bem, mesmo sem um lado romântico entre si? Se ambos estão felizes, provavelmente estão juntos pelo Bem, para aprender o companheirismo e depois ir ampliando o conceito de amor. Não me refiro a eles. (Também falo melhor das formas de amor no Ensaio “Quem Somos Nós”). Mas e quem já pode “passar de ano” e ainda não o faz, por interpretar erroneamente as coisas, por deixar o orgulho falar mais alto?

Será que é o amor algo tolo, ou é o orgulho que ainda cega a visão da coletividade? E vou além: ainda que já se aceitasse esta realidade, será que precisamos ser felizes, leves e confiantes apenas quando nos apaixonamos, ou podemos conquistar este estado de alma interior o tempo todo, para todas as áreas da vida, mesmo quando ainda não há ninguém? Como já foi dito acima, será que este tipo de sentimento não é um propulsor ativado pela presença de outro em nossa vida para, um dia, atingirmos este estado de alma sozinhos, depois de conseguir acreditar que isso seja possível, atrair para nós e viver estes relacionamentos saudáveis, amorosos, e aprendermos a lição, gerando autoamor e autorrealização que nos conectem a este estado interior permanentemente?

Mas nós, estes seres ainda “crianças”, facilmente equivocados e em começo de jornada evolutiva, devido à lógica invertida, à imaturidade emocional, somos, então, orgulhosos, talvez estejamos tão sedentos de recebermos, que não consigamos, portanto, amar – que é doação e libertação pura. Chamamos de amor estes relacionamentos carência ou interesse, ou mesmo engano, apesar de toda aparente afinidade e, por não estarmos verdadeiramente satisfeitos (porém, não enxergamos nossa visão turva que contribui para isso), atribuamos ao amor uma ilusão, de tão decepcionados. De tão “bom demais para ser verdade” que parece, quando usamos nosso atrasado ponto de vista para fazer nossa avaliação.

E se houver mais?

Lembrando do que vi em uma reportagem a respeito de sermos no trânsito o que somos na vida real – explosivos, impacientes, folgados, ou o contrário – percebi que apesar de toda esta aparência de amar sem ser correspondida na prática e isso ser, portanto, falta de amor próprio e que, se fiquei ressentida ao ser contrariada, é devido à posse em relação a ele; a ser revoltada e não aceitar a vontade de Deus e, portanto, que o que sinto não é amor – o que é a interpretação pronta facilmente feita pela massa para o efeito que exteriorizo -, reparei um defeito meu: sou extremamente – muitas vezes, extrema até demais! – seguidora das regras. Nunca me conformo quando vejo um carro na contramão, ou desrespeitando uma placa. O que não significa que eu seja uma motorista perfeita, que não cometa meus erros. Mas vejo regras básicas serem quebradas por pura falta de esforço e não aceito, em nome no mal feito à coletividade, do egoísmo de quem pratica. “É tão óbvio!”, eu penso. Vale a minha boa vontade pelo respeito às leis. Preciso, entretanto, aprender a tolerar o meu semelhante, que está em luta interna, assim como eu.

Sou assim também diante das leis de Deus… Tento seguir Seus princípios, mesmo sendo também imperfeita e, mesmo sem intenção (na maioria das vezes), desrespeitar, muitas e muitas vezes, essas regras. Mas ainda sou intolerante quando não cumprem o que eu já aprendi… Isso é orgulho! É sentir-me no direito de analisar os outros e ditar regras! Porém, ao menos, tenho um atenuante: é orgulho, mas é orgulho utilizado tentando defender o amor, não para alimentar o próprio orgulho… Como sei que ele pode cegar o Homem, que ainda é muito mais fácil fazermos menos esforço e seguirmos nossos instintos ou comodismos psicológicos do que invertemos aquela lógica e buscarmos uma realidade mais feliz, desespero-me quando o amor (este verdadeiro) não acontece, devido a distorções de regras ou sentimentos mais baixos. Por isso, minha revolta. O que também não deixa de ser falta de fé em Deus… Mas aprendi minhas lições.

Os fatos não mudaram. O estrago foi feito. Entretanto, eu cresci. Este choque fez com que eu voltasse a lembrar de mim. Fazendo isso, amei-me ainda mais e, assim, encontrei novamente a paz. Outra vez em paz, consegui acreditar novamente em mim. Uma vez assim, foi possível enxergar a verdade dentro de mim.  Em vez de negar, automatica, pacífica e naturalmente voltei a aceitar tudo isso dentro de mim e, assim, voltei a confiar em quem sou (não mais, por insegurança, dar excessivo valor à opinião de outrem), na sabedoria Divina, mesmo sabendo a dúvida que muitos ainda sentem – e o quanto me acham louca por eu ainda acreditar em mim nestas ideologias diferenciadas. Terminei a volta no quarteirão não apenas ouvindo, mas cantando aquela música que semana passada foi a prova de meu fracasso, e sorri ao reconhecer com admiração e paz o céu azul e límpido, ainda mais azul e límpido que aquele que, enquanto manobrava o carro, eu via com os olhos, acima de mim…

“JESUS ERA PERIPATÉTICO

(Max Geringher)

Numa das empresas em que trabalhei, eu fazia parte de um grupo
de treinadores voluntários.
Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima,
e tínhamos até um lema:

“Para poder ensinar, antes é preciso aprender” (copiado, se bem
me recordo, de uma literatura do Senai). Um dia, nos reunimos para
discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200
funcionários. Estava claro que o método convencional: botar todo mundo numa sala, não iria funcionar, já que o professor insistia na
necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho.
Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do
objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um
trecho do Sermão da Montanha como tema do evento.
E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de
primeira. Aliás, pensou alto:

– Jesus era peripatético…

Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o
hiato pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a
afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer
que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor. E lá
se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar.

– Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau
gosto, disse a Laura.
– Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo,
emendou o Jorge, para acrescentar que estava chocado, no que foi
amparado por um silêncio geral.
– Talvez o professor não queira misturar religião com
treinamento, ponderou o Sales, que era o mais ponderado de todos.
– Mas eu até vejo uma razão para isso…

-Que é isso, Sales? Que razão?

-Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu.
-Não diga!
-Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a
religiosidade alheia…

Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e,
quando já estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas
nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando:

-Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas
e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador
teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas… Por que
vocês estão me olhando desse jeito?

-Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de
peripatético, veja bem…

-Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para
fazer pregações, como os filósofos gregos também faziam, ao orientar
seus discípulos.

Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres, portanto a sugestão de usar
o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral
e o deslocamento físico… Mas que cara é essa?

– Peripatético quer dizer “o que ensina caminhando”.

E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a
humildade de confessar que desconhecia a palavra que o resto
concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário.
Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender. Finalmente,
aprendemos.

Duas coisas.

A primeira é: o fato de todos estarem de acordo não transforma o
falso em verdadeiro.

E a segunda é: que a sabedoria tende a provocar discórdias.

Mas a ignorância é quase sempre unânime.”

Fonte: recebido por e-mail, mas você pode encontrar também em http://www.adonainews.com.br/2007/12/jesus-era-peripatetico-max-gehringer.html ou na revista “Você SA”.

Fonte imagem:srtaka.wordpress.com

Anexos: sobre definição de saúde pela OMS, ver:

–  http://www.diariodepernambuco.com.br/ultimas/SEO/saude/nota.asp?materia=20110327182715

e

– http://www.febnet.org.br/site/noticias.php?CodNoticia=903)

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