Seguir em Frente

amor casal

Roubei/troquei a foto do post anterior e não é à toa que o título parece uma continuação. Porque, ainda que acidentalmente, é. Se eu não tivesse consolidado e admitido tudo o que fiz no texto anterior, se tivesse negado aquele sentimento, que faz parte de mim, eu não teria tido condições de deixar o que não ocorreu para trás, e viveria assombrada por um fantasma que deveria ser, sempre, apesar do não, a coisa mais linda da minha vida. Mas nunca seguiria em frente…

No passado já um tanto distante, nos tempos de possibilidades e esperanças, com a alma no máximo da expansão, eu compreendia que se fosse necessário, não viveria aquele amor e teria outro alguém. O sentimento era tão puro que nunca seria maculado por outro, se verdadeiro. Não porque o “original”seja maior que uma ilusão ou coisa passageira, como também ocorre quando pessoas que amam verdadeiramente “pisam na bola”, mas por ser algo tão generoso como um coração de mãe. O amor cresce, o amor gera amor. O amor aceita outro amor. A paixão, o desejo, a carência, a possessividade, não.  O amor, sim. Sempre sim!

A vida não quis que eu vivesse um sublime sentimento no qual sempre acreditei e sabia existir, mas ensinou-me uma bela lição: apesar de ser único diante de tantas confusões, que vão de status a paixão, o amor não precisa ser apenas de um jeito. Não precisa ser aquele que nasce conosco e que se mostra numa pessoa: pode ser belo e digno de ser vivido não importa como: o amigo que julgamos um irmão ou cujo caráter conhecemos ao longo do tempo e que nos conquista, ou um encontro efêmero de uma alma boa, com pegada, que cruza nosso caminho: numa viagem, num acidente de trânsito, numa fila de banco ou até na internet ou numa balada.

O que importa é o quê, não o como. E, se não estivermos abertos para as diferenças, perderemos a oportunidade. Fecharemos nossa existência para as possibilidades. Porque fazemos sempre igual, mesmo quando não deu certo; porque fazemos sempre igual, nem sempre por juízo ou por maturidade, o que também é necessário, mas por medo de arriscar. Medo de se machucar.

Ora, o amor não bate à porta. Tampouco precisa ser banalizado, como lamentavelmente ocorre. Todavia, relacionamento é como empresa: é preciso investimento, isso é certeza. Porém, por mais sólido que seja, não há garantias. Nos negócios, há os casos de sucesso completamente amadores, vindos da sorte, do acaso, entretanto, atualmente, a maioria venceu os primeiros anos devido a um profundo conhecimento teórico, estudo de mercado, sacrifício contínuo depois de aberto etc. Por que nos relacionamentos fazemos tudo diferente? Os namoros/casamentos do acaso são raros: a maioria exige mínima noção de como agir, análise de compatibilidade com relação a com quem nos envolvemos (do contrário, o fim é apenas questão de tempo, tal qual um negócio mal das pernas que prospera apenas pela cenário externo favorável, mas cedo ou tarde decreta falência) e, quando começamos a nos acomodar é justamente o princípio da luta: o esforço e manutenção diários.

O amor certamente supera tudo e é a melhor fonte de inspiração e força para passarmos pelos desafios e dificuldades do próprio relacionamento, contudo, o maior erro é achar que “conquistou, está garantido”. Até o este nobre sentimento pode ser calado sob pressão de desprezo, indiferença, cansaço físico etc. Não porque desapareça, mas porque não entra mais em harmonia com o autoamor, que está gravemente danificado. E que é o verdadeiro carro-chefe da nossa vida.

O medo de entrar num relacionamento talvez seja fruto do quanto o indivíduo muito pouco se conhece. Talvez, inconscientemente, julgue-se frágil para viver a dor do fim, se ela vier. Por outro lado, há inseguros exigindo garantias que vão além da natureza da alma humana. Como dito acima, o amor é como um negócio. E um negócio pode falir apesar de todo estudo e preparo, por algum fator externo. É preciso ter também um capital reservado para o fechamento da empresa, assim como emocional para sobreviver ao “não”, num relacionamento – ou numa simples ficada -, se este vier. Não estou falando de pessimismo ou ceticismo, apenas do funcionamento das coisas. Ninguém gosta de finais, ninguém vai buscar este desfecho, mas ele é possível. Deveríamos estar melhor preparados. Pois, assim, correríamos mais riscos. Teríamos mais experiência, mais lembranças e aumentaríamos muito a chance de encontrar a felicidade. Seja aquela que já teríamos agora, ao ser cada vez mais livres de amarras tais como medo ou insegurança, seja daquela única e insubstituível que vivemos quando há reciprocidade no ser amado.

Assim, não apenas o amor modelo, aquele profundo e eterno, seria vivido, mas todos aqueles que colaboram para sua existência – sejam os que vêm antes, que têm tempo pré-definido, ainda que não se saiba, e servem para fazer crescer ambos os seres envolvidos; sejam os posteriores, que existem para renovar a alegria de vida e tornarem-se ainda maiores que o primeiro, por serem fortes e belos o suficiente para existirem apesar disso.

Continuo sendo romântica, carinhosa e sonhadora, como sempre fui e sou por dentro. Continuo defendendo que o amor é o que vale a pena e não pode nunca ficar abaixo do orgulho, do preconceito, do rótulo, da carência, da beleza, do dinheiro, do status social e mesmo da paixão, e que o sexo pelo sexo, na verdade, não compensa.

Contudo, duas lições ficaram: a primeira é que por mais nobre que seja ter um sentimento, regra geral, declará-lo de cara, seja o homem ou a mulher (mas principalmente as mulheres para os homens), é estragar ou pelo menos atrasar e conturbar a possibilidade de um envolvimento. Há o tempo e o processo de tudo, e um sentimento complexo, logo de cara, assusta. Devemos nos permitir e permitir ao outro o tempo da conquista, das descobertas, do encantamento para somente então nos entregarmos ao sentimento. Ou – e esta é a dica para os ansiosos! 😉 -, muitas vezes, verbalizar antecipa e “tira o clima” das coisas, e o melhor é deixar rolar. Se respeitando a fase normal da paquera muitos se privam de um relacionamento por medo ou apenas pela responsabilidade que tememos ter pelo coração do outro, imagine nos mostrando totalmente envolvidos antes mesmo do primeiro beijo. Ou logo após. É necessário, na maior parte dos casos, apenas o “curtir descompromissado”, mesmo que já seja com exclusividade, para depois virar algo mais profundo. Por mais que já tenha sido desde o começo.

A segunda lição é que relacionar-se por carência, ilusão, atração, paixão etc. quando ainda não sabemos a diferença e quando isso vem de um erro novo, que nos fará crescer, é não somente aceitável, como necessário. Por não saber a diferença entre uma pessoa que se relacione com uma pessoa nova por final de semana por busca sincera ou por mesmice, nunca poderemos julgar alguém, pois a vida íntima às vezes não cabe nem no entendimento do condutor, que dirá de quem tem outro momento, outra experiência, outra alma.

O importante é não existir violência – ao relacionamento alheio (se for um relacionamento de verdade, e não um rótulo), a si. A forma como nos encontraremos, bom, esta não é reta e simples como nos romances, ainda que já se tenha entendido que o príncipe é apenas um homem há muito tempo: pode estar no amigo que você conhece e admira, que virou paquera, que virou namorado; ou no homem que te deu aquela olhada no metrô e com quem você dormiu no primeiro dia – e que nunca chegará perto se você não estiver seguro o suficiente para experimentar o novo, reinventar as próprias regras, quando necessário, e se você não “se garantir” o suficiente a ponto de se manter firme, apesar de chateado/a, com a possibilidade do “não”. Só vivendo, na maioria das vezes errando, mas talvez acertando, para saber.

Há duas formas de conhecer o resultado de uma prova: ter tido acesso ao gabarito e saber todas as alternativas, prontas, olhando apenas o enunciado e a resposta; ou ter passado noites e noites estudando, sofrendo, quase desistindo, mas fazendo o teste, entendendo e acertando, conquistando com o próprio suor cada alternativa. É fácil viver sob regras prontas. Difícil mesmo é parecer abandoná-las quando o que se faz é justamente encontrá-las, mas experimentando o processo, fora, não protegendo-se em nome de um objetivo final forçado, dentro de uma bolha.

A felicidade não está em quem apenas projeta, repete, planeja ou se protege, mas em quem sabe que, se um lado verdadeiramente seu (não uma fraqueza, uma tentação), pede, não vai se perder de quem é, apenas acrescentar, quando se permite descobrir e tem a ousadia de perguntar o que existe além do que não mais estimula, vibra, realiza, satisfaz… ou faz feliz. 😉

**************

Obs: Já que é para “desenterrar o passado” e zerar tudo (rs…), segue aqui, no mesmo molde do texto anterior, um poema, há anos engavetado. Foi um dia endereçado a uma pessoa específica, sim, contudo, hoje, simboliza apenas um aprendizado meu e a possibilidade de recomeço que cada um de nós sempre pode ter, quando deixamos de depender de algo ou de alguém, abrindo-nos para todas as possibilidades da vida! 🙂

Como no último poema do texto anterior, também encontrei sincronia do texto de agora e no poema que eu não lia há muito tempo. Tudo tem a sua hora.

Vale lembrar que minhas rimas nem sempre rimam, e que minhas estrofes têm um tempo todo peculiar…rs…

Múltipla Escolha

“Como posso amar

se tenho medo de me jogar

Ao olhar você

De alguma forma

Todas as dúvidas se vão”,

diz a canção.

O ódio, a hostilidade e a insatisfação

São facilmente demonstrados

Por uma sociedade doente,

Que declara guerras abertamente

Todavia,

ainda admira pelas costas

E chora ao transbordar

O que em silêncio

Por muito tempo

Vívido pulsa

No coração.

 

Porque te quero

Aceito as palavras alheias

Respondo aos elogios

Paquero, interajo

imagino com terceiros a possibilidade,

a fim de respeitar as regras da vida

à qual apenas agora me adaptei

 

Porque te quero

Sou livre para conhecer Deus e o mundo,

Não conto com o amor

Antes da realidade

Preciso aceitar o desejo

E admiração de outrem

Que enaltecem minha alma

Iluminando a coragem

Para transformar em fatos

O que venho sentindo

A fim de que somente então

Encontre você

 

O que é?

Um carinho que enternece,

Respeito que encanta,

Admiração que eleva,

Esperança que renasce

Bem estar que contagia

E angústia que enlouquece:

É para ser?

Você quer?

Por que o medo de tentar?

Só porque outrora de amor quase morri?

Ou por causa do futuro

Onde temo ser apenas mais uma

De múltiplas oportunidades?

 

Porque te quero

Vivo um dia a cada dia,

Ajudo-o com outros relacionamentos de euforia,

Entendo seus sentimentos,

Não insisto quando não sou desejada,

Deixo-o ir.

 

Porque te quero

Voltei a sorrir

Recomecei a sonhar

Passei a viver…

Compreendi

O bom-senso da vida,

O que está preso e precisa voar

Em mim

 

É para ser?

Quero tentar,

Não precisa ser eterno para ter valor,

aprendi.

Estou com a palheta de cores aberta, como se diz

E por mais que eu procure,

Olhe,

Experimente,

Nada muda a cor que eu tinha em mente desde sempre

Só porque te quero

Aceitei ceder

Entretanto,

É você a cor exata de que necessito, percebi.

Ao menos eu tentei

E exatamente por isso, escolhi.

 

Porque te quero

Vou perder o medo

Não digo sair da ilusão,

Pois foi muito bonito o que vivi

E é belo o que sou,

Contudo,

Terei coragem de sonhar

Na prática

E fazer poemas com gestos

Ao lutar pelo seu coração

 

Porque te quero

Decidi deixar para o mundo dos fatos

A mais linda história de amor

Construída passo a passo

De pés fincados no chão.

Não, das nuvens não me esqueci

Nem meu romantismo perdi

Ou deixei de acreditar em algo maior

Acontece que a beleza consiste

Em trazer para a matéria

O que é verdade na alma,

No Imo do Ser,

Elevando a realidade.

E você me despertou esta possibilidade

Assim,

Pensando não apenas no amor,

Mas em tudo que precisaríamos superar

E em sempre lembrar de mim,

Resolvi correr o risco da rejeição,

Da incompatibilidade

Ou do rompimento

Materializar, experimentar.

Viver. Existir.

Continuarei escrevendo

Minha própria história

Chamada vida

Entretanto,

Deixarei para os livros

Apenas a ficção,

Decidi.

 

Porque te quero

Consegui sorrir após a tempestade

Encantei-me novamente com a doçura,

o bom coração,

onde havia orgulho,

arrogância,

indiferença

e só restava maldade.

 

Porque te quero

Quebrei as minhas leis

Para trilhar o meu caminho

Voltei a perseguir a felicidade

Consegui me salvar de mim

Tornei a crer no inacreditável

“Antes só do que mal acompanhado”

É quando damos murro em faca

Para quem acredita no amor

Faz confidências,

Gosta da companhia

E dá risadas

Não há tamanho ou diferença de idade

Que tal fazer a escolha de verdade,

Aceitar o improvável;

Descobrir que há mais opções na profundidade de um

que na superficial realidade:

Apoio, intimidade, concessões, carinho;

Companhia, segurança, cumplicidade,

E arriscar a ousada

Única, exclusiva, inusitada

diversa e louca aventura

De nunca mais ser sozinho?

 

 

 

 

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