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Casal praia blog

Este texto foi escrito no dia 25 de dezembro e era para se chamar “Futuro do Pretérito”. Entretanto, achei que o escolhido, apesar de mais simples, apresenta um trocadilho, útil de diferentes formas, a ambas as partes.

É uma carta e foi inspirada em uma pessoa e em um sentimento, mas não tem endereço único: dirigida a todos que gostam de textos humanos, que perderam um amor porque a outra parte escolheu o caminho mais fácil, mais comum, ou àqueles que busquem palavras de amor e de perdão. Ao final, na íntegra, os poemas citados.

Antes, uma citação relacionada ao tema, mas não necessariamente endereçada “a ele”. A ideia serve, mas o conteúdo específico, não.

“Se tivéssemos a coragem de aceitar como nosso o que já somos agora somado ao que podemos nos tornar no futuro, ao invés de nos enxergarmos como o que ainda somos e de onde viemos, almas não se desconstruiriam e se perderiam buscando sexo pelo sexo em nome de uma transitória realidade. Sexo desregrado e coletivo nada mais é do que um grito de dor, talvez ainda não consciente, de um indivíduo implorando para ser amado. Quem já sofre de solidão está séculos a frente. O dia em que as almas no mundo respeitarem sua essência de Deus e ousarem ou experimentarem com a mesma intrepidez e desprendimento as verdades do Ser, como força, paciência, amor e fé, abandonando o egoismo de querer conhecer todos para si, serão tão felizes nas novidades e desafios das profundezas de um que, através da plenitude pessoal, unir-se-ão a muito mais almas, pelos laços do amor fraternal”

Camila Pigato, 19/01/2016

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Verde e azul. Vermelho e amarelo. Aconteceu: cá estou eu, à beira da árvore de Natal, pensando. Sentindo…

Reconhecendo que ainda dói, física e energeticamente, o coração, ao ver a foto do nosso casamento – mas você com ela.

Já faz um bom tempo que eu parei de berrar; algum que eu deixei de querer morrer; e momentos, praticamente, que começo a fazer as pazes com a fé que eu perdi ao ver tudo acontecer. Mesmo assim, repito tudo o que solucei, escrevi, gritei, falei, chorei, argumentei. Morri: não era para você não estar aqui.

Esta imagem é um impacto muito forte a tudo o que eu sinto. E sou.

Hoje eu estou quase em paz. Faz tempo que ensaio voltar a ser eu. É a primeira vez, nestes três anos, que eu sinto vontade, sincera, de viver o Natal – não porque eu deveria sentir e me pergunto o quão perdida estou porque não sinto. É a primeira vez, que, quando as férias me permitem, eu encontro forças internas, sendo capaz de deixar minha casa perfeitamente limpa, em ordem, com a energia fluindo e que, assim, tudo parece simples e possível outra vez. É a primeira vez que tenho lembranças sólidas como se ainda fossem agora, e não de um tempo que já passou e virou uma época maravilhosa em contraste com o pesadelo de agora; lembranças da “eu” que eu era quando vivi o que se mostrava ser, até então, o cumprimento do meu planejamento reencarnatório, os planos de Deus, para mim. Da minha “eu” mais feliz, plena, em paz e serena.

E, apesar desta mudança tão bem-vinda, dói. Da mesma forma que senti um arrepio na alma, depois no corpo, quando te vi pela primeira vez, de costas para mim, sinto agora uma massa dolorida na região do coração, antes que ele mesmo doa.

O que você fez com o que éramos para ser exatamente agora?

Eu fui ansiosa e duvidei, o que o pressionou, o assustou? Sim! Contudo, minha angústia era deixar de acreditar, não deixar de me sentir bem. Eu nunca desisti do amor, mesmo quando esta busca me machucou, exigiu sacrifícios e me fez “perder” para o “agora” e o tangível. Em você, incomodou e você acabou, depois de muitas fugas, fugindo para casar em *******, justamente para onde eu havia ido anos antes, sozinha, cheia de dúvidas, para me reconectar internamente com você. Para não desistir…

Onde estará a árvore de Natal para a qual você olha agora? Será que olha? Ou apenas cumpre um protocolo? Não necessariamente para os outros, mas para a pior pessoa a quem se pode fingir: para si.

Este é o primeiro Natal que eu vivo o Natal, por mais que tenha perdido um tio (pois isso, sim, é a vontade de Deus: dar e levar a vida e, indo, ele foi poupado de muito sofrimento, além de, de meu lado, ter tido o conforto de toda família, o que ameniza as coisas), e não tenha tido momentos isolados que se perdiam na dolorosa teia de fundo onde eu sempre acabava presa. Se hoje há espaço para que eu escreva este texto não é mais porque vou me arrastando em outras áreas da vida para poder lidar com o que de fato demanda a atenção e sorve as energias da minha alma, para o “que realmente importa” – você -, mas porque graças à sua escolha facilitada há um buraco em minha existência  permitindo que eu sinta o erro da sua ausência. Hoje fui feliz como amiga, sobrinha, prima, filha, cunhada, neta, irmã, tia… Continuarei feliz boa parte do tempo nestas áreas (a vida tem seus altos e baixos), voltarei a ser feliz como profissional e ainda hei de ter liberdade e segurança que, para quem está encarnado aqui nesta prisão louca, se chama “dinheiro”, mas nada disso me faz ou fará uma mulher feliz. E, como filha de Deus, terei que sugá-lo e depender única e exclusivamente Dele se quiser ter fé, pois este erro grosseiro de jornada me fez perdê-la.

O que me fez abraçá-lo novamente com amor e aceitação na última vez que nos vimos, a despeito da rivalidade natural entre uma mulher rejeitada e a atual – principalmente se aquela tem a certeza de que esta é a figurante, no máximo, coadjuvante que, por um erro da vida, assumiu o papel de protagonista -, foi ver a sua esposa tossindo e eu apenas perceber, sem pensar, que minha vontade natural era fechar a janela para cortar a corrente de vento, porque ela era sua (vale reforçar que não uso pronomes possessivos necessariamente para indicar posse, o que tanto te arrepia, mas também relação). Ou seja, algo relacionado a você – mesmo que uma mulher… (Aquela primeira, a biscate, com e por quem gritei, não conta, pois tanto eu estava tão em choque e dor a ponto de ter praticamente qualquer atitude esdrúxula desculpada por ter sido mesmo o meu melhor, quanto ela era baixa e pequena a ponto de fazer até Jesus perder a calma; porém, esta e a anterior têm o meu respeito). Naquele dia eu conversei com ela não para “te ameaçar”, chegando perto demais, ou saber sobre você, mas porque eu queria me testar, e passei: deixei-o ir.

Meses depois, apesar do que parecia ter sido o ponto final-final, a súbita vontade de ver você, que vai e volta como as cores na minha árvore de Natal, ressurgiu, e as redes sociais às vezes fornecem o mínimo necessário que precisamos saber. Que golpe… eu vi a foto do meu casamento, certamente na mesma linha do tempo, mas não apenas isso: o mesmo tipo de cerimônia, a mesma paisagem, o noivo… só que sem mim! (Com um buquê que, confesso, não seria o meu…Rs…). E doeu mais do que eu achei que doeria a esta altura; mais do que eu gostaria de admitir.

Ah, se você soubesse o quanto eu amadureci! O quanto eu aprendi a valorizar os outros tipos de amor, não apenas este “cinematográfico e maioral”, quando eu, de tão certa do que queria e determinada, passava, no exagero, a ser inflexível; o quanto eu tentei, as coisas encantadoramente lindas que senti, o quanto me entreguei. Eu voltei a ver beleza no amor, apesar de entender que era para ter sido você, mas que teria que recomeçar a partir daí. Eu aceitei, já que não pelo amor em si, mas pela vida e por mim, me amar e ser feliz, abrir mão de tudo o que era para ser, de tudo pelo quê lutei. Como eu quis este recomeço! E como doeu não ter dado certo ainda assim… Não apenas pelo novo sofrimento, mas porque este novo vazio fazia esta nossa dor ficar ainda maior. Todavia, juro que quis prosseguir. Pelo visto, por um motivo ou por outro, não era para ser. Eu aceitei amar de verdade e com o meu melhor, apenas de outra forma, mas foi a própria vida que não quis. Portanto, pela primeira vez nestes três anos, me admito aqui. Não preciso mais fugir da dor para sobreviver. Eu já sobrevivi! E finalmente deixei que ela viesse. Eu, pela primeira vez no controle em sua companhia, a vivi.

Pergunto-me se “ler a sua alma” naquela época e falar tão naturalmente dos seus pontos nevrálgicos (assim como eu procuro fazer ao admitir os meus) não o tenha magoado mais do que eu possa imaginar, e pergunto-me se fazê-lo novamente não seria repetir um erro e afastá-lo ainda mais de mim. Por outro lado, apesar de tudo o que fiz para impedir, você está tão fora da minha vida que eu não me vejo nem no direito de te enviar o que vivo, não sei nem se você vai tomar conhecimento destas palavras, e este texto passa mais a ter um valor literário para explicar algo meu, um sentimento pessoal com o qual outros seres humanos possam se identificar e que seja útil para salvar outras histórias, que algo que faça parte da minha. As coisas ficaram tão fora do lugar que parece que isso não existe mais, que eu não tenho mais nada a temer. Nem a figurante fui rebaixada, eu simplesmente fui expulsa de cena na história que eu mesma escrevi. Sendo assim, talvez seja oportuno desabafar: sabe, casar outra vez com sua ex-esposa na forma de outra mulher não vai amenizar a mágoa que você possa ter causado no passado ou resgatar o que acabou antes do que você certamente previa (como sabemos, separações não são apenas fraquezas, mas fazem também parte da dinâmica dos relacionamentos, da realidade da alma; nós é que, quando desenvolvemos o caráter e queremos passar a respeitar a lei da vida, quando milenarmente inexperientes, somos rígidos para julgar as coisas e rotulamos tudo, no medo inconsciente de cair em erro novamente – “casar é nobre, separar é pecado”. E, assim, muitos erros são iniciados ou antigos acertos irremediavelmente danificados são mantidos, enquanto verdadeiros amores já prontos para serem vividos, eternamente na fila de espera quando tinham prioridade, nunca são formados). Muito pelo contrário: um dia a mesma situação chegará ao mesmo ponto e você terá que romper outra vez, ou se violentar. Não entrarei em detalhes aqui, mas ela ocupa o mesmo lugar dentro de você, lugar este muito mais guiado pelos caprichos do ego que pelas fibras de amor, paciência, coragem e fé. É sua zona de conforto que impera, não sua potencialidade. E lá venho eu novamente falar do seu semblante, que não mente. Desde mim, eu nunca mais o vi daquele jeito… Se você não tivesse capacidade de mais, eu estaria sendo egoísta, arrogante e orgulhosa ao te pedir algo que te agredisse as condições máximas atuais da alma; entretanto, por voltar a seguir a minha intuição e ter visto em seus olhos o que eu preciso para saber que você pode muito mais e que fazer de novo o que já foi feito é desperdício de tempo, de energia e vitalidade – é estacionar -, continuo batendo na tecla do que poderia ser.

Ela é igual onde há um vício na sua alma, um padrão de comportamento já conhecido, daí a falsa noção de afinidade – não similar em sua essência. Embora você tenha uma doçura e emotividade nitidamente em desenvolvimento (e esta foi uma das características básicas que tanto me encantou em você!), seu lado prático, reto, objetivo, de homem, militar, ainda fala muito alto. Eu também fui me descobrindo muito assim, mas em mim, é o inverso não em essência, e sim em proporção: o que se destaca é a emotividade. Além do diferencial de um amor bem mais real, eu te daria a espontaneidade e uma sensibilidade mais aflorada, o que em um primeiro momento iria desafiar, mas somar, porque você já está aberto para isso; enquanto por dentro, não apenas na objetividade, mas em valores essenciais da vida, já somos muito parecidos – identificação mínima necessária, a longo prazo, para confortar. E manter…

Ambos estamos sozinhos. A única diferença é que você está acompanhado.

Você precisa de uma mulher que te admire, te respeite, te ame e seja sua companheira e que se descabele se você for embora por motivos vãos; que se desespere ao não tê-lo consigo não apenas pela própria infelicidade, mas por doer no coração a noção de que você se prive da felicidade que, merecidamente, está guardada para você; porém, uma vez juntos, que não tenha medo de perdê-lo se você for teimoso, orgulhoso ou imaturo, maltratá-la ou ao amor e fizer por merecer.

Eu lutei solitária e como louca (aliás, passei por quase louca e certamente passaria/passarei se/quando souberem o que eu ainda sinto. No entanto, eu sinto. Que fazer?) não apenas pela minha história, mas por uma ideologia, coloquei outdoor e subi num balão para, a olhos nus e em poucos anos, nada em troca ter recebido (muito pelo contrário, virei uma verdadeira “loser” diante dos baixos valores vigentes, pois em meses perdi você, meu pai, meu dinheiro e meu carro, sem ter alguém para conversar “de homem para homem”, por mais que sua falha tenha sido no âmbito emocional e não físico; não podendo nem sair para distrair a cabeça de uma dor que me dilacerava a alma, sem poder pagar um curso ou uma viagem, conhecer gente nova, me divertir, nem sair para tomar um café, a pé, enfim, fazer algo bom por mim em outro setor da vida a fim de amenizar a dor de te perder), enquanto você seguiu em frente, várias vezes, “bombou”, e hoje está casado. Já eu, seguindo este parâmetro limitado, apesar de pequenas melhoras neste quadro, “fiquei para tia”. (Embora, como tal, eu esteja no céu!).

Entretanto, eu sou livre para sentir sua ausência; sou livre para lidar com esta infelicidade, enquanto você está anos atrás, ainda no começo de uma história que, desculpe, de verdade (não tem mais raiva ou arrogância aqui, apenas uma triste constatação de fatos), mas, fatalmente, irá falhar, para que o estrondo lhe faça redimensionar os fatos. E tudo…

Você não apenas me rejeitou, como me desprezou e me humilhou para, anos depois, sem nunca se desculpar nem mesmo como ser humano, quiçá como homem, casar o nosso casamento com outra pessoa. Era inconcebível a ideia de te perdoar… “Over and over” a ideia de você me procurar e admitir que errou passa pela mente, não apenas como um desejo, mas como uma premonição ou, no mínimo, uma possibilidade. Você estragou tudo, foi longe demais com o “ninguém é perfeito”, “às vezes nos afastamos da vontade de Deus” ou “ops, sorry, cometi um erro”. Se isso realmente acontecesse, eu ficaria muito triste por, então, viver esta história mais como por ser algo a ser cumprido ou à natureza da lei de Deus, que não nos deixa opção a não ser o perdão e o amor, se quisermos ficar bem; mas nunca mais, pelo menos nesta vida, haveria a empolgação, a magia, a beleza de quando algo acontece espontaneamente… Precisaríamos construir pedra a pedra o que já estava pronto e não sobre um terreno plano, mas sobre escombros. E lidar com intrusos no que estava protegido. Perdemos o encanto do começo e do reconhecimento, do plano divino se sobrepondo ao material; temos agora uma grande bagunça, muita influência das imperfeições do Homem, reflexão, responsabilidade e trabalho para poder chegar somente à primeira conversa – que dirá de todo o resto. Não me refiro a ilusionismos românticos, pois apesar de ter chegado realmente perto de deixar de ser essencialmente romântica e acreditar no amor, o que sou eu (e foi isso, não ter tão pouca autoestima a ponto de quase morrer por causa de um homem, que me matou por dentro), eu, com esta dose exagerada de “realismo”, aparei muitas arestas e perdi muitas ilusões. Refiro-me à diferença entre algo divino acontecer no tempo e jeito certo ou o homem interferir com suas limitações, orgulho, falta de fé e, mesmo que temporariamente, destruir e danificar o que ele mesmo havia construído com seu lado bom, que Deus havia enviado e estava pronto e puro. Depois de tudo o que ocorreu, eu viveria isso mais pela constatação de que mesmo com o erro do homem há a possibilidade de conserto, graças à força do amor; haveria a humildade diante da vontade de Deus, da qual eu obrigatoriamente retiraria bons fluidos e bons sentimentos, mas seria uma história que não conseguiria mais ser tão bonita porque passou a ser um remendo, uma adaptação cheia de falhas da sólida estrutura original: em segundo plano ficou tudo pelo quê lutei a vida inteira, antes mesmo de o (re) conhecer.

Que diferença faria para você passar por todo o processo comigo, se já viveu isso tantas vezes? Você responderia: “o amor”.  E, por mais que eu quisesse que desse certo, depois de tantos “nãos”, tantas certezas e fés transformadas em ilusão de uma boba imatura e, consequentemente, da minha autoestima tenha ido ao chão, seria obrigada a questionar: “Mas, por Deus, se há amor, COMO foi possível haver outras pessoas depois de mim?”.  Apesar de “o Bem sempre vencer o Mal”, de todo o orgulho não ser mais do que uma gota no oceano do amor, não seria tão simples assim… O que fazer por uma alma que era “limpa” e agora está toda remendada com o cansaço e com a dor (quem sabe, em breve, pela corrupção), e não é mais a mesma para deixar este sentimento fluir? Sabe aquela história da tábua e os pregos, relatando que podemos até tirar os pregos da tábua, mas ainda restarão marcas? Melhor tirar, claro, que deixar a tábua toda martelada, contudo, bom mesmo seria nunca terem martelado onde não era devido… Eu fiz a minha parte, eu “protegi a tábua”, lixei, passei lustra móveis (rs), eu nunca toquei em um martelo e, ainda assim, por causa de uma pessoa que não teve o mesmo cuidado, eu acabei com a minha tábua toda pregada. Que bom que “Deus enviou” alguém para tirar os pregos, mas, já que ele é Deus, onipotente e pode decidir como, onde e quando, eu preferiria que Ele me tivesse protegido das marteladas, para fazer valer a própria lei, que eu, by the way, defendia; não me feito pagar pelo erro de outra(s) pessoa(s), principalmente quando, justamente neste assunto específico, eu tive as minhas precauções, para somente depois do estrago feito Deus ser Deus e “lembrar que existe”. (E esta é a minha queixa real – Deus – pois você e eu somos apenas criaturas; estranho seria nós sermos perfeitos e Ele ter falhas). Apesar de tudo o que eu sei e, no fundo, ter consciência de que estou errada – mas é assim que sinto – complicado este conceito de justiça…

Para dar certo, deveria ser possível voltar no tempo. Queria apagar estes tormentosos três anos e todos mais que ainda forem longe deste amor, longe de você. Gostaria que fizessem uma lavagem cerebral a colocassem a história original neste espaço em branco. Ainda assim, não adiantaria, pois seriam informações, não experiências, sentimentos. A época, a atmosfera, o contexto, além do amor em si e da minha “tábua sem pregos”, faziam parte da “magia”. No caminho, havia uma bifurcação para o “céu” e para o “inferno”. Hoje, até o caminho do bem tem um quê de dor, de tristeza. Ambas as opções não são boas.

Ah, meu Deus, eu demorei tanto para entender que eu merecia, eu tive coragem de ir atrás… eu só queria ter sido feliz!

Fico aqui, me perguntando, se, apesar de conhecer este mecanismo, você vai ser uma daquelas pessoas que vão se contentar com o superficial e viver uma vida de fora até que os últimos instantes venham e, somente com a chegada da “morte”, você se aproxime da consciência da verdadeira realidade e faça alguma confissão, deixando um recado quase póstumo – ou pior, que precise “ver para crer” e só tome consciência disso quando já estiver imerso no outro plano e lhe “passem um filme” -, ou se vai acordar durante o caminho. Eu já devo ter sido assim, por isso, nesta vida, num momento decisivo, coloquei tudo num outdoor, para que fosse um fato consumado, a tempo de ser vivido – não lamentado ou refletido.

Meu Deus, isto não é um filme, um texto ou apenas uma música bonita;  isto não é Hollywood, não é ficção, é a minha vida!!! Como pode a maior certeza de Deus na minha existência ter se transformado na maior mentira?

Eu definitivamente não sou apenas aquela que não gostou de ser contrariada, assim como você não é somente o homem que negou o amor. Será que ainda há oportunidade para ambos entendermos isso?

Há uma gigantesca chance, no entanto, de você não estar nem minimamente interessado. Estou, como meu poema diz, “Sozinha na Chuva”. Como pode, “Mensageiro de Deus”, ao invés de ter a “Sua Presença” (já que sua história original de fato acabou e você tenha ficado livre), eu velar a “Sua Ausência”, não por uma causa justa, ou quando era necessário e parte dos planos divinos – o que era difícil, porém, sublime -, mas para você, teimosa e desnecessariamente, “Mentir-se Feliz”?

******

Imagem: google

Poemas – Observações

1 – Serão publicados na ordem cronológica, não de citação;

2 – Desde quando compus que não lia o “Mentir-se Feliz”. Percebo que o conteúdo é muito parecido, embora naquela época houvesse mais mágoa e revolta;

3 – Neste mesmo poema, há uma estrofe sobre suor e dinheiro. Esta única estrofe é destinada ao meu pai, não ao meu amor. Este poema nasceu da sensação de abandono, de escolha por um caminho mundano, negando o divino, e meu pai fez a mesma coisa, apenas por outros motivos.

Sua Presença

Quando não está por perto

Percebo o quanto sou feliz

Quando o tenho ao redor

Sua presença é tão marcante

Que me faz bem

Mesmo quando está longe

Hoje, porém, quero apenas

Enaltecer a sua existência.

 

Tê-lo no mesmo cômodo que eu

Poder vê-lo somente pelos lados

E mesmo que sejam

Apenas pernas e sapatos

Mas saber que estamos próximos

Provavelmente juntos no coração

Gera em mim inenarrável alegria.

 

Seguro-me para não demonstrar

Este sentimento

E tento agir com naturalidade

Às vezes, tratando-o

Com excesso de normalidade

pelo receio que notem

não só a natureza

mas também o tamanho

e a força do meu amor

Colocando nós dois em situação indesejada,

E este sentimento de sublime

Possa momentaneamente causar tormento

 

Ouvi seu suspiro

E imaginei como seria

Poder senti-lo mais de perto,

Numa situação do dia a dia

E, neste sonho,

Como seria poder olhá-lo

Mesmo sem que percebesse

Admirá-lo e agradecer a Deus

Por colocar a luz da sua presença

Na rotina da minha realidade.

 

Sei que se eu pudesse tê-lo desde o começo

Saberia dar valor ao que temos

Pois antes de você

Muitos anos se passaram

E eu soube que quando te encontrei

A minha busca havia terminado

Mas hoje penso se,

Além de outras lições,

O fato de não poder tê-lo de imediato

Não seria algo culposo, negativo ou um teste,

Mas sim um meio ainda não compreendido

Em essência pelo homem

De fazer ficar mais lindo o reencontro

Quando duas almas descobrem

O limite do quanto se querem

Para em determinado momento da Vida

Encontrarem a pura felicidade

No momento exato

Da livre troca de olhares.

 

A esperança deste dia

E a riqueza deste sentimento

Motivam a minha existência

Enchem minha alma de paz,

Minha vida de alegria.

 

Em seus olhos vejo a luz

Que em minha humilde interpretação

Ainda é o mais próximo

Que posso chegar de Deus

Sua vida, sua presença

Representam para mim

A Bondade Divina, o sentido da Vida

Algo que todos sentiremos em tudo,

Um dia.

 

O mínimo que posso dizer é

Que eu amo você,

Pois para tudo que sinto

Não há palavras ou explicação

E o mais próximo que conseguiria mostrar

Para que pudessem entender,

Seria o meu olhar

Que se ilumina quando encontra o seu.

 

Quem sabe um dia eu possa

Dizer tudo isso a você…

Dar todo o amor que eu tenho guardado

Há muito tempo

Para você,

Somente para você.

 

Encontrei o amor…

Sou feliz…

Adoraria poder dividir esta felicidade

Com você

Meu amado,

Meu exemplo,

Minha vida,

Minha luz,

Minha calma,

Minha paz,

Minha emoção,

Minha certeza,

Meu amor,

Meu enviado.

Que Deus Ilumine a sua existência

E que abençoe nossos caminhos

Sejam eles juntos

Ou temporariamente separados…

(Camila Pigato, agosto 2009)

Sua Ausência

Quando vejo você partir

Sinto que meu coração

Vai querer desanimar

E para não desistir

Eu começo a me lembrar

Dos momentos que vivi

E me sinto elevar

Olho o céu, olho as montanhas

E sinto o seu olhar

Percebo que ele está em mim

 

Sua ausência fere minha alma

Faz a minha luz estremecer,

Meu coração diminuir

E a saudade bater

Mas quando a tristeza

Quiser aparecer

Eu começo a me lembrar

Do oposto, que é ter você,

E percebo que até a sua ausência

Serve para valorizar

Tudo que passo a ser

Quando o tenho ao meu lado

E eu percebo a grandeza

Do que a sua simples presença

Pode revolucionar e enobrecer

Dentro do meu ser.

 

Então eu entendo que longe ou perto

Você está comigo

Modificou minha vida

Minha visão de mundo

Enalteceu minha fé

 

Mas enquanto a distância for necessária

O simples fato de você existir

Vai inspirar meus passos

Iluminar minhas idéias

E alimentar meu coração

 

Quando penso no sorriso (sincero e sem culpa)

Que nunca darei

Nas suas mãos,

Que sobre as minhas eu não sentirei,

No abraço aconchegante que não vou ter

Ou no beijo que teremos que evitar

Enfim, no amor que nunca vou viver

Poderia começar a chorar…

Mas é exatamente quando fico feliz!

 

O que eu sinto é mais forte que tudo

Não é deste mundo,

Nem deste tempo

É algo que somente me faz crescer

 

Sua presença ilumina o meu dia

Engrandece minha alma

Enche minha vida de alegria

 

Faz com que eu ame mais os que me cercam

Que eu agradeça a Deus a todo instante,

Gostaria que todos sentissem esta harmonia

 

Se sempre chorei de saudade ou decepção

E no “amor” fui sempre renegada

Ou desejada por quem eu não queria,

Tudo não passou de ilusão

Hoje escrevo sobre as lágrimas que caem

Mas que são expressão de alegria,

Vindas do fundo do meu coração.

 

Que a sua presença em minha vida

Me ajude a ser melhor

Para um dia merecer você

Hoje

Tão perto,

Mas sem seu olhar constante,

Eu dizia em pensamento o que sinto

E imaginava nós dois

Nos abraçando,

Observando a imensidão do mar azul

A brisa a nos envolver,

A paz a nos completar

E o amor a nos guiar

 

Mesmo que não seja a hora

Vou continuar a te esperar

E em meu pensamento te amar

Pois é isso que alimenta meu ser

Um dia, perante a eternidade,

Iremos nos reencontrar

Seja amanhã ou daqui cem anos

Só a vida vai nos dizer

Mas eu digo estar certa de que vai acontecer.

 

Eu não preciso tê-lo por perto para lhe ver

Nem poder lhe tocar,

Para o abraçar

Ou preciso do seu beijo

Para o amar

 

Encontrei o amor

Pude confirmar minha essência

E saber que o tempo é relativo

Que meu caminhar

Vai um dia me levar até você

É preciso ter esperança, paciência e fé

 

Eu posso não ter tido seu corpo

A caminhar ao lado do meu

Mas a cada dia,

Em cada gesto,

Em meus sonhos

E em meus pensamentos

Pude imaginar como vai ser

Quando nossa união acontecer

Somente este reencontro

Basta para ser feliz enquanto eu viver.

 

Tê-lo junto de mim,

Vivo no meu coração

Fez-me notar que somente por acreditar

Eu pude encontrar a verdadeira felicidade

Poderia viver um único momento eternamente…

Nunca antes senti nada assim

É difícil explicar minha gratidão

Por tudo que a Vida passou a me dar

Sinto que este amor , na verdade,

não tem começo nem fim

É algo que me faz seguir sempre em frente…

Não importa quando nossos caminhos se encontrarão

Nem ouço o que os outros vão falar

Não sou eu que vivo longe da realidade

São eles que não entendem, infelizmente.

Houve tempos em que quase duvidei de mim

Foi difícil viver a separação

Mas nenhum obstáculo conseguiu me desviar

Sou feliz mesmo “contra” a sociedade

Não podemos fugir do amor, quando se sente

Um dia eles compreenderão

Vale mais o encontro de um olhar

Do que tudo o que eu poderia viver

Por este sentimento

Serei grata eternamente

Somente por saber de sua existência

A paz invadiu meu coração

E se hoje sinto sua ausência

É porque um dia vi o seu sorriso

E isso basta

Para que esteja  sempre presente…

(Camila Pigato, fev e out 2009)

O Mensageiro

Vejo anjos

Em torno de mim

Com os olhos

Apenas o abajur

Que irradia linda luz

E abana suas asas

Para nos lembrar

Do Bem que nos conduz

Mas os que realmente estão aqui

Vejo com o que sinto

Para o que me transformo

Quando penso em você

 

O que é a criação

Senão apenas um meio

Que Deus sabiamente Inventou

Para que a alma

Possa sentir fora e aprender como seu

Algo que já traz desde sempre,

Dentro de si?

 

Os mundos, as estrelas, o mar,

O céu, as árvores, a chuva,

O sol, as pedras, o ar

Todos seguem um caminho

E com eles, interagindo,

Sentimos a grandeza

E a simplicidade

Do existir

As plantas, os animais,

Desde o unicelular

Ao homem que pensa saber

Todos são seres amados

Cujas vidas devemos celebrar

 

Na forma do pai

A sabedoria, o carinho, a proteção;

A mãe ensina à alma

O conforto, a bondade, o amor incondicional;

Filhos ensinam a quem os têm

A doação, a resignação, a vida pela vida,

Amor sem igual;

Os amigos são tesouros

Irmãos que escolhemos

E que tanto nos amam

Que não precisam mais estar por perto

Para continuarem a ser

E mesmo longe pelo lugar ou pelo tempo

Basta um sorriso

Para a intimidade de outrora

Venha aparecer

 

A criança foi criada para que ainda se lembre

Da inocência, da bondade, da pureza;

A adolescência nos relembra,

Para que com a criança não se engane,

A inconstância que podemos ter;

O adulto demonstra a força que

Precisamos exercer

E o idoso novamente é um convite

À realidade de que a vida é um ciclo sem fim

Novamente nosso tamanho pequeno é apontado,

Não sem antes novamente despertar

a inocência do começo misturada

da sabedoria adquirida pelo tempo

 

Há também os relacionamentos conjugais

Que nos ligam profundamente

Sem do sangue ter-se laços de afinidade

Têm a pureza dos sentimentos mais fortes

Advindos normalmente da família

Junto do conforto de uma amizade.

A comunhão de idéias, a convivência fraterna

A doação, o carinho, o amor incondicional

Pelo menos, é assim um casamento de verdade

 

O momento que vivemos na atualidade

Ainda é de aprendizado

Portanto, nem todos os relacionamentos assim serão

Pois muitos deles ainda são também um meio,

E não a finalidade

Como muitos ainda pensam que são.

 

Seja como for, todo tipo do que hoje chamamos “amor”

São modos da Criação nos mostrar

O amor sublime que um dia iremos experimentar

Cada ser, em seu caminho, tem muito a aprender,

Mas também algo a ensinar.

 

Entre tantas outras coisas,

O medo de tudo o que sinto estar errado,

E com isso o modo como vejo Deus,

Tudo o que aprendi,

A paz que senti,

Fez com que, exatamente por temer perder,

Eu me afastasse de minhas crenças,

De mim mesma, minha essência,

E até mesmo de você eu me perdi.

 

Suas palavras de bondade

Têm um efeito em mim

Mais poderoso que as mesmas ou ainda melhores

Que qualquer outro ser no mundo pudesse dizer

Mesmo sem resultado imediato,

Você não deve nem saber,

Mas o simples fato de sorrir

E ter vontade de ajudar

Resgatou-me de mais um tormento

Onde eu estava escondida,

presa dentro de mim

 

Como sou ainda muito pequena

Falar com os anjos não me é permitido

E talvez por ter o coração endurecido

Para entender a pura caridade

O modo mais rápido de encontrar minha alma

E fazer com que entenda os recados que a Vida

Quer que eu aprenda

Seja colocá-los nas mãos de alguém

que me fez encontrar a mais sublime felicidade

 

Você talvez não fale a língua dos anjos

E sei também não ser perfeito

Mas é exatamente daí que vem toda beleza

Porque o que sentimos, pensamos,

Do que gostamos podem ter muito em comum

E cada defeito seu talvez seja

O que minhas qualidades conseguem compreender

 

Seus olhos humanos, como um outro qualquer;

Seu modo de viver, tentando ser melhor,

Mas fazendo o mesmo que vejo um grupo fazer

Podem ser simplesmente apenas “mais um”

Mas para mim são o intermédio

Entre este mundo e aquele que de muito perto

ainda não nos é dado conhecer

 

Você não é melhor do que ninguém

É mais um homem doce, generoso, gentil

Sábio, vivido, inteligente,

Verdadeiramente bom

Sei não ser maioria,

E isso talvez o destacasse.

Destaca, sim.

Mas ainda que houvesse um outro homem assim

Que cruzasse meu caminho neste momento

Não diria em forma de sentimento

Tudo o que sua existência toca em mim

 

E isso faz com que,

Exatamente por ser humano,

Seja perfeito:

Bom, generoso, gentil,

Mas como só você poderia ser

 

Por ter encontrado este tipo de sentimento

Ter um relacionamento só por ter

Passa a ser banalidade

Ter alguém ao lado

para não sentir solidão

é muito pequeno, inútil,

vira tormento.

Eu mal comecei a aproveitar este amor,

Impossível seria esquecer

Você me mostra uma outra realidade

Sinto-me completa, feliz, sempre bem-acompanhada,

Pois o tenho no lugar que mais interessa:

O coração.

 

Belo e pequeno ser humano

Ser por Deus tão Amado

Pois para Ele,

Pouco Importa sermos almas crianças,

Que ainda erram,

Ou aqueles que do Mais Alto cantam

Somos nós que temos sentimentos condicionados

Ele Vê apenas um que já terminou uma etapa

E o outro que pelo próprio ato de errar

Fatalmente irá ao mesmo destino chegar

Para Ele somos todos iguais,

A diferença é que nossa bondade ainda se expressa

Na forma de erraticidade

A deles já está iluminada

E na harmonia consegue se mostrar

 

Tudo isso para dizer

Que por ainda termos tanto o quê aprender

Esta querida humanidade, onde sou iniciada

Não detém palavras nobres o bastante

Para explicar este sentimento

E que por falta de expressividade

Chamamos “amor”

Então, é assim que denomino

Tudo que sinto por você

 

Você também veio para crescer

Mas isso é tudo o que imagina ser

Não sabe que sem nada precisar fazer

Me leva direto ao céu,

Sem daqui poder ainda partir.

Faz com que eu me lembre que há amor,

Resignação, esperança, fé

Não apenas por suas palavras,

Mas pelo simples fato de existir.

 

Você é o maior Presente

E o maior contato com o Criador

Que eu poderia conhecer

Graças ao que sinto

Sou melhor comigo mesma,

Com todos os que me cercam

Com aqueles que talvez eu quisesse manter longe

E agora preciso também viver o amor

 

Nestes momentos de elevação

Casar parece pouco

Pois o que sinto vem antes e vai muito além desta morada

Consigo apenas elevar o pensamento

E agradecer pela grandeza de Deus

Ao colocá-lo em minha caminhada

 

Sinto seu abraço

Num olhar

Seu beijo

Num sorriso

E isso é tudo que preciso por enquanto sentir

Talvez se você chegasse mais perto

Eu poderia não suportar

Pois o que sinto é tão intenso

E ao mesmo tempo tão radiante

Que parece desperdício limitar

A um corpo, ainda que abençoado

A um local, em todo firmamento,

A um instante, em toda linha do tempo

 

O amor que sinto é tão grande…

É difícil de explicar!

Independe de você,

De nossas experiências,

Que são a forma que nossas almas

Encontram de melhorar

E que podem exatamente por isso

Ainda nos afastar

Para que quando não haja mais nada a aprender

E possamos ser livres de outros relacionamentos

Exercer livremente

e nossa união enaltecer

Não sei se você já me encontrou

Mas eu encontrei você

Agora, meu amor,

Ser amado,

Abençoado,

Iluminado…

Graças a você

Deus e eu podemos dialogar

(Camila Pigato, julho de 201o)

Sozinha na Chuva

Vencia a Chuva

Que embaçava minha visão

Nossos caminhos se cruzaram

Mas íamos em outra direção

 

Duas almas buscando abrigo,

Aconchego, proteção

O mesmo fim

Porém, caminhos diferentes

Molhada, precisando de calor

Cansada, para me aquecer

Só o banho ou chocolate quente

Será possível ter o seu amor?

 

Aqui dentro as luzes harmoniosas

Mais uma vez piscavam

Cintilando na árvore de natal

Lá fora você chegava

Onde te esperavam

Aqui dentro

Chuva torrencial

 

Na caixa, o livro autografado

Que eu nunca entreguei

No carro, a folha

Que há meses imprimi

Nos lábios

O beijo que nunca dei

No peito a esperança

Que não me deixa seguir

A campainha toca toda semana

O coração dispara, entristece

É sempre outro rosto a sorrir

Tanta dúvida, demora

A mente enlouquece

A solidão devora

Quase desisti

 

O vento sopra e apavora

Revira a vida perto de mim

Tira tudo do lugar

A chuva cai,

Sem fim

No entanto,

Já passou

Só as luzes de harmonia

Brilham em melodia,

Alegrando meu coração

A tempestade que veio

Não tirou nenhum telhado

Apenas me arrancou o chão

Esperar você é acreditar no sonho

Ou viver de ilusão?

 

Venci a vida

Que quase embaçou minha visão

Enfim nossos caminhos se cruzaram

Afinal, estamos indo na mesma direção?

(Camila Pigato, dez 2011)

Mentir-se Feliz

Até quando sentirei a falta

De quem não me quer bem?

Paredes que falam

Pessoas que lembram

Hábitos que revivem

Quem por vontade

Quis partir

 

Segundos desperdiçados

Vidas desviadas

Dores desnecessárias

Amor não vivido

Certeza enlouquecida

Fé que deixou de existir

 

Desprezo a fraqueza

Lamento a covardia

De quem preferiu

O mundo a mim

 

Cada passo que dei

Pingando de chuva ou sol

Castigando o corpo

E calando a alma de exaustão

Equivale a todo milhar a ser perdido,

Se a vida é justa,

Do dinheiro que você escolheu

No lugar do meu coração

 

Para uma única lágrima

Da tormenta que me acometeu

De sua indiferença, arrogância e traição

Vários sorrisos

Em diversos rostos de mulher

Que vivem o momento,

Surgirão;

Cada noite aqui vivida de solidão

É mais uma,

Dentre tantas,

Da companhia, de toques,

Abraços, beijos, vida social;

Satisfação sexual, rotina compartilhada

Por quem,

Originalmente,

Não deveria ser mais que uma amiga

Ou passar de uma balada

 

São,

Contudo,

Sorrisos de euforia, carência, acomodação

E a minha dor –

Sem igual –

De tudo ruim que traga,

Ao menos é verdadeira,

O oposto de uma ilusão

 

Como a que vive

Com as escolhas que fez

E o que constrói

Única e exclusivamente

Pelo medo de enfrentar o que sente

Obrigando-se, assim,

A fugir de mim

Para mentir-se feliz

 

Que restará de nós

Quando despertar?

Haverá segunda oportunidade?

Conseguirei,

Depois de tudo,

Perdoar?

Sobreviverei?

Qual a pior morte:

A do coração fisicamente estagnado que liberta a individualidade,

Ou a da alma banalmente acorrentada a um corpo que ainda respira?

Estarei,

Enfim,

Aceitando o inaceitável,

Vivendo o presente transformado,

Ou ainda debatendo-me

No inferno que amiúde dorme,

Mas não cessa,

Tendo presa nesta indescritível situação

A minha liberdade?

 

A certeza do que um dia nos uniu

E sempre nos ligará,

Além de tudo o que você também irá saber,

De sólido e eterno que é,

Consola e eleva;

Enquanto desola, desespera, revolta,

Pela magnitude do que foi perdido,

Agora,

Tamanho deserto que se instalou

No límpido mar azul que flutuava em mim

E que secou.

Apenas porque você quis,

A despeito de tudo que fiz.

Apesar do brilho único e cristalino em seu olhar

Do sorriso involuntário

Quando eu,

Tímida,

Revelei o que senti.

 

Se é mesmo algo tão elevado,

Como pôde escolher –

Dentre todas as confusas opções

Deste mundo tão diverso –

Querer, imaginar, atrair, desejar, aceitar e materializar

Qualquer que seja,

Por mais tentador,

(Algo tão íntimo, único e seu):

o que não fosse o amor e a mim?

A cada dia tento superar

Esquecer, amar, perdoar, sublimar, entender.

Impossível…

Desisti!

(Camila Pigato, abril 2014)

 

Manual do Ser Humano Apaixonado

Apaixonados 1

(Texto escrito em 26/05/2014 e finalizado hoje)

Começarei com a frase de um personagem de novela, que ouvi há alguns minutos: “A única coisa que devemos temer na vida é o medo”. (Laerte, novela “Viver a Vida”, Manoel Carlos).

Sou a favor da paixão quando ela é a porta de entrada para o que depois vai se transformar em amor ou quando ela representa o máximo que um ou dois indivíduos conseguem ofertar no campo da afetividade, e ainda assim não desistem de tentar. Vejo a paixão como ruim quando vira vício que impede voos maiores, prendendo pessoas que já poderiam conhecer outros patamares da afetividade e, ou pela lei do menor esforço, ou iludidas, ficam presas em seus imediatismos, emoções intensas: extremos.

Começaremos com alguns conceitos básicos, contudo, pretendo, aqui, resumir um conjunto de aprendizados que talvez possibilite uma melhor vivência desta situação.

Se você quer aparecer diante de alguém; se não gosta de alguém mas, em vez de afastar-se (reação natural), vive procurando esta pessoa com a desculpa de resolver algo; se tudo o que você faz ou vive lembra de alguém; se o rosto desta pessoa não sai da mente; se você fica olhando o nada, sorrindo, ou se não consegue se concentrar direito no que precisa fazer; se você sempre dá um jeito de incluir alguém em uma conversa com terceiros; se você, involuntariamente, fica leve ou feliz após ter estado com uma pessoa (com exceção de pessoas brandas e pacíficas que emanam este tipo de energia a todos, não tendo necessariamente algo a ver com o campo da afetividade, mas sim como um estado energético) ou se a ausência de alguém é tão forte que se torna presente, dentre outros sintomas, prepare-se: você, certamente, está apaixonado.

Sei que parece um estado à parte, uma exceção à regra. Contudo, na minha opinião, o que sentimos neste estado tão especial nada mais é do que um dia sentiremos constantemente, sem a necessidade de outro ser, fora, para nos colocar em contato com o nosso melhor, dentro. Contudo, deixemos a projeção de séculos ou milênios de lado e fiquemos com a nossa possível realidade. 🙂

Porque os tipos de amor – conjugal, de amigo, de pai, de mãe, de filho, fraterno – nada mais são que métodos pedagógicos para aprendermos o amor maior, de acordo com o que estamos possibilitados a desenvolver em tal momento: um amor mais abnegado (mãe/pai), um amor mais cordial (amizade), um amor mais generoso (fraterno, coletividade) ou um amor mais reflexivo, espelho de nós, como o conjugal.

Claro, muito já foi escrito entre a diferença entre paixão e amor. Não serei repetitiva aqui. A paixão mexe mais com os sentidos e é efêmera, já o amor geralmente também desperta instintos (do contrário, é amizade), desejo e etc., todavia, tem como característica marcante os laços sutis, da alma.

No começo, não é muito fácil fazer a diferença entre um e outro. Contudo, com o tempo, a paixão pode desenvolver-se em amor, ou extinguir-se. Se o que ocorre for o segundo caso, ainda assim não há contra-indicação para a experiência. Vale apenas relembrar que a paixão é fugaz e, se relacionamentos rápidos é o máximo que queremos ou podemos oferecer, negar esta realidade e ser o que não se é, seria errado.

O respeito (que muitos ignoram, julgando pessoas em algo tão íntimo, tão pessoal) por estados de alma que geram práticas diversas no campo da vida amorosa não deve servir, entretanto, de motivo para menosprezar quem pensa de forma distinta e vive outra realidade. Julgar aquele que não consegue viver o amor é anti-amoroso, contudo, ouvir estas pessoas que vibram “paixão” ou insensibilidade e afirmam que o amor é ilusão ou coisas de românticos é tão leviano e ingênuo quanto uma criança de uma cidade minúscula e miserável do interior do Brasil afirmar com veemência que higiene é coisa utópica, que escola não existe ou que asfalto é ilusão ou que computador é coisa de louco apenas porque nada disso exista na realidade dela.

Sendo assim, se não somos mais insensíveis e se já estamos cansados da paixão (daquela que é sempre a mesma, mudando apenas o “objeto de desejo” e que apenas nos suga a energia e gasta o tempo, não das que ficam como novos aprendizados ou que resultem em amor), buscando mais e, por ventura, a reconhecemos novamente em nosso caminho, estranho seria ficar estagnado e repetir a mesma experiência insuficiente. Porque a lei natural da vida é movimento e crescimento.

Uma vez feita a distinção entre uma experiência válida (ainda que não eterna) ou algo que já não nos acrescenta mais nada, e realizada a melhor escolha, vem o segundo passo: mergulhar. E é aqui que ocorre, das duas, uma: ou levamos apenas o lado emocional, o “exagero no outro” e embarcamos com tudo, doa a quem doer – principalmente a nós mesmos, se não der certo; ou travamos o processo.

Ao contrário da minha bandeira (sempre a favor do amor a despeito de todos os sentimentos enganosos que existem no mundo) vou argumentar, em um primeiro momento, aparentemente contra a prática do sentimento. Porque, se o homem é inevitavelmente dotado de razão e emoção (apesar de algumas “pessoas exceções à regra”, excessivamente insensíveis ou totalmente desprovidas de qualquer tipo de lucidez), faz sentido que, ainda que em campos opostos, uma metade ajude a outra.

Paixão/ amor é algo inerente ao setor “emoção”, tal qual “planilha de finanças” pertence ao setor racional. Contudo, não é necessário manter estas duas metades em extremos opostos. Portanto, se, ao contrário do que alguns economistas radicais apregoam, quando pensamos na organização de nossas contas pessoais, não dá apenas para pensar em dinheiro e cortar “momentos” (cafezinhos, viagens, cursos), aumentando a poupança e aniquilando a qualidade de vida, não podemos nos entregar cegamente a uma emoção nossa, por melhor que ela aparente ser (ou realmente seja), sem ponderá-la.

Há séculos o homem usava sanguessugas para tratamentos de doenças e um médico ia de uma necropsia direto a um parto sem nem lavar as mãos, não entendendo que o que hoje chamamos de infecção matava filho e às vezes, a mãe. Hoje conhecemos o corpo humano consideravelmente e a Psicologia já avança em direção a mente. Falta, contudo, um conhecimento mais profundo e lógico dos sentimentos. Entretanto, comparando-os com a fisiologia do corpo, fica fácil deduzir alguns conhecimentos (além de raciocinar e perceber que, da mesma forma que no passado um médico não conhecia nem os microorganismos e hoje conhece-se bem o corpo humano, atualmente pouco se sabe sobre o funcionamento de nossas emoções, todavia, é seguro dizer que este quadro não ficará eternamente assim).

Há sentimentos saudáveis ao nosso ser e há sentimentos nocivos, tal qual os alimentos, por exemplo. Uma vez que se saiba que comer alimento “a” faz mal a saúde e que você possui, inclusive, tendência a desenvolver doença “x” com este hábito alimentar, não dá para chamar de acaso ou fatalidade seu adoecimento no futuro. Ao contrário do médico que matava o bebê após a necropsia, foi você o maior causador do seu mal. O mesmo ocorre com sentimentos ruins que não evitamos.

É graças ao raciocínio diante de um sentimento que conseguimos fazer escolhas melhores. Por exemplo: se já vivenciamos uma daquelas paixões avassaladoras, mas não estas que defendo aqui, e sim as “por fora, bela viola, mas por dentro, pão bolorento”, aquelas que nos seduzem em um primeiro momento para custarem caro a médio ou longo prazo, que nos prejudicaram, seja no trabalho, seja financeiramente ou seja emocionalmente (ou por sugar nossas energias ou por, ao serem bem mais rápidas e fáceis de executar, nos desviarem de relacionamentos mais sólidos – tal qual você querer um produto caro mas nunca conseguir comprar porque em vez de passar meses juntando o dinheiro, gasta todo mês o valor da parcela em coisas secundárias e no final fica frustrado porque nunca consegue o que quer), podemos ficar mais fortes para “lutar contra a tentação” e não repetir algo nocivo. Não é apenas o corpo humano que fica viciado em álcool, açúcar ou drogas: a alma também tem vícios em comportamentos autodestrutivos. Sejam eles com relação aos outros – egoísmo, arrogância, crimes – ou conosco: paixões destrutivas, ciúmes, culpa, falta de autoamor etc.

É graças ao raciocínio também que fazemos melhores escolhas também diante de uma história bonita, mas que, devido a fatores externos ao relacionamento, exige que pesemos valores e verifiquemos o resultado final, fazendo uma escolha saudável. Por exemplo: amar uma pessoa compromissada, mas não usar a força do sentimento como desculpa para interferir na vida de terceiros (se for para acontecer, a vida fará com o que não for verdadeiro se rompa para o que é real possa acontecer; não cabe a nós sermos a terceira pessoa na história de ninguém); precisar abrir mão de um relacionamento se for para o parceiro/a realizar um sonho, tal qual estudar fora do país; entender que, apesar de um sentimento verdadeiro, um ou os dois parceiros chegaram a um ponto de desgaste que talvez um tempo longe seja melhor que continuar juntos, quando há um vício de comportamento na dinâmica do casal (ciúme, carência, cobrança excessiva etc.).

Agora, sim, o oposto. Quando a razão interfere de forma negativa na emoção: alimentada pelo medo (que vem da alma), por exemplo, podemos cometer o engano de racionalizar tudo: “não vai dar certo, pois: ele é mais novo que eu; é muito mais velho; é pobre; é rico; é inteligente demais; inteligente de menos; é homem; é mulher; é de religião “A”; não tem religião; é negro; é branco; é japonês (etc.); é careta; é moderno; ele já fez “x” no passado dele (uma coisa é o passado refletir quem ele ainda é hoje, outra bem diferente é a pessoa ter tido um comportamento tal e hoje querer mudar, é não ser mais aquela pessoa e nós colocarmos um rótulo nela e lhe tirarmos a chance de recomeço, que existe a cada segundo, para todos) etc”. E, o pior de tudo: pensamentos que bombardeiam nossa mente, fazendo com que nos preocupemos mais com o que os outros pensarão destes rótulos que com o que sentimos.

Claro, somos seres únicos, formados por um conjunto de características. Sendo assim, haverá um determinado perfil compatível e outro incompatível conosco. Não me refiro a ficar com qualquer um ou não fazer nenhuma exigência, pois o amor conjugal é do tipo mais íntimo, é do tipo “espelho”. Para existir de forma satisfatória, precisa ser baseado na afinidade. Não escolher, nunca – principalmente quando o objetivo é um laço sério e duradouro, algo que vai nos exigir esforços para manter – não é arrogância ou egoísmo: parece mais falta de respeito e consideração consigo.

O que não pode ocorrer é quando afinidades profundas (visão de vida, valores, atrações sinceras e bem estar) são calados por rótulos, por títulos circunstanciais. Muito mais vale um casal de uma mulher vinte anos mais velha que o homem ou de um branco e uma negra que compartilhem a mesma opinião quanto à criação de uma criança ou como cuidar de um parceiro amoroso, que duas pessoas brancas, modernas, que freqüentadoras da mesma igreja, que gostam de filmes europeus e de pizza sem cebola, mas que não concordam quanto à monogamia, ter ou não filhos, limpar ou não a casa, ser caseiro ou baladeiro etc.

Claro, às vezes o desafio do amor será aceitar algumas diferenças – pois ninguém é igual – mas um verdadeiro casal é aquele que tem o maior número de afinidades possíveis não apenas no campo superficial – gosta de tomar café ou de ler jornal de domingo – mas com relação a valores, a perfis de vida. Nestes valores intrínsecos ao ser, parafraseio meu próprio livro (“Desvendando o Amor”): os opostos se atraem, sim: para delegacias, fóruns, hospitais e necrotérios. Quer ter várias experiências advindas de pessoas? Viaje, interaja com pessoas, converse, conviva, faça amigos. Não se envolva emocionalmente, pois depois dá muito trabalho e dor desfazer o laço.

Voltando ao segundo passo, ao ato de usar a razão para justificar o “não mergulho”: geralmente, encontrar desculpas lógicas desta natureza de aparências para a não vivência de um sentimento é apenas negar o que já ocorre: a vontade de vivê-lo.

E, assim, com a ajuda do medo do compromisso, ou, mesmo que apenas por alguns momentos, medo de se entregar, de, ao menos, arriscar para entender qual é a natureza do sentimento (medo do desconhecido: quando nunca sentimos e precisamos experimentar para saber se é passageiro ou se é algo que vai crescer e se tornar amor; e, em se tornando amor, se será daqueles amores que aparecem em nossa vida para nos ensinar algo, mas passam, ou daqueles que vêm para ficar – cada ser humano tem uma mistura distinta desta categoria em sua história passada e futura, de acordo com as necessidades íntimas), fugimos.

Talvez, até, passemos por este medo da entrega, aceitemos o sentimento e tenhamos nossos momentos de sonho, contudo, fugimos quando chega o momento do confronto: envolver o outro. O medo do “não”. E, assim, vamos nos empurrando, sem saber, para a vivência deste sentimento, só que da forma contrária: ou buscando experiências e sensações ou emoções que já vivemos antes, porque é seguro, ou enfiando os pés pelas mãos em qualquer oportunidade que nos bata à porta, apenas para nos manter ocupados e distrair nossos sentidos – e nosso coração.

E é aqui que chegamos ao ponto delicado. Porque se, por um lado, é preciso ser muito racional para saber separar, na análise da situação – eu tenho chance? – o que é a vontade de que aconteça (esta “danada” que pode criar muitos gestos inocentes que podem parecer, aos nossos corações carentes ou simplesmente extasiados, declarações de amor), do que é real percepção (aqueles gestos realmente são pessoais, então, sou correspondido… e agora?), precisamos parar de pensar um pouco e deixar as coisas fluírem. Quando tudo está entendido, desligar o modo “pensar” e parar de cruzar dados, enxergar negativas em gestos inocentes, projetar futuros maravilhosos sem nunca ter nem havido um beijo e por aí, vai.

Por que arriscar o não? Simples: porque, cedo ou tarde, para acontecer, alguém terá que se manifestar, seja com gestos ou falas. Entendo o receio: o fato de ir não garante o “sim”, contudo, só acontecerá se alguém se dispuser a arriscar. Do contrário, seremos protagonistas de belos enredos dignos de livros e filmes que passam uma bela mensagem para a humanidade a respeito do amor, que existiu por toda uma existência, isolado no coração de cada uma das partes, perdendo, contudo, algo ainda mais belo que é trazer um sentimento assim ao cotidiano, tocando, também, a humanidade não apenas com uma mensagem poética, mas sim incentivando sentimentos e pessoas pela força do exemplo. Fora a dor poupada pelos “protagonistas”, ao escolherem viver sua própria história em vez de sofrerem calados.

Romântica e aprendiz de poeta que sou, se experimentei uma lição na vida, foi esta: não há melhor gesto amoroso que uma companhia ao supermercado, um carinho perdido na fila do banco ou uma casa planejada e pensada entre brigas e acertos de um casal que se ama, nem maior poesia que um corriqueiro (porém intenso) encontro de olhares.

Funciona assim: antes de mais nada, descubra da forma como estiver ao seu alcance (terapia, conversa com amigos, reflexões a respeito de experiências passadas, sofrimentos-aprendizado etc.) se você é carente, ansioso, inseguro e se possui autoestima baixa. Porque todas as distorções na percepção, seja para mais ou para menos (“ele me ama” quando apenas é um ser humano gentil, ou “ele não me ama” quando só falta se declarar e é você quem, no fundo, foge ou – preste atenção nisso! -, ao menos, o desestimula com seu medo de rejeição, inconscientemente o renega e, assim, o confunde e o afugenta), irão atrapalhar o processo e, em casos extremos, fazer com que percamos oportunidades.

Se descobrir uma ou mais destas características em você, não se desespere, mas também não se acomode: dependendo de outros fatores de sua personalidade ou do grau de profundidade destas características em você, é possível que não vá ter tempo de lapidar completamente estas lacunas sem perder a oportunidade da história em potencial que aparece AGORA. Você terá, então, que detectar estas características, conhecer seus mecanismos e descobrir onde elas interferem na sua percepção, para poder dar continuidade à possível história, apesar delas. Do contrário, se elas ainda forem forte demais, você simplesmente não conseguirá viver o relacionamento, ou, ao menos, este relacionamento, e será atraído por outro mais compatível pelo momento emocional que vive.

Se tudo estiver em equilíbrio dentro de você e o sentimento for assumido e desejado, até mesmo o medo do “não” internamente superado, agora chega o outro desafio: a interação. Colocar o sentimento em prática. Lembre-se de que por mais vontade que haja, não há compromisso algum entre você e o ser amado e, se mesmo quando há um laço, nunca há garantia absoluta (o risco faz parte da natureza do assunto “relacionamentos”. Geralmente só se dá bem neste campo quem assume o risco e, desencanado, coloca menos pressão ficando assim em paz, dando o melhor de si, o que é a base para o êxito desta experiência), não será agora que tudo o corre somente no mundo íntimo, que haverá.

Portanto, se, por um lado, não devemos nunca nos desvalorizar e correr atrás de quem não nos ama (não quem é teimoso, “duro na queda”, ou está confuso, o que requer tato e paciência, mas quem de fato não nos quer!), não devemos desistir na primeira negativa. Porque nesta fase tudo são experiências, e o fato de existir uma terceira pessoa na história, por exemplo, em vez de sinal de que “não é para mim” pode, sim, ser o impulso que faltava. Seja para os mais acomodados tomarem uma atitude ou os mais medrosos perderem o medo, seja para mostrar ao indeciso ou aparente indiferente o quanto quer aquela história, quando a vê escapando para “os braços” de outrem.

Ou, (e, perdoem a brincadeira, mas aqui se manifesta a minha fase “beijinho no ombro”…rs…) seja para os seguros praticarem a arte de serem conscientes de que o que têm a oferecer é mais sólido, de que a vida às vezes pode estar ofertando um parâmetro de comparação que fará com que a pessoa tenha mais certeza na escolha, quando optar ficar com você, apesar destas outras experiências que viveu.

Porque para quem não (mais) se assusta com as aparências dos fatos, quem leva mais em conta a essência, fica ainda mais forte – e não fraca, perdedora! – ao saber que por mais que aparentemente o que se vê é a negação, a causa daquele fato é exatamente porque o que a pessoa sinta seja tão poderoso que o move, ainda que seja na direção contrária. Que o que este sentimento poderia ser pode, sim, mostrar-se maior que vivências passageiras, e espera seu tempo e o amadurecimento oportuno da outra parte para acontecer. (Desde que esta “espera” respeite suas – de quem ama –  próprias limitações e seu tempo, do contrário, é inevitável uma temporária separação de caminhos. Refiro-me a pequenos “desencontros” que não atrapalham o andamento da história, que acontece em um ritmo lento por ainda não haver laços consolidados, não a insistirmos em algo que ainda não está maduro ou que não é para ser).

Ainda que tudo dê certo e o relacionamento aconteça, o perigo na paixão e mesmo no amor é que, por ser um “amor de reflexo”, é muito comum buscarmos no outro o que deveríamos encontrar em nós. Deveríamos estar inteiros para, somente então, atrair o parceiro por afinidades. Pois esta forma de amor (conjugal) é, ao mesmo tempo, algo muito íntimo, só que mudamos o que incomoda fora, no outro – onde é bem mais fácil. A projeção é saudável, desde que seja para naturalmente atrair os iguais, não para pegarmos atalhos catastróficos rumo ao nosso autoconhecimento.

Ou, muitas vezes, até iniciamos um relacionamento pelo motivo certo – admiração pelo que o outro é, não a complementação de lacunas que eu tenho que é mais fácil buscar fora que lapidar em mim – mas, devido a outras situações da vida, à incapacidade do ser humano em manter o que obtém, ou às suas oscilações emocionais, passamos a tratar o relacionamento mais como expectativas e recebimento do que como doação e engrandecimento, projetando a própria vida no parceiro, na relação, perdendo a individualidade.

Este fato ocorre não apenas quando a relação está estabelecida, mas também quando esperamos a reciprocidade. Pois o que era uma possibilidade maravilhosa de experiência, entretanto, por não ser nossa, ainda, maduramente aceita como impossível caso recusada, passa a ser uma necessidade de nossas carências e a possibilidade do “não” é tão horripilante que passa a ser preferível não vivê-la que arriscar conhecer a verdade.

Vale lembrar que alguns de nós têm experiências negativas que nos travam a caminhada e às vezes passam uma mensagem equivocada, necessitando atenção específica para este tipo de interação. Nem sempre quem não quer o faça porque não sente nada, pois se forem dois tímidos, dois inseguros ou dois traídos e/ou traumatizados emocionalmente (em diversos setores, não apenas na vivência afetiva) interagindo, será difícil guiar-se por clichês do tipo” homens geralmente tomam a iniciativa” ou “se não lhe der bola, é porque não quer, esqueça, a fila anda”. O tempo e os sinais aqui serão outros e as barreiras, maiores, dobradas. Cada caso, sempre, é um caso.

Esta ressalva feita, a conclusão é que, de maneira geral, quando passarmos (ou voltarmos) a ser apenas indivíduos inteiros, com outros setores para administrar – trabalho, família, amigos, hobbies, projetos pessoais etc. –, por mais que este setor de nossa alma mexa lá no fundo e realmente tenha o poder de iluminar ou escurecer o pano de fundo da vida, e não mais quem se deixe levar 99% pelo setor afetivo e 1% por todos os outros, teremos muito mais coragem para levar os “nãos” necessários e comuns que naturalmente nos acometem, até que o “sim” ocorra.

Portanto, doar tudo o que temos nem sempre será garantia de retorno, contudo, boicotar o que sentimos ou acreditamos é definitivo para determinar o fim de algo que poderia ir longe, muito além do que se poderia imaginar.

Assim, o “não” pode até ser evitado com a nossa pseudo autopreservação, mas o “sim” só acontece quando perdemos o medo de errar, o medo da rejeição e quando, apesar da consciência do fim, vivemos cada dia como se fosse o último e o sentimento, como se fosse mesmo eterno, aceitando as cenas do cotidiano, os vai-e-vens de emoções, os altos e baixos e recomeços que vivemos fora de duas horas de edição em uma tela ou quatrocentas páginas em um livro, somando tantos dias assim que, quando menos se percebe, era este mesmo o grande amor de nossas vidas e passou-se tanto tempo que, quando paramos para ver, percebemos tratar-se, como se desejava, de toda uma existência…

Fonte imagem: todateen.uol.com.br

Minha Vida que Não Minha 2

solidao caminhoAprendo pelo o posto aquilo que a vida quer que eu conheça. Não seria assim com todos, na maioria do tempo? Prazer, mundo! Acabaram-se meus benefícios.

Não compreendo como pode ser melhor ser obrigada pela força dos acontecimentos a escolher o pior dos caminhos. Eu que sempre penso antes de fazer, tendo concluído ser o amor a melhor escolha, brinco sem achar graça alguma o jogo do contrário na versão dolorida.

Só porque tive por opção inicial valorizar o ser humano masculino e acreditar no amor, fui deixada para trás por muitas garotas “descoladas” que convenceram o pior lado dos seres deste gênero e cada uma destas uniões mostrou-me apenas que o amor vale muito pouco quando o assunto é relacionamento.

Só porque fui uma boa filha, não roubei atenção o suficiente daquele que deveria me proteger e suas próprias questões, deste lado negativo do homem, cresceram no palco da vida. E esta, então, me pagou com abandono onde eu plantei amor.

Só porque é belo seguir o coração e o sonho, acreditei nos meus e dei com a cara no chão.

Tudo isso, apenas devido ao único e exclusivo fato de ter resolvido mudar. Decidido crescer. Somente porque parei de ouvir meus medos, minha gigante insegurança e passei a alimentar minha autoestima. Porque confiei em mim.

Tivesse sido covarde, jamais teria vendido um negócio que me sufocava e me prendia, para retornar ao jornalismo que eu não tinha tido a chance de exercer. Houvesse eu ainda continuado insegura, agarrar-me-ia ao título do diploma e jamais ousaria ouvir, finalmente, a minha vocação. E nunca teria escrito um texto literário neste blog, muito menos escreveria nenhum livro, ou, plenamente realizada e em paz, me sentiria capaz de conseguir coisas por mim mesma.

Se eu tivesse seguido meus instintos, minha carência, minha solidão, teria tido cada um dos variados tipos de relacionamentos possíveis, na confusão que o Homem ainda faz com a emoção – os quais eu descrevo com detalhes e argumentos convincentes no livro pelo qual precisei vender meu carro para poder terminar, mas que quase ninguém (re)conhece –, repetidas vezes. Não teria escrito nenhum poema. Não teria feito um outdoor para lutar pela felicidade, pela vida – com a qual não deveriam brincar. Não teria tomado benzetacil sem dor. Não teria sonhado acordada. Não teria amado incondicionalmente. Não teria sido alimentada por apenas um olhar, um sorriso. Não teria conhecido a verdadeira felicidade. Contudo, ainda acreditaria no amor, que sempre seria maior do que isso – e não o contrário.

Se eu não tivesse acreditado em mim, não teria movimentado o melhor que possuo, trocaria a fé pela razão e hoje estaria muito bem. Teria tirado vantagem da minha época de classe média alta, sem um pingo de culpa ou consideração por quem me sustentava, e hoje teria muito (muito) mais do que possuo; estaria sempre acompanhada e seria uma das mais populares do meu meio.

Se em vez de meiga eu também tirasse sarro; se em vez de humilde (em alguns aspectos) eu fosse vaidosa; se, em vez de sonhadora, eu fosse esperta; e se em vez de romântica, eu fosse a eu fogosa mesmo sem nenhum sentimento, não faltariam homens enlouquecidos ao meu redor. Seria única e exclusivamente a minha conveniência, não meu coração, quem escolheria.

Parece, entretanto, que o problema continua sendo a tal da autoestima, porém, em uma lógica invertida. Não existem mais leis e regras da vida, apenas um grande erro: eu. Tudo o que faço, não importa a causa e muito menos o efeito, ainda que estejam em extremos opostos ou mesmo no caminho do meio: é errado. Sou eu a inadequada. Quis acreditar no melhor e a vida, surpreendentemente, me deu o chapéu; em contrapartida, quero, exausta, sucumbir, mas algo aqui dentro simplesmente não me permite cair de vez. Nada é certo, nada acontece.

Parece que a vida passa lá longe, para todos, e eu vejo tudo de fora. Ou melhor, de dentro: presa em uma fina camada de vidro transparente que tem plena consciência do que não vive, mas que nunca quebra para deixar viver.

Nada entra em harmonia. Nada acontece. O tempo passa apenas para me consumir a saúde, a fé, a paciência, a força… o tempo. Para eu ver a vida de todo mundo progredindo. Nunca para fazer justiça. Para a acreditada reviravolta. Aliás, quem devolve o tempo perdido? Por melhor que tudo um dia aconteça, quero saber do tempo perdido. Que nada nem ninguém pode mais restituir. Que será da vida que eu estou perdendo, agora? Já que a vida é tão preciosa, por que preciso me contentar, aceitar, esperar e ter fé em perdê-la? Por que, para mim, só vale o “um dia”, justo quando tudo o que fiz foi exatamente parar de deixar as coisas para “um dia”, ter coragem de mudar, de crescer, de agir, e construir o presente?

Estou cansada, mas tão cansada, de aprender a cuidar de mim por sentir o desprezo dos outros e precisar me defender. Gostaria de poder concordar com a valorização e relaxar, deixar o bom sentimento fluir. Queria que fizessem questão, não receber sorrisos por compaixão. Todo mundo vai, eu fico. Faz tempo, ah, muito tempo, que não me contento mais com migalhas. Por que elas parecem ser a única opção? Justo eu, que tenho muito mais que migalhas a oferecer?

Eu sempre optei pelo amor, seja para viver, seja para aprender. Por que a vida me lê com a dor?

Pelo mero fato de ser como sou, escolhi o pior tipo de solidão. Não a do corpo, mas da alma. A primeira oferece a companhia desacompanhada, contudo, a distração dos sentidos, o encaixe na sociedade. A segunda promove o isolamento, exponencialmente multiplicado pelo instinto reprimido, as ácidas opiniões alheias, a ausência de conhecimento de tantas causas, no convívio.

Tal qual uma doce e bela criança indefesa cai numa cela de assassinos e estupradores, na minha ingenuidade de conceitos, eu pensei que o sacrifício valia a pena. Que o amor era maior que tudo. Que ao fazermos coisas boas, atraímos coisas boas. Que há justiça. Que a mudança faz parte da vida. Que estamos aqui para crescer.

Todavia, se eu tivesse deixado minha autoestima quieta, bem baixinha, teria percorrido os caminhos mais seguros e, com a minha inteligência, responsabilidade, esforço, hoje estaria rica, ou, pelo menos, muito bem na vida; teria me contentado com qualquer pessoa por companhia e poderia até não ter um companheiro, mas talvez tivesse um presente em datas específicas, um perfil para colocar no status de relacionamento da rede social e, se eu seguisse apenas os instintos ou necessidades, por que não, alguns orgasmos, só para deixar a mente mais desanuviada e a pele mais bonita?

Nesta cena grotesca, Deus seria o carcereiro que me tiraria da prisão, não o magistrado que me colocou nela. Ainda assim, no mais profundo do meu ser, ele é apenas o juiz sábio, justo e bom, e nada entendo.

Deslocamento é inefável angústia que perturba o ser humano. Já é ruim o bastante viver uma vida alheia. Pior ainda é sentir tanta dor por ter tido a sua arrancada bruscamente, que – por ter conhecido a morte – se busca a vida acima de tudo, e sofre-se também por não conseguir se encaixar. Nem mesmo em uma vida que não minha.

Fonte da imagem: almadegolfinho.blogspot.com

LANÇAMENTO “Desvendando o Amor – A Revolução dos Relacionamentos”

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(VEJA NOTA OFICIAL ABAIXO)

Depois de tanta espera, de muito me cansar e de quase desistir, é com muito orgulho e alegria que comunico o lançamento do meu primeiro livro publicado, o e-book “Desvendando o Amor – A Revolução dos Relacionamentos”.

Na página ao lado, feita especialmente para ele, há os detalhes (https://camilapigato.wordpress.com/a-bastidores-desvendando-o-amor/).

Se você quer refletir a respeito do tema ou efetivamente melhorar, na prática, o nível de seus relacionamentos, não deixe de ler este livro!

Espero que ele ilumine sua vida, como iluminou a minha, ao conseguir continuar acreditando em tudo o que está nele!

Boa leitura!

Abraço,

Camila Pigato

À Venda Na livraria Cultura

Livraria cultura a venda com foto

E no Parceiro Digital, Kobo:

E-book a venda na Kobo

COMUNICADO OFICIAL E FLYER DE DIVULGAÇÃO:

Flyer Livro Azul

NOTA À IMPRENSA, AOS EDITORES E AO PÚBLICO

Eu, Camila Lopes Pigato, jornalista e escritora, anuncio o lançamento de meu livro “Desvendando o Amor – A Revolução dos Relacionamentos”. Ensaios escritos ao longo de dois anos, banhados em conceitos psicológicos, com temas sobre a vida e as relações afetivo-conjugais. São concluídos por um Ensaio Final, que aprofunda o teor filosófico da obra.

Produzido de forma independente, aprovado e disponível no site da Livraria Cultura, em formato de e-book, este trabalho consegue associar Teoria da Relatividade e Evolução da Alma; Fisiologia Emocional; Sexo divinizado e, por isso mesmo, não mais tabu ou banalizado, apenas natural; além de temas comuns às queixas cotidianas: como saber escolher com quem iniciar um relacionamento; diferença entre amor, paixão e outros sentimentos muito parecidos; separações inevitáveis; superar a rejeição afetiva; importância da autoestima e, acima de tudo, a diferença entre repetir padrões de comportamentos, hábitos ou gestos mecânicos, e amar.

A alma é um vasto universo de combinações infinitas… Consegui encontrar afinidade ao ler Einstein, Ana Maria Machado, Clarice Lispector e Jung. Contudo, nem de longe sou uma cópia deles, tenho meu estilo, meu próprio jeito de ser… Fundamentalmente emotiva, defensora da ideia de que o romantismo – a essência, não o excesso – deveria estar mais presente em nosso dia a dia. Poderia. Contudo, caso eu não convença por este prisma, pensadora que também sou, traduzo em reflexões e argumentos o que transborda em meu olhar, que o leitor poderá enxergar apenas nas palavras…

Sobre Lançamento “Desvendando o Amor”

Olá, pessoal!
E-book em revisão e conversão final. Nos próximos dias, em loja a ser negociada, estará à venda.  Estas são a capa e a sinopse.

Em breve, notícias definitivas!

“E se a melhoria na qualidade de nossos relacionamentos afetivos dependesse de nós e não fôssemos pobres vítimas dos fatos que acontecem? E se os românticos estivessem certos não no seu exagero, mas em essência, e nós, sem perceber, ainda encarássemos o amor – um sentimento – como algo excessivamente prático e racional?

Desvendando o Amor – a Revolução dos Relacionamentos não é mais um livro de autoajuda, tampouco outro compêndio filosófico distante da prática, do cotidiano; muito menos uma explicação racional e científica ao que é tão sutil e etéreo – o amor.

Entretanto, utilizando o raciocínio lógico para interpretar e tornar compreensível a todos um sentimento, uma convicção, enxerga nossa prática amorosa de cima, além de nós, e faz indagações sobre a vida e o papel do amor no mundo, juntamente com conhecimentos psicológicos, físicos, biológicos e transcendentais. Além de experimentos vividos pela autora e outros ensinamentos de vida, para combinar conhecimentos de diversas áreas que contribuam na descrição do mesmo conceito, aproximando-nos um pouco mais do objetivo: a definição do amor. Ao menos, o Amor compreensível para nós, neste atual momento da História da Humanidade.

Os tipos de amor; o sexo visto sob um novo prisma e suas potencialidades; o que nos move para um relacionamento (sincera vontade, ou mera repetição de padrões de comportamento, atraindo, ao longo da vida, pessoas, jeitos, cheiros e cenários diferentes  – mas, no fundo, tão iguais?); a autoestima e o prejuízo que sua ausência gera nas uniões; indagações sobre a legitimidade, dentro da moralidade, a respeito de uma separação: o drama de quem fez de tudo para acertar, mas ainda assim não é feliz e não consegue se separar, por, em análises superficiais, ser confundido com quem é egoísta e abandona as lutas; a rejeição afetiva (reflexo apenas de ausência de sentimento, ou também do medo de amar de quem rejeita e nega para si o que realmente sente?); como dar a volta por cima após um rompimento, Teoria da Relatividade  explicando nossa evolução espiritual e a confusão que nós fazemos ao chamar outros sentimentos de amor, são alguns dos assuntos abordados neste livro, na tentativa de colaborar para “colocar ordem na bagunça” e desestimular a banalização dos relacionamentos.

Leitura recomendada a todos que tiverem a coragem de avaliar a si mesmos e encontrar um nível amoroso mais profundo e verdadeiro.”

O Vestido, o Balão, o Céu, o Amor

Primeiramente vejam o video, depois leiam o texto.

“O Vestido, o Balão, o Céu, o Amor”

Há uma semana eu recebia uma notícia que me animou a alma: a declaração de amor que fiz ao homem que amo, num momento de extremo impedimento e que foi, portanto, um ato de fé, foi uma das selecionadas. Eu (e ele!) ganhei (ganhamos) um passeio de balão!
Na minha visão, seria o desfecho perfeito para tanto desencontro e sofrimento.

Eu tinha um compromisso no mesmo dia. Alimentando a esperança de que ele aparecesse e, ao mesmo tempo, repetindo um erro comum em mim – querer fazer duas coisas simultaneamente ou muito próximas uma da outra, acertando no quesito “tempo”, porém, errando no quesito “qualidade de vida”, “correria” –, combinei de ir ao compromisso já agendado e posteriormente correr para o passeio.

No sábado pela manhã, acordei ansiosa. Estava em conflito. No fundo, sabia que ele não ia, e não sabia o que fazer. Até que, quando a realidade foi chegando, notei o erro cometido: aquele era o meu dia. Só aconteceria neste momento. Eu tinha o direito de aproveitar! Precisei aprender a priorizar minhas coisas, mas não era só isso… No fundo, usei como desculpa o meu dever a cumprir para poder chegar mais tarde e esperá-lo…

Não mais. Foi quando publiquei a errata (post anterior), mudando o horário. Avisei quem deveria que faltaria ao compromisso e fui viver o meu momento.  Cuidei de tudo o que tinha direito: tomei um banho relaxante, fiz depilação, passei hidratante, pintei as unhas e coloquei um vestido florido, de acordo com o clima alegre e ensolarado, com delicados brincos rosa, assim como anéis que seguiam o mesmo tom. O toque final, a estréia de um sapato estilo romântico.

Logo vieram me buscar. Ao maquiar os olhos, eu os vi meio “fechados”. Eu realmente estava me esforçando, mas não estava feliz. Na estrada passou uma moto com a placa da cidade da “namorada” dele, e eu fiquei furiosa. Furiosa! Não quis mais conversa, fiquei apenas absorvida em meus pensamentos, naquela realidade horrível – todos os fatos, todo o esforço feito para se chegar até ali e tomar um tombo, toda dor advinda disso, toda frustração, rejeição, descaso, desolação por ter o amor impedido, o coração partido, a quase loucura ao imaginá-lo com outra, etc.

No shopping, de onde eu saberia o local do evento, percebi vários homens me olhando… Ainda queria que ele estivesse ali e, ao ver que chamava atenção de outros homens, queria também que ele me visse (como senti tantas e tantas vezes), mas este “lamento” foi me irritando e já comecei a levar esta informação para outra parte do meu Ser…

Chegando ao clube de cujo campo sairia o balão, apresentei-me à organização e entrei na fila, pronta para voar pelo Vale do Paraíba, ver as cidades lá de cima e, quem sabe, ainda, o mar… (em minha defesa, não fui a única a pensar assim). Aí, tive a noção de realidade: o balão ficaria preso à cordas, ficava apenas uns cinco minutos no ar (eram vinte casais! Ou melhor, dezenove…), não havia portinha na cesta para adentrar à mesma (o que complicou meu traje campestre… que saudades da calça jeans!) e não havia nenhuma solenidade, nenhuma oportunidade para dar meu posicionamento em relação ao amor, essas coisas (eu e o meu protocolo…rs…). Aí até ficou um pouco “menos ruim” o fato dele não estar ali. Parecia mais com o que eu vivia – algo bacana, mas corriqueiro, assim como o fato de que ele está com outra, e não comigo – do que aquilo tudo criado em minha mente, ansiosa para que esta fase ruim passasse. Apesar de já ter notado, ainda repetia em escalas mais profundas os erros, ao ser extremista, imediatista, querendo que tudo se resolvesse num dia, em apenas um gesto simbólico. Mais uma decepção para lapidar este exagero e ficar mais próxima da realidade.

Esperei por mais de uma hora. Copiei a declaração de amor, feita na mesma época do outdoor – um resumo “milagroso” do mesmo. Nove por três metros resumidos em cinco linhas de um papel medindo apenas vinte por cinco centímetros! 

Fui ao banheiro, olhei-me no espelho e algo me fez lembrar o ser amado. Jesus, justo hoje, até aqui? Voltei.


Os casais eram chamados, acompanhados ao balão, desciam sorrindo e saíam com um brinde nas mãos. Quase desisti. O medo de não poder subir por estar sozinha, ou o simples fato de precisar explicar que não havia mais ninguém, me entorpeceram a mente. Faltou um segundo para eu ir embora.

Chegou a minha vez. A expectativa animou-me levemente. Eu disse que estava sozinha. Tensão. Tudo bem. Entretanto, a moça, que deve ser a mesma da ligação avisando o prêmio, perguntou onde estava o namorado. Eu respondi: “Não sei”. O rapaz que me acompanharia perguntou algo – não lembro mais o quê – e eu disse que nós não estávamos juntos, mas meu amor havia me levado até ali, então, eu aproveitaria o passeio. Os dois apoiaram o gesto e eu fui em direção ao cesto.

Pois é, quem dera minha expectativa a respeito da portinha fosse verdadeira… Subir no balão de vestido, eu não recomendo! Rs…

Último segundo. Subi. O balão decolou. Ok. Ele não foi…

Cansei-me de carregar o peso do fracasso nas costas. Cansei de ler livros de autoajuda que, obviamente, mostram o resultado final que devemos atingir como pessoas aptas a um relacionamento a um, a dois.

Ler sobre comportamentos pessoais ou atitudes que prejudicam um relacionamento a dois e tomar consciência do quanto ainda há a ser feito, está me “cansando a beleza”. Como se, ao ler, detectar o que falta e ter sincera vontade de crescer, eu precise ter tudo o que todos os livros falam (e de uma só vez!) para eu poder também viver. Já reconheci o quanto falhei na linguagem não-verbal, e é muito bom aprender com os erros. Mas chega de só refletir, me cobrar ou sentir-me rebaixada por não ter característica “a” ou “b”, por tentar descobrir porque não “agradei”…

Não, não estou criticando este tipo de literatura. Estou criticando meu velho hábito de buscar a perfeição antes de executar algo, meu velho hábito de confundir humildade e reconhecer erros, com achar que foi tudo culpa minha. O velho exagero na dose.

Mas a linguagem não-verbal dentro de um relacionamento afetivo, ou os próprios pontos que preciso aprofundar em mim, são apenas algumas das diversas “áreas” de atuação da alma. Sou boa em tantas outras coisas! Isso não conta? Sou ruim no “método” de me aproximar de um homem, mas vencida esta barreira, tenho tanto a ofertar! Não conta? Em mim, tenho sim meus defeitos. Mas me incomodo com eles e já estou buscando revertê-los em virtudes. Nem estacionados estão! Fora as características boas já adquiridas. No todo, sou tão ruim assim?

E no modo como me comportei diante de tudo (em textos anteriores, já expliquei o contexto). Eu não sou só esta dor, só este emocional inflado diante de tudo isso: sou alegre, sou feliz, busco fazer o bem, sou divertida, sou amiga, sou inteligente, sou madura, sou amável e, o que é novidade até para mim, mas sou sexy! Acredito em relacionamentos de crescimento mútuo, ao contrário destes interesseiros, em variados níveis, nos quais sutilmente nos embrenhamos por aí. Ainda que tenha meus antigos padrões para expurgar (inclusive, dentro deste próprio “setor” invertido, ao esperar de fora, a receber mais do que doar), mas o que realmente importa é que eu tenho VONTADE de lutar por isso, de me superar, e tenho sincero anseio de fazê-lo (ser amado) feliz. Não como quem não se ama e projeta tudo no outro. Mas como quem quer o outro em sua vida para COMPARTILHAR, não somente para receber.

Eu sou muito mais que o desespero, a depressão e a raiva que vivi, aumentadas em grande parte pelo contexto, por todas as dificuldades que eu não soube enfrentar. Hipoteticamente, poderia ter me saído melhor? Há quem consiga ter desempenho superior num caso assim? Sim! Mas eu não CONSEGUIA e apenas reagi. Fiz o melhor que pude. Sim, eu tenho este desespero, esta raiva e esta depressão dentro de mim. Do contrário, nada externo que pudesse ocorrer incentivaria o que não existe. Mas uma mulher grávida, dando a luz, cheia de dor, pode ser considerada “estressada” quando, neste momento, alguém a incomoda ou perguntam algo inconveniente e ela responde de forma agressiva? Não! Claro, há pessoas que são tão, mas TÃO calmas, que nem em momentos assim se exaltam. Raríssimas. A maioria, consegue lutar contra suas más tendências no dia a dia e deixar de lado a agressividade. Mas, em situação de extrema dor, reagem instintivamente.

Sim, eu tenho, portanto, este desespero, esta raiva e esta depressão dentro de mim. Mas elas só eclodiram desta forma porque eu cheguei num momento específico da vida de dor alucinante, que tirou o equilíbrio emocional. Não posso ser analisada em estado de desequilíbrio como se estivesse equilibrada e não “desse conta do recado”. São conceitos distintos! Quem leu meus últimos posts, os anos de sofrimento, de segredo abafado, de crise existencial, sabe que eu já estava no meu limite faz tempo. Há quase dois anos!

Portanto, tenho isso, mas não sou apenas isso. Tenho potencialidades que me permitem voltar ao estado de equilíbrio do Ser e trabalhar para a transformação destes defeitos em virtudes. Eu não posso, em nome de tudo isso, assumir sozinha a responsabilidade por TUDO: pela parte do outro, pela conjuntura dos fatos, o que foge do meu controle – e é, provavelmente, a maior provação que vivi até hoje! Preciso compreender meus limites. Entretanto, não me impressionar com eles e sim, enaltecer as possibilidades.

Será que eu preciso estar perfeita para poder iniciar um relacionamento, ou a maturidade geral e a vontade de acertar já não contam, pelo menos, para começar? Leio nos livros características que eu já buscava sozinha, antes, por sentir necessidade. Ainda não as tenho finalizadas, mas estou buscando. Incessantemente! O que conta não é a intenção, mais do que o resultado final?

Cada um tem seu tempo. Sua capacidade ao lidar com obstáculos. Meu tempo de compartilhar a vida com alguém já chegou, mas não fui muito boa com os obstáculos, que sempre me tiravam da rota, da minha própria jornada. O sofrimento emocional turvou meus sentidos. Minha dor tomou conta do cenário e, temporariamente, anulou todo o resto. Porém, eu sempre volto. E mais forte, mais sábia. Isso não conta? Será que já não tenho o mínimo necessário para começar, e ir, aos poucos, crescendo, tendo, sim, meu tempo compatível para ir buscando isso?

Por que quem me conhece como um todo e sem um casamento nas costas para eu me travar, me admira pelo que sou, assim como aqueles homens no shopping, pelo que mostro, mas diante dele eu sinto nunca ser boa o bastante? Sou eu quem seja inapta, ou nós dois que não estamos falando a mesma língua?

Sei que falar é uma coisa, fazer, é outra. Mas vejam meu caso específico: diante da vida, quando eu estava começando a ajeitar os conceitos, detectando o excesso que dava para a idealização e querendo passar a exercitar mais (quando eu realmente me importava com a pessoa, como no caso dele, não quando era só para ver no que ia dar, sem medo de ser rejeitada, ou quando vinham até mim e eu não precisava me esforçar para criar um relacionamento), encontrei o amor num homem casado, sendo obrigada a idealizar, se não quisesse obter problemas com a minha consciência – e com terceiros.

O tempo passou, fui compreendendo os pormenores da situação, derrubando barreiras e extremismos internos e ampliando o mínimo grau de ação na nossa delicada situação. Mas quando percebi isso, já havia declarado o que sentia, por exigências de outro setor da minha alma – a crise existencial – e, justamente por estar em crise, já havia feito uso da ansiedade, colocando a carroça na frente dos bois, como escrevi anteriormente, em outros textos, (se eu tivesse tido fé e não me deixado levar pela ansiedade, ao esperar um posicionamento, mesmo sem querer, pressionando – e assustando – talvez tudo tivesse ocorrido naturalmente. Sei que no fundo tudo acontece como deveria ser, mas isso não nos isenta de aprendermos com os erros, para não cometê-los novamente), gerando desencontro de ações.

Justo quando eu estava começando a me sentir no direito de “agir” (ver textos anteriores, ações mínimas naturais às quais minha excessiva rigidez ao lidar com a situação me impediam, não refiro-me a dar em cima de alguém compromissado!), tanto por um processo interno de libertação, quanto por uma aproximação da realidade, de tirá-lo do mundo dos sonhos e deixar de ser “intocável” (conceito formado ainda devido ao resquício do meu padrão antigo de comportamento, dos amores platônicos, mas massivamente contribuído pelo compromisso matrimonial dele), e interagir como um homem comum, por um lado, fui sempre mal interpretada por ele, que via nisso humilhação; por outro, não pude ter este campo de ação devido ao desgaste de más interpretações entre nós e a imagem que ele, erroneamente, criou a meu respeito. De uma forma ou de outra, não falamos a mesma língua: agi certo, na hora errada, distorcendo conceitos – e ele não soube compreender os deslocamentos; ou eu falei e não fiz, ele “fez” e não falou.

Entretanto, nunca desisti. E veio o choque: a separação, um relacionamento repentino e não apenas isso, mas um relacionamento no seu grau máximo: ele já estava MORANDO com outra!!!. Foi o que eu soube e, repito, me tirou o chão. Não poderia nem “me garantir” e tirar de letra um relacionamento efêmero, como as mulheres sábias conseguem fazer ao lidar com as pequenas aventuras de um homem. Eles já moravam juntos! Ok, eu poderia, ainda ser alguém de outro mundo e superar tudo isso, agindo com superioridade (se conseguisse. Hipoteticamente, porque, no meu caso, eu realmente não conseguia). Mas hoje, nós mal convivemos. Não sobrou campo de ação nenhum para mim! Foi tudo muito desencontrado (porém, visivelmente, não por falta de afinidade, ou “porque não é para ser”, e sim por erros “opcionais” dos envolvidos! Quando não é para ser, não importa: nada do que se faça vai fazer brotar algo que não existe. Mas quando existe algo, devido às nossas imperfeições, aos nossos hábitos emocionalmente confusos e infantis, podemos, sim, nos desviar de algo bom por ilusões ou sintonias ruins!!! Não é esta a nossa luta: sair da infelicidade e buscar o que é nosso, o que é natural à alma, a cada um de nós, encontrarmos nosso caminho e, assim, sermos felizes? Não estou falando nenhum absurdo!!!)! O mundo prático, factual, material, não é importante, eu é que o desprezei antes? Concordo com vocês! Então, como eu vou saber se é ou não para mim, se não tive a mínima chance de tentar? Não aceitar a impossibilidade do “não” após tentar e não dar certo poderia sim ser revolta. Mas não ter nem a chance de tentar… é frustrante! Resumindo: fui tolhida sempre! É assim me sinto: sufocada, amordaçada,  impotente… Impedida!

Realmente não pretendo mais expor detalhes factuais além dos que já foram expostos, apenas falar do aprendizado. Mas o fato é que tentei correr atrás de prejuízo, reconheci meus erros e me movimentei com a liberdade que não pude experimentar ao longo dos anos, tentando trazê-lo cada vez mais ao campo do homem comum, desmistificar esta barreira que eu precisei colocar entre nós devido ao compromisso – olhar, ligar, perguntar, etc. E tudo isso foi mal interpretado. Mesmo antes, o que eu via como finalmente “deixar meu mundo dos sentimentos e ser uma mulher de atitude”, sair das minhas amarras, crescer, ele entendia como alguém se derretendo a seus pés e achava que era falta de amor-próprio. Sim, em algumas vezes, dentro desta crise toda, eu estava mesmo esperando de fora, angustiada, e devia passar esta energia. Mas nem sempre… ele é que já estava com o “espírito prevenido” e me julgava, antes. E, após minha reação chocante – perfeitamente compatível com o absurdo dos fatos, mas isso, ele não reconhece! – este pré julgamento ficou ainda mais enraizado, embora eu consiga relevar, devido à falta de aceitação demonstrada de minha parte – que realmente contribui para um imagem negativa.

Cansei desta linguagem invertida, deste desencontro. Eu sempre tentei explicar, para tentar suprir o posicionamento real que eu pouco sabia exercer ou que não me sentia no direito de ter. Mas, até hoje, ele insiste em não entender. Cansei de explicar a diferença entre o uso do “meu” de posse e o “meu” referente a algo íntimo, pessoal, intransferível, típico de um amor que já vem com a gente, como o meu (viram? não digo “meu” porque possuo este amor. Se a Vida quiser, ele esvai-se de do meu Ser; mas ele é referente a mim, não a você, ou a você, ou a ela, ou a eles, etc. Entendem?).

Cansei de explicar que ter um amor assim não é garantia de nada, apenas eleva muito as chances de dar certo, porque já tem estrutura um pouco mais sólida. Porém, só daria certo mesmo se  tentássemos, experimentássemos, descobríssemos, assim como acontece com os outros amores igualmente bonitos, despertados ou até mesmo criados e, posteriormente, alimentados, graças a situações circunstanciais, como é a maioria dos amores ainda hoje. Que isso não é estar engessado, estar preso a uma história, apenas uma história assim tem mais chance de êxito que sensações efêmeras que nós, às vezes, chamamos de sentimento. Portanto, se a busca é a elevação espiritual em detrimento dos impulsos, este tipo de amor é, naturalmente, o privilegiado para quem busca isso. É o melhor para a própria pessoa, não uma regra moral imposta que ela deva seguir a contragosto.

Cansei de dizer que um amor deste gênero não é uma prisão pré-determinada, mas a possibilidade de um novo mundo, acessível apenas àqueles que têm coragem de arriscar. E é por ter lutado por isso e acreditado, que dói não poder viver, não porque eu é que não saiba “perder” ou me sinta dona dele e ele seja obrigado a ficar comigo. O que lamento, como já disse, é o desperdício. Entretanto, com a confusão dos “meus” e a ênfase dada por mim a este amor, somado ao meu exagero da vida espiritual, mais o espírito previnido dele – cristalizado! –  e minha reação agressiva a este relacionamento “surreal”, fica fácil ele ficar assustado, distorcer tudo e se afastar.

Outra pessoa certamente conseguiria sentir tudo isso e aceitar uma “bomba” de impedimento desta logo no primeiro momento. Eu não consegui, eu reagi, mas pelos meus motivos e limitações, não por pura revolta à vontade Divina ou posse em relação ao homem que amo! E, reconheço, o “tico e teco” tiveram um delay de longos meses para explicar a ele que quando eu dizia sentir que ele sentia a mesma coisa, não me referia a um sentimento no mesmo estágio de desenvolvimento do meu, mas cuja essência era a mesma, e , principalmente por já ter reciprocidade “prévia”, ter toda chance de “vingar”. Meses para ele ficar ainda mais assustado, mas eu retifiquei. Visto tudo isso, o que mais eu posso fazer? Chega!!!!

Cheguei num ponto de sensação de humilhação (em suma, eu não agi por esta razão, mas senti-me humilhada por ele) e decepção que me fariam “desencantar” rapidamente. Entretanto, para meu espanto, o sentimento não vai embora.

Mas isso não ocorre porque que eu o idolatre. Não significa que ele possa continuar com esse descaso comumente, como se fosse um padrão.  Como se eu merecesse ser tratada assim. E foi aí que cheguei a algumas conclusões… Um amor como o meu, um sentimento mais profundo, é sim algo sublime, incondicional, e que pede muito pouco para existir.

Entretanto, não podemos confundir isso com submissão. Talvez, porque nosso padrão de sentimentos ainda seja aquele baseado no Ego (carências, desejos, necessidades, atrações efêmeras) e esteja condicionado a receber, não dar e o sentimento do outro lado prosseguir possa ser confundido com falta de autoestima, da parte de quem doa.

Mas a parte que doa, ainda que sinta algo nobre, é humana, limitada e tem também um Ego, que não é só ruim: é uma ferramenta de defesa muito importante de nossa personalidade. Pode-se muito bem continuar amando, tendo carinho, enviando boas energias de vez em quando, mesmo depois de tudo.  Todavia, quando ele, Ego, apitar “invasão”, para que este Ser fique em equilíbrio, é necessário também respeitar esses limites. Cansei de me sentir “não boa o bastante” diante dele. Os outros não me vêem assim! Nem mais eu, que, tanto tinha a tendência da baixa autoestima a atrapalhar, quanto levava tanto em consideração a imagem dele! Foi este “click” que deu, esta sutileza entre “terrenos distintos” que eu compreendi… Não estou acusando-o ou denegrindo-o para que eu suba. Apenas demitindo-me da ação de depender da visão dele (já que ele é importante para mim e isso nos influencia) para ter a minha, que não pode depender de nada, nem de ninguém. Hoje eu sei quem eu sou!

O amor não precisa de reciprocidade. Quem ama, ama e ponto. Entretanto, o gesto de amar precisa sim ser estimulado, para que toda esta confusão de conceitos não ocorra. E que estes sentimentos degenerativos advindos desta visão turva da outra parte não bloqueie o acesso do Ser ao sentimento sublime. Sem extremos: nem sempre usa-se o Self para encontrar o amor e o Ego para desvios… Conhecendo bem os conceitos básicos, podemos entender as especificidades de uma situação e continuar dentro da regra final, mesmo que o meio seja “suspeito”. Comumente acontece uma aparente distorção nas regras devido às circunstâncias, a outros fatores, mas o objetivo continua sendo o mesmo: chegar à regra original! Cada caso é um caso, a alma é complexa, não plana, portanto, são vários fatores ocorrendo ao mesmo tempo que, em conjunto, formam uma situação diferente de outra, dependendo da combinação e da dose. Explico.

No quesito “autoestima”, se um Ego externo estiver agindo, nos agredindo, nós ainda tivermos a ferida correspondente a esta ação e isso nos desequilibrar intimamente, nos afetar, num primeiro momento, precisamos da ajuda do nosso Ego. Se eu não sou injusta e, numa argumentação, uma pessoa que nitidamente tem outro ponto de vista me acusa de injustiça, não vou me ofender, pois eu não a tenho em mim e compreendo que é a visão distorcida dele que me vê assim, não algo que realmente eu seja. Não dói. Mas se doer de forma abusiva, com desrespeito a nós, precisamos, sim, impedir o mal que está sendo feito.

Mas cuidado ao aceitar a ajuda do Ego… Ele eve ter espaço não para agirmos de forma igualmente errada à pessoa ou devolvermos na mesma moeda, estimulando sentimentos ruins. Mas para nos defendermos. O Ego é, também, um importante mecanismo de defesa da personalidade! O problema é que o usamos em excesso e ele nos prende, nos amedronta. Portanto, precisamos “falar a mesma língua” dele, mas dentro de nós. No meu caso, por exemplo: ao amar e dizer ou agir como tal, estou agindo com meu Self. Mas se quem recebe minhas atitudes é o Ego dele, ele vai interpretar minhas atitudes como “humilhação”, pois o Ego não entende isso, jamais doaria – ele é imediato, que ter sensações, e sensações fugazes! E vai reagir como tal: desmerecendo-me, sendo arrogante, usando meu sentimento para acariciá-lo, etc. Se eu tenho boa autoestima e já solidificada (as novas podem ser frágeis!), isso não me abala e, muitas vezes, é na insistência deste comportamento (água mole, pedra dura, tanto bate, até que fura) e na força do exemplo que eu estimulo o outro a mudar de atitude – aí sim, é a hora de aplicarmos todos os conceitos morais que conhecemos: perdão, caridade, altruísmo, paciência, etc., etc., etc. Mas, muitas vezes, na ânsia de nos elevarmos, de ficarmos em paz com a consciência e aplicá-las, desprezamos uma lei da própria Vida, que contribui para a consciência em paz, para a saúde Integral do Ser, sobre tudo o que é real é construído, e leva tempo; e tudo o que é desfeito, precisa ser refeito. Quantas vezes confundimos estas duas verdades e nos violentamos, obrigando-nos a obter imediatamente e a qualquer custo, virtudes que não possuímos ou que estão abaladas, desprezando o tempo certo de tudo? (O que não pode ser confundido com não construir ou reconstruir nada por acomodação).

Todavia, se este é ainda um ponto frágil em mim, seria ilusão, ansiedade e até mesmo orgulho de minha parte (parece contraditório, porque estaríamos fazendo uma boa ação, com boas intenções? Como pode ter um sentimento ruim no meio?) insistir que eu já sou capaz de fazer algo que não consigo. É melhor reconhecer minhas limitações e recuar. Deixar de “doar”, ao menos nas atitudes exteriores, entregues a ele, e defender-me. Isso equilibra a balança. Com o meu posicionamento ele automaticamente recua (e se a pessoa for embrutecida demais – não acredito ser o meu caso aqui, estou apenas ampliando o campo de visão – significa que não é compatível conosco e é aqui que nos afastamos dela, para nossa saúde e para que ela interaja com pessoas afins e consiga, ao falarem a mesma linguagem, crescer em suas “brutalidades”. Relacionamentos difíceis que eu posso me esforçar e melhorar em vez de querer facilidades de desistir é uma coisa; pessoas que nos desequilibram e violentam o corpo ou a alma – violência não é só física, mas também emocional! – não estão aptas a conviver conosco, temos o DEVER de nos afastar! Com isso, além do nosso equilibrio – que ninguém tem o direito de tirar! –  permitir que atraiam para si pessoas afins, com o mesmo grau de sentimentos, para que possa haver comunicação e elas também aprendam) e eu movimento energias interiores de autoamor.

Quando o ponto de partida com tudo em equilíbrio é a autopromoção, o enaltecimento de qualidades, o falar do “eu”, “eu”, “eu” e só fazer isso, aí sim, temos egoísmo, vaidade. Entretanto, quando nossa autoestima é “lesada” por algo, nossa autoimagem está deficitária. Precisamos voltar a “equilibrar a balança”, construir ou reconstruir o que foi destruído, e fazer isso é um gesto de autoamor. O único cuidado é não “viciar” no gesto, acabar fazendo em excesso e o inicialmente “enaltecimento pessoal saudável” transformar-se em vaidade e egoísmo ou egocentrismo. Como dizem, e eu também já escrevi: a diferença entre o veneno e o remédio é a dose!

Sendo assim, uma vez que eu tenha feito um gesto altruísta mas tenha sido “mal interpretada”, recuar não seria, a priori, desistir (como eu tanto pensei): é apenas consertar danos internos. Assim, com a ajuda do Ego, fico em equilíbrio e consigo novamente acessar meu Self, encontrando o amor – ainda que eu precise deixá-lo dentro de mim ou agir de forma indireta, sem “distorcê-lo” ao entregar para quem não o compreende.

Cansei de sofrer! E o que direi aqui não será feito com o intuito de ofendê-lo. Depois de todo este mecanismo, consegui voltar a fazer contato com o meu Self e amar, voltar a sentir e a visualizar aquele rosto sereno, brando, o olhar puro, cristalino. Diferente do obtuso que tenho visto ultimamente, fora toda a atitude que só o comprova. E tudo, tudo o que eu mais quero é voltar a ficar, também na prática, em paz com ele. Que o que temos em essência um pelo outro possa naturalmente voltar a fluir. Ainda que seja apenas a “amizade e carinho” que tenha pouca oportunidade de ser vivida. Mas volte…

Faço por mim: seguindo ainda a lista dos “cansei”, cansei de explicar que eu não tenho uma imagem ilusória a seu respeito, apenas lembro-me de virtudes que eu mesma já vi de fato no passado e sinto outras em latência. Isso é acreditar nele, não inventar um homem que não existe. Assim como amigos me viram na época da revolta e disseram: “volte a ser a Camila que eu conheço”. Porque podemos ser guiados por lados menos elevados de nós mesmos, e se eu ainda o vejo com bons olhos não é por cegueira minha, mas por acreditar na volta à visão por parte dele.

Sendo assim, com o intuito de “equilibrar” a balança, ao ter forças somente agora para fazer, sem atacar, em defesa à Camila que foi tão machucada, quanto ao fato dele estar com ela, e não comigo, sou obrigada a dizer dois ditados. O primeiro, “Tem louco para tudo”! Risos. Finalmente consegui ver – e sentir! – quem é que realmente perde nesta história toda…

Durante todo este tempo, sofria tanto pela grande dor de ter o coração partido e o homem amado envolvido por outra mulher, quanto pelos detalhes: eles comem pizza juntos, viajam juntos, conversam, perguntam, descobrem o outro; foi ela que ele apresentou aos filhos como namorada, foi com ela que eles interagiram, foi com ela com quem ele passou pelo doloroso processo pós divórcio, é com ela que ele vai a festas juninas, é para ela que ele se arruma, é ela que o vê chegando em casa com roupa social, vindo do trabalho, é o maldito (desculpe, lapso de raiva!) celular dela que toca e que tem a voz dele do outro lado, é com ela que ele vai tomar caldo no inverno, com quem fica abraçadinho, etc. Sem contar, para não pirar, no toque, no carinho, no sexo. Sexo. Estou certa de que estão longe de fazer amor… Mas interagem, e eu, não!

A lista era menor, quase mudei a sintonia… Foco! Voltando! Enfim, todos estes objetos de lamentação não passam do apego ao que é externo. O objeto do momento é o “caldo” e a festa junina. Lamento o caldo que eles (supostamente) tomam juntos com a mesma dor de como se estivesse perdendo o caldo que ele e eu tomaríamos… Que ilusão! O “x” da questão não é a coisa em si, o gesto mecânico “tomar caldo”, mas no que isso estimula em nós. No caso, nele. E ele está tomando o tal caldo com ela, não comigo! Não é a mesma coisa! Mesmo os extremos “fazer todas as posições do Kama Sutra” ou “jogar um helicóptero de pétalas de rosa usando terno (e um olhar carinhoso – mas sincero, para a pessoa, não por estar querendo exercitar a afetividade em si, o que é igual por fora, mas diferente, dentro!) que eles insistam em fazer juntos, não chegam aos pés do bate-papo descontraído e só para passar o tempo que ele poderia ter COMIGO na fila do banco para pagar o IPVA – na hora do almoço! 😀

Mesmo com meus defeitos, em essência, o que eu quis foi AMAR alguém. Quem me conhece e vê o quanto eu sofro com isso, ao querer me ver bem, recorda outras qualidades minhas e mesmo nesta área, o quando eu tenho a oferecer para um homem. Quem está perdendo, afinal? Eu cansei de sofrer, de ser rebaixada. Reergo-me e coloco-me onde eu deveria estar: com a autoesitma saudável. Com o cuidado para não me tornar arrogante, claro. É uma linha tênue que separa os dois lados…

Num primeiro momento, porém, dizer e assumir tudo isso é necessário e me faz bem! É ele que eu quero, disso, não há dúvidas. É com pesar, mas, ao mesmo tempo, serenidade, que faço a afirmação “ele não merece”. Enquanto pensar, sentir e agir desta forma, o máximo que ele vai sintonizar, que vai ser-lhe afim, será alguém como ela, alguém que ofereça apenas o que ela oferece. A escolha é dele. Não mais sofrerei por ela, tendo eu feito a de diferente natureza. E aqui vem o segundo ditado, o expurgo final para que possamos voltar a elevar a alma: “O pior cego é aquele que não quer enxergar”.

Este momento do voo, eu não sabia, mas precisava ser apenas para mim. Recuperou meu lado bom. Assim, consegui voltar a atenção para meu Ser. Não apenas voltar a ver a vida de dentro e buscar o que posso aprender com isso, administrar essas emoções, este sofrimento, mas resgatar as outras áreas de atuação que uma alma tem, que haviam sido esquecidas devido à “escravidão” da dor, da, aos meus olhos, injustiça. O foco pára (sei que de acordo com a Nova Ortografia, este verbo perdeu o acento, mas fica difícil diferenciar! Posso escrever assim até o final do ano! :P) de ser o fato em si, para voltar a ser EU. Diante de tudo isso, estes fatos são as experiências dele. O desafio de sobreviver a isso, o modo como farei, as infinitas possibilidades de ações diante disso – e o aprendizado obtido – , são as minhas. Não mais eu sendo consumida pelos fatos realmente alucinantes. Não que pensamentos desesperadores não me rondem, quase me levando de volta. Mas aprendo a controlar ainda mais minha mente. Não que não cause mais dor, mas fico como que anestesiada, ao focar em mim, em todo o resto. Claro, estou aprendendo a lidar com a situação agora. Preciso sedimentar esta lição em mim, antes de poder avançar. Se algum fato novo acontecer, possivelmente sairei desta boa sintonia novamente. Que Deus me ajude!

Voltando a falar do hoje, prosseguindo nestas reflexões, se tenho fé, preciso deixar as tramas da vida nas mãos de Deus, não mais querer fazer tudo para garantir algo. Aquela aceitação, tão difícil de ter. Abri mão, desapeguei-me, desliguei-me da história, algo que sempre me angustiou (mas o que, no fundo, eu sempre soube que precisaria fazer e hoje, ao ler textos passados, percebo este padrão, esta necessidade não satisfeita, e reconheço que a vida só me deu este choque para me obrigar a exercitar isso, a fim de poder estar de fato pronta para a próxima fase). Deixei-a parada, nas mãos de Deus. Tirei o time de campo! Paradoxalmente, é provavelmente neste estado de alma mais livre, solto, leve, que, se for para acontecer um dia, acontecerá. Faz tempo, muito tempo, desde quando usei a ansiedade pela primeira vez, que querer segurar, garantir a história, parou de ser luta pura, e misturou-se com falta de fé em Deus. Agora, voltei a me encontrar, me admirar. E, assim, em paz, encontrar o melhor de mim. Nesta “pasta”, está este sentimento tão nobre…

Eu achei que fosse enviar meu amor lá do alto. Mas não deu tempo de lembrar… Irônico, porque era exatamente por ele que eu estava ali… E aí, eu compreendi…

O balão é uma estrutura aparentemente frágil: uma cesta de vime impulsionada ao ar por gases e fogo. Mistura perigosa! Seguro mesmo parece ser voar numa caixa metálica com instrumentos capazes de vencer maiores adversidades.

Mas a segurança que eles nos passam, por serem maiores e nos fecharem, nos tirarem do contato com o todo, faz com que precisemos estar em altíssima velocidade – muito agitado! –  para conseguir sair do chão e gerem expectativa na hora de subir.

No balão, a partida é tão suave que te encanta, e no mesmo instante esta sensação vai contagiando, fazendo com que você esqueça do quão sensível é esta estrutura e apenas aproveite a gradativa subida. E, por estar em contato direto com o ar, com tudo o que se passa à sua volta, com a visão que vai paulatinamente aumentando, englobando cada vez mais coisas – copas das árvores, casas próximas, carros que chegarão em breve, prédios mais altos, morros que abraçam a cidade, montanhas que protegem os morros, até que vislumbra-se o céu… – vai envolvendo e nem se lembra direito de onde estava. É outro universo, dentro do mundo…

As nuvens que parecem desenhos e, ainda que não seja possível tocar, fica nítido o quanto estão ali, em contraste com o azul do céu, circundando-nos por todos os lados, até que vemos o sol. O horizonte. Para qualquer ângulo que se olhe, apenas a imensidão… Lembra-se de olhar lá para baixo e tudo fica tão pequeno, distante… Flutuar é tão bom que faz o medo de cair não mais existir… 

Sem que eu percebesse, naturalmente, sorri. Minha alma reavivou. Lembrei de mim, de tudo de bom que eu posso viver, além desta dor. Porque de lá, vista do alto, até a impossibilidade de viver este amor ficou pequena.

A descida não era ruim. É suave, tranqüila. O que era pequeno vai, gradativamente, aumentando, o céu ficando cada vez mais distante e quase não se sabe se ainda estamos voando ou se já tocamos o chão. Até que, ao tocar, ele quica algumas vezes, novamente subindo, descendo, subindo, descendo e assim, sucessivamente, antes de finalmente conseguir aterrissar.

Para sair, já não mais o problema com o vestido ao entrar. Consegui realizar com mais destreza o que, ao planejar, não consegui executar bem na ida: colocar um pé no buraco quadrado do cesto e, em vez de passar a perna como fazemos ao montar a cavalo, sentar na borda do mesmo e jogar as pernas, fechadas, para fora. Êxito! Durante a experiência, algo foi aprendido.

Quando voltei, perguntaram-me se eu sentira medo. Eu respondi que não. Apesar de um lado ainda dolorido ter me feito pensar “medo eu tive foi ao voltar para a Terra! Enfrentar a subida e a lei da gravidade não é nada perto do que preciso viver”, eu estava, alegre, empolgada, destemida… feliz como uma criança!

Descia alguém que chegara voando do alto. Como tantas vezes desci do meu estado mais sublime, na necessidade de viver outras facetas da vida. Mas trazendo comigo vivência de quem estava acima.

Fui pega de surpresa no modo como tudo começou, sutilmente, dentro de mim. Mas um dia eu também ganhei de presente da vida uma visita ao céu. Assim como os que comentavam ao meu lado, também assustei-me com a mistura simples de um cesto de vime, sem portas para entrar, devido a um casamento, e a explosão que poderia resultar na dosagem errada do fogo da informação com o gás do meu sentimento, entregues às forças do tempo.

Mas eu sempre achei possível visitar o céu. Aceitei voar. A subida suave, fazendo com que eu me sentisse conectada a tudo ao meu redor e fosse contagiada pela beleza do que era distante tornar-se tão próximo, convenceu-me por completo. Flutuar é tão bom que faz o medo de cair não mais existir! Deixei-me ir. E, conforme a visão foi ampliando, ver o que ficou embaixo tornou-se tão pequeno e via a vida com tanta perspectiva, que o céu tornou-se o estado real. Há muito mais além!

Sem que eu percebesse, o sorriso naturalmente surgia. Depois do fato, eu notava. E perdurava por dias, semanas, meses… Bastava olhar em seus olhos, tê-lo por perto. Para onde quer que se olhasse, o limite era a linha do horizonte. Vislumbrava-se o infinito.

Não que, devido ao dinamismo e à diversidade da vida, quando o pouso fazia-se necessário, o cesto não quicasse e o sobe e desce não fosse brusco e cansativo, se comparado com todo o resto. Mas a profundidade da experiência permitia ter-se novamente a vontade de voltar. E, quando o que era pequeno voltava a ficar grande, não se afligia com a aparente distância das nuvens, pois era tão sutil a volta que mal sabia se já tinha tocado o chão, a sensação ainda era de voar. A visão era outra, pois descia quem havia vindo das alturas.

Assim como no vídeo, anos atrás eu também exclamei: “Nossa, olha onde é que eu estou”, maravilhada. Verdadeiramente feliz, como uma criança… Feliz como uma criança, porque elas não sabem de quase nada a respeito da rudeza da vida, por isso atingem este estado de alma, ou porque ainda são fiéis à espontaneidade, à sinceridade, a simplesmente ser quem são, e ser como elas, ao acreditar no amor, é encontrar nossa verdadeira essência, perdida nas lutas pequenas do dia a dia, que se tornam grandes apenas porque são vistas do chão?

Ainda que a roupa preparada com esmero para a ocasião tenha sido equivocada… Poderia não ser uma calça jeans, mas usar o vestido que eu trazia, no final das contas, não impediu o balão de flutuar! E, ainda que não haja porta no cesto ou cordas prendam o curto e rápido passeio: pelo simples fato das coisas não serem exatamente como se imaginou, exclui o fato de mesmo assim, ter-se encontrado o céu?

Não acreditem cegamente em mim, apenas analisem… O que move o ser humano é a vontade. Circunstâncias são desculpas. Quem quer ser feliz de verdade supera obstáculos, volta atrás, começa tudo novo, vence a opinião alheia, reconhece erros, transforma preconceitos, perdoa, pede perdão, aceita virtudes, mata um leão por dia – fora, mas principalmente, dentro, educando a voz da dúvida ou do desmerecimento a si mesmo – e enfrenta o mundo inteiro, se necessário for, para seguir a bússola interior. Quantos de nós, por olhar apenas o que poderia dar errado, ou pelo medo refratário de voar, não desperdiçamos a abençoada oportunidade e inefável experiência de buscar o céu e flutuar?

Quem não deve, não teme

 Antecipei a publicação deste texto (23h54 – 04/06/2012) porque perdi o sono. Desde o meio da noite, uma ideia que me incomodava há anos veio muito forte em minha mente e fez sentido… Não vem ao caso dar detalhes, mas foi tão forte que não perdi tempo e hoje mesmo contei-a ao primeiro amigo para quem tive oportunidade. Talvez eu não consiga em breve vibrar neste estado de alma do texto e passe por outro conflito no meio disso tudo. Nesta minha luta por autoafirmação para entender a mim e às certezas interiores, confesso que a-do-ra-ria estar enganada! Ouvi uma música que sempre me fazia acreditar em mim, “I Believe in You”, Il Divo, e pela primeira vez, ouvi-a como se fosse jornal de ontem. De forma geral, as dúvidas quanto a quem eu sou acabaram de ser elucidadas de forma mais massiva, e ficaram pequenas, perto do que temo.

Fiquei atormentada pela ideia, mas não “consegui” me desesperar. Parece que é algo por que preciso passar… Espero, espero, que esta ideia ruim seja ainda resquícios de minha autoestima baixa, tentando boicotar minha felicidade. Porém, se for sexto sentido, o pior ainda está por vir! E, para variar, eu não sei! Ao longo dos anos, não tive o direito de saber o que acontece à minha volta, referente à minha própria vida! Justo eu, que sou bem mais intuitiva (Jung – Ciência – define pessoas assim!) que prática, então, tenho uma capacidade enorme de interpretar, não fico presa apenas ao concreto. Penso muito no que pode ser, já que o que está pode ser passageiro e nem sempre representar a verdade (falo um pouco disso neste texto, mas também em anteriores, com mais detalhes). Interpretar hipóteses, então, me faz voar… Sinto falta de certezas concretas e materializadas em minha vida, sou humana também!

E agora, ao escrever esta introdução e começar a revisar, a ideia/sentimento veio outra vez, mas com força e perdão. Ai, Senhor, diz que estou cansada (sono) e minha baixa autoestima está boicotando minha felicidade!!!!! NÃO QUERO passar por isso! Por que testar minhas capacidades sofrendo? Que tal deixando eu exercitar pelo Bem??? O Senhor realmente me ama? 😛

Estou com sono, cansada… Quanta bobagem o que eu questionei (de forma brincalhona) sobre Deus. Mas é exatamente assim que vemos o sofrimento, ainda não sabemos tirar o proveito e compreender o Amor que há por nós pelo estímulo que recebemos e a beleza que produzimos, na alma, ao superar lutas terríveis. Mas que não é fácil, isso eu sou obrigada a concordar com a galera: NÃO É!

Amanhã eu posto a foto. E dou uma revisada a mais, só para garantir…rs… É rir, para não chorar! Puts, meu coração está aberto, estou sentindo amparo e força e aquela aceitação do “caxias” que é informado da hora extra na véspera do Natal… seja o que Deus quiser… e que Ele me dê forças para não enlouquecer ou arriar de dor, caso esta “coisa” seja Sua vontade, completamente contrária à minha… 

Boa leitura!

                        Quem não deve, não teme

“Eu escrevo para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida”. Esta frase de Clarice Lispector levou-me a adquirir um exemplar de “Um Sopro de Vida”, Ed. Rocco. De repente, o que eram fragmentos de realidade uniram-se e transformaram o todo: a única “coisa” de que dependo para viver não é um fato ou uma pessoa. Mas a Literatura. Entretanto, escrever sou eu. E tudo ficou claro: dependo única e exclusivamente de mim! Não há conflito que escrever não resolva. Reunir lembranças num pedaço de papel para inserir no texto, ou criar uma história, elucidar mistérios internos e conectar a outros ensinamentos, enfim, tudo relacionado a escrever, dá-me um prazer profundo.

Vivo na atualidade a melhor fase da minha vida. Não penas porque o presente é o que importa, pois, muitas vezes, passamos por tormentos tais, que a única coisa que nos consola é pensar num futuro melhor, lembrando de momentos passados que, de fato, existiram. Como já os vivemos, experimentamos, eles nos ajudam a lembrar de que é possível existir uma situação mais iluminada.

Mas estou na melhor fase da minha vida porque, passado o desespero de um destes tormentos, consegui ter, finalmente, a consciência prática de que o presente é o melhor momento. Não deixo mais para “um dia”. Busco e luto pelo “agora”, pois tenho sede de viver, sinto-me capaz e merecedora de sucesso, prosperidade e AMOR. Embora tenha aprendido que esta sede de viver, motivada pelo encontro com o “Eu”- que gerou uma autoestima finalmente saudável -, muitas vezes precisa ser contida para esperar o momento certo das coisas, pois é característica de quem está em paz consigo ter paciência e esperança.

Consegui compreender, de uma vez por todas – mesmo que haja muito o quê aperfeiçoar, pois aprendizado é contínuo – a diferença entre egoísmo e autoamor; a diferença entre doar-se a alguém por não estar satisfeita com quem sou e buscar no outro a solução para meu vazio existencial, e doar-se a alguém por ter encontrado o amor em mim e conseguir amar, por pior que sejam as aparências das coisas; a diferença entre iludir-se e acreditar; entre fé e se ludibriar; entre a realidade da alma, que não é palpável, mas acalma, eleva e traz felicidade, e a do mundo, que muitas vezes  nos engana com sensações agradáveis, com momentos de euforia, mas materializa mentiras tidas como verdade, pois chocam nossos sentidos imediatos e palpáveis. Porém, por estarem em desacordo com a realidade real, passam.

Aprendi mais uma coisa sobre mim. Neste processo, repetidas vezes voltava ao patamar anterior e mergulhava na dor, levando em conta muito mais o que acontecia fora, prendendo-me a uma história infeliz e à vida do outro, que ocupava-me comigo. Reação natural a quem sofre um mal. Mas a lógica da vida não é reagir, e sim, agir. Tirar proveito do sofrimento (trabalhoso), não mergulhar nele (automático).

Apesar de, vira e mexe, a dor acometer-me novamente, eu sempre retorno a este novo modo de ver a vida, e noto-o mais consistente. Aprendi, então, que estou em fase de transição. Que não é este estado de alma iluminado que atinjo hoje, graças ao autoamor – atingido inicialmente no passado, graças ao amor pelo meu (futuro) companheiro – o falso, como o outro estado de alma infeliz me faz pensar cada vez que eu sucumbo. É o estado de alma infeliz que está sendo aniquilado, o novo está prevalecendo. A velha luta entre o bem e o mal dentro de nós, ou o homem novo substituindo o homem velho, ou o Ego, desesperado, tentando impedir o Self de brilhar. Como queiram.

Racionalmente, eu sempre soube que o estado de alma feliz era o verdadeiro. Sempre acreditei em tudo isso! Tanto, que busquei! Porém, na hora de experimentar, de viver, minha baixa autoestima, somada à insegurança, sempre boicotavam o processo. A primeira, que me fazia duvidar ser merecedora de algo bom, quando vencida pela forte crença do Bem que eu trazia, era ajudada pela segunda, que terminava de aniquilar a ação de crescimento e fazia com que eu duvidasse de minha crença. E o conflito novamente aparecia. Agora eu sinto que estou certa. Eu sinto qual é a verdade, eu sinto o que é possível. Crença e vivência finalmente estão fazendo as pazes.

É um processo. Tenho consciência de que vou voltar a duvidar, até que esta parceria fique pura. Mas agora eu sei! E é inevitável retroceder!

Amei em silêncio e à distância por anos. Por conhecer minhas tendências e compreender que ter um relacionamento bacana, mas não tão profundo, no meu caso, não era “me permitir”, mas deixar de estimular virtudes que já estavam em processo de desenvolvimento e assim, fugir do trabalho, lutei internamente contra meu imediatismo, contra meu Ego, contra meu orgulho. Busquei o Amor, dentro. Tinha tanta certeza de sua possibilidade, sentia ser tão forte e real que, mesmo sem ter noção racional do como, sabia com o coração, ser possível, fora.

Para estar aqui hoje, é porque escolhi seguir minha verdade interior, que, após muito duvidar e analisar, descobri ser o que me deixa em equilíbrio, o que tem relação com meus defeitos e potencialidades – eu poderia ser uma pessoa carente que estava inventando um amor platônico e precisava desenvolver a autoestima; ou alguém com baixa autoestima e insegura que não conseguia acreditar no amor, e precisava, então, desenvolver a autoestima para conseguir acreditar em si.

Porém, estou aqui sozinha. Para todos, sou a revoltada que não aceita a vontade de Deus, ou a carente romântica que não sabe o que é amar e não consegue desapegar de uma história, ou qualquer outro perfil que se encaixe na opinião pessoal de cada um para o efeito: “mulher que ama um homem que sabia que ela o amava, mas nem a deixou saber que separou-se e namora outra”. Curioso… todos discordam, mas cada um, por um motivo… entretanto, só uma é a verdade… Para a discordância ser válida por vir de uma verdade, todos deveriam ter a mesma opinião. Eu é que, supostamente, não enxergaria a verdade.

Mas havendo as divergências de opinião, será que a discordância é baseada numa verdade que só eu não enxergasse, ou tem outra causa? Então, mesmo que eu ainda duvidasse de mim, aqui vai mais um argumento racional para incentivar a autoconfiança: se eu sou uma e, assim, só uma é a verdade para o erro ao acreditar neste amor, como cada um pode apontar um possível motivo, mas diferente? Só um teria compreendido a verdade, os outros, não. Mas todos negam… Negam porque eu realmente esteja errada ao continuar acreditando, ou porque eles não conseguem ver o amor da forma que eu vejo? E, ainda que todos dessem o mesmo motivo para a impossibilidade, mas eu tivesse, de fato, ficado em paz ao acreditar em mim: não é porque é da opinião de muitos que, em cem por cento dos casos, seja a verdade. Galileu afirmava que a Terra não era o centro do Universo e foi massacrado pela opinião pública da época. Entretanto, o tempo dissipou a ignorância coletiva e mostrou onde estava a verdade. Quando se tem saúde mental normal (claro, senão os loucos vão dizer que não são loucos e deixar de se tratar! Mas, depois do que passei, eu penso em quantos loucos são internados apenas porque não são compreendidos, e não por serem de fato, loucos…), quem é mais capaz de avaliar seu próprio mundo interior – você ou o outro? Buscamos fora – onde vão existir variadas respostas prontas – porque é mais rápido e dá menos trabalho do que procurar e analisar, dentro.

Eu senti minha vida se modificar, meu Ser atingir patamares sublimes, mas, devido ao casamento do meu amor (“meu” com carinho, não por posse, mas sim como denominação de algo íntimo, referente a mim), em vez de espalhar este céu, precisei guardar, exteriorizando apenas pequenas amostras. Meu lado inferior, com o tempo, começou a atrapalhar, a duvidar, a ansiedade começou a cobrar, e eu me desequilibrei. Nesta época, depois de muito esconder e precisar de ajuda externa, já que eu não estava bem, foi quando contei às primeiras pessoas.

Eles viram, assim, apenas o meu sofrimento. E seu conceito de amor é diferenciado (ou similar em alguns aspectos, diverso em outros). E sabem que eu já me apaixonei platonicamente no passado. E já tiveram suas experiências ruins. Portanto, com o maior amor (e isso eu agradeço e admiro em cada um deles!), por me verem sofrer e sofrerem junto, querendo que isso acabasse, quiseram passar seus valores e solucionar meus problemas, mas de forma instantânea e com o que deu resultados para eles.

E eu, nesta fase de transição interior, independentemente da história, estava cada dia num estado de alma. Não por bipolaridade ou dupla personalidade (rs…), mas por ser uma fase de mudança e, exatamente por isso, inconstante. Entretanto, imediatistas que somos, todos, em diferentes graus, queremos logo encontrar o diagnóstico final para conseguir formar um conceito. O provisório e o desconhecido nos assustam. Já que “um amor assim não existe”, que “eu sou uma romântica sonhadora e se estou sofrendo, não é amor” (e eu CANSO de dizer que não é o amor que me faz sofrer, é a angústia de ter vivido este estado de alma e não conseguir voltar a ele; é a angústia de saber o quanto a humanidade ainda vive uma lógica invertida, o quanto o orgulho ainda rege nossas vidas e saber que é muito mais fácil alguém buscar um sentimento mais rápido e afastar-se do amor, do que vencer o orgulho e trabalhar por ele e, assim, toda a minha luta ter sido em vão – e eu ser impotente para mudar isso), e que transições, na prática, não acontecem, não sabemos respeitar o processo das coisas (precisamos logo do diagnóstico final!), eu, portanto, deveria ter algum problema – minha não aceitação e minha dor deveriam ser explicadas como sendo eu a revoltada com Deus, ou a romântica que produz amor platônico, etc. Nunca, nunca a visão geral é que poderia ser modificada! Para eu aceitá-la, teria que me negar. Violentar, aniquilar a mim mesma… Não consegui! E aqui estou!

Eu já passei por situações que tirariam o equilíbrio de muitas pessoas. Algumas vezes, até abalei-me, mas sem sucumbir. Em outras, sorria e estimulava, com fé, quem estava comigo. Na área afetiva, eu levei muito mais foras do que tive acertos. E, na época, eu julgava serem “o cara”. Portanto, de fato, sofri! E nunca, nunca tive uma reação assim. Não é minha bondade que é falsa e agora, na dificuldade, estou “mostrando a cara”, está “caindo a máscara”. É este fato que nega tudo de verdadeiro e bom que eu construí, e me fez duvidar de mim outra vez de uma forma bem mais profunda e definitiva. Por pouco, não enlouqueci. Não foi brincadeira o que eu vivi! Eles estão “”brincando de casinha”, “de conhecer uma pessoinha”, experimentando para ver no que vai dar, e eu quase parti!

Bem que quando eu estava na praia, no começo do ano, tive uma sensação de que minha luta ainda iria começar. Eu já estava exausta e pedindo folga a Deus, e me veio este pensamento…

Desde o começo, eu só quis a verdade. Eu sempre, sempre admiti a possibilidade de estar errada, de ser aquela carente que cria o sentimento platônico, mesmo que isso não fizesse mais sentido por dentro e ferisse minha autoestima e autconfiança em desenvolvimento. Entretanto, eu sabia que para ajudá-las, era necessário admitir esta hipótese. Quem não deve, não teme…

Pois é… Quem não deve, não teme! Se eu sempre fui discreta, respeitosa, e éramos amigos – se eu fosse “mala” e nem houvesse elo entre nós, era fácil entender que eu seria de fato, inconveniente, por isso ele se esquivava – por que ele nunca quis uma conversa franca pessoalmente? Eu não sou “a iludida” e ele “o homem que não ama e que é incomodado”? A iludida buscou a verdade, e o homem que não ama e não tinha nada a perder dizendo a verdade, agiu de forma ambígua… Suspeito… Foi ele quem me negou a verdade! Quem dizia uma coisa com os lábios, mas fazia outra, com as reações espontâneas e algumas atitudes pequenas. Com a linguagem não verbal… E aqui entra a reflexão das duas últimas semanas… Linguagem não verbal…

Podemos até fazer de formas diferentes, mas, no fundo, todos ainda repetimos os mesmos erros. Fui extremista na valorização que dei à alma. Confundindo com algo menor, desprezei um mecanismo natural e necessário à própria alma para crescer, que é o processo material de como pode florescer um amor, venha ele de onde vier: já da alma, como o meu, ou nascido aqui, a partir de circunstâncias favoráveis entre pessoas afins. Não dei chance a algo – que poderia sim ser maior e já existir dentro – de materializar-se, processo este que é tão bonito…

Quando o conheci, já estava começando a detectar isso, mas assustei-me com seu casamento e travei-me novamente. Quis segurar algo impossível de ser segurado: um sorriso automático quando o via, um olhar sincero para a direção onde ele estivesse. Isso não é dar em cima de alguém. Dar em cima é ir atrás, é encarar, é criar situações favoráveis, é ser sexy escancaradamente, é, conscientemente, mesmo sabendo que ele era casado, jogar charme, nitidamente passar a impressão de flerte. E, por forçar-me a fazer algo que não é de nossa capacidade humana, muitas vezes precipitei-me ao agir, afastando-me ainda mais dele.

Temendo ultrapassar o limite, eu exagerei no “breque” e não fiz o mínimo. Eu bloqueei a natureza! Porque a realidade é a seguinte: se eu tivesse olhado para ele com naturalidade e ele retribuísse, obrigatória e suavemente afloraria um sentimento nele. O que faríamos disso, é outra história. Sentimentos não controlamos, mas atitudes, sim.

E as atitudes que controlamos são aquelas oriundas de nossas imperfeições. O funcionamento natural da alma já está em nós, ninguém segura! Se o faz, causa danos, porque é artificial! Como aconteceu comigo… Se ele de fato precisasse ficar casado e nós dois, saudável e naturalmente, percebêssemos um sentimento, seria ansiedade nossa querer um divórcio ou mesmo falta de caráter ter uma vida dupla. Assim, poderíamos controlar nossas atitudes equivocadas por uma causa justa. Mas se o casamento dele continuasse apenas por confusão de conceitos, o que é muito comum nos relacionamentos – e, para ilustrar, eu acabei de confessar uma enorme que vivi! – e nosso sentimento fosse maior, seria inevitável.

No campo das atitudes, seu casamento deveria sim ter sido respeitado, e nisso, eu estava certa. O que eu lamento foi ter barrado o processo natural do sentimento. Eu boicotei a minha própria felicidade! Se hoje há espaço para outra, é porque eu mesma permiti que este espaço acontecesse. Mesmo querendo acertar, eu errei. E como dói ter perdido a oportunidade! Ainda mais após tanto esforço!

Foi isso que tanto me doeu, além da rejeição em si: ele sabia como eu era e ainda assim não se definiu; eu me privei do que queria, sufoquei vontades e um sentimento que pede para ser exteriorizado, visando não prejudicar outras pessoas. Sabe Deus o quanto eu me contive para esconder o que sentia! Eu me anulei, mas por uma causa justa, e recebi apenas rejeição. E ele não me deu a chance de tentar! Na época, senti-me otária por amar alguém! Se tivesse me protegido, me defendido, pensado em minhas necessidades imediatas, e não no amor, não teria me machucado! Teria, entretanto, valido a pena? 😉

Mas, como jornalista que sou, aprendi que uma história sempre tem dois lados…

Sábado (02/06) eu já estava voltando a ficar triste devido a tudo o que me aconteceu. Soube que, em conversa com uma familiar (nunca, nunca comigo!), ele disse que não sente NADA por mim (o mesmo questionamento: por que ele fala para mim de forma ambígua e de forma direta e enfática somente para outros – foi uma ofensa ter sido tratada como incapaz ou imatura, tendo sempre buscado a maturidade e uma conversa franca entre dois adultos! – mas não consegue olhar nos meus olhos e dizer a mim??? Porque de fato não sente e só não sabe como dizer, ou porque foge de si e nega de formas incompletas, mas na hora de negar mesmo, não é capaz, porque não é verdade?). Bem diferente da amizade e carinho que ele sempre disse existir – e que nem precisava, porque eu já sentia. Fiquei ainda mais triste, voltando, quase, ao estado de desespero. Mas saí com a família. Busquei a Livraria como um beduíno, no deserto, a água. Lá era meu ambiente. Aquilo sou eu! E voltei a me refazer… Dei-me de presente de Dia dos Namorados muitos livros, incluindo “Um Sopro de Vida”, e um romance especial para ler neste dia. Comprei chocolates de Kopenhagen e itens de beleza da “L’Occitane”. Não por estar presa ao sistema consumista e dar valor a coisas materiais ou à futilidades, como marca, e precisar delas para me sentir importante. Mas por serem as marcas, muitas vezes, materializações de coisas realmente refinadas, boas, que dão prazer, e que, neste dia específico (estes produtos não fazem parte do meu atual padrão aquisitivo!), por tudo o que passei, eu mereço!

Ao chegar em casa à noite, iniciei a leitura de um dos livros adquiridos, que fala a respeito da linguagem corporal na hora de escolher um parceiro afetivo. Este banho de loja e a consciência de mim fizeram com que eu esquecesse do sentimento de amor em si, bem maior que eu, e acionasse apenas o departamento “afetividade” que há em mim, querendo exercitá-lo, ainda que mecanicamente – encontrando um cara legal e já está bom, esperando receber. Algo que fizesse bem ao meu Ego, que não tivesse um sentido para a alma. Pasmem, mas a romântica fiel também vive momentos assim! O que eu sinto é sublime, mas eu sou humana! Vocês acham que eu continuo acreditando porque esteja presa na história, ilusão ou verdadeira, mas porque esteja apegada? Eu insisto em dizer: Não!

Vejam o que, mais uma vez, aconteceu: eu quis receber e me sentir no direito de encontrar alguém legal e me contentar com isso. Muitas vezes, é exatamente assim que acontece, este método não é errado! Mas, geralmente, tornamo-nos escravos do Ego e não exercitamos o amor, ficando, sim, presos em receber, buscando sempre a euforia do começo, mais preocupados no que vou ganhar, do que em quem a pessoa é, investindo em relacionamentos equivocados, que fatalmente terminam – e, se duram, é porque os envolvidos ainda não perceberam o quanto estão maltratando a si mesmos e aos outros envolvidos, ou não tem coragem de sair da situação – usando as pessoas, brincando com seus sentimentos e o que tanto me incomoda: banalizando os relacionamentos!

E cada um tem uma realidade. Ainda que eu estivesse acionando este mecanismo do Ser por um motivo justo e natural, no meu caso, seria desvio, seria “preguiça”, pois o amor já estava comigo, portanto, não viria deste processo, mas sim, do outro – o do reconhecimento, da luta para não ceder à tentação de acionar este mecanismo comum e ter a qualquer momento um relacionamento à minha disposição. Sempre que eu desistia do amor e queria “ser como todo mundo”, eu sentia uma certa liberdade, confesso, mas uma liberdade seguida de culpa, de fuga… Como se eu estivesse faltando com um compromisso e preferindo alívio imediato. Como quem pula o muro da escola para matar aula, ou falta no trabalho para fazer compras. Sensação diferente tem quem cumpre seu dever na hora certa a aproveita o final de semana ou tira férias e desliga-se de verdade do trabalho, não? Era no primeiro grupo que, emocionalmente, eu me sentia… Algumas vezes eu pedi para tirar este sentimento do coração, mas sabia que o alívio momentâneo quando lutar era difícil não compensaria o deslocamento interno que eu sentiria ao anular algo assim… Simplesmente, não é possível!

Geralmente, se estamos servidos de boas companhias, quando fazemos algo errado, quem nos ama orienta o caminho certo, cônscios que são do bem que o dever cumprido traz a qualquer um, por mais que demande esforço. Todavia, por outros motivos, já descritos aqui e em textos anteriores, nem quem me ama entendeu minha “sina”, e para conseguir ser responsável e ficar em paz comigo, não tive o apoio direto deles – saber que eles me amam e sentir a vontade de ajudar, ou o apoio indireto, fazendo companhia, dando palavras de ânimo, ligando para saber com eu estava e etc., salvou-me e salva-me sempre! Sou grata a todos! Amo-os muito, e sou muito feliz por tê-los comigo!

Voltando à leitura do livro, já cansada de lutar, lutar, lutar, e nunca acontecer ou confirmar o sentimento, novamente dei chance a esta mentalidade fácil e rápida, que é uma sensação muito diferente da que eu tenho quando acredito na outra (é também uma mentalidade boa, mas menor, se comparada àquela e que, por não ser a minha, faz com que eu entre em conflito. Portanto, para mim, não serve! Pode ser necessária e maravilhosa a outros! Por isso, a importância do autoconhecimento: para que coisas certas não sejam aplicadas na hora errada e fiquemos confusos por, mesmo fazendo o correto, ainda sermos infelizes!). Lia as páginas, pensando em deixar a experiência vivida para trás e tirar como aprendizado o fato de ter perdido o homem e o amor da minha vida por não saber materializar o começo do sentimento, mas visando aprender para fazer diferente com alguém bacana que viesse. Mesmo que ainda sentindo a dor e lamentando o desperdício, por saber das capacidades que eu já tenho para as fases posteriores, e que muitas mulheres ainda não tem, fazendo com ele provavelmente viva um círculo vicioso de relacionamentos insatisfatórios e seja infeliz; e eu precise me contentar com esta “mentalidade menor”, tendo plena consciência de outra muito melhor que podia sim existir, mas eu perdi, sendo, também, infeliz.

Ao ler, fui tendo flashes involuntários de tudo o que aconteceu com a gente. .. Reconheci quase todas as linguagens masculinas de interesse, em relação a mim. E vi as linguagens femininas que eu, forçosamente, por anos, travei. Em vez de pensar em uma outra história futura, esses flashes me invadiam calmamente o pensamento, como se, para, novamente, me fazer enxergar a realidade que houve, sim, em tudo isso! E, além desses flashes, um sentimento brando de esperança me levou novamente à minha mentalidade original – deixar meu ego de lado e voltar à minha luta por este amor. E eu fiquei feliz

Como isso pode ser a mesma coisa que baixa autoestima com apego??? Por Deus, como pode ser??? Será que não somos nós que avaliamos os efeitos iguais, os rótulos, sempre com a mesma causa, para entender logo o que acontece e não ter trabalho para analisar? Este rótulo já estava gravado em minha mente. Para chegar a essas conclusões, precisei buscar e analisar por quatro anos. Foi “fácil” porque aceitar o rótulo doía em mim, então, procurei algo melhor. Isso me fez pensar no Ser Humano como um todo… Será que, por não sentirmos as dores e a realidade do outro, não é mais fácil nós os encaixarmos em situações já definidas previamente? Assim, não precisamos sentir sua dor, esforçarmos a arte de ter empatia pela pessoa.  Isso sem contar no mecanismo geral que apontar defeitos nos outros, para deixar de olhar para os seus.

E então, homens (gênero, não Humanidade), compadeçam-se do meu amor e, ok, podem jogar tomate… Naquela terceira vez em que eu o procurei para perguntar o que ele sentia (a ocorrida onze meses após ao dia que declarei meu sentimento), vejam o erro crasso que cometi, além de todos estes pequenos erros de rejeição contínua, na prática, a quem dizia (com sinceridade!) tanto amar. Todos concordam comigo que homens e mulheres tem mecanismos, naturezas, diferentes, certo? Que a mulher, quando encontra um parceiro, logo vê um companheiro. O homem vê mais a parte sexual, depois, com o tempo, as coisas vão evoluindo. E, homens: que a mulher, quando já chega insinuando compromisso, assusta e afasta… Pois bem… Eu escrevi um livro com 53 páginas contando toda a minha parte da história. Claro, fazendo reflexões importantes, mostrando a seriedade do que sentia – com medo de parecer uma “outra” que dá em cima de homens casados, compreendem? – explicando meu conflito e enaltecendo a importância da definição da parte dele. Mas… Afirmando ter certeza de que ele correspondia, insinuando que já devíamos ter uma ligação anterior. Se um casamento de uma vida assusta, façam uma ideia do que um compromisso cósmico faz com a mente de um cidadão!!!!

Eu matei toda a expectativa da descoberta, da aproximação, da conquista… Não posso nem usar a desculpa de que ele era casado, eu tinha padrões morais sólidos e ele também, portanto, racionalmente, não contava com um divórcio, e dizer que queria, ao menos, estabelecer um relacionamento no campo das idéias, que me alimentava e, por isso, me precipitei. Por dois motivos: porque, mesmo sem saber como (devido aos meus padrões), eu tinha fé e sabia ser possível. E tenho um defeitinho danadinho… a ansiedade. Ela falou mais alto que minha fé, e colocou a carroça na frente dos bois. Mea culpa. Quem não deve, não teme, certo? Se o amor é assim tão lindo e tão forte, a matéria nunca irá aniquilá-lo, muito pelo contrário: ela serve como veículo de concretização para a realidade da alma. Eu não deveria ter desprezado o processo básico de comunicação corporal entre os gêneros, em nome de, “se for para ser, será”, menosprezando este “ritual biológico” só porque muitas vezes as pessoas fazem mal uso deste processo e banalizam os relacionamentos, achando que todo “ritual” é insignificante.

Eu não falei em outros momentos que eu também sou extremista? Eu já não escrevi antes que fui ensinada que vemos nos outros os erros que temos em nós? Falo demais do extremismo e tento abrir os olhos a seu respeito não porque eu seja a dona da verdade e não o tenha, mas porque eu sofro com isso e tenho condições de melhorar isso em mim e alertar quem ainda não o enxerga.

O que eu não entendi, naquela época, pensando com a minha mente feminina, angustiada em meus conflitos e ansiosa para ter uma resposta palpável a fim de que eles acabassem, querendo fazer no campo das palavras o que eu não podia no campo das atitudes – e que foi alimentado pela minha “preguiça moral”, pois sempre foi mais fácil para mim comunicar-me através delas que agir, então, protegi-me na minha bolha e fiquei em minha zona de conforto -, por respeito ao seu compromisso, é que inverti tudo.

Não me dei a chance de conquistá-lo, e ainda por cima, mesmo sem ter intenção, já cobrei compromissos. Total desencontro, falta de comunicação! Quis garantir no plano das idéias e dos sentimentos (algo que, devido à nobreza do que sinto, já me alimentava) o que eu não podia ter no plano físico. Não necessariamente por ser alguém que, a grosso modo, não é capaz de amar, que espera tudo do outro e que seja possessiva. Mas por não compreender certas nuances da vida – como já citado, esta necessidade natural de alguns mecanismos biológicos para o crescimento da própria alma, a importância da linguagem corporal para o florescer do amor! – e trocar conceitos, tentando não errar; por estar em conflito a respeito de quem eu era e querendo rapidamente uma resposta fora, esperando, sim, um pouco do outro; e, por duvidar de mim, desconectar-me de meu sentimento e, momentaneamente, deixando de conseguir doar e esperando receber, sendo incapaz de amar.

Dentre tudo o que aconteceu e que erramos, nós dois podemos seguir repetindo o hábito de apontar os erros do outro, ou podemos compreender como contribuímos para a situação ficar assim e aprender com os nossos próprios. Entendi que os erros dele são dele, são problemas da consciência dele. Cabe a ele consertá-los, e desapegar deles não é ser boba, deixar para lá, como se eu não me amasse. É, sim, querer mudar o que não posso. Acusá-lo vai afastá-lo de mim. Trabalho suficiente eu já tenho para entender, trabalhar e consertar os meus. E isso, sim, me faz feliz, porque está de acordo com um mecanismo natural de evolução da alma. Ter o reconhecimento dos erros dele, da parte dele, também é bom, mas vai dar alívio na hora e, posteriormente, precisaria que ele repetisse o gesto para ter novo bem-estar. Ou seja: minha felicidade estaria nas mãos dele. Eu estaria dependendo de algo externo, o que não controlo. E isso só traz insatisfação!

Não por ameaça ou por desrespeito ao relacionamento de terceiros (e ainda que fosse, estou com crédito neste setor…rs… Cartão Ouro Master Plus Golden Diamante Prime Luxo! Sem anuidade!), mas por respeitar um mecanismo natural meu, que antes eu não tive condições de exercer e que me faz muita falta agora: serei natural diante dele! Não é perder o foco do que faço, não é correr atrás, não é misturar as coisas. É simplesmente reagir espontaneamente quando e se o vir. Se ele retribuir, não há nada que a namorada dele, ele ou mesmo eu possamos fazer… E eu já aprendi o gosto amargo da anulação confundida com comportamento moral adequado, para repetir o mesmo erro. E, em defesa à essência de minha luta, mesmo reconhecendo meus exageros, se há mesmo um sentimento verdadeiro em latência, é uma história efêmera que está fora de esquadro, e não a minha. Reconheço meus erros e assumo o controle, mas nem por isso deixe de me lembrar de que fui de fato prejudicada. Finalmente entendi: tenho o direito de ser feliz!!!

O que direi agora, o faço a fim de acalmar minha dor, que às vezes gera desespero por saber que o homem amado está com outra – exercitando a consciência de que algumas experiências são apenas meios de aprendizado e o que é verdadeiro prevalece, mesmo que não aconteça agora -, e não com arrogância ou para pressionar ninguém. Se eu já estiver vivendo esta verdade, não preciso me desesperar com a aparente negação dos fatos. Preciso exercitar bem estes ensinamentos, porque ainda é muito dolorido e enlouquecedor, às vezes, passar por isso. Mas isso é dor do Ego. Meu Self sempre volta a acreditar, e eu volto a ser feliz… Então, se ela o impedir de freqüentar o mesmo círculo que eu, estará assinando sua sentença, ainda que leve um tempo, pois estará colocando nele uma coleira. Se ele fugir, estará dando um atestado de sentimento oculto e mal resolvido, e medo de olhar para si. Porque eu sei que onde convivemos é aonde ele quer ir. Ele ou ela podem até adiar, mas não podem fugir do que ele é, não podem fugir da verdade. Cedo ou tarde, ela aparece.

E eu, já escrevi ou falei demais. Chegou a hora de agir. Descobri que funciono assim: escrevo, entendo, autoafirmo para depois, agir. Anunciar esta ação poderia ser ansiedade, ou reconhecer este mecanismo que meu autoconhecimento me trouxe. Talvez, um pouco de cada… Chegou o meu momento de exercitar algo novo, aprender e aceitar de verdade o amor em minha vida e realmente querer meu amado ao meu lado, porque agora sim sinto-me merecedora do melhor e realmente capaz de fazê-lo feliz, pois encontrei o amor e sincera admiração dentro de mim. Não só olhei no espelho, como sugerem os livros de autoestima, como disse coisas que me tiraram lágrimas! Por isso digo ser este o melhor momento da minha vida… estou encontrando-me comigo!

Se a realidade é a da alma e este mundo é um lugar de aprendizado e, portanto, nem tudo o que acontece aqui tem causa lá, podendo ser apenas exercício, experimentação que, se não for condizente com a verdade, só acontece para que aprendamos com a negação, o que realmente queremos, e este relacionamento for mesmo menor que meu amor, então finalmente a verdade interna será compatível com a externa, a pessoa certa vai sofrer por um motivo justo – acordar de uma ilusão, o que a possibilitará crescer e, por que não, buscar este mesmo amor que eu! – e ouvir esta frase: “A gente não perde o que nunca teve”.

Fonte da imagem: rizonaralima.blogspot.com