O Vestido, o Balão, o Céu, o Amor

Primeiramente vejam o video, depois leiam o texto.

“O Vestido, o Balão, o Céu, o Amor”

Há uma semana eu recebia uma notícia que me animou a alma: a declaração de amor que fiz ao homem que amo, num momento de extremo impedimento e que foi, portanto, um ato de fé, foi uma das selecionadas. Eu (e ele!) ganhei (ganhamos) um passeio de balão!
Na minha visão, seria o desfecho perfeito para tanto desencontro e sofrimento.

Eu tinha um compromisso no mesmo dia. Alimentando a esperança de que ele aparecesse e, ao mesmo tempo, repetindo um erro comum em mim – querer fazer duas coisas simultaneamente ou muito próximas uma da outra, acertando no quesito “tempo”, porém, errando no quesito “qualidade de vida”, “correria” –, combinei de ir ao compromisso já agendado e posteriormente correr para o passeio.

No sábado pela manhã, acordei ansiosa. Estava em conflito. No fundo, sabia que ele não ia, e não sabia o que fazer. Até que, quando a realidade foi chegando, notei o erro cometido: aquele era o meu dia. Só aconteceria neste momento. Eu tinha o direito de aproveitar! Precisei aprender a priorizar minhas coisas, mas não era só isso… No fundo, usei como desculpa o meu dever a cumprir para poder chegar mais tarde e esperá-lo…

Não mais. Foi quando publiquei a errata (post anterior), mudando o horário. Avisei quem deveria que faltaria ao compromisso e fui viver o meu momento.  Cuidei de tudo o que tinha direito: tomei um banho relaxante, fiz depilação, passei hidratante, pintei as unhas e coloquei um vestido florido, de acordo com o clima alegre e ensolarado, com delicados brincos rosa, assim como anéis que seguiam o mesmo tom. O toque final, a estréia de um sapato estilo romântico.

Logo vieram me buscar. Ao maquiar os olhos, eu os vi meio “fechados”. Eu realmente estava me esforçando, mas não estava feliz. Na estrada passou uma moto com a placa da cidade da “namorada” dele, e eu fiquei furiosa. Furiosa! Não quis mais conversa, fiquei apenas absorvida em meus pensamentos, naquela realidade horrível – todos os fatos, todo o esforço feito para se chegar até ali e tomar um tombo, toda dor advinda disso, toda frustração, rejeição, descaso, desolação por ter o amor impedido, o coração partido, a quase loucura ao imaginá-lo com outra, etc.

No shopping, de onde eu saberia o local do evento, percebi vários homens me olhando… Ainda queria que ele estivesse ali e, ao ver que chamava atenção de outros homens, queria também que ele me visse (como senti tantas e tantas vezes), mas este “lamento” foi me irritando e já comecei a levar esta informação para outra parte do meu Ser…

Chegando ao clube de cujo campo sairia o balão, apresentei-me à organização e entrei na fila, pronta para voar pelo Vale do Paraíba, ver as cidades lá de cima e, quem sabe, ainda, o mar… (em minha defesa, não fui a única a pensar assim). Aí, tive a noção de realidade: o balão ficaria preso à cordas, ficava apenas uns cinco minutos no ar (eram vinte casais! Ou melhor, dezenove…), não havia portinha na cesta para adentrar à mesma (o que complicou meu traje campestre… que saudades da calça jeans!) e não havia nenhuma solenidade, nenhuma oportunidade para dar meu posicionamento em relação ao amor, essas coisas (eu e o meu protocolo…rs…). Aí até ficou um pouco “menos ruim” o fato dele não estar ali. Parecia mais com o que eu vivia – algo bacana, mas corriqueiro, assim como o fato de que ele está com outra, e não comigo – do que aquilo tudo criado em minha mente, ansiosa para que esta fase ruim passasse. Apesar de já ter notado, ainda repetia em escalas mais profundas os erros, ao ser extremista, imediatista, querendo que tudo se resolvesse num dia, em apenas um gesto simbólico. Mais uma decepção para lapidar este exagero e ficar mais próxima da realidade.

Esperei por mais de uma hora. Copiei a declaração de amor, feita na mesma época do outdoor – um resumo “milagroso” do mesmo. Nove por três metros resumidos em cinco linhas de um papel medindo apenas vinte por cinco centímetros! 

Fui ao banheiro, olhei-me no espelho e algo me fez lembrar o ser amado. Jesus, justo hoje, até aqui? Voltei.


Os casais eram chamados, acompanhados ao balão, desciam sorrindo e saíam com um brinde nas mãos. Quase desisti. O medo de não poder subir por estar sozinha, ou o simples fato de precisar explicar que não havia mais ninguém, me entorpeceram a mente. Faltou um segundo para eu ir embora.

Chegou a minha vez. A expectativa animou-me levemente. Eu disse que estava sozinha. Tensão. Tudo bem. Entretanto, a moça, que deve ser a mesma da ligação avisando o prêmio, perguntou onde estava o namorado. Eu respondi: “Não sei”. O rapaz que me acompanharia perguntou algo – não lembro mais o quê – e eu disse que nós não estávamos juntos, mas meu amor havia me levado até ali, então, eu aproveitaria o passeio. Os dois apoiaram o gesto e eu fui em direção ao cesto.

Pois é, quem dera minha expectativa a respeito da portinha fosse verdadeira… Subir no balão de vestido, eu não recomendo! Rs…

Último segundo. Subi. O balão decolou. Ok. Ele não foi…

Cansei-me de carregar o peso do fracasso nas costas. Cansei de ler livros de autoajuda que, obviamente, mostram o resultado final que devemos atingir como pessoas aptas a um relacionamento a um, a dois.

Ler sobre comportamentos pessoais ou atitudes que prejudicam um relacionamento a dois e tomar consciência do quanto ainda há a ser feito, está me “cansando a beleza”. Como se, ao ler, detectar o que falta e ter sincera vontade de crescer, eu precise ter tudo o que todos os livros falam (e de uma só vez!) para eu poder também viver. Já reconheci o quanto falhei na linguagem não-verbal, e é muito bom aprender com os erros. Mas chega de só refletir, me cobrar ou sentir-me rebaixada por não ter característica “a” ou “b”, por tentar descobrir porque não “agradei”…

Não, não estou criticando este tipo de literatura. Estou criticando meu velho hábito de buscar a perfeição antes de executar algo, meu velho hábito de confundir humildade e reconhecer erros, com achar que foi tudo culpa minha. O velho exagero na dose.

Mas a linguagem não-verbal dentro de um relacionamento afetivo, ou os próprios pontos que preciso aprofundar em mim, são apenas algumas das diversas “áreas” de atuação da alma. Sou boa em tantas outras coisas! Isso não conta? Sou ruim no “método” de me aproximar de um homem, mas vencida esta barreira, tenho tanto a ofertar! Não conta? Em mim, tenho sim meus defeitos. Mas me incomodo com eles e já estou buscando revertê-los em virtudes. Nem estacionados estão! Fora as características boas já adquiridas. No todo, sou tão ruim assim?

E no modo como me comportei diante de tudo (em textos anteriores, já expliquei o contexto). Eu não sou só esta dor, só este emocional inflado diante de tudo isso: sou alegre, sou feliz, busco fazer o bem, sou divertida, sou amiga, sou inteligente, sou madura, sou amável e, o que é novidade até para mim, mas sou sexy! Acredito em relacionamentos de crescimento mútuo, ao contrário destes interesseiros, em variados níveis, nos quais sutilmente nos embrenhamos por aí. Ainda que tenha meus antigos padrões para expurgar (inclusive, dentro deste próprio “setor” invertido, ao esperar de fora, a receber mais do que doar), mas o que realmente importa é que eu tenho VONTADE de lutar por isso, de me superar, e tenho sincero anseio de fazê-lo (ser amado) feliz. Não como quem não se ama e projeta tudo no outro. Mas como quem quer o outro em sua vida para COMPARTILHAR, não somente para receber.

Eu sou muito mais que o desespero, a depressão e a raiva que vivi, aumentadas em grande parte pelo contexto, por todas as dificuldades que eu não soube enfrentar. Hipoteticamente, poderia ter me saído melhor? Há quem consiga ter desempenho superior num caso assim? Sim! Mas eu não CONSEGUIA e apenas reagi. Fiz o melhor que pude. Sim, eu tenho este desespero, esta raiva e esta depressão dentro de mim. Do contrário, nada externo que pudesse ocorrer incentivaria o que não existe. Mas uma mulher grávida, dando a luz, cheia de dor, pode ser considerada “estressada” quando, neste momento, alguém a incomoda ou perguntam algo inconveniente e ela responde de forma agressiva? Não! Claro, há pessoas que são tão, mas TÃO calmas, que nem em momentos assim se exaltam. Raríssimas. A maioria, consegue lutar contra suas más tendências no dia a dia e deixar de lado a agressividade. Mas, em situação de extrema dor, reagem instintivamente.

Sim, eu tenho, portanto, este desespero, esta raiva e esta depressão dentro de mim. Mas elas só eclodiram desta forma porque eu cheguei num momento específico da vida de dor alucinante, que tirou o equilíbrio emocional. Não posso ser analisada em estado de desequilíbrio como se estivesse equilibrada e não “desse conta do recado”. São conceitos distintos! Quem leu meus últimos posts, os anos de sofrimento, de segredo abafado, de crise existencial, sabe que eu já estava no meu limite faz tempo. Há quase dois anos!

Portanto, tenho isso, mas não sou apenas isso. Tenho potencialidades que me permitem voltar ao estado de equilíbrio do Ser e trabalhar para a transformação destes defeitos em virtudes. Eu não posso, em nome de tudo isso, assumir sozinha a responsabilidade por TUDO: pela parte do outro, pela conjuntura dos fatos, o que foge do meu controle – e é, provavelmente, a maior provação que vivi até hoje! Preciso compreender meus limites. Entretanto, não me impressionar com eles e sim, enaltecer as possibilidades.

Será que eu preciso estar perfeita para poder iniciar um relacionamento, ou a maturidade geral e a vontade de acertar já não contam, pelo menos, para começar? Leio nos livros características que eu já buscava sozinha, antes, por sentir necessidade. Ainda não as tenho finalizadas, mas estou buscando. Incessantemente! O que conta não é a intenção, mais do que o resultado final?

Cada um tem seu tempo. Sua capacidade ao lidar com obstáculos. Meu tempo de compartilhar a vida com alguém já chegou, mas não fui muito boa com os obstáculos, que sempre me tiravam da rota, da minha própria jornada. O sofrimento emocional turvou meus sentidos. Minha dor tomou conta do cenário e, temporariamente, anulou todo o resto. Porém, eu sempre volto. E mais forte, mais sábia. Isso não conta? Será que já não tenho o mínimo necessário para começar, e ir, aos poucos, crescendo, tendo, sim, meu tempo compatível para ir buscando isso?

Por que quem me conhece como um todo e sem um casamento nas costas para eu me travar, me admira pelo que sou, assim como aqueles homens no shopping, pelo que mostro, mas diante dele eu sinto nunca ser boa o bastante? Sou eu quem seja inapta, ou nós dois que não estamos falando a mesma língua?

Sei que falar é uma coisa, fazer, é outra. Mas vejam meu caso específico: diante da vida, quando eu estava começando a ajeitar os conceitos, detectando o excesso que dava para a idealização e querendo passar a exercitar mais (quando eu realmente me importava com a pessoa, como no caso dele, não quando era só para ver no que ia dar, sem medo de ser rejeitada, ou quando vinham até mim e eu não precisava me esforçar para criar um relacionamento), encontrei o amor num homem casado, sendo obrigada a idealizar, se não quisesse obter problemas com a minha consciência – e com terceiros.

O tempo passou, fui compreendendo os pormenores da situação, derrubando barreiras e extremismos internos e ampliando o mínimo grau de ação na nossa delicada situação. Mas quando percebi isso, já havia declarado o que sentia, por exigências de outro setor da minha alma – a crise existencial – e, justamente por estar em crise, já havia feito uso da ansiedade, colocando a carroça na frente dos bois, como escrevi anteriormente, em outros textos, (se eu tivesse tido fé e não me deixado levar pela ansiedade, ao esperar um posicionamento, mesmo sem querer, pressionando – e assustando – talvez tudo tivesse ocorrido naturalmente. Sei que no fundo tudo acontece como deveria ser, mas isso não nos isenta de aprendermos com os erros, para não cometê-los novamente), gerando desencontro de ações.

Justo quando eu estava começando a me sentir no direito de “agir” (ver textos anteriores, ações mínimas naturais às quais minha excessiva rigidez ao lidar com a situação me impediam, não refiro-me a dar em cima de alguém compromissado!), tanto por um processo interno de libertação, quanto por uma aproximação da realidade, de tirá-lo do mundo dos sonhos e deixar de ser “intocável” (conceito formado ainda devido ao resquício do meu padrão antigo de comportamento, dos amores platônicos, mas massivamente contribuído pelo compromisso matrimonial dele), e interagir como um homem comum, por um lado, fui sempre mal interpretada por ele, que via nisso humilhação; por outro, não pude ter este campo de ação devido ao desgaste de más interpretações entre nós e a imagem que ele, erroneamente, criou a meu respeito. De uma forma ou de outra, não falamos a mesma língua: agi certo, na hora errada, distorcendo conceitos – e ele não soube compreender os deslocamentos; ou eu falei e não fiz, ele “fez” e não falou.

Entretanto, nunca desisti. E veio o choque: a separação, um relacionamento repentino e não apenas isso, mas um relacionamento no seu grau máximo: ele já estava MORANDO com outra!!!. Foi o que eu soube e, repito, me tirou o chão. Não poderia nem “me garantir” e tirar de letra um relacionamento efêmero, como as mulheres sábias conseguem fazer ao lidar com as pequenas aventuras de um homem. Eles já moravam juntos! Ok, eu poderia, ainda ser alguém de outro mundo e superar tudo isso, agindo com superioridade (se conseguisse. Hipoteticamente, porque, no meu caso, eu realmente não conseguia). Mas hoje, nós mal convivemos. Não sobrou campo de ação nenhum para mim! Foi tudo muito desencontrado (porém, visivelmente, não por falta de afinidade, ou “porque não é para ser”, e sim por erros “opcionais” dos envolvidos! Quando não é para ser, não importa: nada do que se faça vai fazer brotar algo que não existe. Mas quando existe algo, devido às nossas imperfeições, aos nossos hábitos emocionalmente confusos e infantis, podemos, sim, nos desviar de algo bom por ilusões ou sintonias ruins!!! Não é esta a nossa luta: sair da infelicidade e buscar o que é nosso, o que é natural à alma, a cada um de nós, encontrarmos nosso caminho e, assim, sermos felizes? Não estou falando nenhum absurdo!!!)! O mundo prático, factual, material, não é importante, eu é que o desprezei antes? Concordo com vocês! Então, como eu vou saber se é ou não para mim, se não tive a mínima chance de tentar? Não aceitar a impossibilidade do “não” após tentar e não dar certo poderia sim ser revolta. Mas não ter nem a chance de tentar… é frustrante! Resumindo: fui tolhida sempre! É assim me sinto: sufocada, amordaçada,  impotente… Impedida!

Realmente não pretendo mais expor detalhes factuais além dos que já foram expostos, apenas falar do aprendizado. Mas o fato é que tentei correr atrás de prejuízo, reconheci meus erros e me movimentei com a liberdade que não pude experimentar ao longo dos anos, tentando trazê-lo cada vez mais ao campo do homem comum, desmistificar esta barreira que eu precisei colocar entre nós devido ao compromisso – olhar, ligar, perguntar, etc. E tudo isso foi mal interpretado. Mesmo antes, o que eu via como finalmente “deixar meu mundo dos sentimentos e ser uma mulher de atitude”, sair das minhas amarras, crescer, ele entendia como alguém se derretendo a seus pés e achava que era falta de amor-próprio. Sim, em algumas vezes, dentro desta crise toda, eu estava mesmo esperando de fora, angustiada, e devia passar esta energia. Mas nem sempre… ele é que já estava com o “espírito prevenido” e me julgava, antes. E, após minha reação chocante – perfeitamente compatível com o absurdo dos fatos, mas isso, ele não reconhece! – este pré julgamento ficou ainda mais enraizado, embora eu consiga relevar, devido à falta de aceitação demonstrada de minha parte – que realmente contribui para um imagem negativa.

Cansei desta linguagem invertida, deste desencontro. Eu sempre tentei explicar, para tentar suprir o posicionamento real que eu pouco sabia exercer ou que não me sentia no direito de ter. Mas, até hoje, ele insiste em não entender. Cansei de explicar a diferença entre o uso do “meu” de posse e o “meu” referente a algo íntimo, pessoal, intransferível, típico de um amor que já vem com a gente, como o meu (viram? não digo “meu” porque possuo este amor. Se a Vida quiser, ele esvai-se de do meu Ser; mas ele é referente a mim, não a você, ou a você, ou a ela, ou a eles, etc. Entendem?).

Cansei de explicar que ter um amor assim não é garantia de nada, apenas eleva muito as chances de dar certo, porque já tem estrutura um pouco mais sólida. Porém, só daria certo mesmo se  tentássemos, experimentássemos, descobríssemos, assim como acontece com os outros amores igualmente bonitos, despertados ou até mesmo criados e, posteriormente, alimentados, graças a situações circunstanciais, como é a maioria dos amores ainda hoje. Que isso não é estar engessado, estar preso a uma história, apenas uma história assim tem mais chance de êxito que sensações efêmeras que nós, às vezes, chamamos de sentimento. Portanto, se a busca é a elevação espiritual em detrimento dos impulsos, este tipo de amor é, naturalmente, o privilegiado para quem busca isso. É o melhor para a própria pessoa, não uma regra moral imposta que ela deva seguir a contragosto.

Cansei de dizer que um amor deste gênero não é uma prisão pré-determinada, mas a possibilidade de um novo mundo, acessível apenas àqueles que têm coragem de arriscar. E é por ter lutado por isso e acreditado, que dói não poder viver, não porque eu é que não saiba “perder” ou me sinta dona dele e ele seja obrigado a ficar comigo. O que lamento, como já disse, é o desperdício. Entretanto, com a confusão dos “meus” e a ênfase dada por mim a este amor, somado ao meu exagero da vida espiritual, mais o espírito previnido dele – cristalizado! –  e minha reação agressiva a este relacionamento “surreal”, fica fácil ele ficar assustado, distorcer tudo e se afastar.

Outra pessoa certamente conseguiria sentir tudo isso e aceitar uma “bomba” de impedimento desta logo no primeiro momento. Eu não consegui, eu reagi, mas pelos meus motivos e limitações, não por pura revolta à vontade Divina ou posse em relação ao homem que amo! E, reconheço, o “tico e teco” tiveram um delay de longos meses para explicar a ele que quando eu dizia sentir que ele sentia a mesma coisa, não me referia a um sentimento no mesmo estágio de desenvolvimento do meu, mas cuja essência era a mesma, e , principalmente por já ter reciprocidade “prévia”, ter toda chance de “vingar”. Meses para ele ficar ainda mais assustado, mas eu retifiquei. Visto tudo isso, o que mais eu posso fazer? Chega!!!!

Cheguei num ponto de sensação de humilhação (em suma, eu não agi por esta razão, mas senti-me humilhada por ele) e decepção que me fariam “desencantar” rapidamente. Entretanto, para meu espanto, o sentimento não vai embora.

Mas isso não ocorre porque que eu o idolatre. Não significa que ele possa continuar com esse descaso comumente, como se fosse um padrão.  Como se eu merecesse ser tratada assim. E foi aí que cheguei a algumas conclusões… Um amor como o meu, um sentimento mais profundo, é sim algo sublime, incondicional, e que pede muito pouco para existir.

Entretanto, não podemos confundir isso com submissão. Talvez, porque nosso padrão de sentimentos ainda seja aquele baseado no Ego (carências, desejos, necessidades, atrações efêmeras) e esteja condicionado a receber, não dar e o sentimento do outro lado prosseguir possa ser confundido com falta de autoestima, da parte de quem doa.

Mas a parte que doa, ainda que sinta algo nobre, é humana, limitada e tem também um Ego, que não é só ruim: é uma ferramenta de defesa muito importante de nossa personalidade. Pode-se muito bem continuar amando, tendo carinho, enviando boas energias de vez em quando, mesmo depois de tudo.  Todavia, quando ele, Ego, apitar “invasão”, para que este Ser fique em equilíbrio, é necessário também respeitar esses limites. Cansei de me sentir “não boa o bastante” diante dele. Os outros não me vêem assim! Nem mais eu, que, tanto tinha a tendência da baixa autoestima a atrapalhar, quanto levava tanto em consideração a imagem dele! Foi este “click” que deu, esta sutileza entre “terrenos distintos” que eu compreendi… Não estou acusando-o ou denegrindo-o para que eu suba. Apenas demitindo-me da ação de depender da visão dele (já que ele é importante para mim e isso nos influencia) para ter a minha, que não pode depender de nada, nem de ninguém. Hoje eu sei quem eu sou!

O amor não precisa de reciprocidade. Quem ama, ama e ponto. Entretanto, o gesto de amar precisa sim ser estimulado, para que toda esta confusão de conceitos não ocorra. E que estes sentimentos degenerativos advindos desta visão turva da outra parte não bloqueie o acesso do Ser ao sentimento sublime. Sem extremos: nem sempre usa-se o Self para encontrar o amor e o Ego para desvios… Conhecendo bem os conceitos básicos, podemos entender as especificidades de uma situação e continuar dentro da regra final, mesmo que o meio seja “suspeito”. Comumente acontece uma aparente distorção nas regras devido às circunstâncias, a outros fatores, mas o objetivo continua sendo o mesmo: chegar à regra original! Cada caso é um caso, a alma é complexa, não plana, portanto, são vários fatores ocorrendo ao mesmo tempo que, em conjunto, formam uma situação diferente de outra, dependendo da combinação e da dose. Explico.

No quesito “autoestima”, se um Ego externo estiver agindo, nos agredindo, nós ainda tivermos a ferida correspondente a esta ação e isso nos desequilibrar intimamente, nos afetar, num primeiro momento, precisamos da ajuda do nosso Ego. Se eu não sou injusta e, numa argumentação, uma pessoa que nitidamente tem outro ponto de vista me acusa de injustiça, não vou me ofender, pois eu não a tenho em mim e compreendo que é a visão distorcida dele que me vê assim, não algo que realmente eu seja. Não dói. Mas se doer de forma abusiva, com desrespeito a nós, precisamos, sim, impedir o mal que está sendo feito.

Mas cuidado ao aceitar a ajuda do Ego… Ele eve ter espaço não para agirmos de forma igualmente errada à pessoa ou devolvermos na mesma moeda, estimulando sentimentos ruins. Mas para nos defendermos. O Ego é, também, um importante mecanismo de defesa da personalidade! O problema é que o usamos em excesso e ele nos prende, nos amedronta. Portanto, precisamos “falar a mesma língua” dele, mas dentro de nós. No meu caso, por exemplo: ao amar e dizer ou agir como tal, estou agindo com meu Self. Mas se quem recebe minhas atitudes é o Ego dele, ele vai interpretar minhas atitudes como “humilhação”, pois o Ego não entende isso, jamais doaria – ele é imediato, que ter sensações, e sensações fugazes! E vai reagir como tal: desmerecendo-me, sendo arrogante, usando meu sentimento para acariciá-lo, etc. Se eu tenho boa autoestima e já solidificada (as novas podem ser frágeis!), isso não me abala e, muitas vezes, é na insistência deste comportamento (água mole, pedra dura, tanto bate, até que fura) e na força do exemplo que eu estimulo o outro a mudar de atitude – aí sim, é a hora de aplicarmos todos os conceitos morais que conhecemos: perdão, caridade, altruísmo, paciência, etc., etc., etc. Mas, muitas vezes, na ânsia de nos elevarmos, de ficarmos em paz com a consciência e aplicá-las, desprezamos uma lei da própria Vida, que contribui para a consciência em paz, para a saúde Integral do Ser, sobre tudo o que é real é construído, e leva tempo; e tudo o que é desfeito, precisa ser refeito. Quantas vezes confundimos estas duas verdades e nos violentamos, obrigando-nos a obter imediatamente e a qualquer custo, virtudes que não possuímos ou que estão abaladas, desprezando o tempo certo de tudo? (O que não pode ser confundido com não construir ou reconstruir nada por acomodação).

Todavia, se este é ainda um ponto frágil em mim, seria ilusão, ansiedade e até mesmo orgulho de minha parte (parece contraditório, porque estaríamos fazendo uma boa ação, com boas intenções? Como pode ter um sentimento ruim no meio?) insistir que eu já sou capaz de fazer algo que não consigo. É melhor reconhecer minhas limitações e recuar. Deixar de “doar”, ao menos nas atitudes exteriores, entregues a ele, e defender-me. Isso equilibra a balança. Com o meu posicionamento ele automaticamente recua (e se a pessoa for embrutecida demais – não acredito ser o meu caso aqui, estou apenas ampliando o campo de visão – significa que não é compatível conosco e é aqui que nos afastamos dela, para nossa saúde e para que ela interaja com pessoas afins e consiga, ao falarem a mesma linguagem, crescer em suas “brutalidades”. Relacionamentos difíceis que eu posso me esforçar e melhorar em vez de querer facilidades de desistir é uma coisa; pessoas que nos desequilibram e violentam o corpo ou a alma – violência não é só física, mas também emocional! – não estão aptas a conviver conosco, temos o DEVER de nos afastar! Com isso, além do nosso equilibrio – que ninguém tem o direito de tirar! –  permitir que atraiam para si pessoas afins, com o mesmo grau de sentimentos, para que possa haver comunicação e elas também aprendam) e eu movimento energias interiores de autoamor.

Quando o ponto de partida com tudo em equilíbrio é a autopromoção, o enaltecimento de qualidades, o falar do “eu”, “eu”, “eu” e só fazer isso, aí sim, temos egoísmo, vaidade. Entretanto, quando nossa autoestima é “lesada” por algo, nossa autoimagem está deficitária. Precisamos voltar a “equilibrar a balança”, construir ou reconstruir o que foi destruído, e fazer isso é um gesto de autoamor. O único cuidado é não “viciar” no gesto, acabar fazendo em excesso e o inicialmente “enaltecimento pessoal saudável” transformar-se em vaidade e egoísmo ou egocentrismo. Como dizem, e eu também já escrevi: a diferença entre o veneno e o remédio é a dose!

Sendo assim, uma vez que eu tenha feito um gesto altruísta mas tenha sido “mal interpretada”, recuar não seria, a priori, desistir (como eu tanto pensei): é apenas consertar danos internos. Assim, com a ajuda do Ego, fico em equilíbrio e consigo novamente acessar meu Self, encontrando o amor – ainda que eu precise deixá-lo dentro de mim ou agir de forma indireta, sem “distorcê-lo” ao entregar para quem não o compreende.

Cansei de sofrer! E o que direi aqui não será feito com o intuito de ofendê-lo. Depois de todo este mecanismo, consegui voltar a fazer contato com o meu Self e amar, voltar a sentir e a visualizar aquele rosto sereno, brando, o olhar puro, cristalino. Diferente do obtuso que tenho visto ultimamente, fora toda a atitude que só o comprova. E tudo, tudo o que eu mais quero é voltar a ficar, também na prática, em paz com ele. Que o que temos em essência um pelo outro possa naturalmente voltar a fluir. Ainda que seja apenas a “amizade e carinho” que tenha pouca oportunidade de ser vivida. Mas volte…

Faço por mim: seguindo ainda a lista dos “cansei”, cansei de explicar que eu não tenho uma imagem ilusória a seu respeito, apenas lembro-me de virtudes que eu mesma já vi de fato no passado e sinto outras em latência. Isso é acreditar nele, não inventar um homem que não existe. Assim como amigos me viram na época da revolta e disseram: “volte a ser a Camila que eu conheço”. Porque podemos ser guiados por lados menos elevados de nós mesmos, e se eu ainda o vejo com bons olhos não é por cegueira minha, mas por acreditar na volta à visão por parte dele.

Sendo assim, com o intuito de “equilibrar” a balança, ao ter forças somente agora para fazer, sem atacar, em defesa à Camila que foi tão machucada, quanto ao fato dele estar com ela, e não comigo, sou obrigada a dizer dois ditados. O primeiro, “Tem louco para tudo”! Risos. Finalmente consegui ver – e sentir! – quem é que realmente perde nesta história toda…

Durante todo este tempo, sofria tanto pela grande dor de ter o coração partido e o homem amado envolvido por outra mulher, quanto pelos detalhes: eles comem pizza juntos, viajam juntos, conversam, perguntam, descobrem o outro; foi ela que ele apresentou aos filhos como namorada, foi com ela que eles interagiram, foi com ela com quem ele passou pelo doloroso processo pós divórcio, é com ela que ele vai a festas juninas, é para ela que ele se arruma, é ela que o vê chegando em casa com roupa social, vindo do trabalho, é o maldito (desculpe, lapso de raiva!) celular dela que toca e que tem a voz dele do outro lado, é com ela que ele vai tomar caldo no inverno, com quem fica abraçadinho, etc. Sem contar, para não pirar, no toque, no carinho, no sexo. Sexo. Estou certa de que estão longe de fazer amor… Mas interagem, e eu, não!

A lista era menor, quase mudei a sintonia… Foco! Voltando! Enfim, todos estes objetos de lamentação não passam do apego ao que é externo. O objeto do momento é o “caldo” e a festa junina. Lamento o caldo que eles (supostamente) tomam juntos com a mesma dor de como se estivesse perdendo o caldo que ele e eu tomaríamos… Que ilusão! O “x” da questão não é a coisa em si, o gesto mecânico “tomar caldo”, mas no que isso estimula em nós. No caso, nele. E ele está tomando o tal caldo com ela, não comigo! Não é a mesma coisa! Mesmo os extremos “fazer todas as posições do Kama Sutra” ou “jogar um helicóptero de pétalas de rosa usando terno (e um olhar carinhoso – mas sincero, para a pessoa, não por estar querendo exercitar a afetividade em si, o que é igual por fora, mas diferente, dentro!) que eles insistam em fazer juntos, não chegam aos pés do bate-papo descontraído e só para passar o tempo que ele poderia ter COMIGO na fila do banco para pagar o IPVA – na hora do almoço! 😀

Mesmo com meus defeitos, em essência, o que eu quis foi AMAR alguém. Quem me conhece e vê o quanto eu sofro com isso, ao querer me ver bem, recorda outras qualidades minhas e mesmo nesta área, o quando eu tenho a oferecer para um homem. Quem está perdendo, afinal? Eu cansei de sofrer, de ser rebaixada. Reergo-me e coloco-me onde eu deveria estar: com a autoesitma saudável. Com o cuidado para não me tornar arrogante, claro. É uma linha tênue que separa os dois lados…

Num primeiro momento, porém, dizer e assumir tudo isso é necessário e me faz bem! É ele que eu quero, disso, não há dúvidas. É com pesar, mas, ao mesmo tempo, serenidade, que faço a afirmação “ele não merece”. Enquanto pensar, sentir e agir desta forma, o máximo que ele vai sintonizar, que vai ser-lhe afim, será alguém como ela, alguém que ofereça apenas o que ela oferece. A escolha é dele. Não mais sofrerei por ela, tendo eu feito a de diferente natureza. E aqui vem o segundo ditado, o expurgo final para que possamos voltar a elevar a alma: “O pior cego é aquele que não quer enxergar”.

Este momento do voo, eu não sabia, mas precisava ser apenas para mim. Recuperou meu lado bom. Assim, consegui voltar a atenção para meu Ser. Não apenas voltar a ver a vida de dentro e buscar o que posso aprender com isso, administrar essas emoções, este sofrimento, mas resgatar as outras áreas de atuação que uma alma tem, que haviam sido esquecidas devido à “escravidão” da dor, da, aos meus olhos, injustiça. O foco pára (sei que de acordo com a Nova Ortografia, este verbo perdeu o acento, mas fica difícil diferenciar! Posso escrever assim até o final do ano! :P) de ser o fato em si, para voltar a ser EU. Diante de tudo isso, estes fatos são as experiências dele. O desafio de sobreviver a isso, o modo como farei, as infinitas possibilidades de ações diante disso – e o aprendizado obtido – , são as minhas. Não mais eu sendo consumida pelos fatos realmente alucinantes. Não que pensamentos desesperadores não me rondem, quase me levando de volta. Mas aprendo a controlar ainda mais minha mente. Não que não cause mais dor, mas fico como que anestesiada, ao focar em mim, em todo o resto. Claro, estou aprendendo a lidar com a situação agora. Preciso sedimentar esta lição em mim, antes de poder avançar. Se algum fato novo acontecer, possivelmente sairei desta boa sintonia novamente. Que Deus me ajude!

Voltando a falar do hoje, prosseguindo nestas reflexões, se tenho fé, preciso deixar as tramas da vida nas mãos de Deus, não mais querer fazer tudo para garantir algo. Aquela aceitação, tão difícil de ter. Abri mão, desapeguei-me, desliguei-me da história, algo que sempre me angustiou (mas o que, no fundo, eu sempre soube que precisaria fazer e hoje, ao ler textos passados, percebo este padrão, esta necessidade não satisfeita, e reconheço que a vida só me deu este choque para me obrigar a exercitar isso, a fim de poder estar de fato pronta para a próxima fase). Deixei-a parada, nas mãos de Deus. Tirei o time de campo! Paradoxalmente, é provavelmente neste estado de alma mais livre, solto, leve, que, se for para acontecer um dia, acontecerá. Faz tempo, muito tempo, desde quando usei a ansiedade pela primeira vez, que querer segurar, garantir a história, parou de ser luta pura, e misturou-se com falta de fé em Deus. Agora, voltei a me encontrar, me admirar. E, assim, em paz, encontrar o melhor de mim. Nesta “pasta”, está este sentimento tão nobre…

Eu achei que fosse enviar meu amor lá do alto. Mas não deu tempo de lembrar… Irônico, porque era exatamente por ele que eu estava ali… E aí, eu compreendi…

O balão é uma estrutura aparentemente frágil: uma cesta de vime impulsionada ao ar por gases e fogo. Mistura perigosa! Seguro mesmo parece ser voar numa caixa metálica com instrumentos capazes de vencer maiores adversidades.

Mas a segurança que eles nos passam, por serem maiores e nos fecharem, nos tirarem do contato com o todo, faz com que precisemos estar em altíssima velocidade – muito agitado! –  para conseguir sair do chão e gerem expectativa na hora de subir.

No balão, a partida é tão suave que te encanta, e no mesmo instante esta sensação vai contagiando, fazendo com que você esqueça do quão sensível é esta estrutura e apenas aproveite a gradativa subida. E, por estar em contato direto com o ar, com tudo o que se passa à sua volta, com a visão que vai paulatinamente aumentando, englobando cada vez mais coisas – copas das árvores, casas próximas, carros que chegarão em breve, prédios mais altos, morros que abraçam a cidade, montanhas que protegem os morros, até que vislumbra-se o céu… – vai envolvendo e nem se lembra direito de onde estava. É outro universo, dentro do mundo…

As nuvens que parecem desenhos e, ainda que não seja possível tocar, fica nítido o quanto estão ali, em contraste com o azul do céu, circundando-nos por todos os lados, até que vemos o sol. O horizonte. Para qualquer ângulo que se olhe, apenas a imensidão… Lembra-se de olhar lá para baixo e tudo fica tão pequeno, distante… Flutuar é tão bom que faz o medo de cair não mais existir… 

Sem que eu percebesse, naturalmente, sorri. Minha alma reavivou. Lembrei de mim, de tudo de bom que eu posso viver, além desta dor. Porque de lá, vista do alto, até a impossibilidade de viver este amor ficou pequena.

A descida não era ruim. É suave, tranqüila. O que era pequeno vai, gradativamente, aumentando, o céu ficando cada vez mais distante e quase não se sabe se ainda estamos voando ou se já tocamos o chão. Até que, ao tocar, ele quica algumas vezes, novamente subindo, descendo, subindo, descendo e assim, sucessivamente, antes de finalmente conseguir aterrissar.

Para sair, já não mais o problema com o vestido ao entrar. Consegui realizar com mais destreza o que, ao planejar, não consegui executar bem na ida: colocar um pé no buraco quadrado do cesto e, em vez de passar a perna como fazemos ao montar a cavalo, sentar na borda do mesmo e jogar as pernas, fechadas, para fora. Êxito! Durante a experiência, algo foi aprendido.

Quando voltei, perguntaram-me se eu sentira medo. Eu respondi que não. Apesar de um lado ainda dolorido ter me feito pensar “medo eu tive foi ao voltar para a Terra! Enfrentar a subida e a lei da gravidade não é nada perto do que preciso viver”, eu estava, alegre, empolgada, destemida… feliz como uma criança!

Descia alguém que chegara voando do alto. Como tantas vezes desci do meu estado mais sublime, na necessidade de viver outras facetas da vida. Mas trazendo comigo vivência de quem estava acima.

Fui pega de surpresa no modo como tudo começou, sutilmente, dentro de mim. Mas um dia eu também ganhei de presente da vida uma visita ao céu. Assim como os que comentavam ao meu lado, também assustei-me com a mistura simples de um cesto de vime, sem portas para entrar, devido a um casamento, e a explosão que poderia resultar na dosagem errada do fogo da informação com o gás do meu sentimento, entregues às forças do tempo.

Mas eu sempre achei possível visitar o céu. Aceitei voar. A subida suave, fazendo com que eu me sentisse conectada a tudo ao meu redor e fosse contagiada pela beleza do que era distante tornar-se tão próximo, convenceu-me por completo. Flutuar é tão bom que faz o medo de cair não mais existir! Deixei-me ir. E, conforme a visão foi ampliando, ver o que ficou embaixo tornou-se tão pequeno e via a vida com tanta perspectiva, que o céu tornou-se o estado real. Há muito mais além!

Sem que eu percebesse, o sorriso naturalmente surgia. Depois do fato, eu notava. E perdurava por dias, semanas, meses… Bastava olhar em seus olhos, tê-lo por perto. Para onde quer que se olhasse, o limite era a linha do horizonte. Vislumbrava-se o infinito.

Não que, devido ao dinamismo e à diversidade da vida, quando o pouso fazia-se necessário, o cesto não quicasse e o sobe e desce não fosse brusco e cansativo, se comparado com todo o resto. Mas a profundidade da experiência permitia ter-se novamente a vontade de voltar. E, quando o que era pequeno voltava a ficar grande, não se afligia com a aparente distância das nuvens, pois era tão sutil a volta que mal sabia se já tinha tocado o chão, a sensação ainda era de voar. A visão era outra, pois descia quem havia vindo das alturas.

Assim como no vídeo, anos atrás eu também exclamei: “Nossa, olha onde é que eu estou”, maravilhada. Verdadeiramente feliz, como uma criança… Feliz como uma criança, porque elas não sabem de quase nada a respeito da rudeza da vida, por isso atingem este estado de alma, ou porque ainda são fiéis à espontaneidade, à sinceridade, a simplesmente ser quem são, e ser como elas, ao acreditar no amor, é encontrar nossa verdadeira essência, perdida nas lutas pequenas do dia a dia, que se tornam grandes apenas porque são vistas do chão?

Ainda que a roupa preparada com esmero para a ocasião tenha sido equivocada… Poderia não ser uma calça jeans, mas usar o vestido que eu trazia, no final das contas, não impediu o balão de flutuar! E, ainda que não haja porta no cesto ou cordas prendam o curto e rápido passeio: pelo simples fato das coisas não serem exatamente como se imaginou, exclui o fato de mesmo assim, ter-se encontrado o céu?

Não acreditem cegamente em mim, apenas analisem… O que move o ser humano é a vontade. Circunstâncias são desculpas. Quem quer ser feliz de verdade supera obstáculos, volta atrás, começa tudo novo, vence a opinião alheia, reconhece erros, transforma preconceitos, perdoa, pede perdão, aceita virtudes, mata um leão por dia – fora, mas principalmente, dentro, educando a voz da dúvida ou do desmerecimento a si mesmo – e enfrenta o mundo inteiro, se necessário for, para seguir a bússola interior. Quantos de nós, por olhar apenas o que poderia dar errado, ou pelo medo refratário de voar, não desperdiçamos a abençoada oportunidade e inefável experiência de buscar o céu e flutuar?

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Balão – Aparando Arestas

Bom dia, pessoal!

Preciso fazer uma retificação… O horário divulgado no último post acabou de mudar…

Eu já esperei tudo o que podia. Não preciso, simbolicamente, esperar ainda mais. Já cheguei até aqui, o que mais alguém poderia querer?

Os dias estão acabando mais cedo. Eu consegui sozinha, sem o apoio ou a presença dele em minha vida, então, este é meu passeio, que eu tenho ou não a opção de dividir com ele. No quesito “dividir com ele”, já esperei, já fiz. Seguir meu caminho não é deixar de amar! Mas no quesito “viver minha vida”, esperar a possibilidade dele ir, é estragar de fato o meu momento. Não quero ir no final da tarde, quero fazer o passeio com sol!

O que não quer dizer que eu parei de acreditar. Continuo tendo esperança! Mas chega de fazer tudo sozinha. Se ele QUISER, estará lá às 14h30. E, como estou de carona, se atrasar, ele que espere! Não sou eu quem precisa esperar até às 16h!

Coloquei no Facebook hoje cedo um link do Paulo Coelho: “seja realista” e depois, uma foto de uma casa flutuando com balões (!) e a frase: “Seja realista, acredite que tudo é possível!”. Concordo plenamente, mas para isso, não deve depender só de mim. Eu não posso mais atrbuir aos meus ombros esta carga!

Enquanto eu agir assim, não estarei pronta para ninguém. Nenhum de nós estará…

Pronto, agora vou parar de chorar e conseguir aproveitar, pois coloquei as coisas em seu devido lugar!

Preciso ir, vou me preparar e curtir este momento! 😀

Link Twitter Paulo Coelho: https://twitter.com/paulocoelho/status/213957666303782913/photo/1 

Fonte da imagem: ver post anterior