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Casal praia blog

Este texto foi escrito no dia 25 de dezembro e era para se chamar “Futuro do Pretérito”. Entretanto, achei que o escolhido, apesar de mais simples, apresenta um trocadilho, útil de diferentes formas, a ambas as partes.

É uma carta e foi inspirada em uma pessoa e em um sentimento, mas não tem endereço único: dirigida a todos que gostam de textos humanos, que perderam um amor porque a outra parte escolheu o caminho mais fácil, mais comum, ou àqueles que busquem palavras de amor e de perdão. Ao final, na íntegra, os poemas citados.

Antes, uma citação relacionada ao tema, mas não necessariamente endereçada “a ele”. A ideia serve, mas o conteúdo específico, não.

“Se tivéssemos a coragem de aceitar como nosso o que já somos agora somado ao que podemos nos tornar no futuro, ao invés de nos enxergarmos como o que ainda somos e de onde viemos, almas não se desconstruiriam e se perderiam buscando sexo pelo sexo em nome de uma transitória realidade. Sexo desregrado e coletivo nada mais é do que um grito de dor, talvez ainda não consciente, de um indivíduo implorando para ser amado. Quem já sofre de solidão está séculos a frente. O dia em que as almas no mundo respeitarem sua essência de Deus e ousarem ou experimentarem com a mesma intrepidez e desprendimento as verdades do Ser, como força, paciência, amor e fé, abandonando o egoismo de querer conhecer todos para si, serão tão felizes nas novidades e desafios das profundezas de um que, através da plenitude pessoal, unir-se-ão a muito mais almas, pelos laços do amor fraternal”

Camila Pigato, 19/01/2016

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Verde e azul. Vermelho e amarelo. Aconteceu: cá estou eu, à beira da árvore de Natal, pensando. Sentindo…

Reconhecendo que ainda dói, física e energeticamente, o coração, ao ver a foto do nosso casamento – mas você com ela.

Já faz um bom tempo que eu parei de berrar; algum que eu deixei de querer morrer; e momentos, praticamente, que começo a fazer as pazes com a fé que eu perdi ao ver tudo acontecer. Mesmo assim, repito tudo o que solucei, escrevi, gritei, falei, chorei, argumentei. Morri: não era para você não estar aqui.

Esta imagem é um impacto muito forte a tudo o que eu sinto. E sou.

Hoje eu estou quase em paz. Faz tempo que ensaio voltar a ser eu. É a primeira vez, nestes três anos, que eu sinto vontade, sincera, de viver o Natal – não porque eu deveria sentir e me pergunto o quão perdida estou porque não sinto. É a primeira vez, que, quando as férias me permitem, eu encontro forças internas, sendo capaz de deixar minha casa perfeitamente limpa, em ordem, com a energia fluindo e que, assim, tudo parece simples e possível outra vez. É a primeira vez que tenho lembranças sólidas como se ainda fossem agora, e não de um tempo que já passou e virou uma época maravilhosa em contraste com o pesadelo de agora; lembranças da “eu” que eu era quando vivi o que se mostrava ser, até então, o cumprimento do meu planejamento reencarnatório, os planos de Deus, para mim. Da minha “eu” mais feliz, plena, em paz e serena.

E, apesar desta mudança tão bem-vinda, dói. Da mesma forma que senti um arrepio na alma, depois no corpo, quando te vi pela primeira vez, de costas para mim, sinto agora uma massa dolorida na região do coração, antes que ele mesmo doa.

O que você fez com o que éramos para ser exatamente agora?

Eu fui ansiosa e duvidei, o que o pressionou, o assustou? Sim! Contudo, minha angústia era deixar de acreditar, não deixar de me sentir bem. Eu nunca desisti do amor, mesmo quando esta busca me machucou, exigiu sacrifícios e me fez “perder” para o “agora” e o tangível. Em você, incomodou e você acabou, depois de muitas fugas, fugindo para casar em *******, justamente para onde eu havia ido anos antes, sozinha, cheia de dúvidas, para me reconectar internamente com você. Para não desistir…

Onde estará a árvore de Natal para a qual você olha agora? Será que olha? Ou apenas cumpre um protocolo? Não necessariamente para os outros, mas para a pior pessoa a quem se pode fingir: para si.

Este é o primeiro Natal que eu vivo o Natal, por mais que tenha perdido um tio (pois isso, sim, é a vontade de Deus: dar e levar a vida e, indo, ele foi poupado de muito sofrimento, além de, de meu lado, ter tido o conforto de toda família, o que ameniza as coisas), e não tenha tido momentos isolados que se perdiam na dolorosa teia de fundo onde eu sempre acabava presa. Se hoje há espaço para que eu escreva este texto não é mais porque vou me arrastando em outras áreas da vida para poder lidar com o que de fato demanda a atenção e sorve as energias da minha alma, para o “que realmente importa” – você -, mas porque graças à sua escolha facilitada há um buraco em minha existência  permitindo que eu sinta o erro da sua ausência. Hoje fui feliz como amiga, sobrinha, prima, filha, cunhada, neta, irmã, tia… Continuarei feliz boa parte do tempo nestas áreas (a vida tem seus altos e baixos), voltarei a ser feliz como profissional e ainda hei de ter liberdade e segurança que, para quem está encarnado aqui nesta prisão louca, se chama “dinheiro”, mas nada disso me faz ou fará uma mulher feliz. E, como filha de Deus, terei que sugá-lo e depender única e exclusivamente Dele se quiser ter fé, pois este erro grosseiro de jornada me fez perdê-la.

O que me fez abraçá-lo novamente com amor e aceitação na última vez que nos vimos, a despeito da rivalidade natural entre uma mulher rejeitada e a atual – principalmente se aquela tem a certeza de que esta é a figurante, no máximo, coadjuvante que, por um erro da vida, assumiu o papel de protagonista -, foi ver a sua esposa tossindo e eu apenas perceber, sem pensar, que minha vontade natural era fechar a janela para cortar a corrente de vento, porque ela era sua (vale reforçar que não uso pronomes possessivos necessariamente para indicar posse, o que tanto te arrepia, mas também relação). Ou seja, algo relacionado a você – mesmo que uma mulher… (Aquela primeira, a biscate, com e por quem gritei, não conta, pois tanto eu estava tão em choque e dor a ponto de ter praticamente qualquer atitude esdrúxula desculpada por ter sido mesmo o meu melhor, quanto ela era baixa e pequena a ponto de fazer até Jesus perder a calma; porém, esta e a anterior têm o meu respeito). Naquele dia eu conversei com ela não para “te ameaçar”, chegando perto demais, ou saber sobre você, mas porque eu queria me testar, e passei: deixei-o ir.

Meses depois, apesar do que parecia ter sido o ponto final-final, a súbita vontade de ver você, que vai e volta como as cores na minha árvore de Natal, ressurgiu, e as redes sociais às vezes fornecem o mínimo necessário que precisamos saber. Que golpe… eu vi a foto do meu casamento, certamente na mesma linha do tempo, mas não apenas isso: o mesmo tipo de cerimônia, a mesma paisagem, o noivo… só que sem mim! (Com um buquê que, confesso, não seria o meu…Rs…). E doeu mais do que eu achei que doeria a esta altura; mais do que eu gostaria de admitir.

Ah, se você soubesse o quanto eu amadureci! O quanto eu aprendi a valorizar os outros tipos de amor, não apenas este “cinematográfico e maioral”, quando eu, de tão certa do que queria e determinada, passava, no exagero, a ser inflexível; o quanto eu tentei, as coisas encantadoramente lindas que senti, o quanto me entreguei. Eu voltei a ver beleza no amor, apesar de entender que era para ter sido você, mas que teria que recomeçar a partir daí. Eu aceitei, já que não pelo amor em si, mas pela vida e por mim, me amar e ser feliz, abrir mão de tudo o que era para ser, de tudo pelo quê lutei. Como eu quis este recomeço! E como doeu não ter dado certo ainda assim… Não apenas pelo novo sofrimento, mas porque este novo vazio fazia esta nossa dor ficar ainda maior. Todavia, juro que quis prosseguir. Pelo visto, por um motivo ou por outro, não era para ser. Eu aceitei amar de verdade e com o meu melhor, apenas de outra forma, mas foi a própria vida que não quis. Portanto, pela primeira vez nestes três anos, me admito aqui. Não preciso mais fugir da dor para sobreviver. Eu já sobrevivi! E finalmente deixei que ela viesse. Eu, pela primeira vez no controle em sua companhia, a vivi.

Pergunto-me se “ler a sua alma” naquela época e falar tão naturalmente dos seus pontos nevrálgicos (assim como eu procuro fazer ao admitir os meus) não o tenha magoado mais do que eu possa imaginar, e pergunto-me se fazê-lo novamente não seria repetir um erro e afastá-lo ainda mais de mim. Por outro lado, apesar de tudo o que fiz para impedir, você está tão fora da minha vida que eu não me vejo nem no direito de te enviar o que vivo, não sei nem se você vai tomar conhecimento destas palavras, e este texto passa mais a ter um valor literário para explicar algo meu, um sentimento pessoal com o qual outros seres humanos possam se identificar e que seja útil para salvar outras histórias, que algo que faça parte da minha. As coisas ficaram tão fora do lugar que parece que isso não existe mais, que eu não tenho mais nada a temer. Nem a figurante fui rebaixada, eu simplesmente fui expulsa de cena na história que eu mesma escrevi. Sendo assim, talvez seja oportuno desabafar: sabe, casar outra vez com sua ex-esposa na forma de outra mulher não vai amenizar a mágoa que você possa ter causado no passado ou resgatar o que acabou antes do que você certamente previa (como sabemos, separações não são apenas fraquezas, mas fazem também parte da dinâmica dos relacionamentos, da realidade da alma; nós é que, quando desenvolvemos o caráter e queremos passar a respeitar a lei da vida, quando milenarmente inexperientes, somos rígidos para julgar as coisas e rotulamos tudo, no medo inconsciente de cair em erro novamente – “casar é nobre, separar é pecado”. E, assim, muitos erros são iniciados ou antigos acertos irremediavelmente danificados são mantidos, enquanto verdadeiros amores já prontos para serem vividos, eternamente na fila de espera quando tinham prioridade, nunca são formados). Muito pelo contrário: um dia a mesma situação chegará ao mesmo ponto e você terá que romper outra vez, ou se violentar. Não entrarei em detalhes aqui, mas ela ocupa o mesmo lugar dentro de você, lugar este muito mais guiado pelos caprichos do ego que pelas fibras de amor, paciência, coragem e fé. É sua zona de conforto que impera, não sua potencialidade. E lá venho eu novamente falar do seu semblante, que não mente. Desde mim, eu nunca mais o vi daquele jeito… Se você não tivesse capacidade de mais, eu estaria sendo egoísta, arrogante e orgulhosa ao te pedir algo que te agredisse as condições máximas atuais da alma; entretanto, por voltar a seguir a minha intuição e ter visto em seus olhos o que eu preciso para saber que você pode muito mais e que fazer de novo o que já foi feito é desperdício de tempo, de energia e vitalidade – é estacionar -, continuo batendo na tecla do que poderia ser.

Ela é igual onde há um vício na sua alma, um padrão de comportamento já conhecido, daí a falsa noção de afinidade – não similar em sua essência. Embora você tenha uma doçura e emotividade nitidamente em desenvolvimento (e esta foi uma das características básicas que tanto me encantou em você!), seu lado prático, reto, objetivo, de homem, militar, ainda fala muito alto. Eu também fui me descobrindo muito assim, mas em mim, é o inverso não em essência, e sim em proporção: o que se destaca é a emotividade. Além do diferencial de um amor bem mais real, eu te daria a espontaneidade e uma sensibilidade mais aflorada, o que em um primeiro momento iria desafiar, mas somar, porque você já está aberto para isso; enquanto por dentro, não apenas na objetividade, mas em valores essenciais da vida, já somos muito parecidos – identificação mínima necessária, a longo prazo, para confortar. E manter…

Ambos estamos sozinhos. A única diferença é que você está acompanhado.

Você precisa de uma mulher que te admire, te respeite, te ame e seja sua companheira e que se descabele se você for embora por motivos vãos; que se desespere ao não tê-lo consigo não apenas pela própria infelicidade, mas por doer no coração a noção de que você se prive da felicidade que, merecidamente, está guardada para você; porém, uma vez juntos, que não tenha medo de perdê-lo se você for teimoso, orgulhoso ou imaturo, maltratá-la ou ao amor e fizer por merecer.

Eu lutei solitária e como louca (aliás, passei por quase louca e certamente passaria/passarei se/quando souberem o que eu ainda sinto. No entanto, eu sinto. Que fazer?) não apenas pela minha história, mas por uma ideologia, coloquei outdoor e subi num balão para, a olhos nus e em poucos anos, nada em troca ter recebido (muito pelo contrário, virei uma verdadeira “loser” diante dos baixos valores vigentes, pois em meses perdi você, meu pai, meu dinheiro e meu carro, sem ter alguém para conversar “de homem para homem”, por mais que sua falha tenha sido no âmbito emocional e não físico; não podendo nem sair para distrair a cabeça de uma dor que me dilacerava a alma, sem poder pagar um curso ou uma viagem, conhecer gente nova, me divertir, nem sair para tomar um café, a pé, enfim, fazer algo bom por mim em outro setor da vida a fim de amenizar a dor de te perder), enquanto você seguiu em frente, várias vezes, “bombou”, e hoje está casado. Já eu, seguindo este parâmetro limitado, apesar de pequenas melhoras neste quadro, “fiquei para tia”. (Embora, como tal, eu esteja no céu!).

Entretanto, eu sou livre para sentir sua ausência; sou livre para lidar com esta infelicidade, enquanto você está anos atrás, ainda no começo de uma história que, desculpe, de verdade (não tem mais raiva ou arrogância aqui, apenas uma triste constatação de fatos), mas, fatalmente, irá falhar, para que o estrondo lhe faça redimensionar os fatos. E tudo…

Você não apenas me rejeitou, como me desprezou e me humilhou para, anos depois, sem nunca se desculpar nem mesmo como ser humano, quiçá como homem, casar o nosso casamento com outra pessoa. Era inconcebível a ideia de te perdoar… “Over and over” a ideia de você me procurar e admitir que errou passa pela mente, não apenas como um desejo, mas como uma premonição ou, no mínimo, uma possibilidade. Você estragou tudo, foi longe demais com o “ninguém é perfeito”, “às vezes nos afastamos da vontade de Deus” ou “ops, sorry, cometi um erro”. Se isso realmente acontecesse, eu ficaria muito triste por, então, viver esta história mais como por ser algo a ser cumprido ou à natureza da lei de Deus, que não nos deixa opção a não ser o perdão e o amor, se quisermos ficar bem; mas nunca mais, pelo menos nesta vida, haveria a empolgação, a magia, a beleza de quando algo acontece espontaneamente… Precisaríamos construir pedra a pedra o que já estava pronto e não sobre um terreno plano, mas sobre escombros. E lidar com intrusos no que estava protegido. Perdemos o encanto do começo e do reconhecimento, do plano divino se sobrepondo ao material; temos agora uma grande bagunça, muita influência das imperfeições do Homem, reflexão, responsabilidade e trabalho para poder chegar somente à primeira conversa – que dirá de todo o resto. Não me refiro a ilusionismos românticos, pois apesar de ter chegado realmente perto de deixar de ser essencialmente romântica e acreditar no amor, o que sou eu (e foi isso, não ter tão pouca autoestima a ponto de quase morrer por causa de um homem, que me matou por dentro), eu, com esta dose exagerada de “realismo”, aparei muitas arestas e perdi muitas ilusões. Refiro-me à diferença entre algo divino acontecer no tempo e jeito certo ou o homem interferir com suas limitações, orgulho, falta de fé e, mesmo que temporariamente, destruir e danificar o que ele mesmo havia construído com seu lado bom, que Deus havia enviado e estava pronto e puro. Depois de tudo o que ocorreu, eu viveria isso mais pela constatação de que mesmo com o erro do homem há a possibilidade de conserto, graças à força do amor; haveria a humildade diante da vontade de Deus, da qual eu obrigatoriamente retiraria bons fluidos e bons sentimentos, mas seria uma história que não conseguiria mais ser tão bonita porque passou a ser um remendo, uma adaptação cheia de falhas da sólida estrutura original: em segundo plano ficou tudo pelo quê lutei a vida inteira, antes mesmo de o (re) conhecer.

Que diferença faria para você passar por todo o processo comigo, se já viveu isso tantas vezes? Você responderia: “o amor”.  E, por mais que eu quisesse que desse certo, depois de tantos “nãos”, tantas certezas e fés transformadas em ilusão de uma boba imatura e, consequentemente, da minha autoestima tenha ido ao chão, seria obrigada a questionar: “Mas, por Deus, se há amor, COMO foi possível haver outras pessoas depois de mim?”.  Apesar de “o Bem sempre vencer o Mal”, de todo o orgulho não ser mais do que uma gota no oceano do amor, não seria tão simples assim… O que fazer por uma alma que era “limpa” e agora está toda remendada com o cansaço e com a dor (quem sabe, em breve, pela corrupção), e não é mais a mesma para deixar este sentimento fluir? Sabe aquela história da tábua e os pregos, relatando que podemos até tirar os pregos da tábua, mas ainda restarão marcas? Melhor tirar, claro, que deixar a tábua toda martelada, contudo, bom mesmo seria nunca terem martelado onde não era devido… Eu fiz a minha parte, eu “protegi a tábua”, lixei, passei lustra móveis (rs), eu nunca toquei em um martelo e, ainda assim, por causa de uma pessoa que não teve o mesmo cuidado, eu acabei com a minha tábua toda pregada. Que bom que “Deus enviou” alguém para tirar os pregos, mas, já que ele é Deus, onipotente e pode decidir como, onde e quando, eu preferiria que Ele me tivesse protegido das marteladas, para fazer valer a própria lei, que eu, by the way, defendia; não me feito pagar pelo erro de outra(s) pessoa(s), principalmente quando, justamente neste assunto específico, eu tive as minhas precauções, para somente depois do estrago feito Deus ser Deus e “lembrar que existe”. (E esta é a minha queixa real – Deus – pois você e eu somos apenas criaturas; estranho seria nós sermos perfeitos e Ele ter falhas). Apesar de tudo o que eu sei e, no fundo, ter consciência de que estou errada – mas é assim que sinto – complicado este conceito de justiça…

Para dar certo, deveria ser possível voltar no tempo. Queria apagar estes tormentosos três anos e todos mais que ainda forem longe deste amor, longe de você. Gostaria que fizessem uma lavagem cerebral a colocassem a história original neste espaço em branco. Ainda assim, não adiantaria, pois seriam informações, não experiências, sentimentos. A época, a atmosfera, o contexto, além do amor em si e da minha “tábua sem pregos”, faziam parte da “magia”. No caminho, havia uma bifurcação para o “céu” e para o “inferno”. Hoje, até o caminho do bem tem um quê de dor, de tristeza. Ambas as opções não são boas.

Ah, meu Deus, eu demorei tanto para entender que eu merecia, eu tive coragem de ir atrás… eu só queria ter sido feliz!

Fico aqui, me perguntando, se, apesar de conhecer este mecanismo, você vai ser uma daquelas pessoas que vão se contentar com o superficial e viver uma vida de fora até que os últimos instantes venham e, somente com a chegada da “morte”, você se aproxime da consciência da verdadeira realidade e faça alguma confissão, deixando um recado quase póstumo – ou pior, que precise “ver para crer” e só tome consciência disso quando já estiver imerso no outro plano e lhe “passem um filme” -, ou se vai acordar durante o caminho. Eu já devo ter sido assim, por isso, nesta vida, num momento decisivo, coloquei tudo num outdoor, para que fosse um fato consumado, a tempo de ser vivido – não lamentado ou refletido.

Meu Deus, isto não é um filme, um texto ou apenas uma música bonita;  isto não é Hollywood, não é ficção, é a minha vida!!! Como pode a maior certeza de Deus na minha existência ter se transformado na maior mentira?

Eu definitivamente não sou apenas aquela que não gostou de ser contrariada, assim como você não é somente o homem que negou o amor. Será que ainda há oportunidade para ambos entendermos isso?

Há uma gigantesca chance, no entanto, de você não estar nem minimamente interessado. Estou, como meu poema diz, “Sozinha na Chuva”. Como pode, “Mensageiro de Deus”, ao invés de ter a “Sua Presença” (já que sua história original de fato acabou e você tenha ficado livre), eu velar a “Sua Ausência”, não por uma causa justa, ou quando era necessário e parte dos planos divinos – o que era difícil, porém, sublime -, mas para você, teimosa e desnecessariamente, “Mentir-se Feliz”?

******

Imagem: google

Poemas – Observações

1 – Serão publicados na ordem cronológica, não de citação;

2 – Desde quando compus que não lia o “Mentir-se Feliz”. Percebo que o conteúdo é muito parecido, embora naquela época houvesse mais mágoa e revolta;

3 – Neste mesmo poema, há uma estrofe sobre suor e dinheiro. Esta única estrofe é destinada ao meu pai, não ao meu amor. Este poema nasceu da sensação de abandono, de escolha por um caminho mundano, negando o divino, e meu pai fez a mesma coisa, apenas por outros motivos.

Sua Presença

Quando não está por perto

Percebo o quanto sou feliz

Quando o tenho ao redor

Sua presença é tão marcante

Que me faz bem

Mesmo quando está longe

Hoje, porém, quero apenas

Enaltecer a sua existência.

 

Tê-lo no mesmo cômodo que eu

Poder vê-lo somente pelos lados

E mesmo que sejam

Apenas pernas e sapatos

Mas saber que estamos próximos

Provavelmente juntos no coração

Gera em mim inenarrável alegria.

 

Seguro-me para não demonstrar

Este sentimento

E tento agir com naturalidade

Às vezes, tratando-o

Com excesso de normalidade

pelo receio que notem

não só a natureza

mas também o tamanho

e a força do meu amor

Colocando nós dois em situação indesejada,

E este sentimento de sublime

Possa momentaneamente causar tormento

 

Ouvi seu suspiro

E imaginei como seria

Poder senti-lo mais de perto,

Numa situação do dia a dia

E, neste sonho,

Como seria poder olhá-lo

Mesmo sem que percebesse

Admirá-lo e agradecer a Deus

Por colocar a luz da sua presença

Na rotina da minha realidade.

 

Sei que se eu pudesse tê-lo desde o começo

Saberia dar valor ao que temos

Pois antes de você

Muitos anos se passaram

E eu soube que quando te encontrei

A minha busca havia terminado

Mas hoje penso se,

Além de outras lições,

O fato de não poder tê-lo de imediato

Não seria algo culposo, negativo ou um teste,

Mas sim um meio ainda não compreendido

Em essência pelo homem

De fazer ficar mais lindo o reencontro

Quando duas almas descobrem

O limite do quanto se querem

Para em determinado momento da Vida

Encontrarem a pura felicidade

No momento exato

Da livre troca de olhares.

 

A esperança deste dia

E a riqueza deste sentimento

Motivam a minha existência

Enchem minha alma de paz,

Minha vida de alegria.

 

Em seus olhos vejo a luz

Que em minha humilde interpretação

Ainda é o mais próximo

Que posso chegar de Deus

Sua vida, sua presença

Representam para mim

A Bondade Divina, o sentido da Vida

Algo que todos sentiremos em tudo,

Um dia.

 

O mínimo que posso dizer é

Que eu amo você,

Pois para tudo que sinto

Não há palavras ou explicação

E o mais próximo que conseguiria mostrar

Para que pudessem entender,

Seria o meu olhar

Que se ilumina quando encontra o seu.

 

Quem sabe um dia eu possa

Dizer tudo isso a você…

Dar todo o amor que eu tenho guardado

Há muito tempo

Para você,

Somente para você.

 

Encontrei o amor…

Sou feliz…

Adoraria poder dividir esta felicidade

Com você

Meu amado,

Meu exemplo,

Minha vida,

Minha luz,

Minha calma,

Minha paz,

Minha emoção,

Minha certeza,

Meu amor,

Meu enviado.

Que Deus Ilumine a sua existência

E que abençoe nossos caminhos

Sejam eles juntos

Ou temporariamente separados…

(Camila Pigato, agosto 2009)

Sua Ausência

Quando vejo você partir

Sinto que meu coração

Vai querer desanimar

E para não desistir

Eu começo a me lembrar

Dos momentos que vivi

E me sinto elevar

Olho o céu, olho as montanhas

E sinto o seu olhar

Percebo que ele está em mim

 

Sua ausência fere minha alma

Faz a minha luz estremecer,

Meu coração diminuir

E a saudade bater

Mas quando a tristeza

Quiser aparecer

Eu começo a me lembrar

Do oposto, que é ter você,

E percebo que até a sua ausência

Serve para valorizar

Tudo que passo a ser

Quando o tenho ao meu lado

E eu percebo a grandeza

Do que a sua simples presença

Pode revolucionar e enobrecer

Dentro do meu ser.

 

Então eu entendo que longe ou perto

Você está comigo

Modificou minha vida

Minha visão de mundo

Enalteceu minha fé

 

Mas enquanto a distância for necessária

O simples fato de você existir

Vai inspirar meus passos

Iluminar minhas idéias

E alimentar meu coração

 

Quando penso no sorriso (sincero e sem culpa)

Que nunca darei

Nas suas mãos,

Que sobre as minhas eu não sentirei,

No abraço aconchegante que não vou ter

Ou no beijo que teremos que evitar

Enfim, no amor que nunca vou viver

Poderia começar a chorar…

Mas é exatamente quando fico feliz!

 

O que eu sinto é mais forte que tudo

Não é deste mundo,

Nem deste tempo

É algo que somente me faz crescer

 

Sua presença ilumina o meu dia

Engrandece minha alma

Enche minha vida de alegria

 

Faz com que eu ame mais os que me cercam

Que eu agradeça a Deus a todo instante,

Gostaria que todos sentissem esta harmonia

 

Se sempre chorei de saudade ou decepção

E no “amor” fui sempre renegada

Ou desejada por quem eu não queria,

Tudo não passou de ilusão

Hoje escrevo sobre as lágrimas que caem

Mas que são expressão de alegria,

Vindas do fundo do meu coração.

 

Que a sua presença em minha vida

Me ajude a ser melhor

Para um dia merecer você

Hoje

Tão perto,

Mas sem seu olhar constante,

Eu dizia em pensamento o que sinto

E imaginava nós dois

Nos abraçando,

Observando a imensidão do mar azul

A brisa a nos envolver,

A paz a nos completar

E o amor a nos guiar

 

Mesmo que não seja a hora

Vou continuar a te esperar

E em meu pensamento te amar

Pois é isso que alimenta meu ser

Um dia, perante a eternidade,

Iremos nos reencontrar

Seja amanhã ou daqui cem anos

Só a vida vai nos dizer

Mas eu digo estar certa de que vai acontecer.

 

Eu não preciso tê-lo por perto para lhe ver

Nem poder lhe tocar,

Para o abraçar

Ou preciso do seu beijo

Para o amar

 

Encontrei o amor

Pude confirmar minha essência

E saber que o tempo é relativo

Que meu caminhar

Vai um dia me levar até você

É preciso ter esperança, paciência e fé

 

Eu posso não ter tido seu corpo

A caminhar ao lado do meu

Mas a cada dia,

Em cada gesto,

Em meus sonhos

E em meus pensamentos

Pude imaginar como vai ser

Quando nossa união acontecer

Somente este reencontro

Basta para ser feliz enquanto eu viver.

 

Tê-lo junto de mim,

Vivo no meu coração

Fez-me notar que somente por acreditar

Eu pude encontrar a verdadeira felicidade

Poderia viver um único momento eternamente…

Nunca antes senti nada assim

É difícil explicar minha gratidão

Por tudo que a Vida passou a me dar

Sinto que este amor , na verdade,

não tem começo nem fim

É algo que me faz seguir sempre em frente…

Não importa quando nossos caminhos se encontrarão

Nem ouço o que os outros vão falar

Não sou eu que vivo longe da realidade

São eles que não entendem, infelizmente.

Houve tempos em que quase duvidei de mim

Foi difícil viver a separação

Mas nenhum obstáculo conseguiu me desviar

Sou feliz mesmo “contra” a sociedade

Não podemos fugir do amor, quando se sente

Um dia eles compreenderão

Vale mais o encontro de um olhar

Do que tudo o que eu poderia viver

Por este sentimento

Serei grata eternamente

Somente por saber de sua existência

A paz invadiu meu coração

E se hoje sinto sua ausência

É porque um dia vi o seu sorriso

E isso basta

Para que esteja  sempre presente…

(Camila Pigato, fev e out 2009)

O Mensageiro

Vejo anjos

Em torno de mim

Com os olhos

Apenas o abajur

Que irradia linda luz

E abana suas asas

Para nos lembrar

Do Bem que nos conduz

Mas os que realmente estão aqui

Vejo com o que sinto

Para o que me transformo

Quando penso em você

 

O que é a criação

Senão apenas um meio

Que Deus sabiamente Inventou

Para que a alma

Possa sentir fora e aprender como seu

Algo que já traz desde sempre,

Dentro de si?

 

Os mundos, as estrelas, o mar,

O céu, as árvores, a chuva,

O sol, as pedras, o ar

Todos seguem um caminho

E com eles, interagindo,

Sentimos a grandeza

E a simplicidade

Do existir

As plantas, os animais,

Desde o unicelular

Ao homem que pensa saber

Todos são seres amados

Cujas vidas devemos celebrar

 

Na forma do pai

A sabedoria, o carinho, a proteção;

A mãe ensina à alma

O conforto, a bondade, o amor incondicional;

Filhos ensinam a quem os têm

A doação, a resignação, a vida pela vida,

Amor sem igual;

Os amigos são tesouros

Irmãos que escolhemos

E que tanto nos amam

Que não precisam mais estar por perto

Para continuarem a ser

E mesmo longe pelo lugar ou pelo tempo

Basta um sorriso

Para a intimidade de outrora

Venha aparecer

 

A criança foi criada para que ainda se lembre

Da inocência, da bondade, da pureza;

A adolescência nos relembra,

Para que com a criança não se engane,

A inconstância que podemos ter;

O adulto demonstra a força que

Precisamos exercer

E o idoso novamente é um convite

À realidade de que a vida é um ciclo sem fim

Novamente nosso tamanho pequeno é apontado,

Não sem antes novamente despertar

a inocência do começo misturada

da sabedoria adquirida pelo tempo

 

Há também os relacionamentos conjugais

Que nos ligam profundamente

Sem do sangue ter-se laços de afinidade

Têm a pureza dos sentimentos mais fortes

Advindos normalmente da família

Junto do conforto de uma amizade.

A comunhão de idéias, a convivência fraterna

A doação, o carinho, o amor incondicional

Pelo menos, é assim um casamento de verdade

 

O momento que vivemos na atualidade

Ainda é de aprendizado

Portanto, nem todos os relacionamentos assim serão

Pois muitos deles ainda são também um meio,

E não a finalidade

Como muitos ainda pensam que são.

 

Seja como for, todo tipo do que hoje chamamos “amor”

São modos da Criação nos mostrar

O amor sublime que um dia iremos experimentar

Cada ser, em seu caminho, tem muito a aprender,

Mas também algo a ensinar.

 

Entre tantas outras coisas,

O medo de tudo o que sinto estar errado,

E com isso o modo como vejo Deus,

Tudo o que aprendi,

A paz que senti,

Fez com que, exatamente por temer perder,

Eu me afastasse de minhas crenças,

De mim mesma, minha essência,

E até mesmo de você eu me perdi.

 

Suas palavras de bondade

Têm um efeito em mim

Mais poderoso que as mesmas ou ainda melhores

Que qualquer outro ser no mundo pudesse dizer

Mesmo sem resultado imediato,

Você não deve nem saber,

Mas o simples fato de sorrir

E ter vontade de ajudar

Resgatou-me de mais um tormento

Onde eu estava escondida,

presa dentro de mim

 

Como sou ainda muito pequena

Falar com os anjos não me é permitido

E talvez por ter o coração endurecido

Para entender a pura caridade

O modo mais rápido de encontrar minha alma

E fazer com que entenda os recados que a Vida

Quer que eu aprenda

Seja colocá-los nas mãos de alguém

que me fez encontrar a mais sublime felicidade

 

Você talvez não fale a língua dos anjos

E sei também não ser perfeito

Mas é exatamente daí que vem toda beleza

Porque o que sentimos, pensamos,

Do que gostamos podem ter muito em comum

E cada defeito seu talvez seja

O que minhas qualidades conseguem compreender

 

Seus olhos humanos, como um outro qualquer;

Seu modo de viver, tentando ser melhor,

Mas fazendo o mesmo que vejo um grupo fazer

Podem ser simplesmente apenas “mais um”

Mas para mim são o intermédio

Entre este mundo e aquele que de muito perto

ainda não nos é dado conhecer

 

Você não é melhor do que ninguém

É mais um homem doce, generoso, gentil

Sábio, vivido, inteligente,

Verdadeiramente bom

Sei não ser maioria,

E isso talvez o destacasse.

Destaca, sim.

Mas ainda que houvesse um outro homem assim

Que cruzasse meu caminho neste momento

Não diria em forma de sentimento

Tudo o que sua existência toca em mim

 

E isso faz com que,

Exatamente por ser humano,

Seja perfeito:

Bom, generoso, gentil,

Mas como só você poderia ser

 

Por ter encontrado este tipo de sentimento

Ter um relacionamento só por ter

Passa a ser banalidade

Ter alguém ao lado

para não sentir solidão

é muito pequeno, inútil,

vira tormento.

Eu mal comecei a aproveitar este amor,

Impossível seria esquecer

Você me mostra uma outra realidade

Sinto-me completa, feliz, sempre bem-acompanhada,

Pois o tenho no lugar que mais interessa:

O coração.

 

Belo e pequeno ser humano

Ser por Deus tão Amado

Pois para Ele,

Pouco Importa sermos almas crianças,

Que ainda erram,

Ou aqueles que do Mais Alto cantam

Somos nós que temos sentimentos condicionados

Ele Vê apenas um que já terminou uma etapa

E o outro que pelo próprio ato de errar

Fatalmente irá ao mesmo destino chegar

Para Ele somos todos iguais,

A diferença é que nossa bondade ainda se expressa

Na forma de erraticidade

A deles já está iluminada

E na harmonia consegue se mostrar

 

Tudo isso para dizer

Que por ainda termos tanto o quê aprender

Esta querida humanidade, onde sou iniciada

Não detém palavras nobres o bastante

Para explicar este sentimento

E que por falta de expressividade

Chamamos “amor”

Então, é assim que denomino

Tudo que sinto por você

 

Você também veio para crescer

Mas isso é tudo o que imagina ser

Não sabe que sem nada precisar fazer

Me leva direto ao céu,

Sem daqui poder ainda partir.

Faz com que eu me lembre que há amor,

Resignação, esperança, fé

Não apenas por suas palavras,

Mas pelo simples fato de existir.

 

Você é o maior Presente

E o maior contato com o Criador

Que eu poderia conhecer

Graças ao que sinto

Sou melhor comigo mesma,

Com todos os que me cercam

Com aqueles que talvez eu quisesse manter longe

E agora preciso também viver o amor

 

Nestes momentos de elevação

Casar parece pouco

Pois o que sinto vem antes e vai muito além desta morada

Consigo apenas elevar o pensamento

E agradecer pela grandeza de Deus

Ao colocá-lo em minha caminhada

 

Sinto seu abraço

Num olhar

Seu beijo

Num sorriso

E isso é tudo que preciso por enquanto sentir

Talvez se você chegasse mais perto

Eu poderia não suportar

Pois o que sinto é tão intenso

E ao mesmo tempo tão radiante

Que parece desperdício limitar

A um corpo, ainda que abençoado

A um local, em todo firmamento,

A um instante, em toda linha do tempo

 

O amor que sinto é tão grande…

É difícil de explicar!

Independe de você,

De nossas experiências,

Que são a forma que nossas almas

Encontram de melhorar

E que podem exatamente por isso

Ainda nos afastar

Para que quando não haja mais nada a aprender

E possamos ser livres de outros relacionamentos

Exercer livremente

e nossa união enaltecer

Não sei se você já me encontrou

Mas eu encontrei você

Agora, meu amor,

Ser amado,

Abençoado,

Iluminado…

Graças a você

Deus e eu podemos dialogar

(Camila Pigato, julho de 201o)

Sozinha na Chuva

Vencia a Chuva

Que embaçava minha visão

Nossos caminhos se cruzaram

Mas íamos em outra direção

 

Duas almas buscando abrigo,

Aconchego, proteção

O mesmo fim

Porém, caminhos diferentes

Molhada, precisando de calor

Cansada, para me aquecer

Só o banho ou chocolate quente

Será possível ter o seu amor?

 

Aqui dentro as luzes harmoniosas

Mais uma vez piscavam

Cintilando na árvore de natal

Lá fora você chegava

Onde te esperavam

Aqui dentro

Chuva torrencial

 

Na caixa, o livro autografado

Que eu nunca entreguei

No carro, a folha

Que há meses imprimi

Nos lábios

O beijo que nunca dei

No peito a esperança

Que não me deixa seguir

A campainha toca toda semana

O coração dispara, entristece

É sempre outro rosto a sorrir

Tanta dúvida, demora

A mente enlouquece

A solidão devora

Quase desisti

 

O vento sopra e apavora

Revira a vida perto de mim

Tira tudo do lugar

A chuva cai,

Sem fim

No entanto,

Já passou

Só as luzes de harmonia

Brilham em melodia,

Alegrando meu coração

A tempestade que veio

Não tirou nenhum telhado

Apenas me arrancou o chão

Esperar você é acreditar no sonho

Ou viver de ilusão?

 

Venci a vida

Que quase embaçou minha visão

Enfim nossos caminhos se cruzaram

Afinal, estamos indo na mesma direção?

(Camila Pigato, dez 2011)

Mentir-se Feliz

Até quando sentirei a falta

De quem não me quer bem?

Paredes que falam

Pessoas que lembram

Hábitos que revivem

Quem por vontade

Quis partir

 

Segundos desperdiçados

Vidas desviadas

Dores desnecessárias

Amor não vivido

Certeza enlouquecida

Fé que deixou de existir

 

Desprezo a fraqueza

Lamento a covardia

De quem preferiu

O mundo a mim

 

Cada passo que dei

Pingando de chuva ou sol

Castigando o corpo

E calando a alma de exaustão

Equivale a todo milhar a ser perdido,

Se a vida é justa,

Do dinheiro que você escolheu

No lugar do meu coração

 

Para uma única lágrima

Da tormenta que me acometeu

De sua indiferença, arrogância e traição

Vários sorrisos

Em diversos rostos de mulher

Que vivem o momento,

Surgirão;

Cada noite aqui vivida de solidão

É mais uma,

Dentre tantas,

Da companhia, de toques,

Abraços, beijos, vida social;

Satisfação sexual, rotina compartilhada

Por quem,

Originalmente,

Não deveria ser mais que uma amiga

Ou passar de uma balada

 

São,

Contudo,

Sorrisos de euforia, carência, acomodação

E a minha dor –

Sem igual –

De tudo ruim que traga,

Ao menos é verdadeira,

O oposto de uma ilusão

 

Como a que vive

Com as escolhas que fez

E o que constrói

Única e exclusivamente

Pelo medo de enfrentar o que sente

Obrigando-se, assim,

A fugir de mim

Para mentir-se feliz

 

Que restará de nós

Quando despertar?

Haverá segunda oportunidade?

Conseguirei,

Depois de tudo,

Perdoar?

Sobreviverei?

Qual a pior morte:

A do coração fisicamente estagnado que liberta a individualidade,

Ou a da alma banalmente acorrentada a um corpo que ainda respira?

Estarei,

Enfim,

Aceitando o inaceitável,

Vivendo o presente transformado,

Ou ainda debatendo-me

No inferno que amiúde dorme,

Mas não cessa,

Tendo presa nesta indescritível situação

A minha liberdade?

 

A certeza do que um dia nos uniu

E sempre nos ligará,

Além de tudo o que você também irá saber,

De sólido e eterno que é,

Consola e eleva;

Enquanto desola, desespera, revolta,

Pela magnitude do que foi perdido,

Agora,

Tamanho deserto que se instalou

No límpido mar azul que flutuava em mim

E que secou.

Apenas porque você quis,

A despeito de tudo que fiz.

Apesar do brilho único e cristalino em seu olhar

Do sorriso involuntário

Quando eu,

Tímida,

Revelei o que senti.

 

Se é mesmo algo tão elevado,

Como pôde escolher –

Dentre todas as confusas opções

Deste mundo tão diverso –

Querer, imaginar, atrair, desejar, aceitar e materializar

Qualquer que seja,

Por mais tentador,

(Algo tão íntimo, único e seu):

o que não fosse o amor e a mim?

A cada dia tento superar

Esquecer, amar, perdoar, sublimar, entender.

Impossível…

Desisti!

(Camila Pigato, abril 2014)

 

Limites

(LANÇAMENTO LIVRO “DESVENDANDO O AMOR – A REVOLUÇÃO DOS RELACIONAMENTOS” – Veja páginas A e B, à esquerda, ou Post Anterior. Para comprar, basta clicar na foto)

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Finalmente deixei a escrita apossar-se novamente de mim.

Hoje pela manhã, bem mais cedo, fiz com que minhas pernas deixassem a mente caminhar. Como sempre, neste retorno ao gesto de liberdade, preocupações do dia a dia prenderam-me ao asfalto ainda molhado. Com o ritmo incessante, todavia, consegui viajar.

No céu, sol e nuvens duelavam. Dúvida quanto a lavar ou não a roupa branca. Preciso de meias. Difícil saber. Deixei isso de lado e segui, como falei. Eis que imaginava-me novamente aqui. O sol venceu o tempo nublado. Então, sorri.

Começava a acreditar nesta possibilidade, quando vi além: a estrada, convidando os moradores da cidade a novas paragens, às surpresas da viagem. Ao vento no rosto levemente ensolarado, movimento acelerado, levando-me às descobertas de outra realidade. Saindo um pouco de mim. Sem carro, perdi a (outra) liberdade. No limite da calçada, dei meia-volta e retornei à minha paciência agitada, à resignação contrariada, da calmaria dos passos tão vagarosos, ainda que rápidos, e da aceitação forçada.

Reconstruir o que foi devastado pelo furacão requer repetição, rotina, comprometimento. Nada tem a ver com marasmo, acomodação. Gastei parte da reclusão não para consertar, mas sim, somente a conter minha impulsiva revolta e não me desviar…

Queria, já, ver a vida lá fora, respirar… Afinal, estou cansada. Há quem diga ser passageiro, apenas “um momento”. Vale o que eu faço dentro do que fora me acomete, não a situação em si. Contudo, cansei desta imensidão. Tornou-se grande demais para mim.

Meu jugo ainda é tão pesado… O “momentâneo” voltou a ser alguns minutos, não o belo e valioso resultado de um sofrimento. Se as plenas faculdades de minha alma estão tolhidas e eu, mergulhada na carne, então, deixe-me lidar com o que alcanço, por ora, e viver o presente. Não levianamente. Preciso de um tempo. Se é exigido mais de quem tem a consciência aflorada, sabe-se também que todo processo tem seu andamento. Deixem-me despertar com calma deste tormento…

Se, por um lado, o homem é acomodado, Deus não tem pressa. Se, de um lado, o homem ainda é egoísta, não apenas a caridade, mas viver o Amor “começa em casa” – dentro de si. Difícil, concordo, saber a limitação. Entretanto, como pensar em irradiar, em expandir, em me importar plena e abnegadamente com o outro, cuidar diretamente do mundo, integralmente, se há tanto acontecendo, agora mesmo, aqui?

Eu sempre me deixei de lado… Será que posso, só por um momento – este da eternidade, que vai durar enquanto não for findo o ensinamento -, cuidar de mim? E aí, sim, novamente capacitada, dar o meu melhor?

Deus me deu o amor quando eu menos esperava. Sempre busquei e acreditei, mas não pedi. Porém, Ele não fez nada, absolutamente nada, e aquele Céu foi bruscamente arrancado de mim. Preciso entender esta equação. Escolhi Deus, o Amor. De que adiantou? Tivesse eu ficado com o que via, tocava e entendia, estaria segura, concursada, ou sendo demitida do quinto emprego, por falta de motivação, da iniciativa privada. Certamente não seria mais só, ainda que, não necessariamente, bem acompanhada. Talvez hoje não me veria quebrada, sem dinheiro, ou acometida de incômoda solidão, se tivesse servido a Mamon…

Duvidar de Deus ainda está na moda. Faz parte de nossa cultura, tadinha, tão atrasada. Há quem traga respostas, contudo, reprochados por quem as procura. Talvez gostem é do sacrifício, nada têm com a busca… No fundo, no fundo, não querem enxergar, pois isso traz mudanças, responsabilidades. Certamente, agora, em conflito, eu seja, enfim, humana. Mal sabem o desgosto e a incompetência que trago na alma.

Roupa suja se lava em casa… Se é Deus, e não a distorção humanizada de sua figura, que jaz em nós, e ainda há alguma coisa errada, pede a lógica a consciência de ser eu quem está enganada. Não tenho coragem de dizer a qualquer um seguir meu exemplo, neste instante exato do tempo… Minha consciência foi de tal forma tocada que nisso, não consigo mais insistir. Porém, meu ombro ficará aliviado se eu puder assumir que estou magoada. E dizer que não sei mais para quem pedir ajuda. Porque quem me ajudava me deixou de lado. Enalteceu e ajudou a causa que ambos evitávamos. Viu-me chorar por dentro, e, ainda assim, não se lembrou de mim.

Todavia, se cheguei ao limite da dor e da barreira que me separava da loucura, também encontrei o último segundo de incredulidade. Não mais! Cansei de esperar algo dos acontecimentos desconexos desta realidade nem sempre verdadeira da qual sou rodeada. Briguei com Deus, sim, apenas porque Deus me tirou de Deus. Mas ele jamais faria isso, se é Deus… Resta, agora, refazer o caminho de tudo que ficou bagunçado, pois não há melhor forma de encontrar Deus, que procurar novamente dentro de mim…

Fonte da imagem: peregrinacultural.wordpress.com

Uma carta para Deus

Deus

Sei que não preciso de um blog para conversar com o Senhor. Mas acontece que minha mente está tão conturbada que não consigo mais com frequência o nosso antigo meio de diálogo.  Nenhum deles…

Sei também que boa parte do que escreverei aqui seriam, isoladamente, exemplos negativos para aqueles que lessem e eu estaria, então, criando um débito para meu ser.

Espero, porém, que percebam exatamente o contrário: ter defeitos, estar em conflito não deve ser nunca estimulado e aceito como estado natural e finalidade. Mas se somos seres ainda em evolução, e não já perfeitos, estes defeitos e estados de alma conflituosos fatalmente nos acometerão algum dia. O conflito de hoje pode ser a paz de amanhã. Aceitar isso é o primeiro passo para modificar esta situação.

Podemos ver um impaciente como alguém sem paciência ou como um ser com a paciência em formação; um doente como adoentado ou com a saúde em transformação, e por aí vai… A única observação é que esta forma mais positiva de ver as cosas não pode ser confundida com ficar acomodado e não agir para mudar e melhorar determinada condição.

Se o primeiro passo é admitir, preciso, primeiro, admitir que apesar de achar que poderia lidar melhor com isso tudo, o fato é que não mais consigo. Em meu altíssimo padrão de eficiência, estou falhando.

Perdi, meu Deus, a capacidade de sublimar as coisas; a capacidade de ver o copo meio cheio e não meio vazio; de acreditar, ter fé, esperar…

Meu raciocínio é: se ontem tive fé e hoje continuo sem nada palpável em relação ao que acredito, quem me garante que a fé de hoje não me levará, amanhã, ao mesmo resultado de hoje: à decepção? Será que não acontece porque ainda não é o tempo e eu é quem não sei esperar, ou porque confundo fé com outras coisas e esteja, na verdade, me enganando? 

Há um lado dentro de mim que diz, que ainda diz, o contrário. Meu ser interno sussurrando aos meus surdos ouvidos ou teimosia em aceitar que as coisas não serão como quero? Pessoa que ouve seu “Eu Divino”, que vence a influência do meio, ou apenas mais um ser psicologicamente imaturo? Mulher ou menina?

Estou cansada, meu Deus, realmente cansada, de sentir uma pressão e um gosto estranho vindo no nariz ao deitar para dormir sempre que começamos a chorar com abundância. Estou cansada de, em mais um feriado, de tantos outros de que venho reclamando, há tanto tempo, estar ainda sozinha.

Estou cansada de ver pessoas mais novas casando. Me convidando para ser madrinhas, o que eu faço com orgulho, porque eu posso nem me lembrar mais, mas sou aquela que acredita no amor e fica feliz quando ele acontece.

Sendo madrinha, projetando um ano e meio para o evento, imagino estar acompanhada nesta data. “Não é possível que em um ano e meio não esteja”. Um ano e meio depois de um destes casamentos eu ainda não tenho… Pergunto se em mais um ano e meio, de dois “um ano e e meio” que já foram, irá se passar e eu terei, então, que entrar com alguém que eu não queira, já  que deste casamento um de meus melhores amigos não participará para me fazer este favorzinho.

Estou cansada de ouvir tantas histórias de promoções, viagens, carros trocados e eu – não pelas coisas em si, mas pelo símbolo que elas representam, de autorrealização – vou continuar sendo a bobinha que acredita ganhar de fato a vida com um trabalho não reconhecido e vai se virando com paliativos para pagar as contas.

Estou cansada de querer fazer coisas boas, de querer ser melhor e não apenas superar a mim, o que já é muito difícil, mas encontrar tanta resistência que quase enlouqueço e pareço ser errada que dá vontade de deixar pra lá. Mas não consigo…

Estou cansada, por fim, de estar cansada disso tudo: saber o que faço de errado, todo o imediatismo, a visão material, a falta de fé que venho tendo, mas estar tão cansada, exausta, machucada, que não consigo mais mudar isso e esperar algo de fora para somente então conseguir seguir.

Entretanto, com dificuldade, aceito. Aceito que tenho estas limitações no momento. Não quero mantê-las. Mas hoje não faço mais o esforço para sublimar, porque não sei se consigo.

Espero, Pai, a Sua vontade em me guiar os passos, pois eu não sei mais fazer sozinha. Há muita ajuda, eu sei, mas o efeito dura pouco tempo. Já não luto mais com afinco para subir porque sei que vou cair. Quanto menos eu subir, menor será o próximo tombo. Do jeito que as coisas estão, eu sei que ele virá.

Não consigo subir de vez, mudar a sintonia por completo. Não quero mais tentar. Dói, e não consigo mais sentir tanta dor. Não consigo, por favor, não ousem dizer mais esta palavra nem a um kilômetro de distância: “esperar”. Estou NO MEU LIMITE.

Desculpe a decepção, meu Deus. Sinto desapontá-lo (ou melhor, a mim, pois o Senhor compreende tudo isso e nos Ama ainda assim), mas é como que me sinto. Sei que poderia mais, mas o fato é que hoje, não posso. Como vai ser? O que iremos fazer? Não sou de desitir, de deixar pra lá. Vim para fazer, para aprender. Mas sem certezas concretas, da Terra, para que eu possa acionar dentro de mim as capacidades adormecidas, não dá mais.

Não aguento outra noite de insônia. Não aguento mais dias de espera. Chega. “Está terminando”, sinto. Não precisava nem sentir, é óbvio: ou o sofrimento está terminando, ou eu. Os dois juntos, não dá mais para existir. E imploro: são dias. Nem semanas, nem meses. “Anos” serviriam para um texto de comédia, seriam piada, não para uma carta como esta.

Que seja feita, acima de tudo, a Sua vontade e não a nossa. E que o Senhor me ajude, agora muito mais intensamente, se ela não for igual à minha.

Obrigada por me ouvir. Por favor, me ajude a dormir…

Fonte da imagem: murcaxias.blogspot.com