CAPUCCINO À BEIRA-MAR – Impressões e reflexões de uma paulistana na capital carioca

 

Bom dia, pessoal!

Passei uma semana de folga, em off, visitando a família. Das experiências e observações que tive em meu tempo no Rio de Janeiro, surgiu esta crônica. Boa leitura!

Abraços,

Camila

“Capuccino à Beira Mar”

A tarde caía quente e ainda iluminada diante da imensidão azulada, a inundar a vista. Na outra ponta da praia, um prédio amarelo chama a atenção. Sua cor muda conforme se anda: é o vidro das janelas a refletir os últimos raios de sol.

Bem distante, a pequena menina bebê já caminhava, de mãos dadas, observando o horizonte e, curiosa, perguntou à tia: “Quando vão desligar o mar?”.

O rapaz, de camiseta preta e bermuda bege, pisa na areia, levando água de coco à família, reunida naquele pedaço de chão natural que, por aqueles instantes, chamam de seu.

O homem sem camisa sai correndo, brincando com o beagle que descansava ao lado da dona, que agora matava sua sede. Seria o mesmo cachorro que quase escapara da coleira minutos antes, e quase atravessara a avenida agitada?

A polícia passa apressada, uma, duas, três vezes.

O rosto do musculoso rapaz, que antes enfrentava o vento ao domar sua pipa de kitesurf, preta e vermelha, agora é nítido. O grande tecido rubro negro jaz na areia, murcho, após mais um dia de atividade.

A família rósea passa, falando inglês, admirando a paisagem tropical e fazendo planos para o dia posterior. Será que a jovem senhora usaria novamente uma blusa alça nadador, ou a que estaria amanhã tatuada de sol seria a regata clara, da conversa animada?

Os trabalhadores de camiseta branca, calça e colete laranja, recolhiam os dejetos, dando um novo uso ao rastelo, que em outros lugares, usa-se apenas para varrer as folhas do jardim. O trator, também na cor da fruta cítrica, trazia ao fundo uma carroceria, para ser capaz de realizar o serviço. Apenas um peixe morto a ser recolhido. Contudo, na faixa de areia, outra orla de latinhas de cerveja, garrafas de água – potável ou oxigenada, opção é o que não falta – canudos, fibras e cocos, além da tampinha de garrafa virada para baixo, com os dentinhos afiados esperando um pedaço de carne para cortar.

A água banha os pés sedentos de andar. Hoje não está tão gelada.

Pés e mãos gordinhos, desajeitados, espirram água e sorriem, inebriados pelos primeiros contatos com o mar. Algo lindo de se ver. Pés rachados espirram água, sem ainda terem aprendido que não tinham o direito de interferir na jornada do outro, ao caminhar.

A pequena superfície azul e prateada, cujo conteúdo alimentara algum ser humano sem consciência ambiental, brilhava, sacolejando nas ondas do mar. Nem isso tirava a beleza da água, verde esmeralda, límpida como cristal, a refletir o começo de mais um dia.

Um homem de meia idade, de sunga e barriga pra fora, não jogou lixo fora, mas deixou sua marca na paisagem natural, ao escarrar.

Uma morena sorria e fazia careta com as duas crianças ao olhar para a máquina digital, enquanto outra família, em coro, dizia: “xiiis”. O registro dos momentos de paz e alegria, a usar como lembranças amenas diante das lutas do dia a dia.

A mulher com alvo biquíni e óculos escuros exibia seu tablet, combinando com o traje. Estaria ela fotografando, conversando com amigos, acessando o banco ou simplesmente lendo jornal?

“Bixxcoito Globo! Olha o Maaate!”, gritava o vendedor que andava rapidamente, tirando o sustento da família, enquanto outros levavam as suas para passear. Com o chá gelado no isopor e biscoito de vento no grande saco transparente, matava a sede dos turistas e enganava-lhes a fome até chegar a hora de partir. 

No sentido contrário, outro trabalhador da areia quente fazia marketing involuntário, abrigando-se dos raios de sol debaixo da gigante touca, feita de chapéus de praia.

O menino inocente corria em direção à água. Tropeçou e foi direto ao chão. Levantou-se, chamou os seus e chorou. Chora, filho, chora agora! Quando seus pés tocarem o chão ao sentar, levará tombos ainda maiores e engolirá sentimentos ainda mais indigestos que areia, e ainda assim não mais lhe será permitido desabafar…

A moça estava sentada, cabelo castanhos, ondulados, olhos fechados, sentindo o vento e o silêncio a lhe tocarem. Sua barriga escapando ao biquíni denunciava que não estava só; em breve, novos pezinhos tocariam o mar.

Outras mulheres de biquíni passavam, grávidas apenas de angústias e decepções, ou, talvez, vítimas de uma doença ou genética ruim. Como julgar os efeitos, se não se conhecem as causas?

As ondas vinham suaves, mas havia quem quisesse delas tirar proveito. O surfista remava para alto mar, à procurara de uma boa aventura. Que fazem com o remo, caso ela aconteça?

Homens reunidos em trio jogavam futevôlei em cima da marola. A vida é feita de escolhas: ou molhava-se nas ondas profundas, ou arriscava-se ter a meditação atingida pela diversão de outrem. Os incomodados que se mudem? Ditado cômodo para quem faz o que bem quer e vem tumultuar! Quem joga futevôlei poderá jogar no fundo da praia, dando paz às aglomerações, mas quem caminha pela orla só pode encontrar paz ao caminhar no princípio de areia, onde está o mar.

Céu levemente nublado, brisa mais fria. Desta vez era outro grupo que jogava, mas eles em nada atrapalhavam, figurando o retrato da cidade, na grama que beira o calçadão. As mais bonitas roupas de ginástica desfilam incansavelmente, em todo sentido e a todo tempo, correndo e caminhando, assim como sobre patins ou movimentando os pedais das bicicletas.

De um lado, a metrópole que funciona, levando pessoas para o trabalho em coletivos ou nos automóveis, dirigidos por homens em roupa social. Do outro, quiosques aglomerados em distâncias menores que um quarteirão. Um deles chama atenção pela flor artificial que adorna a mesa de plástico, enterrada num coco, cujo líquido fora consumido anteriormente. Vendem não apenas a água do fruto seco tão recomendado para hidratação, mas também camarão e porções em geral, chá gelado ou a famosa cervejinha, procurada constantemente para conversar e descontrair num fim de tarde.

Navios vez ou outra são vistos, longe ou perto, assim como famílias com roupas descontraídas, passos lentos, máquinas nas mãos e olhar atento, filmando cada pedaço da paisagem.

Durante o trajeto, um breve laboratório das diferenças entre Vênus e Marte, do jeitinho como teoriza John Gray:  “…falam ‘ela é a noiva’. Eu me sinto uma coadjuvante!”, desabafa a moça, buscando ouvidos simpáticos do companheiro. O rapaz, sensato, dá logo a solução: “É só você ir lá e fazer o que deve ser feito, sem se importar com os outros!”. A moça responde, em tom desapontado: “Eu só estou conversando”. Ele levantou um pouco a voz e reafirmou sua posição: “Faça apenas o que tem que fazer e pronto!”.

De acordo com a teoria do Ph.D americano, o marciano, lógico e prático, entende que ela fala por querer que ele resolva o problema por ela. Já a venusiana, acostumada a emprestar o ombro às outras e receber um quando precisa, não entende a reação lógica do marciano, pois precisa apenas desabafar.  Ele enxerga uma rejeição da sua ajuda sincera e ressente-se, achando não estar sendo bom o bastante para ela. Ela fica frustrada pela falta de empatia, como se ele não se interessasse pelos sentimentos dela.

Hoje é a moça quem sofre, mas isso não significa que seja vítima: num um dia em que um problema precise ser resolvido por ele, ela pode, perfeitamente, invadir seu espaço, não respeitar seu tempo, sua natureza, e querer que ele compartilhe de imediato o que sente. Na verdade, porém, o que ele precisa é resolver a questão internamente, sentindo-se autossuficiente, para somente então colocar o conteúdo para fora. Então, afastam-se um do outro: ele a acha “chata”, “invasiva”, e ela pensa nele como “insensível” ou “individualista”. 

Parece que abismo no diálogo dos gêneros é mesmo tão antigo quanto a formação dos planetas…   

E a vida continua… Na grama ao lado de um quiosque, o homem de meia idade, óculos escuros e roupa de surfista, joga o boomerang vermelho e toma sua água de coco. Manero!

Já no quebra-mar, além do vai e vem das ondas e do mágico som da força das águas a nos transportar, o surfista dribla as ondas, hoje agitadas, sem tomar nenhum caldo. Irado!

O pescador também quer olhar a paisagem e ouvir seu som. Ok. Nada contra utilizar-se de algo que ainda funciona bem e não seguir freneticamente os avanços tecnológicos. É, pelo contrário, senão triste por limitações financeiras e exclusão social, muito admirável, por não desperdiçar recursos, ajudando o planeta. Porém, o problema de ser ter um “ipod ultrapassado” – maior que um livro e ainda movido a pilhas – é que todos os outros são obrigados a curtir a sua “vibe” musical. Ou não…

Por fim, sentada no banco, roupas leves, olhar distante, lá estava ela. Dava outro gole na cremosa mistura italiana – café, leite e chocolate – e observava… Com os olhos via o mundo, mas viajava pelo Universo, dentro da mente. A velha dúvida quanto a forçar o músculo ocular e focar nas cenas isoladas, das peculiaridades e riquezas cotidianas humanas, ou deixar a vista relaxar, observar o mar e viajar para além do horizonte…  A imparcial “reportadora” de fatos e a literária e opinativa “descritora” de atos, novamente duelavam.

Por vezes faltava tempo, espaço interno ou energia a dispor, para guardar cada mínimo detalhe quanto ao “quê” os outros faziam ao seu redor. Lamentável, pode-se dizer. Há quem a julgue alienada.

Entretanto, como saber as minúcias do desastre na Treze de Maio, assistindo à TV ou lendo notícias horas e horas por dia, se outro desmoronamento aconteceu bem mais perto de casa? Aqueles da Cinelândia contam com sua sincera compaixão e boa vibração, mas este ruiu mais perto e rouba-lhe, agora, maior parte da atenção. Ocorreu há pouco tempo, na Dois Mil e Dez com a Dois Mil e Onze, e ainda solta fumaça tóxica, digna de causar problemas no futuro. O trânsito na região ainda é caótico, mas luta-se a todo instante para manter a ordem relativa, possível para a situação. Nesta queda de construção, a D. Força lutou, mas, desgastada pelo tempo de espera, não suportou o peso à sua volta e foi encontrada sem vida. A Sra. Perseverança ainda continua desaparecida. A Srta. Alegria de Viver também estava no sexto andar, ouviu o barulho e correu para o hall. Quase sucumbiu. Com as mãos para fora dos dejetos, tocou o coturno do bombeiro, que lhe informou estar no Térreo. Está arranhada e com partes engessadas, mas no geral já se movimenta e voltou a sorrir outra vez. A Defesa Civil interditou a área, mas uma senhora taciturna insistia em rondar os escombros e, quando a vigilância era falha, nos momentos de escuridão, algumas vezes conseguiu entrar. Seu nome era Solidão. Esperança Sem Fim faz terapia, traumatizada após quase ter perdido as irmãs. A maior, Certeza, dentro em breve casaria com Sr. Materialização, e passaria, então, a ser Absoluta. Ela já ameaça ir para o quarto, mas ainda recupera-se, na UTI. A irmã menor, uma menina chamada Fé, salvou-se por um triz; ainda está em coma, embora o quadro seja animador. Uma moça jovem, cabelos sedosos, roupa bonita e voz intrigante, que nada tinha por ali, andou puxando conversa com um dos bombeiros. Seu nome é Loucura. Faltou pouco para ela ultrapassar o cordão, mas os colegas, cônscios do que tinham de fazer, perceberam a tentativa de invasão e botaram-na para correr, dizendo que ali não era seu lugar. Uma mulher madura, Insegurança, estava grávida. Deu à luz de um lindo bebê de apenas 6 meses, pouco antes de falecer. Os médicos queriam colocar seu nome na filha, para dar-lhe continuidade. Suas últimas palavras foram: “Tirem o ‘in’ e deixem apenas ‘Segurança’. Não se espantem com seu tamanho. Eu sou mulher feita e estou fraca, ela é pequena, mas muito, muito forte. Deixo aqui o melhor de mim”. A visão ainda é de escombros e destruição, mas o trabalho das escavadeiras já está no fim. A médica responsável, Dra. Paciência, cuida dos danos físicos dos pacientes e tem um prognóstico animador. Dentro mesmo do hospital, todos farão terapia com o Psicólogo Chefe, Dr. Amor, e dentro em breve poderão habitar novamente a estrutura ainda mais sólida – uma vez que agora se conhecem as falhas – que o engenheiro renomado, Sr. Tempo, projetará. Logo, a vida voltará ao normal.

Esta é a situação… Alienada, ela? Alienado é aquele que nada vê. Ela vê, porém, nas entrelinhas… A respeito do mundo a sua volta, a ela o que importa mesmo é saber o “porquê”. Entretanto, talvez não seja possível mais ser assim…

O que seria a existência dali para frente? Chegara até aqui por fé ou teimosia? O que aconteceria quando o mar ficasse pouco mais de quinhentos metros abaixo? Havia amado, ou fantasiado? Havia trabalhado, ou apenas se divertido? Havia lutado, ou se enganado? Faltava apenas um metro para encontrar o ouro, sendo necessário, então, nova injeção de ânimo para realizar apenas outra mísera “cavadinha”, e parar agora seria desistir, ou sucumbiria tentando, num terreno insólito, e sufocaria, por ser a única a estar ali?

A meteorologia prevê chuva para o meio da tarde. Por dentro, a mesma certeza de que havia, sim, amado e trabalhado, dizia tempo firme. Antes que o pôr do sol chegue com a confirmação, não importa: ensolarada, nublada ou chuvosa, uma nova manhã sempre chega… Ilumina a praia repleta de pessoas diferentes ou até parecidas, que se encontram, muitas vezes, apenas em momentos distintos da caminhada. E o mar, ah, o mar… Este, como respondera minha tia naquele tempo, sorrindo: “Minha querida, ele não desliga nunca”.

PS-> E não é que só choveu a partir das 20h, quando já era noite?

Fonte das imagens:

Praia – www.panoramio.com

Capuccino – www.aprenderafazer.com

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RelatiVIDAdes

Boa noite a todos…

Excessivos deveres do dia-a-dia me tiram daqui…

A foto faz parecer que é um post científico, mas é exatamente o contrário…

Certa vez, na aula do primeiro ou segundo colegial (hoje, Ensino Médio), meu professor de Física perguntou-nos se um carro que estivesse a 100km na via Dutra estaria parado ou em movimento. Em uníssono, respondemos: “Em movimento”. Em seguida perguntou o mesmo sobre nós, sentados em nossas carteiras. Clara e seguramente respondemos: “Parados”. Errado!

Confusos, perguntamos por que, e ele nos explicou: se comparados a alguém que andasse dentro da sala, ao carro da Dutra, a um avião, etc., estávamos mesmo parados. Mas isso não é absoluto. Se mudarmos o ponto de vista e olharmos a Terra de fora, nós também estaremos em movimento, pois a Terra se move constantemente, assim como tudo aquilo que se encontra em sua superfície…

Isso abriu minha mente, ficando fácil de entender posteriormente o conceito de relatividade , proposto por Einstein. Citarei duas frases literais do site “Brasil Escola” (http://www.brasilescola.com/fisica/teorias-da-relatividade.htm) para em seguida usar o raciocínio científico na parte filosófica do texto…

Os grifos são meus. A primeira frase é “No estudo da Mecânica, a velocidade, por exemplo, é uma grandeza relativa, ou seja, sua medida depende do referencial do qual está sendo medido”. A posterior é “… ambas trouxeram o conhecimento de que os movimentos do Universo não são absolutos, mas sim relativos“.

O Homem, ao estudar Antropologia, Sociologia e ao observar a própria realidade, poderá notar que, assim como os movimentos do Universo, nenhum estado cultural, tecnológico, social, está esgotado. Tudo evolui e muda sempre.

E, somado a este raciocínio, ao usarmos a citação anterior ou o meu exemplo pessoal, perceberemos que verdades são construídas muitas vezes em cima de um “ínfimo” referencial. Difícil, levando tudo isso em conta, chamarmos qualquer verdade advindas de costumes, hábitos, culturas, de absolutas. Elas são úteis para determinado grupo de pessoas em dado espaço de tempo.

Embasamento teórico/ científico feito, poderei divagar tranquilamente pelos caminhos da realidade da alma… E, não mais como estudiosa, mas como ser humano aprendiz, emitir minha oponião…

Como ser consciente de si, precisamos entender que não seremos, nunca (para esta fase de nossa evolução), detentores da verdade total.

Temos nossa verdade interna que vai evoluindo à medida que convivemos com outras pessoas. A vivência com elas nos enriquece e é extremamente necessária. Mas precisamos saber o que aproveitar e o que deixar de fora, para não exagerarmos nesta troca e passarmos a ser o outro em vez de nós.

Sendo assim, quando diante de um dilema, como saber se estamos sendo exagerados, se usarmos um referencial “a”, ou se estamos sendo apenas conscientes, se o referencial for “b”? Já explico…

Entendemos que em determinadas situações, se refletirmos bem, reconhecemos o referencial e a partir daí pode-se encaixar sua atitude como acima ou abaixo de uma linha imaginária de equilíbrio. Por exemplo: é sabido que usar drogas não traz vantagens reais, apenas ilusões passageiras.

Dentro deste exemplo hipotético, posso até ser uma viciada, mas sei que estou abaixo da linha deste referencial e, uma vez que eu consiga reunir forças, sei o que preciso fazer, sei qual é meu objetivo: deixar o vício.

Mas e quando não sabemos qual é o referencial? E quando estamos numa bifurcação e temos uma determinada tendência para agir; iniciamos o processo de ação, baseado no referencial “a”, mas logo em seguida surge a possibilidade de estarmos enganados e o certo ser o referencial “b”. Aí o processo é interrompido e inicia-se o novo. Mas o referencial “b” parece errado, e retorna-se para o “a”. Assim, sucessivamente…

Para ser mais específica, olhando do ponto de vista da Terra (“a”), seria um exagero, uma fuga da realidade; mas, se levarmos em conta a realidade espiritual, que é a real – embora isso ainda seja difícil de ser compreendido – seria apenas ser mais forte que o meio, respeitar aquilo que se é verdadeiramente…

Usarei o exemplo das drogas novamente: sabemos que somos seres ainda em evolução, não já evoluídos. Por não sermos sábios completos, precisamos errar para aprender. Mas não somos seres “zero quilômetro”, temos lá alguma bagagem, em variados níveis. Há erros que já cometemos no passado e não precisamos mais experimentar para saber que não se deve fazer. É só seguir nossos instintos, sentimentos, intuições…

Como citado, a droga. Não é necessário que eu use crack para saber que aquilo não é bom para mim. Não preciso sentir, experimentar, posso simplesmente observar, pensar e agir.

Mas questões mais subjetivas são relativas, pois cada uma tem uma vivência diferenciada… Para uma determinada pessoa, em determinado espaço de tempo de sua existência, num contexto tal, casar, separar, comprar um carro, viajar, aceitar um emprego, deixar um emprego, etc, significa uma coisa. Para outra ou para ela mesma em outro contexto, significa outra.

Por isso nunca podemos julgar ninguém, pois aquilo que vemos é aparência. Não sabemos as causas reais. Digo sempre aos amigos, e acho que repito aqui, que vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas causas.

O que fazer quando não sabemos mais onde está o chão? Fazer ou não fazer certa coisa, ou negar um antigo padrão de comportamento, pode ser um ato de consciência ou de imaturidade… qual o referencial certo?

Às vezes o tempo esclarece… mas e quando brigamos com ele? Ele passa vagarosamente demais, e nós, no meu caso, eu, já suporto o sofrimento há muito… Isso cansa nosso emocional e confunde nossa capacidade de encontrar o referencial certo…

 Posso tanto ser a pessoa que enxerga além, que sofre porque é limitada como todos e tem também más tendências para vencer, mas conseguirá a superação após o longo período de tempo, a que ouviu sua voz interior; ou porque não estou cuidando de mim, saindo do sofrimento que está estampado em meus olhos e eu, por não me amar completamente, por querer fugir, encontro desculpas “elevadas” para camuflar meus medos, inseguranças, etc… Tenho eu medo de experimentar ou já tenho experiência suficiente para não cometer um erro já aprendido?

Quando a maioria das pessoas me analisa como se eu estivesse exagerando para o referencial Terra, isso acontece porque eu estou camuflando meus medos, ou porque elas estão mais contaminadas ao meio que eu, e fatalmente terão uma visão mais materialista? Que perigo eu estar sendo arrogante, não? Mas e se for verdade? E se eu, por não confiar em mim, ouço o que dizem e assim me nego, o que me enlouquece?

A frase: “seja você mesma” seria a resposta, mas e quando, depois de tanto tempo, dúvidas, decepções, fés e esperanças que não se concretizaram, mas foram initerruptamente reiniciadas – e sempre derrotadas novamente – já não se sabe mais quem é, já não se tem um referencial interno? Estou eu apenas em processo de mudança, ou sendo testada? Não suporto mais não saber!

Eu nem me lembro mais de quando eu não me auto-analisava, e nem sei se existiu este tempo…rs… Mas se pelo menos eu me contentasse com bater cartão na Terra e viver apenas o momento, sem pensar no que foi – o que aprendi e me permite fazer melhor, diferente – e o que serei – as consequências de meus atos atuais, reflexos do quanto eu penso em mim – usaria sempre a mesma verdade padrão – a que estivesse “na moda, no momento”. Não precisaria pensar antes de agir e não daria atenção a “este tal de Einstein” e sua teoria de que tudo é relativo…

Fonte da imagem: presenteparahomem.com.br

Adendo: Citarei a mim mesma há quase um ano, quando minha fé ainda era mais forte… O texto está no blog antigo e se chama “O Conto de Fadas é a Realidade”. Que me-do! 😛

http://ameninaqueencontrouoamor.blogspot.com/2010/06/o-texto-prometido.html