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Casal praia blog

Este texto foi escrito no dia 25 de dezembro e era para se chamar “Futuro do Pretérito”. Entretanto, achei que o escolhido, apesar de mais simples, apresenta um trocadilho, útil de diferentes formas, a ambas as partes.

É uma carta e foi inspirada em uma pessoa e em um sentimento, mas não tem endereço único: dirigida a todos que gostam de textos humanos, que perderam um amor porque a outra parte escolheu o caminho mais fácil, mais comum, ou àqueles que busquem palavras de amor e de perdão. Ao final, na íntegra, os poemas citados.

Antes, uma citação relacionada ao tema, mas não necessariamente endereçada “a ele”. A ideia serve, mas o conteúdo específico, não.

“Se tivéssemos a coragem de aceitar como nosso o que já somos agora somado ao que podemos nos tornar no futuro, ao invés de nos enxergarmos como o que ainda somos e de onde viemos, almas não se desconstruiriam e se perderiam buscando sexo pelo sexo em nome de uma transitória realidade. Sexo desregrado e coletivo nada mais é do que um grito de dor, talvez ainda não consciente, de um indivíduo implorando para ser amado. Quem já sofre de solidão está séculos a frente. O dia em que as almas no mundo respeitarem sua essência de Deus e ousarem ou experimentarem com a mesma intrepidez e desprendimento as verdades do Ser, como força, paciência, amor e fé, abandonando o egoismo de querer conhecer todos para si, serão tão felizes nas novidades e desafios das profundezas de um que, através da plenitude pessoal, unir-se-ão a muito mais almas, pelos laços do amor fraternal”

Camila Pigato, 19/01/2016

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Verde e azul. Vermelho e amarelo. Aconteceu: cá estou eu, à beira da árvore de Natal, pensando. Sentindo…

Reconhecendo que ainda dói, física e energeticamente, o coração, ao ver a foto do nosso casamento – mas você com ela.

Já faz um bom tempo que eu parei de berrar; algum que eu deixei de querer morrer; e momentos, praticamente, que começo a fazer as pazes com a fé que eu perdi ao ver tudo acontecer. Mesmo assim, repito tudo o que solucei, escrevi, gritei, falei, chorei, argumentei. Morri: não era para você não estar aqui.

Esta imagem é um impacto muito forte a tudo o que eu sinto. E sou.

Hoje eu estou quase em paz. Faz tempo que ensaio voltar a ser eu. É a primeira vez, nestes três anos, que eu sinto vontade, sincera, de viver o Natal – não porque eu deveria sentir e me pergunto o quão perdida estou porque não sinto. É a primeira vez, que, quando as férias me permitem, eu encontro forças internas, sendo capaz de deixar minha casa perfeitamente limpa, em ordem, com a energia fluindo e que, assim, tudo parece simples e possível outra vez. É a primeira vez que tenho lembranças sólidas como se ainda fossem agora, e não de um tempo que já passou e virou uma época maravilhosa em contraste com o pesadelo de agora; lembranças da “eu” que eu era quando vivi o que se mostrava ser, até então, o cumprimento do meu planejamento reencarnatório, os planos de Deus, para mim. Da minha “eu” mais feliz, plena, em paz e serena.

E, apesar desta mudança tão bem-vinda, dói. Da mesma forma que senti um arrepio na alma, depois no corpo, quando te vi pela primeira vez, de costas para mim, sinto agora uma massa dolorida na região do coração, antes que ele mesmo doa.

O que você fez com o que éramos para ser exatamente agora?

Eu fui ansiosa e duvidei, o que o pressionou, o assustou? Sim! Contudo, minha angústia era deixar de acreditar, não deixar de me sentir bem. Eu nunca desisti do amor, mesmo quando esta busca me machucou, exigiu sacrifícios e me fez “perder” para o “agora” e o tangível. Em você, incomodou e você acabou, depois de muitas fugas, fugindo para casar em *******, justamente para onde eu havia ido anos antes, sozinha, cheia de dúvidas, para me reconectar internamente com você. Para não desistir…

Onde estará a árvore de Natal para a qual você olha agora? Será que olha? Ou apenas cumpre um protocolo? Não necessariamente para os outros, mas para a pior pessoa a quem se pode fingir: para si.

Este é o primeiro Natal que eu vivo o Natal, por mais que tenha perdido um tio (pois isso, sim, é a vontade de Deus: dar e levar a vida e, indo, ele foi poupado de muito sofrimento, além de, de meu lado, ter tido o conforto de toda família, o que ameniza as coisas), e não tenha tido momentos isolados que se perdiam na dolorosa teia de fundo onde eu sempre acabava presa. Se hoje há espaço para que eu escreva este texto não é mais porque vou me arrastando em outras áreas da vida para poder lidar com o que de fato demanda a atenção e sorve as energias da minha alma, para o “que realmente importa” – você -, mas porque graças à sua escolha facilitada há um buraco em minha existência  permitindo que eu sinta o erro da sua ausência. Hoje fui feliz como amiga, sobrinha, prima, filha, cunhada, neta, irmã, tia… Continuarei feliz boa parte do tempo nestas áreas (a vida tem seus altos e baixos), voltarei a ser feliz como profissional e ainda hei de ter liberdade e segurança que, para quem está encarnado aqui nesta prisão louca, se chama “dinheiro”, mas nada disso me faz ou fará uma mulher feliz. E, como filha de Deus, terei que sugá-lo e depender única e exclusivamente Dele se quiser ter fé, pois este erro grosseiro de jornada me fez perdê-la.

O que me fez abraçá-lo novamente com amor e aceitação na última vez que nos vimos, a despeito da rivalidade natural entre uma mulher rejeitada e a atual – principalmente se aquela tem a certeza de que esta é a figurante, no máximo, coadjuvante que, por um erro da vida, assumiu o papel de protagonista -, foi ver a sua esposa tossindo e eu apenas perceber, sem pensar, que minha vontade natural era fechar a janela para cortar a corrente de vento, porque ela era sua (vale reforçar que não uso pronomes possessivos necessariamente para indicar posse, o que tanto te arrepia, mas também relação). Ou seja, algo relacionado a você – mesmo que uma mulher… (Aquela primeira, a biscate, com e por quem gritei, não conta, pois tanto eu estava tão em choque e dor a ponto de ter praticamente qualquer atitude esdrúxula desculpada por ter sido mesmo o meu melhor, quanto ela era baixa e pequena a ponto de fazer até Jesus perder a calma; porém, esta e a anterior têm o meu respeito). Naquele dia eu conversei com ela não para “te ameaçar”, chegando perto demais, ou saber sobre você, mas porque eu queria me testar, e passei: deixei-o ir.

Meses depois, apesar do que parecia ter sido o ponto final-final, a súbita vontade de ver você, que vai e volta como as cores na minha árvore de Natal, ressurgiu, e as redes sociais às vezes fornecem o mínimo necessário que precisamos saber. Que golpe… eu vi a foto do meu casamento, certamente na mesma linha do tempo, mas não apenas isso: o mesmo tipo de cerimônia, a mesma paisagem, o noivo… só que sem mim! (Com um buquê que, confesso, não seria o meu…Rs…). E doeu mais do que eu achei que doeria a esta altura; mais do que eu gostaria de admitir.

Ah, se você soubesse o quanto eu amadureci! O quanto eu aprendi a valorizar os outros tipos de amor, não apenas este “cinematográfico e maioral”, quando eu, de tão certa do que queria e determinada, passava, no exagero, a ser inflexível; o quanto eu tentei, as coisas encantadoramente lindas que senti, o quanto me entreguei. Eu voltei a ver beleza no amor, apesar de entender que era para ter sido você, mas que teria que recomeçar a partir daí. Eu aceitei, já que não pelo amor em si, mas pela vida e por mim, me amar e ser feliz, abrir mão de tudo o que era para ser, de tudo pelo quê lutei. Como eu quis este recomeço! E como doeu não ter dado certo ainda assim… Não apenas pelo novo sofrimento, mas porque este novo vazio fazia esta nossa dor ficar ainda maior. Todavia, juro que quis prosseguir. Pelo visto, por um motivo ou por outro, não era para ser. Eu aceitei amar de verdade e com o meu melhor, apenas de outra forma, mas foi a própria vida que não quis. Portanto, pela primeira vez nestes três anos, me admito aqui. Não preciso mais fugir da dor para sobreviver. Eu já sobrevivi! E finalmente deixei que ela viesse. Eu, pela primeira vez no controle em sua companhia, a vivi.

Pergunto-me se “ler a sua alma” naquela época e falar tão naturalmente dos seus pontos nevrálgicos (assim como eu procuro fazer ao admitir os meus) não o tenha magoado mais do que eu possa imaginar, e pergunto-me se fazê-lo novamente não seria repetir um erro e afastá-lo ainda mais de mim. Por outro lado, apesar de tudo o que fiz para impedir, você está tão fora da minha vida que eu não me vejo nem no direito de te enviar o que vivo, não sei nem se você vai tomar conhecimento destas palavras, e este texto passa mais a ter um valor literário para explicar algo meu, um sentimento pessoal com o qual outros seres humanos possam se identificar e que seja útil para salvar outras histórias, que algo que faça parte da minha. As coisas ficaram tão fora do lugar que parece que isso não existe mais, que eu não tenho mais nada a temer. Nem a figurante fui rebaixada, eu simplesmente fui expulsa de cena na história que eu mesma escrevi. Sendo assim, talvez seja oportuno desabafar: sabe, casar outra vez com sua ex-esposa na forma de outra mulher não vai amenizar a mágoa que você possa ter causado no passado ou resgatar o que acabou antes do que você certamente previa (como sabemos, separações não são apenas fraquezas, mas fazem também parte da dinâmica dos relacionamentos, da realidade da alma; nós é que, quando desenvolvemos o caráter e queremos passar a respeitar a lei da vida, quando milenarmente inexperientes, somos rígidos para julgar as coisas e rotulamos tudo, no medo inconsciente de cair em erro novamente – “casar é nobre, separar é pecado”. E, assim, muitos erros são iniciados ou antigos acertos irremediavelmente danificados são mantidos, enquanto verdadeiros amores já prontos para serem vividos, eternamente na fila de espera quando tinham prioridade, nunca são formados). Muito pelo contrário: um dia a mesma situação chegará ao mesmo ponto e você terá que romper outra vez, ou se violentar. Não entrarei em detalhes aqui, mas ela ocupa o mesmo lugar dentro de você, lugar este muito mais guiado pelos caprichos do ego que pelas fibras de amor, paciência, coragem e fé. É sua zona de conforto que impera, não sua potencialidade. E lá venho eu novamente falar do seu semblante, que não mente. Desde mim, eu nunca mais o vi daquele jeito… Se você não tivesse capacidade de mais, eu estaria sendo egoísta, arrogante e orgulhosa ao te pedir algo que te agredisse as condições máximas atuais da alma; entretanto, por voltar a seguir a minha intuição e ter visto em seus olhos o que eu preciso para saber que você pode muito mais e que fazer de novo o que já foi feito é desperdício de tempo, de energia e vitalidade – é estacionar -, continuo batendo na tecla do que poderia ser.

Ela é igual onde há um vício na sua alma, um padrão de comportamento já conhecido, daí a falsa noção de afinidade – não similar em sua essência. Embora você tenha uma doçura e emotividade nitidamente em desenvolvimento (e esta foi uma das características básicas que tanto me encantou em você!), seu lado prático, reto, objetivo, de homem, militar, ainda fala muito alto. Eu também fui me descobrindo muito assim, mas em mim, é o inverso não em essência, e sim em proporção: o que se destaca é a emotividade. Além do diferencial de um amor bem mais real, eu te daria a espontaneidade e uma sensibilidade mais aflorada, o que em um primeiro momento iria desafiar, mas somar, porque você já está aberto para isso; enquanto por dentro, não apenas na objetividade, mas em valores essenciais da vida, já somos muito parecidos – identificação mínima necessária, a longo prazo, para confortar. E manter…

Ambos estamos sozinhos. A única diferença é que você está acompanhado.

Você precisa de uma mulher que te admire, te respeite, te ame e seja sua companheira e que se descabele se você for embora por motivos vãos; que se desespere ao não tê-lo consigo não apenas pela própria infelicidade, mas por doer no coração a noção de que você se prive da felicidade que, merecidamente, está guardada para você; porém, uma vez juntos, que não tenha medo de perdê-lo se você for teimoso, orgulhoso ou imaturo, maltratá-la ou ao amor e fizer por merecer.

Eu lutei solitária e como louca (aliás, passei por quase louca e certamente passaria/passarei se/quando souberem o que eu ainda sinto. No entanto, eu sinto. Que fazer?) não apenas pela minha história, mas por uma ideologia, coloquei outdoor e subi num balão para, a olhos nus e em poucos anos, nada em troca ter recebido (muito pelo contrário, virei uma verdadeira “loser” diante dos baixos valores vigentes, pois em meses perdi você, meu pai, meu dinheiro e meu carro, sem ter alguém para conversar “de homem para homem”, por mais que sua falha tenha sido no âmbito emocional e não físico; não podendo nem sair para distrair a cabeça de uma dor que me dilacerava a alma, sem poder pagar um curso ou uma viagem, conhecer gente nova, me divertir, nem sair para tomar um café, a pé, enfim, fazer algo bom por mim em outro setor da vida a fim de amenizar a dor de te perder), enquanto você seguiu em frente, várias vezes, “bombou”, e hoje está casado. Já eu, seguindo este parâmetro limitado, apesar de pequenas melhoras neste quadro, “fiquei para tia”. (Embora, como tal, eu esteja no céu!).

Entretanto, eu sou livre para sentir sua ausência; sou livre para lidar com esta infelicidade, enquanto você está anos atrás, ainda no começo de uma história que, desculpe, de verdade (não tem mais raiva ou arrogância aqui, apenas uma triste constatação de fatos), mas, fatalmente, irá falhar, para que o estrondo lhe faça redimensionar os fatos. E tudo…

Você não apenas me rejeitou, como me desprezou e me humilhou para, anos depois, sem nunca se desculpar nem mesmo como ser humano, quiçá como homem, casar o nosso casamento com outra pessoa. Era inconcebível a ideia de te perdoar… “Over and over” a ideia de você me procurar e admitir que errou passa pela mente, não apenas como um desejo, mas como uma premonição ou, no mínimo, uma possibilidade. Você estragou tudo, foi longe demais com o “ninguém é perfeito”, “às vezes nos afastamos da vontade de Deus” ou “ops, sorry, cometi um erro”. Se isso realmente acontecesse, eu ficaria muito triste por, então, viver esta história mais como por ser algo a ser cumprido ou à natureza da lei de Deus, que não nos deixa opção a não ser o perdão e o amor, se quisermos ficar bem; mas nunca mais, pelo menos nesta vida, haveria a empolgação, a magia, a beleza de quando algo acontece espontaneamente… Precisaríamos construir pedra a pedra o que já estava pronto e não sobre um terreno plano, mas sobre escombros. E lidar com intrusos no que estava protegido. Perdemos o encanto do começo e do reconhecimento, do plano divino se sobrepondo ao material; temos agora uma grande bagunça, muita influência das imperfeições do Homem, reflexão, responsabilidade e trabalho para poder chegar somente à primeira conversa – que dirá de todo o resto. Não me refiro a ilusionismos românticos, pois apesar de ter chegado realmente perto de deixar de ser essencialmente romântica e acreditar no amor, o que sou eu (e foi isso, não ter tão pouca autoestima a ponto de quase morrer por causa de um homem, que me matou por dentro), eu, com esta dose exagerada de “realismo”, aparei muitas arestas e perdi muitas ilusões. Refiro-me à diferença entre algo divino acontecer no tempo e jeito certo ou o homem interferir com suas limitações, orgulho, falta de fé e, mesmo que temporariamente, destruir e danificar o que ele mesmo havia construído com seu lado bom, que Deus havia enviado e estava pronto e puro. Depois de tudo o que ocorreu, eu viveria isso mais pela constatação de que mesmo com o erro do homem há a possibilidade de conserto, graças à força do amor; haveria a humildade diante da vontade de Deus, da qual eu obrigatoriamente retiraria bons fluidos e bons sentimentos, mas seria uma história que não conseguiria mais ser tão bonita porque passou a ser um remendo, uma adaptação cheia de falhas da sólida estrutura original: em segundo plano ficou tudo pelo quê lutei a vida inteira, antes mesmo de o (re) conhecer.

Que diferença faria para você passar por todo o processo comigo, se já viveu isso tantas vezes? Você responderia: “o amor”.  E, por mais que eu quisesse que desse certo, depois de tantos “nãos”, tantas certezas e fés transformadas em ilusão de uma boba imatura e, consequentemente, da minha autoestima tenha ido ao chão, seria obrigada a questionar: “Mas, por Deus, se há amor, COMO foi possível haver outras pessoas depois de mim?”.  Apesar de “o Bem sempre vencer o Mal”, de todo o orgulho não ser mais do que uma gota no oceano do amor, não seria tão simples assim… O que fazer por uma alma que era “limpa” e agora está toda remendada com o cansaço e com a dor (quem sabe, em breve, pela corrupção), e não é mais a mesma para deixar este sentimento fluir? Sabe aquela história da tábua e os pregos, relatando que podemos até tirar os pregos da tábua, mas ainda restarão marcas? Melhor tirar, claro, que deixar a tábua toda martelada, contudo, bom mesmo seria nunca terem martelado onde não era devido… Eu fiz a minha parte, eu “protegi a tábua”, lixei, passei lustra móveis (rs), eu nunca toquei em um martelo e, ainda assim, por causa de uma pessoa que não teve o mesmo cuidado, eu acabei com a minha tábua toda pregada. Que bom que “Deus enviou” alguém para tirar os pregos, mas, já que ele é Deus, onipotente e pode decidir como, onde e quando, eu preferiria que Ele me tivesse protegido das marteladas, para fazer valer a própria lei, que eu, by the way, defendia; não me feito pagar pelo erro de outra(s) pessoa(s), principalmente quando, justamente neste assunto específico, eu tive as minhas precauções, para somente depois do estrago feito Deus ser Deus e “lembrar que existe”. (E esta é a minha queixa real – Deus – pois você e eu somos apenas criaturas; estranho seria nós sermos perfeitos e Ele ter falhas). Apesar de tudo o que eu sei e, no fundo, ter consciência de que estou errada – mas é assim que sinto – complicado este conceito de justiça…

Para dar certo, deveria ser possível voltar no tempo. Queria apagar estes tormentosos três anos e todos mais que ainda forem longe deste amor, longe de você. Gostaria que fizessem uma lavagem cerebral a colocassem a história original neste espaço em branco. Ainda assim, não adiantaria, pois seriam informações, não experiências, sentimentos. A época, a atmosfera, o contexto, além do amor em si e da minha “tábua sem pregos”, faziam parte da “magia”. No caminho, havia uma bifurcação para o “céu” e para o “inferno”. Hoje, até o caminho do bem tem um quê de dor, de tristeza. Ambas as opções não são boas.

Ah, meu Deus, eu demorei tanto para entender que eu merecia, eu tive coragem de ir atrás… eu só queria ter sido feliz!

Fico aqui, me perguntando, se, apesar de conhecer este mecanismo, você vai ser uma daquelas pessoas que vão se contentar com o superficial e viver uma vida de fora até que os últimos instantes venham e, somente com a chegada da “morte”, você se aproxime da consciência da verdadeira realidade e faça alguma confissão, deixando um recado quase póstumo – ou pior, que precise “ver para crer” e só tome consciência disso quando já estiver imerso no outro plano e lhe “passem um filme” -, ou se vai acordar durante o caminho. Eu já devo ter sido assim, por isso, nesta vida, num momento decisivo, coloquei tudo num outdoor, para que fosse um fato consumado, a tempo de ser vivido – não lamentado ou refletido.

Meu Deus, isto não é um filme, um texto ou apenas uma música bonita;  isto não é Hollywood, não é ficção, é a minha vida!!! Como pode a maior certeza de Deus na minha existência ter se transformado na maior mentira?

Eu definitivamente não sou apenas aquela que não gostou de ser contrariada, assim como você não é somente o homem que negou o amor. Será que ainda há oportunidade para ambos entendermos isso?

Há uma gigantesca chance, no entanto, de você não estar nem minimamente interessado. Estou, como meu poema diz, “Sozinha na Chuva”. Como pode, “Mensageiro de Deus”, ao invés de ter a “Sua Presença” (já que sua história original de fato acabou e você tenha ficado livre), eu velar a “Sua Ausência”, não por uma causa justa, ou quando era necessário e parte dos planos divinos – o que era difícil, porém, sublime -, mas para você, teimosa e desnecessariamente, “Mentir-se Feliz”?

******

Imagem: google

Poemas – Observações

1 – Serão publicados na ordem cronológica, não de citação;

2 – Desde quando compus que não lia o “Mentir-se Feliz”. Percebo que o conteúdo é muito parecido, embora naquela época houvesse mais mágoa e revolta;

3 – Neste mesmo poema, há uma estrofe sobre suor e dinheiro. Esta única estrofe é destinada ao meu pai, não ao meu amor. Este poema nasceu da sensação de abandono, de escolha por um caminho mundano, negando o divino, e meu pai fez a mesma coisa, apenas por outros motivos.

Sua Presença

Quando não está por perto

Percebo o quanto sou feliz

Quando o tenho ao redor

Sua presença é tão marcante

Que me faz bem

Mesmo quando está longe

Hoje, porém, quero apenas

Enaltecer a sua existência.

 

Tê-lo no mesmo cômodo que eu

Poder vê-lo somente pelos lados

E mesmo que sejam

Apenas pernas e sapatos

Mas saber que estamos próximos

Provavelmente juntos no coração

Gera em mim inenarrável alegria.

 

Seguro-me para não demonstrar

Este sentimento

E tento agir com naturalidade

Às vezes, tratando-o

Com excesso de normalidade

pelo receio que notem

não só a natureza

mas também o tamanho

e a força do meu amor

Colocando nós dois em situação indesejada,

E este sentimento de sublime

Possa momentaneamente causar tormento

 

Ouvi seu suspiro

E imaginei como seria

Poder senti-lo mais de perto,

Numa situação do dia a dia

E, neste sonho,

Como seria poder olhá-lo

Mesmo sem que percebesse

Admirá-lo e agradecer a Deus

Por colocar a luz da sua presença

Na rotina da minha realidade.

 

Sei que se eu pudesse tê-lo desde o começo

Saberia dar valor ao que temos

Pois antes de você

Muitos anos se passaram

E eu soube que quando te encontrei

A minha busca havia terminado

Mas hoje penso se,

Além de outras lições,

O fato de não poder tê-lo de imediato

Não seria algo culposo, negativo ou um teste,

Mas sim um meio ainda não compreendido

Em essência pelo homem

De fazer ficar mais lindo o reencontro

Quando duas almas descobrem

O limite do quanto se querem

Para em determinado momento da Vida

Encontrarem a pura felicidade

No momento exato

Da livre troca de olhares.

 

A esperança deste dia

E a riqueza deste sentimento

Motivam a minha existência

Enchem minha alma de paz,

Minha vida de alegria.

 

Em seus olhos vejo a luz

Que em minha humilde interpretação

Ainda é o mais próximo

Que posso chegar de Deus

Sua vida, sua presença

Representam para mim

A Bondade Divina, o sentido da Vida

Algo que todos sentiremos em tudo,

Um dia.

 

O mínimo que posso dizer é

Que eu amo você,

Pois para tudo que sinto

Não há palavras ou explicação

E o mais próximo que conseguiria mostrar

Para que pudessem entender,

Seria o meu olhar

Que se ilumina quando encontra o seu.

 

Quem sabe um dia eu possa

Dizer tudo isso a você…

Dar todo o amor que eu tenho guardado

Há muito tempo

Para você,

Somente para você.

 

Encontrei o amor…

Sou feliz…

Adoraria poder dividir esta felicidade

Com você

Meu amado,

Meu exemplo,

Minha vida,

Minha luz,

Minha calma,

Minha paz,

Minha emoção,

Minha certeza,

Meu amor,

Meu enviado.

Que Deus Ilumine a sua existência

E que abençoe nossos caminhos

Sejam eles juntos

Ou temporariamente separados…

(Camila Pigato, agosto 2009)

Sua Ausência

Quando vejo você partir

Sinto que meu coração

Vai querer desanimar

E para não desistir

Eu começo a me lembrar

Dos momentos que vivi

E me sinto elevar

Olho o céu, olho as montanhas

E sinto o seu olhar

Percebo que ele está em mim

 

Sua ausência fere minha alma

Faz a minha luz estremecer,

Meu coração diminuir

E a saudade bater

Mas quando a tristeza

Quiser aparecer

Eu começo a me lembrar

Do oposto, que é ter você,

E percebo que até a sua ausência

Serve para valorizar

Tudo que passo a ser

Quando o tenho ao meu lado

E eu percebo a grandeza

Do que a sua simples presença

Pode revolucionar e enobrecer

Dentro do meu ser.

 

Então eu entendo que longe ou perto

Você está comigo

Modificou minha vida

Minha visão de mundo

Enalteceu minha fé

 

Mas enquanto a distância for necessária

O simples fato de você existir

Vai inspirar meus passos

Iluminar minhas idéias

E alimentar meu coração

 

Quando penso no sorriso (sincero e sem culpa)

Que nunca darei

Nas suas mãos,

Que sobre as minhas eu não sentirei,

No abraço aconchegante que não vou ter

Ou no beijo que teremos que evitar

Enfim, no amor que nunca vou viver

Poderia começar a chorar…

Mas é exatamente quando fico feliz!

 

O que eu sinto é mais forte que tudo

Não é deste mundo,

Nem deste tempo

É algo que somente me faz crescer

 

Sua presença ilumina o meu dia

Engrandece minha alma

Enche minha vida de alegria

 

Faz com que eu ame mais os que me cercam

Que eu agradeça a Deus a todo instante,

Gostaria que todos sentissem esta harmonia

 

Se sempre chorei de saudade ou decepção

E no “amor” fui sempre renegada

Ou desejada por quem eu não queria,

Tudo não passou de ilusão

Hoje escrevo sobre as lágrimas que caem

Mas que são expressão de alegria,

Vindas do fundo do meu coração.

 

Que a sua presença em minha vida

Me ajude a ser melhor

Para um dia merecer você

Hoje

Tão perto,

Mas sem seu olhar constante,

Eu dizia em pensamento o que sinto

E imaginava nós dois

Nos abraçando,

Observando a imensidão do mar azul

A brisa a nos envolver,

A paz a nos completar

E o amor a nos guiar

 

Mesmo que não seja a hora

Vou continuar a te esperar

E em meu pensamento te amar

Pois é isso que alimenta meu ser

Um dia, perante a eternidade,

Iremos nos reencontrar

Seja amanhã ou daqui cem anos

Só a vida vai nos dizer

Mas eu digo estar certa de que vai acontecer.

 

Eu não preciso tê-lo por perto para lhe ver

Nem poder lhe tocar,

Para o abraçar

Ou preciso do seu beijo

Para o amar

 

Encontrei o amor

Pude confirmar minha essência

E saber que o tempo é relativo

Que meu caminhar

Vai um dia me levar até você

É preciso ter esperança, paciência e fé

 

Eu posso não ter tido seu corpo

A caminhar ao lado do meu

Mas a cada dia,

Em cada gesto,

Em meus sonhos

E em meus pensamentos

Pude imaginar como vai ser

Quando nossa união acontecer

Somente este reencontro

Basta para ser feliz enquanto eu viver.

 

Tê-lo junto de mim,

Vivo no meu coração

Fez-me notar que somente por acreditar

Eu pude encontrar a verdadeira felicidade

Poderia viver um único momento eternamente…

Nunca antes senti nada assim

É difícil explicar minha gratidão

Por tudo que a Vida passou a me dar

Sinto que este amor , na verdade,

não tem começo nem fim

É algo que me faz seguir sempre em frente…

Não importa quando nossos caminhos se encontrarão

Nem ouço o que os outros vão falar

Não sou eu que vivo longe da realidade

São eles que não entendem, infelizmente.

Houve tempos em que quase duvidei de mim

Foi difícil viver a separação

Mas nenhum obstáculo conseguiu me desviar

Sou feliz mesmo “contra” a sociedade

Não podemos fugir do amor, quando se sente

Um dia eles compreenderão

Vale mais o encontro de um olhar

Do que tudo o que eu poderia viver

Por este sentimento

Serei grata eternamente

Somente por saber de sua existência

A paz invadiu meu coração

E se hoje sinto sua ausência

É porque um dia vi o seu sorriso

E isso basta

Para que esteja  sempre presente…

(Camila Pigato, fev e out 2009)

O Mensageiro

Vejo anjos

Em torno de mim

Com os olhos

Apenas o abajur

Que irradia linda luz

E abana suas asas

Para nos lembrar

Do Bem que nos conduz

Mas os que realmente estão aqui

Vejo com o que sinto

Para o que me transformo

Quando penso em você

 

O que é a criação

Senão apenas um meio

Que Deus sabiamente Inventou

Para que a alma

Possa sentir fora e aprender como seu

Algo que já traz desde sempre,

Dentro de si?

 

Os mundos, as estrelas, o mar,

O céu, as árvores, a chuva,

O sol, as pedras, o ar

Todos seguem um caminho

E com eles, interagindo,

Sentimos a grandeza

E a simplicidade

Do existir

As plantas, os animais,

Desde o unicelular

Ao homem que pensa saber

Todos são seres amados

Cujas vidas devemos celebrar

 

Na forma do pai

A sabedoria, o carinho, a proteção;

A mãe ensina à alma

O conforto, a bondade, o amor incondicional;

Filhos ensinam a quem os têm

A doação, a resignação, a vida pela vida,

Amor sem igual;

Os amigos são tesouros

Irmãos que escolhemos

E que tanto nos amam

Que não precisam mais estar por perto

Para continuarem a ser

E mesmo longe pelo lugar ou pelo tempo

Basta um sorriso

Para a intimidade de outrora

Venha aparecer

 

A criança foi criada para que ainda se lembre

Da inocência, da bondade, da pureza;

A adolescência nos relembra,

Para que com a criança não se engane,

A inconstância que podemos ter;

O adulto demonstra a força que

Precisamos exercer

E o idoso novamente é um convite

À realidade de que a vida é um ciclo sem fim

Novamente nosso tamanho pequeno é apontado,

Não sem antes novamente despertar

a inocência do começo misturada

da sabedoria adquirida pelo tempo

 

Há também os relacionamentos conjugais

Que nos ligam profundamente

Sem do sangue ter-se laços de afinidade

Têm a pureza dos sentimentos mais fortes

Advindos normalmente da família

Junto do conforto de uma amizade.

A comunhão de idéias, a convivência fraterna

A doação, o carinho, o amor incondicional

Pelo menos, é assim um casamento de verdade

 

O momento que vivemos na atualidade

Ainda é de aprendizado

Portanto, nem todos os relacionamentos assim serão

Pois muitos deles ainda são também um meio,

E não a finalidade

Como muitos ainda pensam que são.

 

Seja como for, todo tipo do que hoje chamamos “amor”

São modos da Criação nos mostrar

O amor sublime que um dia iremos experimentar

Cada ser, em seu caminho, tem muito a aprender,

Mas também algo a ensinar.

 

Entre tantas outras coisas,

O medo de tudo o que sinto estar errado,

E com isso o modo como vejo Deus,

Tudo o que aprendi,

A paz que senti,

Fez com que, exatamente por temer perder,

Eu me afastasse de minhas crenças,

De mim mesma, minha essência,

E até mesmo de você eu me perdi.

 

Suas palavras de bondade

Têm um efeito em mim

Mais poderoso que as mesmas ou ainda melhores

Que qualquer outro ser no mundo pudesse dizer

Mesmo sem resultado imediato,

Você não deve nem saber,

Mas o simples fato de sorrir

E ter vontade de ajudar

Resgatou-me de mais um tormento

Onde eu estava escondida,

presa dentro de mim

 

Como sou ainda muito pequena

Falar com os anjos não me é permitido

E talvez por ter o coração endurecido

Para entender a pura caridade

O modo mais rápido de encontrar minha alma

E fazer com que entenda os recados que a Vida

Quer que eu aprenda

Seja colocá-los nas mãos de alguém

que me fez encontrar a mais sublime felicidade

 

Você talvez não fale a língua dos anjos

E sei também não ser perfeito

Mas é exatamente daí que vem toda beleza

Porque o que sentimos, pensamos,

Do que gostamos podem ter muito em comum

E cada defeito seu talvez seja

O que minhas qualidades conseguem compreender

 

Seus olhos humanos, como um outro qualquer;

Seu modo de viver, tentando ser melhor,

Mas fazendo o mesmo que vejo um grupo fazer

Podem ser simplesmente apenas “mais um”

Mas para mim são o intermédio

Entre este mundo e aquele que de muito perto

ainda não nos é dado conhecer

 

Você não é melhor do que ninguém

É mais um homem doce, generoso, gentil

Sábio, vivido, inteligente,

Verdadeiramente bom

Sei não ser maioria,

E isso talvez o destacasse.

Destaca, sim.

Mas ainda que houvesse um outro homem assim

Que cruzasse meu caminho neste momento

Não diria em forma de sentimento

Tudo o que sua existência toca em mim

 

E isso faz com que,

Exatamente por ser humano,

Seja perfeito:

Bom, generoso, gentil,

Mas como só você poderia ser

 

Por ter encontrado este tipo de sentimento

Ter um relacionamento só por ter

Passa a ser banalidade

Ter alguém ao lado

para não sentir solidão

é muito pequeno, inútil,

vira tormento.

Eu mal comecei a aproveitar este amor,

Impossível seria esquecer

Você me mostra uma outra realidade

Sinto-me completa, feliz, sempre bem-acompanhada,

Pois o tenho no lugar que mais interessa:

O coração.

 

Belo e pequeno ser humano

Ser por Deus tão Amado

Pois para Ele,

Pouco Importa sermos almas crianças,

Que ainda erram,

Ou aqueles que do Mais Alto cantam

Somos nós que temos sentimentos condicionados

Ele Vê apenas um que já terminou uma etapa

E o outro que pelo próprio ato de errar

Fatalmente irá ao mesmo destino chegar

Para Ele somos todos iguais,

A diferença é que nossa bondade ainda se expressa

Na forma de erraticidade

A deles já está iluminada

E na harmonia consegue se mostrar

 

Tudo isso para dizer

Que por ainda termos tanto o quê aprender

Esta querida humanidade, onde sou iniciada

Não detém palavras nobres o bastante

Para explicar este sentimento

E que por falta de expressividade

Chamamos “amor”

Então, é assim que denomino

Tudo que sinto por você

 

Você também veio para crescer

Mas isso é tudo o que imagina ser

Não sabe que sem nada precisar fazer

Me leva direto ao céu,

Sem daqui poder ainda partir.

Faz com que eu me lembre que há amor,

Resignação, esperança, fé

Não apenas por suas palavras,

Mas pelo simples fato de existir.

 

Você é o maior Presente

E o maior contato com o Criador

Que eu poderia conhecer

Graças ao que sinto

Sou melhor comigo mesma,

Com todos os que me cercam

Com aqueles que talvez eu quisesse manter longe

E agora preciso também viver o amor

 

Nestes momentos de elevação

Casar parece pouco

Pois o que sinto vem antes e vai muito além desta morada

Consigo apenas elevar o pensamento

E agradecer pela grandeza de Deus

Ao colocá-lo em minha caminhada

 

Sinto seu abraço

Num olhar

Seu beijo

Num sorriso

E isso é tudo que preciso por enquanto sentir

Talvez se você chegasse mais perto

Eu poderia não suportar

Pois o que sinto é tão intenso

E ao mesmo tempo tão radiante

Que parece desperdício limitar

A um corpo, ainda que abençoado

A um local, em todo firmamento,

A um instante, em toda linha do tempo

 

O amor que sinto é tão grande…

É difícil de explicar!

Independe de você,

De nossas experiências,

Que são a forma que nossas almas

Encontram de melhorar

E que podem exatamente por isso

Ainda nos afastar

Para que quando não haja mais nada a aprender

E possamos ser livres de outros relacionamentos

Exercer livremente

e nossa união enaltecer

Não sei se você já me encontrou

Mas eu encontrei você

Agora, meu amor,

Ser amado,

Abençoado,

Iluminado…

Graças a você

Deus e eu podemos dialogar

(Camila Pigato, julho de 201o)

Sozinha na Chuva

Vencia a Chuva

Que embaçava minha visão

Nossos caminhos se cruzaram

Mas íamos em outra direção

 

Duas almas buscando abrigo,

Aconchego, proteção

O mesmo fim

Porém, caminhos diferentes

Molhada, precisando de calor

Cansada, para me aquecer

Só o banho ou chocolate quente

Será possível ter o seu amor?

 

Aqui dentro as luzes harmoniosas

Mais uma vez piscavam

Cintilando na árvore de natal

Lá fora você chegava

Onde te esperavam

Aqui dentro

Chuva torrencial

 

Na caixa, o livro autografado

Que eu nunca entreguei

No carro, a folha

Que há meses imprimi

Nos lábios

O beijo que nunca dei

No peito a esperança

Que não me deixa seguir

A campainha toca toda semana

O coração dispara, entristece

É sempre outro rosto a sorrir

Tanta dúvida, demora

A mente enlouquece

A solidão devora

Quase desisti

 

O vento sopra e apavora

Revira a vida perto de mim

Tira tudo do lugar

A chuva cai,

Sem fim

No entanto,

Já passou

Só as luzes de harmonia

Brilham em melodia,

Alegrando meu coração

A tempestade que veio

Não tirou nenhum telhado

Apenas me arrancou o chão

Esperar você é acreditar no sonho

Ou viver de ilusão?

 

Venci a vida

Que quase embaçou minha visão

Enfim nossos caminhos se cruzaram

Afinal, estamos indo na mesma direção?

(Camila Pigato, dez 2011)

Mentir-se Feliz

Até quando sentirei a falta

De quem não me quer bem?

Paredes que falam

Pessoas que lembram

Hábitos que revivem

Quem por vontade

Quis partir

 

Segundos desperdiçados

Vidas desviadas

Dores desnecessárias

Amor não vivido

Certeza enlouquecida

Fé que deixou de existir

 

Desprezo a fraqueza

Lamento a covardia

De quem preferiu

O mundo a mim

 

Cada passo que dei

Pingando de chuva ou sol

Castigando o corpo

E calando a alma de exaustão

Equivale a todo milhar a ser perdido,

Se a vida é justa,

Do dinheiro que você escolheu

No lugar do meu coração

 

Para uma única lágrima

Da tormenta que me acometeu

De sua indiferença, arrogância e traição

Vários sorrisos

Em diversos rostos de mulher

Que vivem o momento,

Surgirão;

Cada noite aqui vivida de solidão

É mais uma,

Dentre tantas,

Da companhia, de toques,

Abraços, beijos, vida social;

Satisfação sexual, rotina compartilhada

Por quem,

Originalmente,

Não deveria ser mais que uma amiga

Ou passar de uma balada

 

São,

Contudo,

Sorrisos de euforia, carência, acomodação

E a minha dor –

Sem igual –

De tudo ruim que traga,

Ao menos é verdadeira,

O oposto de uma ilusão

 

Como a que vive

Com as escolhas que fez

E o que constrói

Única e exclusivamente

Pelo medo de enfrentar o que sente

Obrigando-se, assim,

A fugir de mim

Para mentir-se feliz

 

Que restará de nós

Quando despertar?

Haverá segunda oportunidade?

Conseguirei,

Depois de tudo,

Perdoar?

Sobreviverei?

Qual a pior morte:

A do coração fisicamente estagnado que liberta a individualidade,

Ou a da alma banalmente acorrentada a um corpo que ainda respira?

Estarei,

Enfim,

Aceitando o inaceitável,

Vivendo o presente transformado,

Ou ainda debatendo-me

No inferno que amiúde dorme,

Mas não cessa,

Tendo presa nesta indescritível situação

A minha liberdade?

 

A certeza do que um dia nos uniu

E sempre nos ligará,

Além de tudo o que você também irá saber,

De sólido e eterno que é,

Consola e eleva;

Enquanto desola, desespera, revolta,

Pela magnitude do que foi perdido,

Agora,

Tamanho deserto que se instalou

No límpido mar azul que flutuava em mim

E que secou.

Apenas porque você quis,

A despeito de tudo que fiz.

Apesar do brilho único e cristalino em seu olhar

Do sorriso involuntário

Quando eu,

Tímida,

Revelei o que senti.

 

Se é mesmo algo tão elevado,

Como pôde escolher –

Dentre todas as confusas opções

Deste mundo tão diverso –

Querer, imaginar, atrair, desejar, aceitar e materializar

Qualquer que seja,

Por mais tentador,

(Algo tão íntimo, único e seu):

o que não fosse o amor e a mim?

A cada dia tento superar

Esquecer, amar, perdoar, sublimar, entender.

Impossível…

Desisti!

(Camila Pigato, abril 2014)

 

Minha Vida que Não Minha 2

solidao caminhoAprendo pelo o posto aquilo que a vida quer que eu conheça. Não seria assim com todos, na maioria do tempo? Prazer, mundo! Acabaram-se meus benefícios.

Não compreendo como pode ser melhor ser obrigada pela força dos acontecimentos a escolher o pior dos caminhos. Eu que sempre penso antes de fazer, tendo concluído ser o amor a melhor escolha, brinco sem achar graça alguma o jogo do contrário na versão dolorida.

Só porque tive por opção inicial valorizar o ser humano masculino e acreditar no amor, fui deixada para trás por muitas garotas “descoladas” que convenceram o pior lado dos seres deste gênero e cada uma destas uniões mostrou-me apenas que o amor vale muito pouco quando o assunto é relacionamento.

Só porque fui uma boa filha, não roubei atenção o suficiente daquele que deveria me proteger e suas próprias questões, deste lado negativo do homem, cresceram no palco da vida. E esta, então, me pagou com abandono onde eu plantei amor.

Só porque é belo seguir o coração e o sonho, acreditei nos meus e dei com a cara no chão.

Tudo isso, apenas devido ao único e exclusivo fato de ter resolvido mudar. Decidido crescer. Somente porque parei de ouvir meus medos, minha gigante insegurança e passei a alimentar minha autoestima. Porque confiei em mim.

Tivesse sido covarde, jamais teria vendido um negócio que me sufocava e me prendia, para retornar ao jornalismo que eu não tinha tido a chance de exercer. Houvesse eu ainda continuado insegura, agarrar-me-ia ao título do diploma e jamais ousaria ouvir, finalmente, a minha vocação. E nunca teria escrito um texto literário neste blog, muito menos escreveria nenhum livro, ou, plenamente realizada e em paz, me sentiria capaz de conseguir coisas por mim mesma.

Se eu tivesse seguido meus instintos, minha carência, minha solidão, teria tido cada um dos variados tipos de relacionamentos possíveis, na confusão que o Homem ainda faz com a emoção – os quais eu descrevo com detalhes e argumentos convincentes no livro pelo qual precisei vender meu carro para poder terminar, mas que quase ninguém (re)conhece –, repetidas vezes. Não teria escrito nenhum poema. Não teria feito um outdoor para lutar pela felicidade, pela vida – com a qual não deveriam brincar. Não teria tomado benzetacil sem dor. Não teria sonhado acordada. Não teria amado incondicionalmente. Não teria sido alimentada por apenas um olhar, um sorriso. Não teria conhecido a verdadeira felicidade. Contudo, ainda acreditaria no amor, que sempre seria maior do que isso – e não o contrário.

Se eu não tivesse acreditado em mim, não teria movimentado o melhor que possuo, trocaria a fé pela razão e hoje estaria muito bem. Teria tirado vantagem da minha época de classe média alta, sem um pingo de culpa ou consideração por quem me sustentava, e hoje teria muito (muito) mais do que possuo; estaria sempre acompanhada e seria uma das mais populares do meu meio.

Se em vez de meiga eu também tirasse sarro; se em vez de humilde (em alguns aspectos) eu fosse vaidosa; se, em vez de sonhadora, eu fosse esperta; e se em vez de romântica, eu fosse a eu fogosa mesmo sem nenhum sentimento, não faltariam homens enlouquecidos ao meu redor. Seria única e exclusivamente a minha conveniência, não meu coração, quem escolheria.

Parece, entretanto, que o problema continua sendo a tal da autoestima, porém, em uma lógica invertida. Não existem mais leis e regras da vida, apenas um grande erro: eu. Tudo o que faço, não importa a causa e muito menos o efeito, ainda que estejam em extremos opostos ou mesmo no caminho do meio: é errado. Sou eu a inadequada. Quis acreditar no melhor e a vida, surpreendentemente, me deu o chapéu; em contrapartida, quero, exausta, sucumbir, mas algo aqui dentro simplesmente não me permite cair de vez. Nada é certo, nada acontece.

Parece que a vida passa lá longe, para todos, e eu vejo tudo de fora. Ou melhor, de dentro: presa em uma fina camada de vidro transparente que tem plena consciência do que não vive, mas que nunca quebra para deixar viver.

Nada entra em harmonia. Nada acontece. O tempo passa apenas para me consumir a saúde, a fé, a paciência, a força… o tempo. Para eu ver a vida de todo mundo progredindo. Nunca para fazer justiça. Para a acreditada reviravolta. Aliás, quem devolve o tempo perdido? Por melhor que tudo um dia aconteça, quero saber do tempo perdido. Que nada nem ninguém pode mais restituir. Que será da vida que eu estou perdendo, agora? Já que a vida é tão preciosa, por que preciso me contentar, aceitar, esperar e ter fé em perdê-la? Por que, para mim, só vale o “um dia”, justo quando tudo o que fiz foi exatamente parar de deixar as coisas para “um dia”, ter coragem de mudar, de crescer, de agir, e construir o presente?

Estou cansada, mas tão cansada, de aprender a cuidar de mim por sentir o desprezo dos outros e precisar me defender. Gostaria de poder concordar com a valorização e relaxar, deixar o bom sentimento fluir. Queria que fizessem questão, não receber sorrisos por compaixão. Todo mundo vai, eu fico. Faz tempo, ah, muito tempo, que não me contento mais com migalhas. Por que elas parecem ser a única opção? Justo eu, que tenho muito mais que migalhas a oferecer?

Eu sempre optei pelo amor, seja para viver, seja para aprender. Por que a vida me lê com a dor?

Pelo mero fato de ser como sou, escolhi o pior tipo de solidão. Não a do corpo, mas da alma. A primeira oferece a companhia desacompanhada, contudo, a distração dos sentidos, o encaixe na sociedade. A segunda promove o isolamento, exponencialmente multiplicado pelo instinto reprimido, as ácidas opiniões alheias, a ausência de conhecimento de tantas causas, no convívio.

Tal qual uma doce e bela criança indefesa cai numa cela de assassinos e estupradores, na minha ingenuidade de conceitos, eu pensei que o sacrifício valia a pena. Que o amor era maior que tudo. Que ao fazermos coisas boas, atraímos coisas boas. Que há justiça. Que a mudança faz parte da vida. Que estamos aqui para crescer.

Todavia, se eu tivesse deixado minha autoestima quieta, bem baixinha, teria percorrido os caminhos mais seguros e, com a minha inteligência, responsabilidade, esforço, hoje estaria rica, ou, pelo menos, muito bem na vida; teria me contentado com qualquer pessoa por companhia e poderia até não ter um companheiro, mas talvez tivesse um presente em datas específicas, um perfil para colocar no status de relacionamento da rede social e, se eu seguisse apenas os instintos ou necessidades, por que não, alguns orgasmos, só para deixar a mente mais desanuviada e a pele mais bonita?

Nesta cena grotesca, Deus seria o carcereiro que me tiraria da prisão, não o magistrado que me colocou nela. Ainda assim, no mais profundo do meu ser, ele é apenas o juiz sábio, justo e bom, e nada entendo.

Deslocamento é inefável angústia que perturba o ser humano. Já é ruim o bastante viver uma vida alheia. Pior ainda é sentir tanta dor por ter tido a sua arrancada bruscamente, que – por ter conhecido a morte – se busca a vida acima de tudo, e sofre-se também por não conseguir se encaixar. Nem mesmo em uma vida que não minha.

Fonte da imagem: almadegolfinho.blogspot.com

Orgulho e Amor

Penso que a razão da vida na Terra é fazer a alma crescer, evoluir. Para aqueles que ainda não vêem assim, vamos divagar… Aos outros, um ou dois parágrafos de paciência que já voltaremos a dialogar partindo do mesmo ponto.

 Através de meios científicos e racionais, ao analisarmos a História da Humanidade, a Antropologia, a Psicologia e tantos outros conhecimentos que o Homem adquiriu, podemos concluir que nossas civilizações evoluem. Portanto, se o homem presente do passado mostrou-se superado no futuro, fatalmente nós também estaremos defasados perante os homens presentes do porvir. Além de aceitar a evolução, precisamos compreender, então, que nem tudo o que faz parte de nossa cultura e nossa verdade (coletiva ou individual) hoje é absoluto. Pode mudar, portanto, as mentes devem sempre estar abertas.

Sabendo disso e buscando conhecimentos filosóficos e espirituais já espalhados pelo globo, podemos, portanto, concluir que o destino do Ser é o equilíbrio, é a consciência de si. E isso acontece através da evolução – que, vejam, de forma racional, podemos observar, então, não é uma proposta tão absurda ou alienada assim!

Aceitando estas premissas, conseguimos acreditar no conceito daqueles que já avançaram em estudos da alma, como religiosos ou psicólogos. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já acrescentou à definição de estado saudável do Homem o bem-estar espiritual, além do físico, mental e social. Há, portanto, posturas benéficas para a emoção do Ser e posturas prejudiciais. Paz, equilíbrio, serenidade, paciência, humildade, fé, alegria etc. são sentimentos reconhecidos como saudáveis ao ser humano. Ódio, rancor, raiva, ciúme, egoísmo, ansiedade, prepotência, ceticismo, tristeza etc, são, portanto, negativos.

Ofereço um pouco do aprendizado em minha vida particular para tentar explicar o que acontece com dois representantes destes grupos distintos: orgulho e amor. Vale para todo tipo, embora meu aprendizado recente tenha sido na área afetiva (homem-mulher).

Lá estava eu, ontem, novamente dirigindo até a casa de minha mãe para o tradicional almoço de domingo. O caminho era diferente, mas a situação, aparentemente, muito parecida: cheguei à porta de sua casa. Tocava a mesma música que, exatos sete dias atrás, fez-me perder a calma e não suprimir meus impulsos.

Assim como naquele dia, a música começava, mas hoje não entrei na casa e dei uma volta no quarteirão, ouvindo a melodia até o final, por haver um carro obstruindo a porta e eu achar melhor sentir uma leve brisa ao dirigir, que encostar o carro e aguardar, parada, no calor – diferentemente do passado, quando ouvir a música me tocou tão fundo que eu não consegui chegar e precisei dar uma volta para espairecer.

Entretanto, quanta coisa mudou…

A amarga decepção em relação ao homem que eu amo devolveu-me o parâmetro do que é problema grave, digno de gerar desespero, e aqueles que podemos resolver – e que, se isso aconteceu, até mesmo este problema pode ser superado. Fez-me voltar a me colocar em primeiro lugar na minha vida, que é onde sempre devemos estar em relação a nós mesmos. Fez com que ele saísse do pedestal onde eu o havia colocado, assim como à importância da vida afetiva, em detrimento de todo o resto. Somos todo um universo de possibilidades, dignos de vida, de experiências saudáveis, de cuidados. Somos administradores de nós mesmos, nunca seres definidos por determinada situação que vivemos – embora, quando em dor, em dúvida e até mesmo euforia, sejamos consumidos por estas distrações e pareça impossível nos desligarmos delas.

Todavia, apesar dos fatos palpáveis, visíveis e, portanto, racionalizáveis, mostrarem que eu estive errada o tempo todo, que encontrar num homem já compromissado (portanto, para meus valores, impossível!) o companheiro de alma que eu sempre soube existir (e que eu já conhecia antes de o conhecer) e acreditar que esta certeza era mais forte que tudo, superar minhas próprias regras rígidas, até então, estáticas, e que isso foi, portanto, acreditar em mim e crescer, acho tão absurdo este desfecho – não apenas pelo fato em si, mas pelo sentimento que tenho a respeito – que sou obrigada a escrever sobre este tema, que também pairava minha mente antes de eu saber dos fatos.

Aprendi que vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas, muitas causas. Um emprego numa empresa renomada pode ser a chance da vida de um batalhador, como pode ser desvio de uma vocação para outro. Pode ser um modo da vida ensinar disciplina, humildade, esforço ou um oportunidade de mostrar a alguém que não acredita em si que tem capacidades, como pode ser apenas uma conseqüência natural de um esforço e de características já adquiridas pela pessoa que o obteve. Pode não apenas ser um fim, uma conseqüência, como neste segundo caso, mas também um meio, algo que nos ensine e nos leve para onde realmente devemos ir.

Isso para tudo… Um namoro, uma amizade, uma viagem e todos os tipos de experiências que temos. Quantos namorados já tivemos que não duraram, não ficaram, e hoje facilmente conseguimos enxergar que não era para ser, mas reconhecemos o que a experiência nos ensinou e que é fundamental, inclusive, para relacionamento sério que vivemos hoje? Se fosse para vivermos apenas o “destino final” das coisas, só teríamos um relacionamento afetivo, moraríamos em uma cidade, teríamos apenas um trabalho, um grupo de amigos e por aí, vai. Nada mudaria, nunca (claro, precisamos saber conservar conquistas e amores. Quem nunca pára em nada não é assim tão aberto, mas talvez não consiga se comprometer. Não me refiro a isso). Mas não é vivendo um pouco de cada que aprendemos onde realmente é o nosso lugar, quem nós somos de fato? Não é a experiência em si que vale mais (embora deva ser reconhecida e vivenciada!), mas a impressão, a energia que ela movimenta dentro de nós, fazendo-nos evoluir.

Portanto, situações rotuladas muitas vezes são os fins, o que aparentam: em tese, uma separação é ruim, conseguir um emprego é bom, uma doença atrapalha, um namoro ajuda, e por aí, vai. Mas, muitas vezes, se forem meio, os rótulos nem sempre se aplicam. Uma doença pode chocar uma alma preguiçosa e acordá-la para a realidade; um emprego que atrai uma alma orgulhosa por status pode fazê-lo embarcar num mundo de aparências, ou deixá-lo viciado em trabalho para manter estas aparências e o outro emprego com um menor, porém, bom, salário, que o deixaria mais livre para viver as outras áreas da vida, teria sido o caminho certo; uma separação entre duas pessoas incompatíveis pode ser uma libertação para que ambas vivam de acordo com suas verdadeiras essências; um namoro intenso em época de estudo pode desviar toda uma vida, ou mesmo um namoro baseado em valores menores (dinheiro, status, carência, atração física – apenas! Claro que ela é saudável e necessária quando faz parte do pacote! – etc.), em qualquer época, pode contribuir para o desequilíbrio do ser, dentre tantas outras situações.

Ou seja: o que parece bom pode ser ruim e vive-versa. Como uma pessoa que perde o avião pode, por exemplo, até mesmo ser prejudicado no trabalho, em algum compromisso sério, e isso originalmente ser ruim. Mas minutos depois, quando o avião cai, vê-se que aquela situação negativa foi, na verdade, uma bênção. Foi um meio da Vida salvar aquela pessoa.

Por tudo o que sofri durante tanto tempo, em determinado ponto da trajetória eu havia deixado de acreditar em tudo (em mim, na Vida, e confundi meu conceito de Deus, pois, tamanha crise existencial, não mais O reconhecia) que este sentimento parecia um mal. Mas eu sabia que era um meio da vida me ensinar tantas, mas tantas coisas a meu respeito. No fundo, nunca deixei de acreditar no sentimento e reconhecer a verdade do que vivia (era um estado de alma tão elevado sutil que ficava feliz apenas com um olhar, por tudo o que via ali, e ativava as forças mais lindas que tinha em meu ser, tornando-me amável e feliz), mas tive incontáveis momentos de dúvida, conflito e, assim, de sofrimento. Por isso, aparentemente, eu me maltratei. Mesmo que em silêncio, mesmo sem agir – mas não importa, eu investi energia nisso! – dediquei meu coração a alguém que não retribuiu. O efeito era eu sofrendo por alguém que não correspondia no campo dos fatos. Mas a causa era este sofrimento ser um meio de aprender e crescer, uma situação difícil fora para eu aprender a superar e acreditar, dentro.

Por ser meio, por ser a causa que não corresponde à regra do rótulo – que é aquela análise facilmente feita por todos – afirmo que este fato concreto de impossibilidade não é coerente. Posso estar enganada? Claro! E, neste caso, as conclusões podem até não se aplicarem para este caso, mas nem por isso deixam de ser válidas, por conhecimentos gerais sobre o mecanismo interno do Homem. Mas… e se eu estiver mesmo certa?

E aí eu me pergunto… No rótulo, a análise de uma rejeição é simples: se você rejeita alguém é porque não ama, não quer. Isto é o que de fato, geralmente, acontece. Esta é a interpretação mais lógica, a da maioria e aquela facilmente feita por todos, porque já está pronta, não dá trabalho. Mas só esta análise é possível? Não… Graças ao mecanismo evolutivo da humanidade e dos sentimentos, destacados no início do texto (embasei com mais detalhes este processo em meu Ensaio “Quem Somos Nós?”, publicado aqui), pode-se concluir, por tantos comportamentos desajustados – frutos daqueles sentimentos já reconhecidos como prejudiciais ao ser humano – ainda vistos no planeta, que conhecemos muito pouco nossas emoções.

Portanto, será que nos conhecemos o suficiente para sermos 100% do tempo coerentes: negar o que não queremos e atrair para nós o que queremos? E se estivermos em conflito e atrairmos algo que não é de acordo com os sentimentos equilibrados, saudáveis ao Ser, e rejeitarmos isso, por pura falta de sintonia?

Cada caso é um caso, e se quisermos chegar à conclusões satisfatórias, precisamos conhecer a “lista de rótulos”, para termos parâmetros, e, depois de conhecê-la bem, termos autoridade para interpretar suas exceções à regra ou terceiras regras formadas da combinação de duas já existentes, através do raciocínio e análise de sentimentos e percepções.

Sendo esta humanidade ainda não pacífica, belicosa – não sou eu quem estou dizendo, basta ligar o noticiário – e sabendo que há evolução e condições melhores – usando dos conhecimentos científicos já conquistados, como a História, a Psicologia etc., como já esclarecido – podemos afirmar que o Amor (o real, não as paixões, posses ou comodismos que também designamos assim)é realmente bom para o ser, e o orgulho, ruim, pertencente à classe de sentimentos que, usados em demasia, desequilibram o Homem. Sobre este conceito do que é amor e o que pensamos ser, sugiro novamente o Ensaio “Quem Somos Nós” e “Breve Ensaio sobre o Amor”.

Se formos usar o exemplo de alguns indivíduos que já conquistaram altíssimo grau de luminosidade interior, como Gandhi, Buda, Francisco de Assis (só para citar alguns), é possível comprovar racionalmente, através do exemplo factual que eles deixaram, onde o ser humano pode chegar. Sendo assim, poderemos concluir que somos uma humanidade ainda no começo de caminhada. Ao observarmos o comportamento da massa e compararmos com o deles, nota-se o fosso que existe entre estes extremos e podemos concluir, então, que estamos mais no começo da caminhada evolutiva, que no fim.

Então, a respeito de nossas emoções, muito pouco sabemos. Sabendo pouco, é fácil afirmar que, ao observamos nossa prática e compararmos com a destas pessoas iluminadas, vivemos uma lógica invertida, aceita pelos nossos hábitos primitivos, mas revogada pela Lei da Vida. Esperamos vir de fora para somente então movimentar dentro. A deles é contrária: doam sem receber, acreditam sem ter provas palpáveis, buscam o autoconhecimento e aproveitam o resultado do que as experiências vividas fora fazem dentro, não o oposto. Não se prendem a sensações, alimentam sentimentos.

Seremos assim, um dia.

O orgulho faz parte de nós e desta lógica invertida. Ele nos aprisiona a ela. Prende o ser ao que ele é na matéria, ao que ele aparenta ao mundo (como se também não existisse alma!), aos sentimentos baixos e tormentosos. Gera a acomodação, o medo, a insegurança. O amor liberta, faz o ser encontrar-se consigo, acreditar, arriscar, doar-se e buscar cada vez mais o que É, não o que ESTÁ. Acreditemos ou não, estamos mergulhados neste sentimento bom. Cada um sente isso de determinada forma, em diferentes graus em sua história de vida. Mas sente. Ou vai sentir. Mas vai, porque esta é a realidade da vida.

Sabendo que somos assim, ainda tão conflituosos perto daquilo que se pode ser (sem, nunca, deixar de carinhosamente reconhecer e apreciar o que já conquistamos, apenas estimular a crescer e buscar ainda mais!) será que sabemos apreciar quando algo verdadeiramente bom nos acomete? Mesmo quem já tem um mínimo grau de mansuetude, boa-vontade, gentileza, doçura, bom-humor, alegria, inclinação à bondade e etc., também traz ainda intrínseco em si alguns obstáculos do orgulho, escondidos no inconsciente e exteriorizados em conceitos ou práticas que nem sejam claramente percebidos – mais que ainda negam a essência do Ser.

É como na escola: o destino final do estudo é a faculdade. Um aluno que esteja no quinto ano ainda tem muito pela frente. Mas pode já ser o melhor da sua turma. Entretanto, deve sempre lembrar que, apesar de ser destacado naquele ambiente, ainda tem muito o quê percorrer. Não deve se deixar levar apenas pela sua realidade, que é relativa, mas sair do seu mundo, da sua circunstância (o quinto ano!) e lembrar-se da realidade total, absoluta, da qual faz parte.

Portanto, mesmo um ser humano de admirável destaque dentre nossa média, ainda tem em si muito a lapidar da alma. Não podemos nos esquecer disso.  Não é porque já tenhamos lutado contra nosso orgulho, egoísmo, ciúme, raiva, vaidade etc. em algum momento da vida e que talvez até sejamos bem resolvidos em algumas destas áreas, se comparados a muitos outros – que pouco ou nada fazem para mudar isso em si -, que ainda não tenhamos estas mesmas qualidades em menor escala e mais escondidas dentro de nós. O aprendizado é contínuo!

Todo mundo me diz: “Mas você não o conhece”. Será? Só porque eu não interagi afetivamente com ele, será que não consigo ter uma percepção dele dentro de mim? Será que não pode existir uma ligação de afinidade, como reconhecemos facilmente com pessoas que despertam ligações profundas com poucas ciscunstãncias comuns para gerarem esta impressão, como desconhecidos ou amigos, que reconhecemos como familiares? Por que com o amor homem-mulher precisamos ser tão céticos? (Aqui sugiro “O Conto de Fadas é a realidade”, publicado no antigo blog, com link à direita, que desenvolve exatamente este conceito). Este conhecimento interno que eu poderia ter dele não é real porque pessoas como eu é que vivem de ilusões, ou o que a maioria chama de ilusão é a realidade que o orgulho ainda não nos permite ver com clareza, devido a necessidade de receber, de não poder existir sentimento incondicional ou de não poder enxergar quando não vem de fora? (Ao final deste texto adicionei um texto elucidativo de Max Geringuer, a respeito da opinião coletiva).

O romance (sem o exagero, mas aquela sensação universalmente boa que automaticamente contagia a muitos, seja por vivenciar, seja por ver acontecer ao redor e lembrar que isso também existe em si  – outros ainda são realmente fechados e, por julgarem a sua verdade como a geral, não conseguem ainda reconhecer este sentimento bom e acham que ele não existe) é coisa de quem não tem o que fazer, de quem é sonhador, é iludido, não sabe o que é problema, ou é deixado em último plano em nossas vidas e na aceitação coletiva porque são as pessoas que prendem-se a uma realidade tão “primitiva” e apenas racional, como se fosse tudo, sintonizando apenas com situações mais práticas, duras e, em alguns casos, até mesmo insensíveis?

Chocados com a “dura realidade”, com as atrocidades de nosso cotidiano, impregnados com esta percepção de mundo, de vida, será que negamos algo sutil, calmamente prazeroso e pacífico (feliz!) porque seja impossível, ou nós é que somos orgulhosos demais para acreditar nisso, orgulhosos demais para perdemos o medo de nos entregar, orgulhosos demais para apreciar quando alguém sente isso e ativamos nosso ego (alimentado diretamente pelo orgulho) para julgar quem faz isso por nós – porque nós seríamos incapazes de fazer e, portanto, segundo nossa limitada visão, quem faz se humilha e passa, então, a ser por nós desprezado?

Cada crise ao longo deste caminho que tive, gerando uma grave crise existencial, foi fruto do meu orgulho, que eu precisei vencer pouco a pouco, para conseguir continuar a acreditar.

Talvez, exatamente por termos uma estima coletiva ainda baixa, se comparada com as individuais daqueles avatares de luz que vez ou outra exemplificam em nosso planeta – e onde, repito, cada um de nós pode chegar! -, a Vida tenha colocado como um dos mecanismos de crescimento a existência do tipo de relacionamento afetivo homem mulher como espelho direto do ser para ajudá-lo a reconhecer-se externamente. Assim, consegue atingir este estado de alma elevado dos apaixonados e isso o impulsiona. Já que, neste grau evolutivo, o nosso campo emocional ainda seja tão agitado e confuso que, se não existisse este tipo de amor onde pudéssemos nos ver fora, ficasse ainda mais difícil o autoconhecimento, devido tamanha confusão advinda de nossa infantilidade evolutiva, dentro.

Mas o que nós queremos desta espécie de relacionamento? Somos seres bem-resolvidos (mesmo relativamente, apenas para nosso patamar evolutivo, como se fôssemos o bom aluno do quinto ano que já consegue lidar com todas as disciplinas e “passa de ano”, mas ainda tem o que aprender posteriormente) que, em equilíbrio, atraímos para nós outro ser assim e, juntos, ajudando um ao outro, aprendendo, doando e exercitando o amor (o que, pela lei natural, nos permite receber, mas de uma forma saudável), caminhamos, e o que o outro é e desperta de bom em nós é mais importante do que as lacunas que ele supre? Ou somos seres carentes, ignorantes a respeito de nós mesmos, que, em desequilíbrio, vemos no outro um meio rápido e fácil de preencher nossos vazios existenciais, atraindo pessoas que sejam apenas bonitas ou sensuais; que façam com que nos sintamos importantes (contudo, sem eles, não conseguimos!); ou que simbolizem situações vantajosas, como dinheiro, poder, status, influências, ou que seja apenas alguém do gênero sexual que nos atraia para satisfazer necessidades do relógio biológico ou de cobranças da sociedade, e, então, apenas busquemos alguém “dos males, o menor” para encaixar neste requisito e vivamos nossas sensações momentâneas?

Claro, cada um entende o amor de uma forma e tem necessidade de tal ou tal experiência para poder crescer e, se é necessária, se é o máximo que temos capacidade de atingir, é benéfica. Quantos casais companheiros conhecemos, formados mais por circunstâncias favoráveis que por puro sentimento, que vivem bem, mesmo sem um lado romântico entre si? Se ambos estão felizes, provavelmente estão juntos pelo Bem, para aprender o companheirismo e depois ir ampliando o conceito de amor. Não me refiro a eles. (Também falo melhor das formas de amor no Ensaio “Quem Somos Nós”). Mas e quem já pode “passar de ano” e ainda não o faz, por interpretar erroneamente as coisas, por deixar o orgulho falar mais alto?

Será que é o amor algo tolo, ou é o orgulho que ainda cega a visão da coletividade? E vou além: ainda que já se aceitasse esta realidade, será que precisamos ser felizes, leves e confiantes apenas quando nos apaixonamos, ou podemos conquistar este estado de alma interior o tempo todo, para todas as áreas da vida, mesmo quando ainda não há ninguém? Como já foi dito acima, será que este tipo de sentimento não é um propulsor ativado pela presença de outro em nossa vida para, um dia, atingirmos este estado de alma sozinhos, depois de conseguir acreditar que isso seja possível, atrair para nós e viver estes relacionamentos saudáveis, amorosos, e aprendermos a lição, gerando autoamor e autorrealização que nos conectem a este estado interior permanentemente?

Mas nós, estes seres ainda “crianças”, facilmente equivocados e em começo de jornada evolutiva, devido à lógica invertida, à imaturidade emocional, somos, então, orgulhosos, talvez estejamos tão sedentos de recebermos, que não consigamos, portanto, amar – que é doação e libertação pura. Chamamos de amor estes relacionamentos carência ou interesse, ou mesmo engano, apesar de toda aparente afinidade e, por não estarmos verdadeiramente satisfeitos (porém, não enxergamos nossa visão turva que contribui para isso), atribuamos ao amor uma ilusão, de tão decepcionados. De tão “bom demais para ser verdade” que parece, quando usamos nosso atrasado ponto de vista para fazer nossa avaliação.

E se houver mais?

Lembrando do que vi em uma reportagem a respeito de sermos no trânsito o que somos na vida real – explosivos, impacientes, folgados, ou o contrário – percebi que apesar de toda esta aparência de amar sem ser correspondida na prática e isso ser, portanto, falta de amor próprio e que, se fiquei ressentida ao ser contrariada, é devido à posse em relação a ele; a ser revoltada e não aceitar a vontade de Deus e, portanto, que o que sinto não é amor – o que é a interpretação pronta facilmente feita pela massa para o efeito que exteriorizo -, reparei um defeito meu: sou extremamente – muitas vezes, extrema até demais! – seguidora das regras. Nunca me conformo quando vejo um carro na contramão, ou desrespeitando uma placa. O que não significa que eu seja uma motorista perfeita, que não cometa meus erros. Mas vejo regras básicas serem quebradas por pura falta de esforço e não aceito, em nome no mal feito à coletividade, do egoísmo de quem pratica. “É tão óbvio!”, eu penso. Vale a minha boa vontade pelo respeito às leis. Preciso, entretanto, aprender a tolerar o meu semelhante, que está em luta interna, assim como eu.

Sou assim também diante das leis de Deus… Tento seguir Seus princípios, mesmo sendo também imperfeita e, mesmo sem intenção (na maioria das vezes), desrespeitar, muitas e muitas vezes, essas regras. Mas ainda sou intolerante quando não cumprem o que eu já aprendi… Isso é orgulho! É sentir-me no direito de analisar os outros e ditar regras! Porém, ao menos, tenho um atenuante: é orgulho, mas é orgulho utilizado tentando defender o amor, não para alimentar o próprio orgulho… Como sei que ele pode cegar o Homem, que ainda é muito mais fácil fazermos menos esforço e seguirmos nossos instintos ou comodismos psicológicos do que invertemos aquela lógica e buscarmos uma realidade mais feliz, desespero-me quando o amor (este verdadeiro) não acontece, devido a distorções de regras ou sentimentos mais baixos. Por isso, minha revolta. O que também não deixa de ser falta de fé em Deus… Mas aprendi minhas lições.

Os fatos não mudaram. O estrago foi feito. Entretanto, eu cresci. Este choque fez com que eu voltasse a lembrar de mim. Fazendo isso, amei-me ainda mais e, assim, encontrei novamente a paz. Outra vez em paz, consegui acreditar novamente em mim. Uma vez assim, foi possível enxergar a verdade dentro de mim.  Em vez de negar, automatica, pacífica e naturalmente voltei a aceitar tudo isso dentro de mim e, assim, voltei a confiar em quem sou (não mais, por insegurança, dar excessivo valor à opinião de outrem), na sabedoria Divina, mesmo sabendo a dúvida que muitos ainda sentem – e o quanto me acham louca por eu ainda acreditar em mim nestas ideologias diferenciadas. Terminei a volta no quarteirão não apenas ouvindo, mas cantando aquela música que semana passada foi a prova de meu fracasso, e sorri ao reconhecer com admiração e paz o céu azul e límpido, ainda mais azul e límpido que aquele que, enquanto manobrava o carro, eu via com os olhos, acima de mim…

“JESUS ERA PERIPATÉTICO

(Max Geringher)

Numa das empresas em que trabalhei, eu fazia parte de um grupo
de treinadores voluntários.
Éramos coordenados pelo chefe de treinamento, o professor Lima,
e tínhamos até um lema:

“Para poder ensinar, antes é preciso aprender” (copiado, se bem
me recordo, de uma literatura do Senai). Um dia, nos reunimos para
discutir a melhor forma de ministrar um curso para cerca de 200
funcionários. Estava claro que o método convencional: botar todo mundo numa sala, não iria funcionar, já que o professor insistia na
necessidade da interação, impraticável com um público daquele tamanho.
Como sempre acontece nessas reuniões, a imaginação voou longe do
objetivo, até que, lá pelas tantas, uma colega propôs usarmos um
trecho do Sermão da Montanha como tema do evento.
E o professor, que até ali estava meio quieto, respondeu de
primeira. Aliás, pensou alto:

– Jesus era peripatético…

Seguiu-se uma constrangida troca de olhares, mas, antes que o
hiato pudesse ser quebrado por alguém com coragem para retrucar a
afronta, dona Dirce, a secretária, interrompeu a reunião para dizer
que o gerente de RH precisava falar urgentemente com o professor. E lá
se foi ele, deixando a sala à vontade para conspirar.

– Não sei vocês, mas eu achei esse comentário de extremo mau
gosto, disse a Laura.
– Eu nem diria de mau gosto, Laura. Eu diria ofensivo mesmo,
emendou o Jorge, para acrescentar que estava chocado, no que foi
amparado por um silêncio geral.
– Talvez o professor não queira misturar religião com
treinamento, ponderou o Sales, que era o mais ponderado de todos.
– Mas eu até vejo uma razão para isso…

-Que é isso, Sales? Que razão?

-Bom, para mim, é óbvio que ele é ateu.
-Não diga!
-Digo. Quer dizer, é um direito dele. Mas daí a desrespeitar a
religiosidade alheia…

Cheios de fúria, malhamos o professor durante uns dez minutos e,
quando já estávamos sentenciando à fogueira eterna, ele retornou. Mas
nem percebeu a hostilidade. Já entrou falando:

-Então, como ia dizendo, podíamos montar várias salas separadas
e colocar umas 20 pessoas em cada uma. É verdade que cada treinador
teria de repetir a mesma apresentação várias vezes, mas… Por que
vocês estão me olhando desse jeito?

-Bom, falando em nome do grupo, professor, essa coisa aí de
peripatético, veja bem…

-Certo! Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para
fazer pregações, como os filósofos gregos também faziam, ao orientar
seus discípulos.

Mas Jesus foi o Mestre dos Mestres, portanto a sugestão de usar
o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral
e o deslocamento físico… Mas que cara é essa?

– Peripatético quer dizer “o que ensina caminhando”.

E nós ali, encolhidos de vergonha. Bastaria um de nós ter tido a
humildade de confessar que desconhecia a palavra que o resto
concordaria e tudo se resolveria com uma simples ida ao dicionário.
Isto é, para poder ensinar, antes era preciso aprender. Finalmente,
aprendemos.

Duas coisas.

A primeira é: o fato de todos estarem de acordo não transforma o
falso em verdadeiro.

E a segunda é: que a sabedoria tende a provocar discórdias.

Mas a ignorância é quase sempre unânime.”

Fonte: recebido por e-mail, mas você pode encontrar também em http://www.adonainews.com.br/2007/12/jesus-era-peripatetico-max-gehringer.html ou na revista “Você SA”.

Fonte imagem:srtaka.wordpress.com

Anexos: sobre definição de saúde pela OMS, ver:

–  http://www.diariodepernambuco.com.br/ultimas/SEO/saude/nota.asp?materia=20110327182715

e

– http://www.febnet.org.br/site/noticias.php?CodNoticia=903)

Eleições da Esperança

Boa noite, queridos!

Soube há algum tempo o resultado de nossas eleições. Fiquei desapontada, mas acho que isso é democracia: não apenas eu poder expressar livremente a minha opinião sobre isso, mas também respeitarmos a opinião da maioria.

O fato de eu não concordar não me dá o direito de obrigar aos outros a pensarem como eu. Antes da campanha eu talvez tenha sido um pouco “exagerada” com meus amigos ao tentar mostrar alguns aspectos que eu julgava estarem escondidos aos olhos da maioria. Ainda acho que estejam, mas isso não pode ser motivo para que forcemos a barra.

Como pessoa, entendo que todo segundo é uma chance de recomeço. Não é porque fiz algo uma vez que preciso fazer sempre – embora sempre julguemos as pessoas por um ato ou situação e a cristalizemos em nossas idéias.

Hoje não uso mais deste modo de agir, embora minhas crenças continuem as mesmas. Em vez de dar ouvido ao medo que tenho do que pode acontecer ao nosso país com este terceiro mandato seguido, resolvi sublimar meus sentimentos e vibrar coisas boas. Não estou mudando de lado nem deixando minhas crenças para trás. Apenas não alimentando a hostilidade, o medo, a raiva e transformando em esperança, fé e o fato de não me precipitar, deixar as coisas acontecerem para somente então, se for o caso, sofrer.

Sendo assim, enviei estas palavras à nova Presidente do Brasil:

“Boa noite, Dilma! Soube há pouco de sua vitória. Não votei na senhora, mas com muita paz em meu ser desejo que não apenas o seu governo, que irá refletir em minha vida, seja abençoado, mas sinceramente que sua mente, suas idéias, seus sentimentos e seus pensamentos sejam, a partir de hoje e para todo o sempre, iluminados. Honestamente, confesso não saber se a senhora acredita ou não em Deus. Eu não, pois sei que Ele existe. Com o meu coração aberto desejo que seja amparada por Ele e por seus tarefeiros nesta nova jornada que irá iniciar-se. Saiba que a partir de hoje você tem a minha fé, os meus bons pensamentos, a minha oração. Que a senhora faça o que há de melhor em si e que esta experiência faça não apenas o nosso país verdadeiramente crescer, mas também à senhora. Fique em paz! 🙂

Abraço,

da cidadã,

Camila”

Espero que ela sinta tudo o que depositei nela. Eu estou em paz por aceitá-la e desejar o Bem! 🙂 Que ela tenha consciência do tamanho de sua responsabilidade!

Muitos ainda se ludibriam com o poder, os flashes, a popularidade que um cargo público denota à primeira vista para os seres mais superficiais… Mas poucos compreendem o que ter um cargo que envolve vidas realmente representa. Não apenas políticos, mas também empresários, patrões de toda forma, enfim, todos que lidem com pessoas.

Que o meu medo seja infundado: seja por um pressentimento e formação de idéias errados ou seja porque ainda que fosse para ser como temo, bons pensamentos falem mais alto, boas coisas aconteçam e mudem o curso dos acontecimentos e nosso país continue sendo um lugar democrático, livre e pacífico.

Que Deus abençoe a todos nós! 🙂

Com verdadeiro amor,

Camila

fonte da imagem: tassiabolson.wordpress.com