Atrás do vidro

solidao

(LANÇAMENTO “A MENINA QUE ENCONTROU O AMOR”, ED. ESCRITURAS, NO FINAL DE OUTUBRO!)

Estou exausta de ser feliz apenas por possibilidades. Luto, aprendo, caio, levanto, renasço, até, contudo, nunca saio do lugar. Abro-me ao novo, reinvento-me, aceito, ando. Vou em frente. Ainda assim, nada acontece.

Dos tempos em que vivi na contramão mas era feliz por ser eu, apenas decepção, destruição, mágoa, dor. Entendi (a duras penas) poder ainda ser quem sou, todavia, precisei me reencontrar e reconstruir, mais forte, sabida. Aceitei a realidade nem sempre tão bonita, a vida. E, ainda assim, continua a não ser para mim.

Ah… como eu queria desistir… Mas não consigo! Quem eu sou não se encaixa, eu cedo e acesso outras facetas, mas também não é assim. Como ser?

Vivo uma realidade paralela, numa redoma de vidro, agora com os olhos voltados para fora, movimentando-me em direção a todos, querendo pegar, entretanto, sempre chegando tão perto, vendo tudo e todos me tocando por fora e repentinamente distraídos, desviados.

Admiram-me como se eu fosse intocável, uma boneca graciosa e delicada, mantendo-me inatingível, apenas uma boa impressão ou uma lembrança a ser carinhosamente armazenada. E vão.

Eu, fico. Quando recuperada, ocupada com as reflexões, o aprendizado, com o princípio de virtude adquirida ou aprofundada.

Para quê? Qual o sentido de aprender algo que nunca será utilizado, enquanto outros simplesmente vivem, sem pensar, diante dos meus olhos e eu tento interferir, quando é “meu”, mas, por mais que me esforce, não sou capaz de alcançar?

Quando será eu? Emoções, experiências, pessoas, ponderações… Tudo isso eu já vivi. Recuperei-me de viver o resto da vida que me deixaram daquilo que poderia ter sido, mas é como se eu não pudesse nem seguir, nem voltar. Muito menos estacionar.

Afinal, o que há lá fora, que eu não posso tocar? Por que, então, vejo?

Do lado de fora – daqueles que param para escutar -, não ouvem a minha voz. Apenas sorriem e seguem, como se não fosse nada. Outros veem as lágrimas que caem, vez ou outra, e me entregam flores, mas não consigo pegar. E as flores que deixam logo são pisoteadas por quem chega perto, por quem passa, por quem vive, mas nunca resolve parar.

Eu gostei do que vi. Queria descer, tentar. Contudo, nunca, nunca, nunca, nunca é para mim. Sempre há alguém agitado, com música alta, falando pelos cotovelos, aparelhos dinâmicos, novidades e informações variadas, que quebra o encanto no olhar.

Eu só tenho a mim, é tudo o que posso oferecer. Aprendi que não é pouco. Que é raro. E pode até ser infinito… Mas nunca será verdade se não virar realidade.

Ansiedade é querer antes da hora. Estou impaciente de tanta paciência. Chega de sonhos, idealizações, medos, anseios… Tenho sede de vida. Esperar é desperdiçar o momento, a energia, a oportunidade. Já cedi, perdi, aceitei, superei e sublimei o suficiente para ter crédito robusto na caderneta do tempo. É ele quem me deve.  A vida é agora, correto? Precisamente… pois então, eu vim cobrar!

Fonte da imagem: http://blogrebonelli.blogspot.com.br/2012/08/solidao-que-nada.html

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Carpe Diem

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Segundo definição no site de Rubem Alves, esta expressão significa “Colha o Dia”. (http://www.rubemalves.com.br/carpediem.htm). Viva o presente!

Confesso já ter sido apegada ao passado. Tomei consciência do problema, esforcei-me para mudá-lo e neste exercício, fiz algo muito comum a todos em nossos processos de aprendizagem: fui ao outro extremo, projetando demais no futuro.

Por compreender que a vida é equilíbrio, reconheço não ser saudável defender apenas o “carpe diem”. Entendo a relevância de nossas raízes, de boas memórias; a beleza em ter fé no que virá, a confiar que tudo pode ser ainda melhor e sonhar…

Entretanto, exatamente para que este equilíbrio aconteça, falta eu viver intensamente o presente. É ele que um dia será nosso rico passado e é dele que sairá nosso abundante futuro. É a única parte da vida que podemos ter, construir.

Concluindo isso, descubro que a diferença entre desistir e recomeçar, descrita na leva de confusos posts anteriores, está no esforço e nas circunstâncias que fogem ao nosso controle.

Trocar de profissão, de casa, de relacionamento, etc., será desistir se nos aborrecermos com as dificuldades e buscarmos algo mais fácil sem nem ao menos tentar “investir” no que já está ao alcance de nossas mãos.

Recomeçar é quando você faz este investimento, supera dificuldades e ainda assim a situação não o/a deixa feliz. Ter coragem em desligar-se do velho, do conhecido, abrindo mente e coração para o novo é recomeçar.

De tempos em tempos, nosas vidas deveriam ser como o início deste post: uma página em branco, prestes a ser “desenhada” com todas as novas experiências maravilhosas que a Vida nos ofertar!

Sem nos esquecermos o quê o passado já ensinou e também sem prejudicarmos a nós mesmos no futuro,  vivamos cada precioso momento HOJE! 🙂

Abraços,

Camila