Muitas perguntas sobre nada

Janela-mar

Começo um texto sobre perguntas com talvez a única afirmação lúcida: não sei nem por onde começar.

Há alguns dias, em um final de semana com minha irmã, víamos um vídeo no youtube de uma ex-atriz que hoje é Psicóloga (e que, portanto, está registrada em nossa mente como uma “menininha”) dizer que quando ela era pequena e via as crianças maiores usando fichário  porque haviam passado para o ginásio, ela pensava: “nossa, como elas são grandes”, mas que quando ela se viu na papelaria comprando um fichário, ela percebia que era a mesma pessoa, não tão próxima daquela idealização que tinha de crianças mais velhas. E que ocorreu o mesmo na vida adulta.

Eu tive meu episódio quando criança também (tinha 7 anos e a Marina e Francisco, que usavam o mesmo transporte escolar, tinham 10, porém, quando eu cheguei aos 10 não me achava tão amadurecida assim..rs…), e só acenava com a cabeça ao concordar com a situação: não é porque eu tenha quase 37 anos que me sinta TÃO adulta quanto eu achei que eu seria quando tinha 15 anos, por exemplo.

Não digo isso sob o prisma da imaturidade, mas de uma alteração na noção da realidade que, justamente, somente a maturidade e a verdadeira noção do que é a realidade nos ensinam.

E, ainda assim, assusta ver como às vezes temos os mesmos questionamentos de anos atrás e venha a amarga sensação de falência, como se não tivéssemos evoluído nem um pouco.

Será que eu passei por tudo o que vivi em vão, e ainda assim, caio nos mesmos erros, nas mesmas armadilhas? Ou será que o erro recorrente seja justamente não acreditar em si e no próprio discernimento?

Há pouco mais de um mês eu tive a oportunidade divina de participar de uma vivência realizada pela Igreja Católica chamada “Aldeias de Vida”. Estou com um computador realmente limitado agora (o meu está no conserto) e não sei se conseguirei abrir a página para copiar o link, mas nada que uma rápida busca no Google não resolva.

Neste final de semana que eu passei sem celular e muito mais, mas obviamente não vou estragar a surpresa aqui, foi não apenas o que faltava, mas o catalisador do meu retorno a Deus. Desde o primeiro dia de afastamento e revolta eu o buscava de volta, mas foram longos anos de um relacionamento conturbado: com Deus, com o mundo, com os outros (os mais próximos) e comigo – bem o oposto do lema da Aldeia.

Durante todo caminho há quedas e, talvez, até desvios, mas o segredo para estar em um, ou estar no que se quer, naquele que se considera bom, é ter a coragem de dizer: eu vou – e vou conseguir. Nem todos os que disseram isso, de fato, chegaram ao ponto desejado (por fraqueza, falta de afinidade descoberta ao longo do trajeto etc.), mas todos os que chegaram só o fizeram porque se propuseram desde o primeiro passo, quando tudo ainda era incerto. Há os que não chegaram porque nem começaram. Portanto, sem ouvir os “diabinhos”, como nos desenhos animados, posso afirmar que agora não há mais volta: estou de volta ao caminho ao qual cheguei há muito tempo, e do qual não consegui me desviar tanto assim, na prática, mas do qual fiquei afastada por muito tempo.

Há uma frase Espírita, de Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, que diz algo assim: “Não há infortúnio maior que estar sem Deus e prosseguir vivendo”. Foi bem isso que vivi fortemente por uns quatro anos, mas de forma geral, por pouco mais de seis. Indescritível desespero. Acabou, ufa! Mal ou bem, eu venci.

Com um ou outro efeito colateral, ok, mas o exercício aqui é justamente tentar sair dos grilhões da culpa, que já muito me atormentou, no passado (e às vezes – ou muitas – culpa por coisa que eu nem fiz, mas porque deveria ter pensado em ter evitado, ou por medo de que pensem que fiz…rs…), contudo, hoje, segue “controlada”. Rs…

Eu sobrevivi a um completo furacão nível 5. Nos últimos anos fui limpando os escombros de 2012 (mas os ventos já sopravam agitados desde o ano anterior, eu deveria ter colocado madeira nas janelas…), entretanto, era um trabalho ingrato: após todo esforço, o resultado ainda era o retrato da destruição. Só que sem esta limpeza inicial, não tinha como entrar na fase de limpeza e, depois, reconstrução.

Parece que agora o pedreiro já está contratado e o material está no portão, mas o que eu queria mesmo era descer, ir correndo para a praia, que já está azul de novo (imagino o Caribe, claro! Ou Bora Bora…rs…), deitar na rede larga e tomar uma água de coco. Poxa, ontem eu coloquei o último escombro na caçamba, precisava apenas de umas mini-férias…rs…

Mas a vida é dinâmica (e eu adoro pedras), então, nada de sombra e água fresca: somente o sono reparador e mãos a obra de novo na sequência.

Será que a vida é assim tão, tão rápida, ou sou eu que sou parada demais? Ai, mas de pensamento negativo a meu respeito eu também já estou farta, não me permito mais este tipo de tortura.

Será? Ou será que não é justamente o que tenho feito, nas entrelinhas, na calada da noite, sussurrando bem baixinho?

Será que eu cresci, que eu mudei, ou eu ainda faço as mesmas coisas ou em menor escala, ou na surdina?

Por que eu ainda me acho infantil?

E eu não me refiro a comprar tiaras de unicórnios com a sobrinha ou mergulhar em piscina de bolinhas, porque isso é só manter a criança interior viva – para os mais tímidos, é só estar sempre acompanhado da criança, jogar a culpa nela (“Ai, o que não fazemos por esses pequenos?”, como se isso fosse um fardo :D) e ser feliz. Quem não o faz, só lamento.

Estou me referindo a ter quase 37 anos e não ser a adulta que eu pensei que seria nesta idade – da mesma forma que quando eu tiver 68 talvez não seja a senhorinha que hoje eu penso que serei. E estou falando de não ter crescido tanto assim. Ou por pensar isso porque eu ainda sou muito dura comigo.

O fato é que mesmo na fase “escombros” eu via a luz bater no azul do mar de novo e queria ir lá fora. Eu quero ser feliz. Eu busco isso. Talvez com a velocidade que uma água do mar e vento corroem uma pedra, mas eu não aceito mais a infelicidade.

Justamente porque eu aceitei tudo o que aconteceu, por mais que tenha parecido sem sentido. Isso que foi bacana, e que a Aldeia somente finalizou de forma nobre e eficaz: eu não apenas aceitei o que foi, como desapeguei do que poderia ter sido. E não apenas isso: eu não quero mais nada do que poderia ter sido, ou do que eu penso que poderia ter sido (e às vezes nem era mesmo O plano, eu é que não entendia, ou eu é que precisava pensar que sim para aprender algo que me seria últil mais adiante).

Eu quero o hoje, o agora e tudo de bom e de melhor que podem advir daqui, desta eu que sou, deste momento que vivo, destas oportunidades que se abrem, agora, e que não posso mais perder. Sou a rainha do “um dia”, não por procrastinar ou por não saber dizer não para não magoar, mas por ter medo de falhar, medo de errar, medo de me confundir e medo até de ser feliz, se bobear. Medo de mudar, mesmo que seja para melhor. Acho que é bem por aí.

Entretanto, como dito acima, eu voltei a caminhar, não dá mais para fugir.

Este foi o texto mais chato que eu escrevi, tanto que nem vou divulgar, vai ficar meio escondido, aqui. Eu tenho falhado muito comigo no quesito cuidar do que mais amo, que é minha própria obra, minha Literatura. Quem sabe o objetivo literário deste texto seja apenas um leve contato com o ato de escrever e publicar, que o texto em si?

Hoje estou mais para desabafo sem sentido, ainda por cima, que texto com começo, meio e fim. Hoje eu não vim pelo leitor, vim por mim. Sempre venho, mas sempre penso em deixar algo de mim para quem lê. Hoje não, hoje eu estou mais para receber.

Queria ter escrito de forma bem mais interessante para ter pelo menos uma identificação, algo que gerasse uma pequena reflexão ou coisa assim, mas não tomei este cuidado: como quem tem algo há muito tempo guardado, simplesmente despejo tudo sem ritmo, sem medo e quase, quase, sem censura.

Porque precisa sair. Tem muita coisa acumulada. Seja a energia que era boa e ficou parada pela dor, e precisa fluir; sejam as angústias que giram ainda como uma tempestade tropical mas não fazem tanto estrago; seja tudo de bom que tenho em potencial e que ou está parado, ou não foi vivido, e que precisa começar a sair. Senão eu surto, eu explodo.

Tem um aluno meu que tem onze anos e gosta de conversar com todos, é muito inteligente e carinhoso, vários adultos o admiram. Desde a semana passada ele está inconformado que eu não sou casada e não tenho filhos, nem mesmo um animal doméstico, e afirma que sou solitária.

Há anos eu falaria cem por cento do que sou obrigada a responder nestas situações com cem por cento de verdade. No primeiro dia eu até falei com uma sinceridade superficial. Hoje eu penso no quanto administrei mal meu dinheiro este mês de tanto que não suportei ficar em casa e precisei sair. E logo eu vi o quanto ele está me ajudando a enxergar o óbvio, o que sempre foi uma queixa da minha alma, muito mais que da minha pessoa.

Eu sempre tive tanto orgulho de mim por ser tão independente: já fui para Fortaleza sozinha (e lá até flutuei no céu com o jeep que nos prende à terra), fazia maratona de cinema, como sozinha o tempo todo em público, porque gosto muito de ler e escrever, e isso é melhor fazer sozinho – ou fazer isso com pessoas em volta que trancada no quarto; faço bate-volta até São Paulo ou à praia sem medo algum, fui até ao Programa do Jô E cantei com o Sexteto antes do programa começar (acho que essa parte só tive coragem justamente por não ter medo de pagar mico para algum conhecido caso eu me desse mal – contudo, o fato é que eu neguei conhecer o diretor artístico do programa para falar da minha voz porque “não, obrigada, meu negócio é escrever”…rs… se eu fosse fazer um post de oportunidades perdidas na vida, eu precisaria de outra Aldeia…rs…). Até em balada, sozinha, eu já fui!

(Ok, foi aqui, no interior, eu achei que fosse ter algum conhecido, mas o ruim de envelhecer  é isso: seus amigos ou já estão casados, ou mudaram de cidade e você só fica com os bêbados ou sem noção porque mulher sozinha vira presa fácil e em menos de uma hora e meia você leva sua produção e sua expectativa e ingenuidade de volta para casa a tempo de ver alguma sessão corujão ou algo assim. Rs… Aí você envelhece mais um pouco e depois de até tentar ir com a prima (porque a gente tinha 15 anos e ela 5 e só ouvia falar do “Gordo”, e você deve isso a ela, que cresceu e se tornou tão irmã que é até maldade pensar que se foi lá com todo mundo, menos com ela..rs…) e depois com a amiga (a reclamação da época era não aguentar mais saber a programação do Altas Horas, mas ao chegar a certo ponto de sono, muvuca e tantas outras coisas mais tão nada a ver com seu ser, o desejo mais sincero era estar naquele exato momento debaixo das cobertas, assistindo “Altas Horas”…rs…), mas vê que vai ter que deixar este planeta sem saber ao certo como é estar numa balada, onde “tudo acontece”, onde o clima é de paquera, querer alguém E esta pessoa querer você também – e não a menina da sua turma mais atirada e mais magra…rs… Ou o que me faz até hoje lamentar o fim dos bailinhos que acabavam quando as baladas ainda estão no “esquenta”: as danças de pares. (Nossa, parei na adolescência! :O Enfim, ok: ficar com o “crush” na balada vai ser minha mini saia aos 50 anos! Hahahahahahahaha! OBS: Antes do mimimi, há algum tempo esta expressão era sinônimo de quem não tinha coragem de viver algo na hora certa, mas não consegue trabalhar o conceito e depois vive algo de forma deslocada, querendo dizer que não devemos perder oportunidades etc. Era o significado implícito. Eu não sou contra pessoas que queiram se vestir de jeito X ou Y, cada um se expressa como quer e etc. Eu compro tiara de unicórnio, quem seria eu para falar de alguém :D, então, por favor, sigamos em paz…rs…) ) – vou usar parênteses dentro de parênteses porque acho melhor que travessão, embora não seja a regra.

Hoje, tem dia que nem escrever eu consigo. Tenho usado muito meu celular antigo como terapeuta, e fico quase uma hora falando, falando… Tem vez que a coisa é tanta que escrever não basta; mas tem hora que a coisa só se resolve escrevendo. Hoje foi assim.

Sobre este negócio de solidão. Primeiro, não me assusta, tanto porque já era esperado, depois de certo tempo e somado a isso o sofrimento, o vazio emocional que vivi; segundo, sei ter condições de passar ilesa por isso, pois, ao passo que dói, às vezes, quando vem (não sinto isso o tempo todo), já sobrevivi sozinha por todos estes anos e sei que sou do tipo independente, então, pior do que foi, acho que não pode ficar. Ou, ao menos, eu espero…rs…

Ainda sobre a solidão, o fato é que este sentimento me leva a uma coisa boa, um retorno à minha origem: fazendo o link com a solidão a dois, volto ao relacionamento a dois, e percebo que minha crença inicial continua intacta. E isso é uma parte boa da minha essência. Apesar do número de pessoas envolvidas com o individualismo; das crenças desfavoráveis à monogamia e até mesmo estabelecendo rótulos pejorativos, como “mulher hoje é tudo p…” ou “homem trai”, ou até mesmo resumindo isso à área sexual e só, eu sigo tendo certeza de que é possível, sim, um ser humano encontrar alguém para dividir a vida. Que, claro, após o mínimo de compatibilidade (afinal, dividir a vida é muito complexo, tem que ser com alguém que tenha um mínimo de afinidade), um sentimento que, claro, tem atração, paixão (senão são só dois amigos), mas que é baseado no respeito, na consideração, no carinho, na amizade e, claro, só pode resultar em amor, além do compromisso diário e individual de cada um em cultivar este sentimento, é possível, sim, uma relação durar. E durar para a vida toda, sim. Não por comodismo, mas por conquista. Muito encontram alguém compatível; têm um pelo outro um sentimento forte mas… descuidam, e encerram o relacionamento como se a culpa fosse falta de amor.

Lá estou eu escrevendo sobre o amor de novo…rs… Que bom! 🙂

Há alguns meses, quando me diziam que eu precisava ter um namorado, foi a primeira vez na vida que fiz o que tanto li: apesar de querer ter alguém, eu entendia que não era o momento, que eu não estava bem e precisava primeiro me encontrar para depois ter espaço, em mim, para alguém – apesar de já voltar a desejar muito que eu finalmente tivesse alguém bacana.

Hoje que minha fé está de volta e eu consigo enxergar tudo isso com mais clareza, só me pergunto quanto tempo vou levar para reorganizar minha alma…rs… (nossa, só falta levar mais 36 anos…rs…)

O trabalho vem na frente, claro. Mas parece que eu, justo eu, tão “Excel”, responsável e “certinha”, me esqueci como se termina o que um dia demos início. Da pilha de livros inacabados até a dieta que meu corpo já pede com ênfase há mais de um ano e que eu quase cedo; do hábito da meditação à constância do contato com as pessoas mais próximas; da administração decente das redes sociais, e-mails etc. (hoje para entrar aqui precisei resgatar a senha, rezando para que a mesma não tivesse sido encaminhada para o e-mail antigo, para o qual eu também iria precisar solicitar nova senha; antes era falta de tempo, agora de computador rápido, enfim, o fato é que eu descuidei de TUDO) à faxina nos pensamentos, que tão rápido passam, o que deixa tão susceptível às oscilações da vida meu campo energético, que é bem mais sensível do que eu tenho capacidade, hoje, de controlar…rs…  Até o controle do sono (e olha a hora da postagem, mas hoje o sono está há tempos, ainda bem, sinal que quero dormir e mais cedo, mas cedi em nome da causa nobre)… Parece que eu preciso só rasgar uma membrana de seda, muito fininha, para que eu acesse o que preciso para reorganizar tudo…

Não me culpo, todo este aparente caos hoje foi fruto de um desalinhar quase que definitivo de mim. Por isso a sede por vida, proporcional ao que quase não mais existiu. Mas uma pessoa amiga que se foi, ao ir, mostrou o quanto eu mesma tenho capacidade de seguir; e outra, esta que, com tanto alívio e carinho, eu deixei ir, cujo erro talvez tenha sido apenas não saber lidar com o fato de não ser para mim, não foi capaz de, nem com seu erro, deixar morrer em mim o que é tão eu, que sempre foi. Eu não precisei, afinal, me anular para existir.

Não me sinto negativa, só confusa. Não com relação a ideias, a energia emanada, talvez os outros não percebam, ou percebam tanto. É só com relação a por qual cômodo começar a reforma. Às vezes, ao olhar para todas aquelas portas, móveis, pilhas, bolas de poeira e crostas de azulejos por tanto tempo malcuidados e esquecidos, encosto só um pouquinho no batente, penso no trabalho todo que me aguarda, as costas ainda doídas da caçamba, olho por entre as cortinas esvoaçantes aquela praia, aquele mar, para onde irei em breve, vejo o sol já brilhando lá fora e levo só mais um instante sonhando, antes de abrir a torneira que vai liberar a água para toda esta sujeira sair.

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PS- Só foi possível fazer uma revisão deste texto devido limitações técnicas.

(fonte imagem: google – sem condições técnicas de colocar link)

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“Amado” *

Mulher sentada olhando o mar quadroA janela da sala de jantar, fechada às pressas, protegia o ambiente das gotas que caíam sem cessar.

Era final de tarde, entretanto, ela já usava pijamas. Estava de folga, mas havia trabalho em casa na pilha ao lado. Intacta.

A mente palpitava e o coração não parava de pensar. Tudo em desalinho. Havia alguma coisa errada.

Nem pensar em meditar. Porque era tarde de folga e porque era chuva, fez um chocolate quente, prendeu os cabelos em um coque desgrenhado e deixou a louça sem lavar. Às vezes há coisas mais urgentes, dentro.

A busca pelo CD de relaxamento levou ao álbum da única música daquela época que, esquecida, ainda não havia sido esgotada ou mesmo substituída. Só porque ela havia encarado seus medos e saído vitoriosa, lembrou-se com surpresa da única foto não rasgada, escondida no fundo de uma carteira já guardada.

O som deslizava aos ouvidos à medida que os olhos percorriam aquela imagem, a única, tão visitada, admirada. Ausência de reconhecimento. E lágrimas.

Lágrimas? Sim, poucas e contidas, porém, ainda o impacto da hecatombe à qual sobrevivera. A dor – que de tão fraca e cicatrizada seria quase gostosa – não mais pela pessoa que partira, e sim pelo elo que se formaria. E não se fez.

Para onde vão os “nós” que se desfazem ou que poderiam ter sido? Se “remisturam-se” ao nosso todo, formando quem somos agora, vez ou outra afloram, lembrando o que eram. Se desprendem-se de nós e são guardados em uma “caixa do sentimento”, como ela pensava quando menina, vez ou outra nos fazem uma visita.

Quando é cedo, voltam e nos atormentam. Quando já superados, apenas nos testam e colocam sua natureza para fora. Um amor não vivido traz as lágrimas por tudo de bom que poderia ter sido. Somente quando puro e realmente marca. E este tinha sido.

Contraditório, todavia, olhar aquela imagem manchada – certamente das abundantes lágrimas de outrora – e lembrar apenas com a memória o impacto que ela fazia. Ter outras fotos para olhar e perceber que eram elas que, de fato, a atraíam. Que, além das músicas novas e das antigas que antes da história de amor, eram dela (cujos cabelos desgrenhados caíam) e haviam sido apenas transferidas, até esta música, tão específica, também se fora. Para o todo que ela, a de pijamas, era, ou para a caixinha de sentimentos terminados, que em algum lugar do espaço jazia.

Qual a diferença entre esperar o tempo certo das coisas, deixar tudo ocorrer naturalmente, ou não ter atitude e perder (outra vez!) as oportunidades? Se a vida havia guiado a moça para aquela história do passado, como ela simplesmente poderia não ter acontecido (e, assim, como confiar novamente)? Como pode ser tão bonita a ponto de aceitar ficar guardada para deixar brotar outra, se for para ser útil e mesmo igualmente bela?

E o mais curioso é reconhecer que podemos estar com outra pessoa de corpo e alma, contudo, ainda assim, somos todos esta mistura.

Nem em uma vida inteira, ela dizia, conseguiria entender. E por mais emocional e ansiosa que estivesse, por já ter sofrido e aprendido, resolveu discordar de sua teimosia e fazer tudo diferente.

Com o chocolate quente em punho, o pijama confortável e o coque desgrenhado novamente montado, deixou as histórias no passado e no futuro, em seu tempo cada uma, e, já de noite, lá de cima, olhou os carros passarem não tão rápido, perdeu-se nas expectativas ou esperanças que sempre ocorrem quando observamos as luzes de uma cidade grande, decidindo buscar uma nova dieta, escovar os dentes, ouvir música agradável  e adiantar o trabalho. O melhor que podia fazer por ela (sua única companhia constante), agora.

* – O título deste texto é inspirado na música de Vanessa da Mata, “Amado”.

Fonte imagem: euindoevindo.blogspot.com

Carpe Diem

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Segundo definição no site de Rubem Alves, esta expressão significa “Colha o Dia”. (http://www.rubemalves.com.br/carpediem.htm). Viva o presente!

Confesso já ter sido apegada ao passado. Tomei consciência do problema, esforcei-me para mudá-lo e neste exercício, fiz algo muito comum a todos em nossos processos de aprendizagem: fui ao outro extremo, projetando demais no futuro.

Por compreender que a vida é equilíbrio, reconheço não ser saudável defender apenas o “carpe diem”. Entendo a relevância de nossas raízes, de boas memórias; a beleza em ter fé no que virá, a confiar que tudo pode ser ainda melhor e sonhar…

Entretanto, exatamente para que este equilíbrio aconteça, falta eu viver intensamente o presente. É ele que um dia será nosso rico passado e é dele que sairá nosso abundante futuro. É a única parte da vida que podemos ter, construir.

Concluindo isso, descubro que a diferença entre desistir e recomeçar, descrita na leva de confusos posts anteriores, está no esforço e nas circunstâncias que fogem ao nosso controle.

Trocar de profissão, de casa, de relacionamento, etc., será desistir se nos aborrecermos com as dificuldades e buscarmos algo mais fácil sem nem ao menos tentar “investir” no que já está ao alcance de nossas mãos.

Recomeçar é quando você faz este investimento, supera dificuldades e ainda assim a situação não o/a deixa feliz. Ter coragem em desligar-se do velho, do conhecido, abrindo mente e coração para o novo é recomeçar.

De tempos em tempos, nosas vidas deveriam ser como o início deste post: uma página em branco, prestes a ser “desenhada” com todas as novas experiências maravilhosas que a Vida nos ofertar!

Sem nos esquecermos o quê o passado já ensinou e também sem prejudicarmos a nós mesmos no futuro,  vivamos cada precioso momento HOJE! 🙂

Abraços,

Camila

Faxina na Alma

Bom dia, pessoal!

Que saudades de escrever aqui!

O post de hoje será breve… Todo meu tempo livre está sendo ocupado com uma faxina geral em casa. 

Coisas que eu julgava serem importantes, ou que nem lembrava mais ter e mesmo que eu guardava apenas por ter tido relevância noutro tempo  – e hoje vejo não serem mais parte de mim –  foram doadas e reencaminhadas.

Abri cada gaveta e compartimento de todos os armários da casa – falta só o banheiro e terminar de organizar coisas para as quais não encontro lugar – coloquei tudo para fora, vi o que não usava, o que estava no lugar errado, reorganizei tudo, limpei o espaço e guardei.

Comecei a ler um livro sobre organização e a ideia que eu não imaginava vir dele, era apenas uma lembrança de um outro livro que li há alguns anos, comparando a limpeza física com a de nossos sentimentos, me fez entender porque é tão difícil começar o trabalho – e tão recompensador quando termina.

Estou numa fase de mudanças e percebo o quanto seria imcompatível entrar nela com os mesmos valores, sentimentos e pensamentos cristalizados. Ao me desapegar até do que tem história, e não apenas do evidentemente supérfluo, estou deixando minha casa mais aconchegante,  assim como minha alma para novas experiências.

Experimentem isso! Faz muito bem. Claro que já fiz arrumações e doações antes, mas nunca desta forma. E percebo o quanto é necessário! Nada na vida é eterno, tudo muda. Se nós deixarmos absolutamente tudo no mesmo lugar, nunca mudarmos, fecharemos nossa mente para vôos maiores.

Somos alma mas vivemos num mundo material. O problema é o excesso que damos ao palpável, mas negá-lo é um erro. Daí tanto desentendimento. Precisamos materializar nossos sentimentos e pensamentos ou introjetar em pensamentos e sentimentos o que as experiências externas nos transmitem. É uma troca contínua, até que consigamos introjetar tudo de que precisamos para sermos luz!

Bom dia a todos!

Abraços,

Camila

PS-> Em breve, um texto sobre casamento.

Fonte da imagem: drang.com.br