Fundo Musical

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A noite fazia-se presente há pouco mais de uma hora. O trem partia enquanto eu caminhava em direção à escada, mas algo era novo.

Um som puro e harmonioso invadia a acinzentada estação de metrô e fez parar verdadeira multidão. “É uma banda formada pelos seguranças”, informou-me um homem. Fiquei encantada.

O preocupado portador de necessidades especiais apertou o botão e por pouco não perdeu o elevador, esquecendo-se de tê-lo chamado. O casal que, apressado, certamente ia a algum local específico para poder ficar junto, lembrou que a jornada, muitas vezes, é mais importante que o destino, e deixou-se enamorar ali mesmo, ao som da melodia suave.

Outros, ocupados ou insensíveis, simplesmente passaram reto. Mas muitos se permitiram alguns minutos de folga, apreciando aquela demonstração de sentimento que une as pessoas pela linguagem universal da música.

Eu escolhi trocar as paredes lotadas das grandes marcas de um shopping para viver aquele momento. Esqueci um pouco o mundo lá fora para ouvir a música que vinha, na verdade, de mim.

Esta parada, no meu caso, obrigatória, lembrou-me que existe muito além da rota pré-moldada; que a vida, muito mais que um vai-e-vem de estações de trem, pode ser a música que colore e ilumina a alma neste caminho necessário, a qual desperta o que o trajeto muitas vezes machuca ou apaga. Basta aceitar finalmente ouvi-la, ao invés de simplesmente repetir o mesmo caminho de ontem e seguir em frente…

(Texto referente à quinta-feira, 30/07/205, estação Ana Rosa do Metrô de São Paulo e à banda “Seguranças do Metrô”).

Imagem: pt.forwallpaper.com

RelatiVIDAdes

Boa noite a todos…

Excessivos deveres do dia-a-dia me tiram daqui…

A foto faz parecer que é um post científico, mas é exatamente o contrário…

Certa vez, na aula do primeiro ou segundo colegial (hoje, Ensino Médio), meu professor de Física perguntou-nos se um carro que estivesse a 100km na via Dutra estaria parado ou em movimento. Em uníssono, respondemos: “Em movimento”. Em seguida perguntou o mesmo sobre nós, sentados em nossas carteiras. Clara e seguramente respondemos: “Parados”. Errado!

Confusos, perguntamos por que, e ele nos explicou: se comparados a alguém que andasse dentro da sala, ao carro da Dutra, a um avião, etc., estávamos mesmo parados. Mas isso não é absoluto. Se mudarmos o ponto de vista e olharmos a Terra de fora, nós também estaremos em movimento, pois a Terra se move constantemente, assim como tudo aquilo que se encontra em sua superfície…

Isso abriu minha mente, ficando fácil de entender posteriormente o conceito de relatividade , proposto por Einstein. Citarei duas frases literais do site “Brasil Escola” (http://www.brasilescola.com/fisica/teorias-da-relatividade.htm) para em seguida usar o raciocínio científico na parte filosófica do texto…

Os grifos são meus. A primeira frase é “No estudo da Mecânica, a velocidade, por exemplo, é uma grandeza relativa, ou seja, sua medida depende do referencial do qual está sendo medido”. A posterior é “… ambas trouxeram o conhecimento de que os movimentos do Universo não são absolutos, mas sim relativos“.

O Homem, ao estudar Antropologia, Sociologia e ao observar a própria realidade, poderá notar que, assim como os movimentos do Universo, nenhum estado cultural, tecnológico, social, está esgotado. Tudo evolui e muda sempre.

E, somado a este raciocínio, ao usarmos a citação anterior ou o meu exemplo pessoal, perceberemos que verdades são construídas muitas vezes em cima de um “ínfimo” referencial. Difícil, levando tudo isso em conta, chamarmos qualquer verdade advindas de costumes, hábitos, culturas, de absolutas. Elas são úteis para determinado grupo de pessoas em dado espaço de tempo.

Embasamento teórico/ científico feito, poderei divagar tranquilamente pelos caminhos da realidade da alma… E, não mais como estudiosa, mas como ser humano aprendiz, emitir minha oponião…

Como ser consciente de si, precisamos entender que não seremos, nunca (para esta fase de nossa evolução), detentores da verdade total.

Temos nossa verdade interna que vai evoluindo à medida que convivemos com outras pessoas. A vivência com elas nos enriquece e é extremamente necessária. Mas precisamos saber o que aproveitar e o que deixar de fora, para não exagerarmos nesta troca e passarmos a ser o outro em vez de nós.

Sendo assim, quando diante de um dilema, como saber se estamos sendo exagerados, se usarmos um referencial “a”, ou se estamos sendo apenas conscientes, se o referencial for “b”? Já explico…

Entendemos que em determinadas situações, se refletirmos bem, reconhecemos o referencial e a partir daí pode-se encaixar sua atitude como acima ou abaixo de uma linha imaginária de equilíbrio. Por exemplo: é sabido que usar drogas não traz vantagens reais, apenas ilusões passageiras.

Dentro deste exemplo hipotético, posso até ser uma viciada, mas sei que estou abaixo da linha deste referencial e, uma vez que eu consiga reunir forças, sei o que preciso fazer, sei qual é meu objetivo: deixar o vício.

Mas e quando não sabemos qual é o referencial? E quando estamos numa bifurcação e temos uma determinada tendência para agir; iniciamos o processo de ação, baseado no referencial “a”, mas logo em seguida surge a possibilidade de estarmos enganados e o certo ser o referencial “b”. Aí o processo é interrompido e inicia-se o novo. Mas o referencial “b” parece errado, e retorna-se para o “a”. Assim, sucessivamente…

Para ser mais específica, olhando do ponto de vista da Terra (“a”), seria um exagero, uma fuga da realidade; mas, se levarmos em conta a realidade espiritual, que é a real – embora isso ainda seja difícil de ser compreendido – seria apenas ser mais forte que o meio, respeitar aquilo que se é verdadeiramente…

Usarei o exemplo das drogas novamente: sabemos que somos seres ainda em evolução, não já evoluídos. Por não sermos sábios completos, precisamos errar para aprender. Mas não somos seres “zero quilômetro”, temos lá alguma bagagem, em variados níveis. Há erros que já cometemos no passado e não precisamos mais experimentar para saber que não se deve fazer. É só seguir nossos instintos, sentimentos, intuições…

Como citado, a droga. Não é necessário que eu use crack para saber que aquilo não é bom para mim. Não preciso sentir, experimentar, posso simplesmente observar, pensar e agir.

Mas questões mais subjetivas são relativas, pois cada uma tem uma vivência diferenciada… Para uma determinada pessoa, em determinado espaço de tempo de sua existência, num contexto tal, casar, separar, comprar um carro, viajar, aceitar um emprego, deixar um emprego, etc, significa uma coisa. Para outra ou para ela mesma em outro contexto, significa outra.

Por isso nunca podemos julgar ninguém, pois aquilo que vemos é aparência. Não sabemos as causas reais. Digo sempre aos amigos, e acho que repito aqui, que vivemos num mundo de poucos efeitos e muitas causas.

O que fazer quando não sabemos mais onde está o chão? Fazer ou não fazer certa coisa, ou negar um antigo padrão de comportamento, pode ser um ato de consciência ou de imaturidade… qual o referencial certo?

Às vezes o tempo esclarece… mas e quando brigamos com ele? Ele passa vagarosamente demais, e nós, no meu caso, eu, já suporto o sofrimento há muito… Isso cansa nosso emocional e confunde nossa capacidade de encontrar o referencial certo…

 Posso tanto ser a pessoa que enxerga além, que sofre porque é limitada como todos e tem também más tendências para vencer, mas conseguirá a superação após o longo período de tempo, a que ouviu sua voz interior; ou porque não estou cuidando de mim, saindo do sofrimento que está estampado em meus olhos e eu, por não me amar completamente, por querer fugir, encontro desculpas “elevadas” para camuflar meus medos, inseguranças, etc… Tenho eu medo de experimentar ou já tenho experiência suficiente para não cometer um erro já aprendido?

Quando a maioria das pessoas me analisa como se eu estivesse exagerando para o referencial Terra, isso acontece porque eu estou camuflando meus medos, ou porque elas estão mais contaminadas ao meio que eu, e fatalmente terão uma visão mais materialista? Que perigo eu estar sendo arrogante, não? Mas e se for verdade? E se eu, por não confiar em mim, ouço o que dizem e assim me nego, o que me enlouquece?

A frase: “seja você mesma” seria a resposta, mas e quando, depois de tanto tempo, dúvidas, decepções, fés e esperanças que não se concretizaram, mas foram initerruptamente reiniciadas – e sempre derrotadas novamente – já não se sabe mais quem é, já não se tem um referencial interno? Estou eu apenas em processo de mudança, ou sendo testada? Não suporto mais não saber!

Eu nem me lembro mais de quando eu não me auto-analisava, e nem sei se existiu este tempo…rs… Mas se pelo menos eu me contentasse com bater cartão na Terra e viver apenas o momento, sem pensar no que foi – o que aprendi e me permite fazer melhor, diferente – e o que serei – as consequências de meus atos atuais, reflexos do quanto eu penso em mim – usaria sempre a mesma verdade padrão – a que estivesse “na moda, no momento”. Não precisaria pensar antes de agir e não daria atenção a “este tal de Einstein” e sua teoria de que tudo é relativo…

Fonte da imagem: presenteparahomem.com.br

Adendo: Citarei a mim mesma há quase um ano, quando minha fé ainda era mais forte… O texto está no blog antigo e se chama “O Conto de Fadas é a Realidade”. Que me-do! 😛

http://ameninaqueencontrouoamor.blogspot.com/2010/06/o-texto-prometido.html